quinta-feira, 30 de maio de 2013

Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha

No dia 21 de Novembro de 2008 foi inaugurado o Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha (AMA) que representou uma mudança na gestão da informação da autarquia.

PASSADO

Desde a fundação do Município de Albergaria-a-Velha até 2008, não existia nenhum serviço exclusivamente dedicado à gestão da informação com as devidas condições. Foram 173 anos de acumulação documental, que levaram a perdas documentais significativas, inclusive de documentos de elevado valor histórico para o município.

Encontrámos uma autarquia onde cada serviço tinha o seu método de organização e a classificação dependia de critérios baseados no senso comum de cada colaborador. Cada sector classificava à sua maneira, isto é, não havia uniformização de critérios. Não existiam instrumentos que permitissem recuperar a informação. Não existia qualquer noção do património arquivístico existente, para além do “Recenseamento dos Arquivos Locais” dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (ANTT) em 1997, ainda assim incompleto.

A documentação era sucessivamente transferida entre edifícios, o que provocou perdas documentais significativas. Os acervos encontravam-se dispersos em seis pontos: edifício dos Paços do Concelho, armazéns municipais, nos antigos edifícios da cadeia, Biblioteca, Escola Primária e Casa dos Magistrados.

Nenhum dos edifícios reunia as condições mínimas para o correcto acondicionamento da documentação. Não existia nenhum tipo de controlo no acesso. O património estava praticamente deixado ao abandono, sem condições de higiene existindo apenas por imposições legais. Não existiam recursos humanos nem financeiros afectos exclusivamente ao serviço de arquivo.

(...) o Executivo Camarário apostou na construção de um edifício que pudesse criar condições condignas à conservação e preservação da documentação. Um edifício que também disponibilizasse aos utilizadores as condições necessárias às suas pesquisas, que atraísse novos públicos e que dignificasse os seus profissionais e utentes.

A projecção do edifício teve o apoio do PARAM - Programa de Apoio à Rede de Arquivos Municipais do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. O resultado foi um edifício com 3 pisos: no piso térreo, o serviço de referência, hall de exposições e depósito documental; no primeiro piso, 2 gabinetes de trabalho, uma sala de leitura, uma sala de triagem e um salão polivalente. No último piso, adaptação do sótão, encontra-se o arquivo de cartazes, onde irá funcionar o serviço de digitalização.

Antes da se inaugurar o novo edifício houve a preocupação da Direcção-Geral de Arquivos em auditar todos os aspectos do funcionamento do sistema de arquivo da autarquia. Foram analisadas questões técnicas relativamente ao edifício, bem como procedimentos internos. Após verificação de conformidades a implementar, o Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha (AMA) conseguiu o apoio do Arquivo Distrital de Aveiro, que se revelou fundamental para solucionar alguns dos problemas encontrados ao longo do percurso. Da parte do ADAVR foi disponibilizado apoio técnico, sugestões de métodos de trabalho e emitidos pareceres, criando a proximidade necessária à superação das necessidades. Foi o conjunto de esforços destas entidades que permitiu estruturar convenientemente o edifício e avançar com a implementação de um controlo ambiental através de um sistema de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado, centralizar os vários documentos da mesma providência e aplicar um rígido controlo no acesso aos mesmos.

Desta forma, o AMA definiu a sua missão, valores, objectivos e indicadores para o serviço e publicou o seu Regulamento Interno. Criaram-se instruções de trabalho relativos à limpeza, acondicionamento e arrumação dos documentos. Esta última solução acabou por se revelar uma mais-valia, sobretudo na fase de arranque em que não existiam colaboradores a tempo inteiro no serviço, pois permitia à maioria dos recursos humanos executar os trabalhos listados.

(...)

PRESENTE

O novo edifício garantiu aos técnicos as condições necessárias para procederem à avaliação, selecção e classificação das grandes massas documentais existentes. Conseguiu-se recensear todas as unidades de instalação, o que permitiu a criação de instrumentos de descrição que possibilitaram a recuperação de documentos, chegando-se a redescobrir património pensado inexistente. Apesar do arquivo não ter iniciado os trabalhos de digitalização dos documentos, encontram-se descritos mais de 13.000 registos, na totalidade dos diferentes níveis de descrição.

Uma das primeiras ferramentas disponibilizadas ao público do serviço de leitura e referência foi o “Arquivo Digital”. O produto baseado numa interface Web, permite ao utilizador pesquisar documentos iconográficos de uma forma rápida, além de permitir o acesso à consulta de jornais antigos na hemeroteca digital.

Com o intuito de se intervir a montante, no fluxo da informação da autarquia, estabeleceu-se um Plano de Classificação Documental (PCD), transversal a todos os serviços. (...)

A desmaterialização documental, apesar da redução de custos e de facilitar o controlo e acesso à informação, veio trazer algumas preocupações relacionadas com a preservação do documento electrónico a médio e longo prazo. De facto, foi apresentado um documento, o Plano de Preservação Digital, que estabelecia os formatos a utilizar para os documentos textuais, iconográficos, cartográficos, documentos não-lineares e desenhos técnicos e arquitectónicos. De igual forma, teve-se em conta as questões do hardware, a monitorização e avaliação contínua dos documentos que constam no repositório digital e a integridade e autenticidade dos mesmos através da certificação por assinatura digital.

O Arquivo, tendo como missão a preservação e difusão do património arquivístico, estabelece esforços para intervir junto das entidades externas à Câmara, para sensibilizar e evitar a perca da herança do município. Desta forma, através do incentivo a doações e depósito de documentos para serem conservados em condições próprias, tratados e difundidos para o bom uso da comunidade, tem-se concretizado no crescente número de protocolos entre a Câmara e as pessoas colectivas ou singulares, permitindo, da mesma forma, aumentar a riqueza do nosso acervo e democratizar o seu acesso.

(...)

FUTURO

O trabalho está longe de ser concluído e a plena satisfação está longe de ser atingida. Os investimentos futuros passarão pela aposta na melhoria contínua do software de gestão da informação, adicionando-lhe a componente de integração de representações e objectos digitais, não apenas na integração de imagens digitalizadas, mas também do audiovisual.

Outro aspecto será a aposta na disponibilização de conteúdos na Web, em que os utilizadores poderão consultar os registos, objectos digitais e garantir serviços à distância e num curto espaço de tempo.

(...)

Autoria:
Sandra M. Figueiredo (sandra.figueiredo@cm-albergaria.pt)
Helder Silva (helder.silva@cm-albergaria.pt )

Adaptado do texto sobre Gestão da Informação na Administração Municipal: passado, presente e futuro - Caso Município de Albergaria-a-Velha

10-57-1-PB.pdf


Forinova

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Indicações Utéis

Anuario del comercio, de la industria, de la magistratura y de la administracion de Espana, sus colonias, Cuba, Puerto-Rico y Filipinas, estados hispano-americanos y Portugal

Tratava-se de uma publicação que tinha alguma informação sobre os concelhos portugueses. Os dados que se apresentam mais abaixo estão reproduzidos em edições de 1908 e 1910 mas são de anos próximos de 1903.

ALBERGARIA-A-VELHA — V. de 2983 h., cabeça do concelho e comarca, com 13.175, a 18 k. de Aveiro, Prov. do Douro e bispado do Porto. - Feiras nos segundos domingos domingos de cada mez - A estação mais próxima Estarreja, a 15 Km

* ADMINISTRAÇÃO DO CONCELHO. - Administrador, Pinho (António Fortunato). - Secretário, Maia Mendonça (Manoel)

* CAMARA MUNICIPAL. - Presidente, d'Albuquerque (Bernardino Máximo). -  Secretário, Araújo (Germano)   

* Juízo de direito. - Juiz, Lemos (António Victor)

* Juízo de Paz. - Juiz, Moreira (Joaquim)

* CADEIAS. - Director, Teixeira Pacheco (Manoel)

* CORREIO E TELEGRAPHO. - Chefe, Moreira (Maria Adelaide)

* Parocho. — Pirez Alvares Mourão (Julio)

* INSTRUÇÃO PRIMÁRIA. - Professor, Ferreira (Joaquim António) - Professora, Fernandes (Guilhermina Augusta)

* Advogados.

Correia de Silva Portal (Abel)
Miranda (Francisco António)
Pinho (António Fortunato)

* Agente de bancos.

Oliveira Campos (Manoel d.)

* Carruagens d'aluguer.

Almeida (António José de)
Costa (António Maria de)
Ferreira dos Santos Caixeiro (Manoel)
Geraldo (João)

* Cazas de Pasto.

Bastos (Manoel Martins de)
Ferreira Vidal (José)
Geraldo (João)
Nunes Nobre (João)
Ribeiro (António Henriques)

* Confeitaria.

Ribeiro e Silva (Joaquim)

* Correeiro.

Dias dos Santos (João)

* Diligências.

Para Estarreja e Vizeu

* Hoteis.

Costa (Bernardino Maria da)
Coelho de Pinho (José)

* Jornal.

Correio d'Albergaria

* Latoeiros.

Rodrigues Ferreira Vidal (Abílio)
Rodrigues Terceiro (António)
Silva Vidal (João Olympio)

* Louças (Fábricas de).

Almeida (Augusto Cezar de)
Correa Vidinha (Francisco)

* Madeiras.

Coelho de Pinho (José)
Ferreira da Silva (Abel)
Henriques (Patricio Bernardino)

* Médicos.

Homem Correia Telles (José)
Lemos (Manoel)
Sousa (Vicente Carlos de)

* Mel e cera.

Correia de Melo    (Delphim)
Silva (Marques da)

* Mercearias.

Bastos (Manoel Joaquim de)
Fernandes da Silva Dourado (José)
Ferreira Vidal (José)
Geraldo (João)
Marque Pereira (António)
Nunes Nobre (João)
Oliveira Campos (Manoel d')
Pinheiro Mourisca (José)
Ribeiro (António Henriques)
Ribeiro e Silva (Joaquim)
Silva Vidal (Francisco Augusto da)
Simões (José)

* Merceneiros.

Gomes Soares (José)
Silva Ferreira (Silvério da)

* Ourivesaria.

Simões Gaspar (Manoel)

* Papel (Fabrica de).

Valle Maior. - Gerente, Berggoist (Eric Daniel)

* Pharmácias.

Marques de Lemos (Francisco)
Ferreira (João Pedro)

* Polpa (Fábrica de).

The Caima Timber Estate and Wood Pulp Company

* Relojoarias.

Simões Gaspar (Manoel)
Teixeira de Miranda Pacheco (Manoel)

* Sociedades.

Grémio recreativo Albergariense - Presidente, Miranda (Francisco António de)

Philarmónica - Regente, Mattos (Francisco de)

* Sollicitador.

Rodrigues Castanheira (António)

* Tecidos de lã.

Geraldo (António)
Marques de Lemos (Albérico)
Pinto (António Ferreira)
Rodrigues Ferreira da Silva (João)
Silva Paula (Ermelinda da)

* Vellas de cera (Fábricas de).

Correia de Mello (Delfim)
Marques da Silva (Miguel)

* Vinho (Negociantes de).

Dourado (José)
Ferreira Vidal (José)
Ferreira (José Simões)
Geraldo (João)
Pinheíro Mourisca (José)
Raymundo (Manoel)
Ribeiro (António Henriques)
Silva Pedro (António)
Vasconcellos (António)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Entrevistas Litoral Centro / 2008

Entrevistas feitas em 2008 pelo jornal Litoral Centro (Miguel Cunha) numa perspectiva para as eleições de 2009 e numa análise do mandato de João Agostinho até esse momento. O PSD acabaria por vencer as eleições e João Agostinho entraria no seu último mandato que terminará agora em 2013.

Entrevista a Rogério Camões (PSD) - "João Agostinho é um homem do povo"

O presidente da concelhia do PSD de Albergaria-a-Velha, em entrevista ao Litoral Centro, elogiou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo presidente da Câmara Municipal, o social-democrata João Agostinho.

O líder do PSD albergariense acredita que o êxito do autarca se deve muito ao facto de “ser um homem do povo, não tem problemas em olhar para o lado e ajudar”.

Sobre as próximas eleições, não quis revelar muito sobre esta matéria, mas deixou a porta aberta à candidatura de João Agostinho.

- NA SUA OPINIÃO, COMO É QUE O PSD TEM GOVERNADO O CONCELHO DE ALBERGARIA-A-VELHA?

Tem governado bem. Se não achasse isso, eu próprio não teria sido candidato nas últimas eleições. Aceitei o convite efectuado pelo então presidente da concelhia, João Agostinho, para liderar a Assembleia Municipal, porque, da análise que fiz do trabalho desenvolvido pelo seu Executivo, verifiquei que era positivo, muito embora as oposições digam o contrário.

- PORQUE ACHA QUE OS DOIS PARTIDOS DA OPOSIÇÃO DIZEM QUE JOÃO AGOSTINHO FAZ UMA GESTÃO CONSOANTE OS CICLOS ELEITORAIS?

Isso carece logo de fundamento, até porque só uma vez governou tendo um ciclo eleitoral pelo meio, porque vai no segundo mandato. Eu entendo que o Executivo fez o que tinha de ser feito no concelho.

- E FOI O QUÊ?

Numa primeira fase, fez uma requalificação exaustiva das escolas do 1º ciclo, que estavam num estado degradante, estavam todas a cair (estamos a falar de 21 escolas). Depois, ainda colocou os serviços administrativos da Câmara Municipal a funcionar com qualidade e é conhecido que a autarquia lidera, no distrito e até no país, um projecto de reorganização administrativa, algo que tem de ser motivo de orgulho para os albergarienses. Por outro lado, quem se aventura na construção do maior investimento alguma vez feito no concelho, não pode ser considerado um presidente que trabalha consoante ciclos eleitorais. Estou a falar no caso da escola EB 1,2 de Albergaria-a-Velha, que está a ser construída. Claro que não vou reduzir o que os anteriores presidentes fizeram quando passaram pela autarquia, porque, cada um, fez alguma coisa e quem diz o contrário não sabe do que fala. As obras e as pessoas quem as fizeram são conhecidas de toda a gente. Não entendo muitas vezes as pessoas na política…

- QUER DIZER PORQUÊ?

Há partidos que, quando vencem as eleições, dizem que os eleitorados são esclarecidos, mas, quando as perdem, vêm para a praça pública tentar passar a mensagem que os eleitores são enganados. Esse tipo de afirmações fazem parte daquilo que é chamado "política baixa", porque é tentar diminuir o trabalho que se faz. Por esse tipo de atitudes e pela campanha feita em 2005, é que as pessoas deram a resposta cabal, com a vitória, por maioria, do presidente João Agostinho, porque o seu trabalho não pode ser escondido. Com o actual presidente, a rede viária sofreu melhorias significativas e as colectividades sociais, recreativas e culturais começaram a receber o apoio da autarquia, que retribuem esse tipo de política cultural. Eu disse sempre, em campanha eleitoral, que era preciso fazer "a obra com as pessoas".

- JOÃO AGOSTINHO TEM FEITO ISSO?

É inegável. Aliás, o presidente João Agostinho vem da sociedade civil, é um homem da solidariedade e sabe bem as dificuldades que as colectividades passam. Ele, melhor do que ninguém, conhece o que é necessário fazer na sociedade, até porque, durante o seu percurso político, começou com o cargo de secretário, passando para presidente de uma Junta de Freguesia até chegar à presidência da Câmara Municipal. O êxito dele acontece porque ele subiu todos os degraus na política, é um homem do povo e não se poupa a esforços para responder às solicitações que lhe chegam.

- ESTÁ A QUERER DIZER QUE NOS MANDATOS ANTERIORES NÃO HOUVE OBRAS PARA AS PESSOAS?

Sim. Pela primeira vez na história do concelho, as associações de solidariedade social receberam apoios no mandato de João Agostinho. É um facto que a primeira ajuda tem de vir do Estado, mas as autarquias não podem ficar insensíveis ao que se passa com as pessoas. Não é por acaso que a Segurança Social de Aveiro considera o concelho como um bom exemplo no apoio social. Custa-me ouvir e ler certas coisas, quase a querer esconder as coisas de uma pessoa que tem apenas seis anos de mandato, quando houve outros que estiveram 16. E andam para aí a dizer que a rede de abastecimento de água é obra do CDS-PP, mas não é verdade, porque foi uma Câmara do PSD quem iniciou as captações no rio Vouga.

- O CONCELHO TEM UMA BOA TAXA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA?

Sem a menor dúvida. A taxa é uma das melhores do país, mas isso só é possível graças ao trabalho de sucessivos mandatos.

- QUAIS TÊM DE SER AS PRIORIDADES DE JOÃO AGOSTINHO?

Deve continuar com a sua política social, porque, cada vez mais, é necessário o apoio às pessoas. Com a crise que o país atravessa, é preciso uma grande solidariedade social para ultrapassarmos as dificuldades das pessoas que estão carenciadas. Ele é capaz de olhar para o lado e ver o que o próximo precisa.

- FALOU SOBRE A REQUALIFICAÇÃO DO PARQUE ESCOLAR, MAS COM A CARTA EDUCATIVA, A MAIOR PARTE DAS ESCOLAS VÃO FECHAR...

É mais um bom exemplo que Albergaria-a-Velha deu ao distrito, porque foi um dos primeiros concelhos a ter a sua Carta Educativa aprovada. É possível que venha a acontecer o encerramento de alguns edifícios, mas isso são modas…

- TEMOS UM PAÍS DE MODAS?

Há pessoas que não querem mudar a sua opinião. Precisamos de gente que governe a longo prazo, porque governar desta forma que têm feito, até eu era capaz de ser ministro. É irracional o Governo andar a pagar para abater vacas e, hoje, o leite é aumentado porque a produção decaiu. O país é mal governado e o que andaram a fazer na educação e na saúde é uma estratégia mal pensada. Hoje, comemoram-se fechos e até fazem festas nas televisões.

- COMO VIU O ENCERRAMENTO DAS URGÊNCIAS NO SEU CONCELHO?

As pessoas habituaram-se porque a "morte" foi lenta, com o encerramento dos serviços de cada vez. O exemplo mais flagrante e pior do país é o do Hospital de Faro, distrito onde fecharam os serviços todos, sem que o hospital tenha condições para receber mais gente. Hoje, Faro não tem um hospital, mas, sim, um armazém de pessoas. Um ministro que comete este erro só tem de ser demitido.

- PARA ALÉM DA POLÍTICA SOCIAL, O QUE É NECESSÁRIO FAZER?

Falta uma biblioteca e a requalificação do cine-teatro, que tem como alternativa o Centro Cultural da Branca. E ainda bem que o João Agostinho ganhou o primeiro mandato, porque a biblioteca que estava projectada custaria 5 milhões de euros e seria, com toda a certeza, um "elefante branco", que não teria condições para se rentabilizar.

- A CÂMARA ESTÁ, OU NÃO, A ESQUECER-SE DA SUA ZONA INDUSTRIAL?

A zona industrial precisa de uma intervenção para rentabilizar o espaço. Ela teve um crescimento muito grande nos últimos anos e convém referir que foi criada pelo José Nunes Alves, presidente de Câmara eleito pelo PSD.

- MAS O QUE FALTA NA ZONA INDUSTRIAL PARA CHAMAR MAIS INVESTIDORES?

Faltam algumas infra-estruturas. Neste momento, falta, sobretudo, que a actividade económica cresça, como aconteceu há alguns anos. Até porque não são as autarquias a terem de fazer fábricas. Na minha opinião, é necessário, primeiro, que a crise económica no país seja ultrapassada para que tenhamos novos investidores. Mas deixe-me dizer que a nossa zona industrial nem está assim tão mal como dizem. Não se pode é vir paras as Assembleias Municipais culpar o presidente da Câmara Municipal pelo desemprego existente no concelho.

-ESTAMOS A DOIS ANOS DAS ELEIÇÕES. O PSD JÁ ESTÁ A PREPARAR ESSE ACTO ELEITORAL?

Começámos a preparar as eleições no dia em que vencemos em 2005. Nós trabalhamos a longo prazo, porque o objectivo é continuar a liderar a Câmara Municipal, manter as sete freguesias que temos e conquistar a que falta, que é a de Frossos, sabendo que é difícil, porque o presidente da Junta tem mostrado trabalho e tem merecido a confiança dos eleitores. Está aqui uma prova em como é impossível esconder as obras que fez ao longo do mandato.

- E JOÃO AGOSTINHO, VAI SER NOVAMENTE O CANDIDATO DO SEU PARTIDO?

Depende muito da vontade dele e também do partido. Mas ele também me disse, quando fui eleito presidente da concelhia, que podia contar com o seu trabalho. Da análise que estamos a fazer, o trabalho desenvolvido tem sido bom e, por isso, se ele quiser ser candidato e for aprovado pelos militantes, não vejo problemas em que lidere a lista nas eleições autárquicas de 2009.

Miguel Cunha / Litoral Centro, 30/01/2008

Entrevista a Jesus Vidinha (PS) - "Trabalho de João Agostinho com balanço negativo"

O presidente da concelhia do PS de Albergaria-a-Velha, Jesus Vidinha, em entrevista ao Litoral Centro, acusa o presidente da Câmara Municipal, João Agostinho, de pensar “o seu trabalho na gestão autárquica, tendo em conta...

O presidente da concelhia do PS de Albergaria-a-Velha, Jesus Vidinha, em entrevista ao Litoral Centro, acusa o presidente da Câmara Municipal, João Agostinho, de pensar “o seu trabalho na gestão autárquica, tendo em conta, e muito, o retorno político-partidário”.

A dois anos das eleições autárquicas, o líder do PS albergariense adianta que o partido já se encontra a preparar esse acto eleitoral, mas não revela se vai ser o candidato à presidência da Câmara Municipal.

- QUAIS AS RAZÕES QUE APONTA PARA O FACTO DE O PS NUNCA TER SIDO PODER EM ALBERGARIA-A-VELHA?

As razões essenciais prendem-se com causas internas e externas. O PS, durante os últimos 20 anos, não aproveitou os momentos em que teve maior projecção autárquica. Não tendo dado continuidade a esse trabalho, acabou por entrar num percurso que o conduziu a uma representação autárquica cada vez menor, ao ponto de, no mandato entre os anos de 2001 e 2005, não ter eleito nenhum vereador para o Executivo municipal, retomando a representação nas eleições de 2005. Faltou ao PS uma liderança de continuidade e estamos a trabalhar para que o partido, no concelho, consiga ter uma visibilidade maior, à semelhança do que se passa a nível legislativo, onde somos a segunda força política.

- FALTOU, ENTÃO, AO PS UMA LIDERANÇA FORTE NO CONCELHO?

Não digo isso. Houve, sim, oscilações de liderança, não se conseguindo criar um fio político, com coerência, e o resultado disso foram os resultados autárquicos nas freguesias, na Assembleia e Câmara Municipal.

- ESTAMOS A DOIS ANOS DAS ELEIÇÕES...

Exactamente. A nossa estratégia passa por ocupar o espaço que, sociologicamente, nos pertence.

- ACHA QUE ISSO É POSSÍVEL NUM CONCELHO ONDE SE REGISTA UMA BIPOLARIZAÇÃO DO ELEITORADO?

Claro que sim, porque existe esse espaço. Porque muito do eleitorado que votou noutras candidaturas, não colocou o seu voto no PS, porque, eventualmente, não se revia no candidato.

- ESTÁ A FAZER UMA AUTO-CRÍTICA NESSE ASPECTO?

Enquanto militante do PS, estou a fazer uma crítica a mim próprio. Todo esse percurso que o partido fez acabou por afectar todo o seu percurso, ao nível da credibilidade. A mais-valia do PS, em termos concelhios, é apresentar qualidade nas suas intervenções e nos seus protagonistas, de tal forma que é o que lidera a oposição ao Executivo municipal, mas não conseguiu transpor isso para os votos.

- O PS TEM REVELADO INCAPACIDADE EM MOSTRAR A SUA IMAGEM AO ELEITORADO LOCAL?

Eu penso que é difícil fazer-se isso sem um fio condutor, uma liderança coerente ao longo do tempo. Estamos confiantes de que todo este trabalho que temos vindo a desenvolver, há alguns anos, vai ter a sua repercussão nas próximas eleições autárquicas.

- REPERCUSSÃO A QUE NÍVEIS?

Claramente no aumento de representatividade nas freguesias, na Assembleia Municipal e no Executivo. Estamos cientes de que isso vai acontecer, porque começamos a ter algum feed-back por parte das pessoas, que começam a acreditar no nosso trabalho.

- TEM SIDO UM DOS CRÍTICOS MAIS FEROZES DO MANDATO DE JOÃO AGOSTINHO. EXPLIQUE-NOS PORQUE RAZÕES?

Está ao alcance de todos os albergarienses, porque basta olhar para o trabalho desenvolvido.

- CONCORDA COM AS AFIRMAÇÕES DE CARLOS RESENDE, QUANDO DIZ QUE “JOÃO AGOSTINHO PENSA CONSOANTE OS CICLOS ELEITORAIS”?

Partilho da ideia de que o presidente da Câmara Municipal faz uma gestão da autarquia, pensando muito no retorno político-partidário. Portanto, não é uma política feita para o desenvolvimento do concelho, mas, sim para garantir os apoios necessários para se manter no poder, sem se vislumbrarem prioridades na gestão municipal. Não existe, hoje, uma leitura de longo prazo para o desenvolvimento de Albergaria-a-Velha, cujo concelho está estagnado, tendo em conta a dinâmica de concelhos como Águeda, Estarreja e Sever do Vouga. Os três têm, por exemplo, uma dinâmica cultural ímpar e…

- MAS A VIDA DE UM CONCELHO NÃO SE FAZ APENAS COM A DINÂMICA CULTURAL...

Exacto. Mas o desenvolvimento passa por três pilares essenciais: primeiro, a qualidade do espaço urbano, o desenvolvimento comercial e a dinâmica cultural. Ainda não temos um plano de urbanização aprovado neste Executivo, quando é urgente que existissem, pelo menos, dois: Um em Albergaria-a-Velha e outro na Branca, pois são duas freguesias que estão a sofrer um grande crescimento, mas não têm um documento que imponha regras.

- MAS ISSO NÃO SE FAZ PORQUE RAZÃO?

Por manifesta falta de vontade política. Claro que um plano coloca algumas regras, que acabam por condicionar algumas coisas, nomeadamente nessas duas freguesias.

- AO NÍVEL DA CULTURA, ESTE CONCELHO TEM UMA GRANDE DINÂMICA ASSOCIATIVA...

Tem muitas associações que vão garantindo a actividade cultural muito forte, mas não existem estruturas físicas onde possam apresentar o seu trabalho. Não se compreende como é que se está à espera tanto tempo por uma requalificação do cine-teatro Alba, um atraso da responsabilidade de Rui Marques e João Agostinho. Actualmente, o cine-teatro não oferece condições de qualidade para receber espectáculos de nível, já não é digno para certos eventos. Houve uma oportunidade única para o requalificarmos, quando Manuel Maria Carrilho esteve no Governo, mas quem estava no poder não conseguiu ver o que era preciso fazer para termos um cine-teatro de excelentes condições.

- MAS EXISTE O CENTRO CULTURAL DA BRANCA (CCB)...

É um facto que o CCB oferece esse tipo de condições, é um espaço municipal, mas o concelho tem de possuir um lugar de destaque para receber grandes espectáculos. Portanto, é urgente a requalificação do cine-teatro Alba. E isso aplica-se à inexistência de uma biblioteca municipal, para criar novas condições e ofertas às populações.

- QUAL É O BALANÇO DO TRABALHO EFECTUADO POR JOÃO AGOSTINHO AO LONGO DESTES SEIS ANOS EM QUE ESTÁ NO PODER?

Balanço negativo, porque o concelho de Albergaria-a-Velha está muito distante do grau de desenvolvimento de outros concelhos. Depois, ainda temos investimento que é feito de forma assimétrica, com uma repartição desigual entre as freguesias, como se constata no Orçamento. Depois, existe uma tendência para o aumento de despesa corrente, que já ultrapassa os 50%, o que quer dizer que vamos ter cada vez menos investimento.

- ESSE AUMENTO NÃO SERÁ TAMBÉM O REFLEXO DAS DELEGAÇÕES DE COMPETÊNCIAS DO GOVERNO NAS AUTARQUIAS?

Penso que não, até porque existem comparticipações governamentais. Devo reconhecer que existe uma maior sobrecarga de despesas, mas há também um suporte financeiro para as sustentar. Mas tem de haver rigor na própria gestão da autarquia. O presidente tem no seu Executivo um ilustre empresário do concelho e, por isso, gostava de ver na Câmara o rigor que ele deve colocar na gestão das suas empresas.

- NÃO HÁ NADA POSITIVO NA CÂMARA?

Devo reconhecer como boa, numa primeira fase, a requalificação do parque escolar do concelho, mas, hoje, verifica-se que esse investimento já não é condizente com a nova realidade da educação do país, porque não se apostou na criação de centros escolares, como devia ter sido feito, em vez de intervenção em pequenas escolas.

- SE O PS FOSSE PODER, O QUE FARIA DE DIFERENTE?

Teríamos uma nova visão do planeamento urbano, para um desenvolvimento sustentável e harmonioso. E faríamos uma grande aposta na zona industrial (ZI), que está abandonada, para captar novos investimentos. A nossa ZI não tem estruturas de apoio e verifica-se uma ausência de política de expansão, pois está muito dependente dos interesses particulares. E tem de ser a autarquia a lutar pelo desenvolvimento do seu parque empresarial.

- PARA ALÉM DAS CARÊNCIAS QUE FALOU, O QUE FALTA AO SEU CONCELHO?

Olhe, a questão das urgências do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) foi bem aceite pela população, que fica muito melhor servida em Aveiro. Em relação a carências básicas, penso que o concelho tem de aproveitar a sua mais-valia, mantendo o desenvolvimento económico. Depois, está na zona do Baixo-Vouga, que deve ser potencializada na área turística, com várias ideias que até acabei por dar no meu manifesto eleitoral, com a criação de centros de interesse. Tal como propus o aproveitamento da área florestal em Ribeira de Fráguas. Em suma, o turismo não tem sido aproveitado e tem de ser a Câmara Municipal a dar os primeiros passos para chamar investimentos nessa área. E também nos falta uma grande superfície comercial no concelho, porque pode ser uma âncora económica, apesar de já termos tido três propostas no Executivo.

- O PS JÁ ESTÁ A PREPARAR AS ELEIÇÕES?

Isso é óbvio, já estamos a fazer uma reflexão sobre o próximo acto eleitoral.

- VAI SER CANDIDATO?

Ser candidato passa, primeiro, por uma vontade própria e também pela vontade dos militantes. Estarei disponível para desempenhar o serviço que o partido entender que seja melhor para mim.

- O PS VAI SER PODER EM 2009?

Tenho grandes esperanças que o partido vai dar um salto qualitativo nas eleições autárquicas de 2009.

Miguel Cunha / Litoral Centro, 23/01/2008

Entrevista a Carlos Resende (CDS) - "João Agostinho trabalha a curto prazo"

O presidente da concelhia do CDS-PP de de Albergaria-a-Velha, Carlos Resende, em entrevista ao Litoral Centro, acusa o presidente da Câmara Municipal, João Agostinho, de pensar “pequeno, a curto prazo, sempre tendo em vista os ciclos autárquicos”.

A conversa que manteve com o LC serviu para mostrar os seus pontos de vista e as prioridades que o seu partido tem para o município.

Carlos Resende teve, depois da entrevista, um problema de saúde e ainda se encontra a recuperar, mas está pronto para a batalha autárquica.

- PORQUE É QUE O CDS-PP PERDEU O PODER NO MUNICÍPIO DE ALBERGARIA-A-VELHA?

Porque o dr. Rui Marques esteve 16 anos a liderar a Câmara Municipal e esse tempo todo provocou algum desgaste da sua pessoa e, consequentemente, a sua queda, saindo da liderança da autarquia. E depois, as propostas feitas pelo PSD foram levadas a sério pelos munícipes, que elegeram esse partido para o poder, mas, mais tarde, viram que as promessas não passaram disso mesmo.

- DÊ-NOS EXEMPLOS...

O quartel dos Bombeiros Voluntários e a reabertura do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) durante 24 horas. Basta falar destes dois aspectos para vermos que existem coisas que, em apenas seis anos, não conseguiram ser cumpridas pelo presidente da Câmara Municipal.

- O DESGASTE COM OS ANOS DE PODER DESGASTOU RUI MARQUES?

Penso que sim, mas os quatro mandatos que teve serviram para que ficasse obra feita, de qualidade, em todo o município de Albergaria-a-Velha.

- JÁ AFIRMOU QUE ALBERGARIA-A-VELHA TEM VIVIVO CONSOANTE OS CICLOS AUTÁRQUICOS. QUAIS AS RAZÕES QUE APONTA PARA DIZER ISSO?

Repare uma coisa: quando mudam as pessoas, também existe uma mudança na estratégia. O Rui Marques tinha uma visão muito diferente do João Agostinho. O primeiro pensava a longo prazo, com preocupação pela sustentabilidade do concelho. O segundo tem uma forma de fazer política totalmente diferente, pensa a curto prazo para ganhar votos. Ou seja, quando pensamos em curto prazo fazemos obras pequenas, mas, quando idealizamos a longo prazo, é necessário que o concelho seja sustentado e que mostre diferença em relação aos outros concelhos. E existem alguns exemplos em Albergaria-a-Velha.

- QUAIS SÃO?

As redes de abastecimento de água e de saneamento. São duas obras que foram iniciadas com Rui Marques e que, hoje, fazem de Albergaria-a-Velha, dentro dos 308 municípios portugueses, num dos primeiros nessa área. São obras que diferem a estratégia de obras a longo e curto prazo.

- ESTÁ A QUERER DIZER QUE O PRESIDENTE JOÃO AGOSTINHO PENSA...

Pensa sempre nas próximas eleições autárquicas e, assim, fica sem tempo para projectar grandes obras. Em seis anos, só há uma obra estruturante que lhe posso reconhecer, que é a escola EB1,2 de Albergaria-a-Velha, que será inaugurada próximo das próximas autárquicas. Foi uma luta sua, mas, tirando isso, o que temos visto é inaugurar obras que estavam projectadas por Rui Marques.

- ESTE PENSAR A CURTO PRAZO TRADUZEM-SE EM GRANDES OPÇÕES DO PLANO E ORÇAMENTO, COMO DISSE, SEM GRANDES INVESTIMENTOS?

Exactamente. Basta vermos que uma grande fatia das obras pequenas vão terminar no ano de 2009, o que quer dizer que não vai haver sequência a longo prazo.

- SE O CDS-PP FOSSE PODER EM ALBERGARIA-A-VELHA, NO CONTEXTO ACTUAL, O QUE ESTARIA A SER LANÇADO PARA 2008?

Não seria agora, já teria sido há muito tempo. Eu apresentei um conjunto de propostas, quando nos candidatámos, e, hoje em dia, ainda são as mais apropriadas para tornar Albergaria-a-Velha num concelho diferente.

- QUAIS SÃO ESSAS PROPOSTAS?

A primeira tem a ver com a zona industrial, que tem de levar um volte-face. O concelho vive o problema do desemprego, que continua a crescer a olhos vistos. Em 2001, Albergaria-a-Velha a taxa de desemprego rondava os 2% e, actualmente, é superior a 8%, uma das maiores do distrito de Aveiro. Claro que as Câmaras Municipais podem dar passos para atrair investidores, porque têm uma arma que se chamam zonas industriais, claramente o caminho que está a ser seguido por Águeda. Albergaria-a-Velha sempre foi reconhecida como uma das melhores do país, mas estagnou. Temos de chamar novos investimentos, alargando-a para a zona norte do concelho, dando condições para multiplicar a chegada de empresas e, por consequência disso, arranjar colocação para os desempregados.

- E MAIS?

Temos de criar um gabinete de apoio aos empresários, também um caminho que está a ser seguido por Águeda. Esse gabinete tem de ter pessoas tecnicamente formadas para os encaminhar e acompanhar numa série de consultas até à instalação das empresas. Outro factor seria a criação de um centro de formalidades na zona industrial, com a congregação de serviços, poupando em deslocações e em tempo. Podia, por exemplo, ter uma dependência bancária e dos correios portugueses, para facilitar o trabalho de todos.

- E DEPOIS DA ZONA INDUSTRIAL?

A rede viária do concelho também é importante. Estou a falar da variante à vila de Albergaria-a-Velha, que está em estudo de impacto ambiental, a variante à vila da Branca e a EN163, a estrada que liga a sede do concelho a Ribeira de Fráguas, uma via com problemas de acessibilidade e que merecia uma intervenção profunda, de forma a minimizar alguns prejuízos, pois demora-se mais de 30 minutos para fazer 15 quilómetros. Outra valia seria a instalação no concelho de uma rede de transportes urbanos, levando as pessoas a poupar nos combustíveis. E estamos a falar de prioridades a longo prazo.

- E A CURTO PRAZO?

Teríamos de pegar nos investimentos que foram feitos ao longo dos anos e que, depois disso, pouco se têm falado. Há, pelo menos, três (cine-teatro, fábrica de papel de Vale Maior e a Quinta do Torreão) que foram feitos pela Câmara Municipal. A fábrica de papel, ainda não se sabe para o que vai servir, enquanto a Quinta do Torreão tem sido utilizada para eventos de grande êxito. Mas já está na altura de uma requalificação, por causa do muito movimento que tem vindo a ter. Não se pode andar sempre a gastar dinheiro em pequenos arranjos de requalificação, apenas quando se realiza o "Albergaria Convida", uma das boas iniciativas realizadas pelo Executivo de João Agostinho.

- QUAIS SÃO OS ASPECTOS NEGATIVOS DO MANDATO DE JOÃO AGOSTINHO?

Este mandato fica marcado por um aspecto negativo, que vem a acontecer em todo o país. Falo do encerramento do SAP, mas as culpas não podem ser atribuídas ao presidente João Agostinho. É uma política do Ministério da Saúde, mas, no entanto, critico o silêncio do presidente ao longo do processo, mostrando alguma aceitação a uma situação que sempre criticámos, porque defendíamos a sua manutenção. O autarca João Agostinho esteve mal do ponto de vista estratégico e, depois, andou a reboque do CDS-PP. Com excepção do PS que nunca aceitou as nossas propostas (quis ficar ao lado do Governo), todos os partidos estiveram com as nossas ideias. Penso que o Executivo podia e devia ter feito mais, nomeadamente com a interposição de uma providência cautelar, que seria uma forma de luta contra o encerramento do SAP.

- CONCORDA, OU NÃO, COM A CRIAÇÃO DO NOVO PARQUE DESPORTIVO?

O que vamos fazer ao actual parque desportivo?

- NÃO SOU O PRESIDENTE DA cÂMARA MUNICIPAL...

Pergunto isso porque quando se fala do novo parque desportivo, gosto de repetir o que disse ao Alba na altura da campanha eleitoral. Eu defendo a manutenção do actual parque desportivo, porque é natural, na Europa, que os estádios sejam colocados fora das cidades. Neste momento, temos um estádio na zona industrial e acho que o devemos potenciar, até porque foi-se adquirindo terrenos que, entretanto, foram vendidos. Neste momento, não concordo com a mudança, porque não podemos colocar fora o investimento já efectuado. Temos é de ver o que temos de fazer para o melhorar, porque em Albergaria-a-Velha nem sequer está longe do centro da vila e as pessoas queixam-se da falta de mobilidade. Mas, falando como dirigente do Alba, temos uma carrinha que vai, em dia de jogos, fazer um percurso para transportar adeptos aos jogos em casa, mas o veículo chega quase vazio. Há mentalidades que são difíceis de mudar…

- O CDS-PP JÁ ESTÁ A PREPARAR AS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS?

Claro que sim. Aliás, desde que perdeu as eleições com a minha pessoa, começou a preparar as autárquicas de 2009. Penso que devemos trabalhar a longo prazo e não em cima do período eleitoral.

- VAI CANDIDATAR-SE AO CARGO DE PRESIDENTE DA CÂMARA?

Com toda a certeza, serei candidato, num dos lugares da lista, porque ainda não sabemos quem vai encabeçar a equipa que o CDS-PP vai apresentar. Eu estarei sempre disposto a colaborar com o partido.

- MAS VAI, OU NÃO, SER O CABEÇA DE LISTA?

Estamos a dois anos das eleições e é um pouco prematuro estar a dizer-lhe isso. Ainda nem sequer fiz uma avaliação dessa situação, mas posso deixar a certeza de uma coisa: enquanto o CDS-PP me quiser nos seus quadros, eu serei candidato, não se sabendo, como é óbvio, em que lugar. Quando o partido entender que não sou uma mais-valia, termino as minhas funções na política e continuo o meu caminho como sempre fiz.

Miguel Cunha / Litoral Centro, 02/01/2008

domingo, 12 de maio de 2013

Nome de rua

«As placas toponímicas deveriam conter mais informação, nomeadamente os anos de nascimento e morte, bem como as actividades em que se destacaram e pelas quais mereceram ter uma rua com o seu nome, caso contrário, os vindouros não saberão em que época viveram essas pessoas, nem tão pouco o que fizeram para que merecessem tal distinção.»

Este extracto é de um recente artigo de Delfim Bismarck Ferreira, no Correio de Albergaria nº17, a propósito da série "Gente Com Nome de Rua".

Concordamos com o teor do mesmo mas o acréscimo de informação nas placas toponimicas não se destinaria apenas aos vindouros mas também à maioria dos albergarienses.

Nessa série do Correio de Albergaria já foram publicados textos sobre o Comendador José Luis Ferreira Tavares (CA10), Bernardino Máximo Albuquerque (CA13), António de Albuquerque Pinho (CA14), Alexandre Albuquerque (CA15), Bento Alváres Ferreira (CA17) e Conselheiro Sousa e Melo (CA18).

Aproveitamos para lembrar que no Blog de Albergaria existe uma etiqueta com o mesmo objectivo permitindo assim uma asssociação dos nomes de ruas às personalidades homenageadas. Aí tem aparecido várias biografias retiradas do livro "Gente Iluste de Albergaria" (1993) de António Homem de Albuquerque Pinho.

Recentemente foram aprovados alguns novos topónimos para a cidade de Albergaria homenageando nomes como Armando de Albuquerque Miranda, Manuel Homem Ferreira, Vicente Rodrigues Faca e Jacinto de Almeida. Deveria haver um parecer justificativo dessa atribuição, eventualmente por parte da comissão de Toponimia, que deveria ser publicitado no site da CMA. Poderia conter uma pequena biografia dos homenageados e as razões dessa atribuição,

A autarquia talvez pudesse renomear algumas das ruas e não se limitarem a atribuir novos topónimos apenas quando aparecem novas ruas.