sexta-feira, 29 de julho de 2011

Café Girassol


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Reconstruir o Girassol

Café Girassol-Lembranças de várias vidas

imagem: artigo do JN da autoria de Jacinto Martins (obtido em Reconstruir o Girassol- imagem colocada por Duarte Machado)

Mário Soares, Cavaco Silva, Freitas do Amaral, Torres Couto e tantos outros degustaram um cafezinho na esplanada do «Girassol».

Um ponto de encontro das tertúlias que se perde

A população de Albergaria-a-Velha ficará privada, a partir de hoje, de um dos seus tradicionais lugares de lazer. Trata-se do conhecido Café Girassol, o qual vai ser demolido e sacrificado às denominadas leis do progresso.

O café, construido há cerca de quinze anos, obedeceu, na altura, ao aproveitamento de parte do espaço físico onde funcionou, durante dezenas de anos, o antigo mercado municipal. A Câmara cedeu o terreno para a construção e formalizou a concessão do Café Girassol a Alder Lopes, ao tempo um reformado das ex-colónias que, de imediato, iniciou a exploração do negócio, com êxito assinalável. Posteriormente, outros dois ex-reformados, Fernando e Aníbal Bastos, obtiveram nova concessão e ate agora têm-se mantido à frente do café.

Todavia, a urbanização do centro cívico da vila, enquadrada pela Alameda 5 de Outubro e Praça Ferreira Tavares, onde, além do café, se encontram implantados os Paços do Concelho, actualmente desactivados para obras, o Palácio da Justiça, a estação dos caminhos-de-ferro, o Cine-Teatro Alba e o jardim público, impõe o desaparecimento daquele que foi, sem dúvida, nos últimos anos um ponto de encontro importante de toda a comunidade.

No seu lugar, ou mais exactamente a uns 50 metros, vai surgir um outro estabelecimento do género, mais moderno e mais requintado.

Só que até tal suceder irão decorrer, pelo menos, dois anos, o prazo concedido ao empreiteiro, que adjudicou a construção do novo café «snack-bar» e salão de chá, sendo certo que ao mesmo será concedido, por vinte anos, o direito de exploração, dentro de regras que a Càmara e a Assembleia Municipal já estabeleceram previamente e que furam aceites pelo referido empreiteiro, que irá investir qualquer coisa como 20 mil contos.

Chegada a hora do camartelo e das escavadoras, o Girassol tem uma (muitas) história(s) para contar.

- Actuais proprietários com destino incerto

Nos últimos anos, o Girassol foi agente de tudo quanto é jornal, publicação ou revista e, por isso, pode dizer-se com propriedade que ele também terá ajudado a formar a consciência cultural e cívica de muita gente. No grupo dos que fizeram do singular café a sua bancada de informação está o repórter, que, logo de manhã, sempre cumpriu o ritual de ali levantar o seu JN. Outros o fizeram em relação a outros órgãos de comunicação social e não foram poucas as vezes em que as versões diferentes de um mesmo facto político, económico, social, cultural, desportivo, etc., veiculadas por jornais ou revistas, deram lugar a vivas e curiosas discussões avançadas, quase sempre na esplanada exterior. Discussões que umas vezes terminaram de forma insólita, mas, na maior parte, acabaram em fraterno e sadio consenso.

Nesta hora de despedida, no entanto, subsistem alguns problemas que afligem os últimos proprietários.

«Sempre pensamos que o fim da nossa actividade, enquanto concessionários do café, havia de coincidir com a abertura do Centro Coordenador de Transportes, -onde vai ser posta a concurso a exploração de um cale--bar e ao qual nos candidatamos. No entanto, não se sabe ainda quando o Centro Coordenador começa a funcionar. Fala-se que será lá para o Verão, mas a verdade é que nós ficamos no desemprego forçado, não sabemos se por muito tempo, se por pouco tempo. Tão-pouco sabemos se nos será concedida a exploração dos novos serviços. Mas não havemos de morrer à fome. Podia ter-se leito um esforço para manter aberto o café mais dois ou três meses e tudo ficava resolvido. Nesta hora, gostaríamos de agradecer a tantos e tantos amigos e clientes que por aqui passaram e que nos contaram tantas e tantas histórias, algumas bem curiosas e que rido podem nem devem ser divulgadas, em& nome da privacidade das pessoas e dos bons costumes da terra. Foram, de facto, anos inesquecíveis» -refere, com evidente emoção, Fernando Bastos, tendo ao seu lado o seu irmão e sócio, Aníbal.

Ironia das ironias. O Café Girassol vai fechar no dia dos enganos. Quando muitos dos seus indefectíveis frequentadores, desprevenidos, ali chegarem, encontrá-lo-ão encerrado, sem margem para dúvidas ou enganos. Hoje será encerrado um pouco da história de Albergaria-a-Velha. O centro cívico local parecerá, durante dois anos, um espaço deserto e fantasma.

JACINTO MARTINS / 01.Abril.1989 (correspondente JN)

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do arquivo do blog
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(...) a hipótese de ver a evolução da “Central Peninsular” a abrir um conjunto de auto vias férreas ligando a Grande Área Metropolitana do Vouga, o que implicaria novos traçados ferroviários e a requalificação do Centro Cívico de Albergaria que incluiria, em torno do espaço das Praças centenárias denominadas «Ferreira Tavares» e «5 de Outubro» a reanimação do Café Leão, do Café Girassol, da Adega Alameda, do Teatro Alba, a edificação do novo Quartel dos Bombeiros e a reinstalação de todos os serviços públicos na «Domus Municipalis».

Elísio Silva (2006)
http://novos-arruamentos.blogspot.com/2009/11/solipas.html

Novos Arruamentos 1983




Neve em Albergaria-a-Velha - Fevereiro de 1983



quinta-feira, 28 de julho de 2011

Dos Forais...

DOS FORAIS MEDIEVAIS À REFORMA ADMINISTRATIVA DE MOUZINHO DA SILVEIRA

A origem dos Concelhos, ainda que de uma forma muito ténue, vamos encontrá-la no período após as invasões muçulmanas. Os senhores nobres refugiaram-se nas Astúrias, deixando as populações à mercê dos muçulmanos que não arriscaram além dos Pirinéus. Os anteriores senhores que haviam fugido, regressando das matas e matagais, onde se haviam escondido à passagem da guerra, voltaram à terra para o amanho habitual dos campos. Sós e sem quem os orientasse sentiram a necessidade de resolver por si e de uma forma colectiva os problemas com que se debatiam: águas, gados e terras a cultivar. Numa época em que o ermamento não passou de uma pequena ameaça ao invasor muçulmano as comunidades adquiriram uma liberdade de facto e uma capacidade própria para se auto-gerirem.

Já numa verdadeira ambiência de reconquista em que a Presúria Oficial era a forma que o rei encontrava para recompensar os senhores que o apoiavam na guerra, desenvolvia-se uma outra Presúria (Privada) em que as comunidades de homens livres que se geriam por si, estabelecendo regras e punindo os infractores, manifestando-se dessa forma como comunidades com normas próprias e que iam necessitar de escolher os seus chefes. Por sua vez nos coutos e honras os senhores ao atribuírem a certos grupos de homens contratos agrários colectivos estavam a lançar a semente desse tipo de comunidades, ainda que deles dependesse o estabelecimento das normas económicas, jurídicas e administrativas.

Mas o reconhecimento oficial dos concelhos só aconteceu no século XI com as primeiras cartas de foral, porém os dois séculos seguintes são aqueles em que os forais passaram quase a ser uma regra geral. Por um lado o rei atribuía-os por razões de ordem militar, povoamento, pacificação, natureza fiscal e equilíbrio de poderes, por outro lado os senhores que correndo o risco de ver os homens que viviam nas suas térreas, coutos e honras, optaram por ir para os concelhos, para obviar a essa situação e para dar iguais regalias com a atribuição de aforamentos colectivos ou cartas de foral destinadas a essas comunidades rurais. Vão assim aparecer-nos no século XIII grandes variedades de concelhos: litoral, interior, planície, montanha, Norte, Sul, urbanos, ricos e pobres cada qual com as suas características específicas. Não nos parece haver dúvidas de que a multiplicação dos concelhos resultaram mais comummente de uma concessão de reis a senhores, como instrumentos da sua política de povoamento, de aumento de riqueza pública e multiplicação de fontes tributárias ou de simples satisfação de aspirações manifestas das povoações.

Os forais são, grosso modo, cartas orgânicas de autêntica emancipação social, documentos jurídicos qualificados e insuspeitos, de que um determinado aglomerado social e geográfico legitimamente se orgulha, como conjunto de cidadãos livres e responsáveis, exercendo a sua cidadania.

Ao longo da sua história, o texto e o documento sofreram algumas alterações consoante a política dos nossos reis.

Assim, todos os forais concedidos até o reinado de D. Manuel encontram-se reunidos num dos livros da série denominada Leitura Nova de D. Manuel, com o titulo de forais Velhos. Os restantes - os Forais Novos são os concedidos a partir do reinado do rei Venturoso. Uns e outros, porém, surgiram inseridos em determinado contexto histórico da nossa vida nacional.

Uma vez definidas as fronteiras territoriais, iniciou-se uma nova fase da vida portuguesa. A pouco e pouco os nossos reis, passada a fase do esbanjamento do património nacional pelos companheiros de armas e por instituições de utilidade publica (caso das ordens monásticas e militares), e consequentemente o seu enfraquecimento político-económico, depressa iniciaram lenta e paulatinamente, uma política de recuperação dos direitos e dos poderes alienados. Em consequência disto, a política foralenga começou a definhar a partir de D. Dinis e sobretudo com os seus sucessores, “Mais preocupados com a recolha dos tributos municipais, o controlo dos órfãos concelhios e uma certa uniformização e extensão do poder judicial régio do que respeitar as autonomias e privilégios dos vilãos e burgueses” (José Mattoso – Forais. In Dicionário Ilustrado da História de Portugal. Publ. Alfa., vol. I. Lisboa, p. 266.G).

Daqui resultou que os forais passaram a ser progressivamente, “simples listas de impostos municipais”. A centralização do poder real que se foi acentuando a partir do séc. XIII não suprimiu os privilégios dos concelhos, mas tornou mais imperiosa a necessidade de registar com clareza alguns tributos que os antigos forais não previam. Na verdade, os antigos forais estavam, nesta matéria cheios de lacunas e deturpações, tornando-se dificilmente utilizáveis. Esta situação abriu caminho para uma reforma foralenga, já reclamada a D. Afonso V nas cortes de Coimbra de 1472 e nas de Évora de 1475, e novamente requerida a D. João II nas de Évora e Viana do Alentejo em 1492-82, no entanto ela só foi para diante com D. Manuel I. Para o efeito, nomeou uma comissão formada pelo chanceler-mor Rui Boto, os desembargadores João Façanha, Fernão Pina e outros.

O reinado de D. Manuel foi marcado pelo intenso movimento reformador, de que a reforma dos forais foi apenas um aspecto. Entre as outras reformas podemos destacar o Regimento dos Pesos e o Regimento dos Oficiais das cidades, vilas e lugares destes reinos e as Ordenações Manuelinas.

É no segundo dia do mês de Junho que se conta o aniversário da concessão da carta de foral a Óis da Ribeira pelo rei D. Manuel I, cujo documento elevava administrativamente aquele lugar a Concelho.

O conteúdo da carta, ou seja, os direitos nela consignados com os adequados deveres para esta unidade territorial, prevaleceram até 1834, na sequência da publicação da Lei de 13 de Agosto de 1834, cujo mentor foi esse reformador da estrutura administrativa, Mouzinho da Silveira.

A carta de foral era elaborada em triplicado, sendo um exemplar para o Arquivo Nacional Torre do Tombo, outro para o senhorio e outro para a Câmara de Óis da Ribeira.

DO FORAL DE ÓIS DA RIBEIRA E SUA AQUISIÇÃO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE ÁGUEDA

Conforme acta da reunião ordinária da Câmara Municipal de Águeda, realizada no dia 7 de Dezembro de 1983, o Senhor Presidente apresentou a seguinte proposta:

Os leiloeiros livreiros Azevedo e Burnay, de Lisboa, contactaram a Câmara Municipal anunciando que, entre outras centenas de obras, iria ser leiloado o foral de Óis da Ribeira, concedido por D. Manuel I àquela Vila em dois de Junho de mil quinhentos e dezasseis, com base de licitação de cem mil escudos.

Este original faz parte do conjunto de três que foram executados para a mercê da concessão do foral. Normalmente, um dos exemplares destinava-se ao Arquivo Nacional (Torre do Tombo), outro era para a pose do senhorio ou donatário e o terceiro ficava propriedade da Câmara de Óis da Ribeira. Desconhecia-se o paradeiro, pelo menos, deste último exemplar.

(...)

Segundo informação do nosso representante, havia grande interesse na aquisição do foral por muitos dos coleccionadores presentes, em particular, por parte da Casa Ducal de Vila Viçosa, que viria a adquirir o foral da Vila de Paus, concelho de Albergaria-a-Velha, também leiloado. O interesse manifestado pela Câmara de Águeda fez com que os coleccionadores desistissem das licitações, premiando com uma salva de palmas o propósito desta Câmara Municipal

Fonte: Arquivo da Câmara Municipal de Águeda :: Dr.ª Manuela Almeida

Óis da Ribeira é uma das vinte freguesias do Concelho de Águeda. Paus pertence actualmente a freguesia de Alquerubim. A CM Albergaria-a-Velha publicou recentemente edicoes facsimiladas dos Forais de Angeja e Paus.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Imagens


Bustos do Comendador Martins Pereira (Albergaria-a-Velha) e Dr. Jaime Portugal (Angeja) que foram furtadas nos últimos dias.

Imagens:Igogo e Panoramio

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Recriação do julgamento dos primeiros presos


Homicídio, furto, vadiagem e actos contranatura… Estes são os crimes apresentados perante o juiz na mais recente actividade do Serviço de Aprendizagem Criativa (SAC), “Socorro, não quero ir preso!”. Aproveitando o facto do edifício do Arquivo Municipal ter sido, inicialmente, uma cadeia, a equipa do SAC desenvolveu uma acção em que se recria o julgamento dos primeiros presos de 1906, mencionado num jornal de época que faz parte do fundo documental.

A estreia decorreu com os participantes do “Campo de Férias 2011”, durante a primeira quinzena de Julho, e os jovens demonstraram vestir bem os papéis de réu e de advogado de acusação.

Na sala polivalente, os jovens, com idades compreendidas entre os 11 e os 16 anos, foram divididos em duas equipas – a de acusação e a de defesa – sendo depois separados em divisões diferentes, para que pudessem preparar os seus argumentos. A cada um dos grupos foi, somente, revelado os crimes, pelo que os jovens tiveram que criar uma narrativa que pudesse convencer o juiz. No caso da acusação, os participantes tiveram que criar o cenário do crime, com a indicação do local, tipo de arma e alvo. No caso da defesa, tiveram que pensar em todas as formas possíveis de se livrarem da acusação, e que podia passar pela alegação de insanidade mental, a existência de um sósia ou o desespero total.

Na improvisada sala de audiências, cada equipa escolheu os seus representantes, que foram devidamente caracterizados para representarem melhor os seus papéis: uma toga, para o advogado de acusação, e roupas velhas e algemas para o réu (para o caso de ele tentar fugir!). A partir daqui, começou a verdadeira “guerra de palavras” com o advogado de acusação e o réu a digladiarem-se para convencer o juiz. Todos os argumentos eram válidos, desde que respeitassem a época em questão, ou seja, nada de fugas em carros velozes, contactos via telemóvel ou uso de G3 como arma, coisas inexistentes no início do século XX!

No final, o juiz decidiu quem era condenado e quem era absolvido, ganhando a equipa que tivesse mais condenações (no caso da acusação) ou mais absolvições (no caso da defesa).

O balanço das primeiras sessões desta nova actividade do Serviço de Aprendizagem Criativa foi francamente positivo, tendo os jovens entrado, facilmente, no espírito do julgamento fictício. Entre gritos de vitória e alguns amuos, os participantes aprenderam a argumentar com clareza, usando a sua imaginação, sem esquecer o contexto histórico.

A actividade “Socorro, não quero ir preso!” está agora disponível para escolas e outros grupos de jovens, não só do Município, mas também da região, bastando fazer a marcação junto dos Serviços do Arquivo Municipal, que confirmará as datas possíveis.

CMA

imagem: antiga cadeia municipal, actual arquivo (pormenor de postal de 1908 publicado no Boletim Albergaria em Revista nº 26 de Janeiro de 2009)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Escritores fascinados pela Ria de Aveiro

Paisagem deliciosa e original, indecisa entre o mar e a terra, e que nos enche de vivo prazer quando dominamos desde os altos de Angeja à raiz das montanhas.»

Oliveira Martins

(Blog Galafanha, 20/04/2011)