sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

400 anos da Igreja Matriz de Angeja - Catálogo


No âmbito das comemorações dos 400 anos da Igreja Matriz de Angeja, vai ser lançado, na noite de 29 de dezembro de 2013, pelas 21h00, o catálogo [e DVD] da exposição Memórias: História, Arte e Fé, de José Fernando Silva e Luís Altino Bastos Resende.

Nesta publicação, o leitor encontra a paixão pelas raízes e o fervor para fazer perceber, aos vindouros, o legado que a população de Angeja recebeu e as exigências que ele coloca. Sem pretender ser uma investigação exaustiva, esta obra é um precioso roteiro e um registo duradouro daquilo que é a vida em comunidade, cívica e religiosa, nesta freguesia ao longo de quatro séculos.

Para Querubim Pereira da Silva, pároco de Angeja, “o livro que ora temos em mãos é um desafio ao nosso permanente desejo de identificar e perceber. Conseguiram os autores uma desconstrução interessante do nosso património, dando-nos a beleza do pormenor e provocando-nos para o trabalho de reconstruirmos a maravilha do todo”.

Durante a apresentação do catálogo na Igreja Matriz de Angeja haverá uma pequena performance de música e canto.

CMA

De 3 a 29 de Agosto de 2013 esteve patente, na Igreja Matriz de Angeja, a Exposição "Memória: História, Arte e Fé".

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Memórias do Cine-Teatro Alba


O Catálogo da Exposição "Alba - Memórias do Cine-Teatro" recebeu uma Menção Honrosa, na Categoria Catálogo, nos Prémios APOM 2013, instituídos pela Associação Portuguesa de Museologia.

O documentário, concebido no âmbito da exposição inaugural do renovado Cineteatro Alba, venceu uma menção honrosa, na Categoria de Património Imaterial, na 8ª Edição do Concurso de Vídeo do Inatel 2013.

O documentário foi anteriormente candidato ao prémio europeu Heritage in Motion, promovido pela Europa Nostra e pela European Museum Academy, nas categorias "Filme/Vídeo" e "Educação", com destaque para as áreas técnicas de câmara/fotografia, realização e edição.

Para a QUE CENA, produtora do documentário, trata-se de "um olhar sobre as vidas de quem trabalhou no Cineteatro ao longo de mais de 50 anos". Pretende-se também demonstrar os sentimentos de vivência e pertença daqueles que passaram por este equipamento cultural que marcou gerações de Albergarienses.

"Entre os rostos enrugados e as mãos tremidas, as memórias caminham connosco, numa interminável contaminação construtiva entre a realidade e o mito".

http://www.youtube.com/watch?v=m2mmFWrxtfc

O Catálogo da Exposição “Alba – Memórias do Cine-Teatro”, é uma edição exclusiva de 1.000 exemplares numerados, que apresenta as história de um importante equipamento cultural pelas pessoas que o vivenciaram.

O Catálogo da Exposição “Alba – Memórias do Cine-Teatro”, que vem acompanhado com DVD,  está à venda no Cineteatro Alba, na Biblioteca Municipal e no Arquivo Municipal.

http://www.cm-albergaria.pt/Templates/GenericDetails.aspx?id_object=18784

http://www.cm-albergaria.pt/Templates/GenericDetails.aspx?id_object=19957

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Valorizando o património

A degradação ou desaparecimento do património edificado constitui um empobrecimento para a vila [de Angeja].

Quando Angela foi sede de concelho, executaram-se grandes obras e edificações, que hoje representam a memória histórica que recordamos com orgulho e devemos preservar, recuperando-as para serem utilizadas em diferentes usos (habitação, comércio ou serviços).

Eu proponho que os proprietários desses edifícios devem organizar-se para obterem benefícios das entidades oficiais para a conservação ou recuperação destes imóveis.

Os filhos de Angeja não podem continuar a fixar-se noutras terras, Temos que pensar no futuro da víla.

Como prometi estou a apresentar a minha proposta para a fachada de uma edificação classificada no centro da vila para comércio.

Até à próxima.

Mercedes Souto, Arquitecta

Nota: nos primeiros números do jornal D' Angeja foram publicados vários artigos interessantes da arquitecta Mercedes Souto sobre recuperação de património.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

ALBERGARIA na Revista de Turismo

Revista Turismo - página dedicada a Albergaria-a-Velha
A Revista «TURISMO» dedica um número ao distrito de Aveiro. É o nº 51 do Ano VII.

«Albergaria-a-Velha e a sua actividade municipal» é uma das páginas.

A nossa terra foi das que menos atenção mereceram, talvez por culpa nossa..

Um anónimo articulista fala ex-catedra do concelho de Albergaria-a-Velha, das obras que a C.M. tem feito e então dos grandes projectos que tem. E diz que tem imensos projectos... Era escusado referi-los, porque a gente já está farta de projectos, como, por exemplo, o do novo Teatro que se há-de fazer no próximo século..

Nem uma única linha sôbre as magnificas realizações e contribuíções do grande industrial Sr. Augusto Martins Pereira, das Fábricas Alba, desta vila.

É claro que «Turismo» não tem culpa directa, embora a tenha indirecta, porque devia informar-se.

A nossa censura vai, sobretudo, para o ilustre articulista, que empregou a tinta toda a dar lustro ao sapato municipal.

artigo do jornal Beira-Vouga, 1941 (?)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Dois Postais e Albergaria Ontem

Para a História de Albergaria - Dois postais e 'Albergaria Ontem'

(…) em meados de Julho seguinte [1908] eram postos à venda os 14 postais coloridos, com uma tiragem de mil exemplares de cada.

A edição pertencia a Manoel d'Oliveira Campos e António Marques Pereira que eram proprietários das duas mais importantes casas comerciais da vila.

Os assuntos dos postais são os seguintes: dois aspectos da Avenida da Praça Nova; dois da Rua de Santo António; vista geral dos Paços do Concelho e Cadeia; Rua do Hospital; dois aspectos do Largo do Chafariz; dois do Bairro d'Alagoa; Casa da Fonte e Rua de Campinho; vista do Soito; vista do Chorão dos Pelames; vista da Igreja do lado de Campinho e parte interior da Igreja.

O postal em causa foi escrito no Porto e lançado ao correio em 06/05/1909, por um comerciante, João Augusto Corrêa, que não sei se seria do nosso concelho, e dirigido a um irmão, provavelmente caixeiro viajante ao cuidado da posta restante em Oliveira de Azeméis. Daqui peregrinou em busca do destinatário pela Vila da Seixa até chegar ao Hotel Avenida em Coimbra, donde veio a regressar ao remetente no Porto, no dia 15 de Maio, como atestam as inscrições e os seis carimbos do correio no verso.

(…)

Para além das observações já anotadas no artigo [do número anterior] de António José Vinhas, acrescento que ainda documenta a existência, na Praça, das frondosas austrálias que a ensombravam e protegiam dos calores estivais havia dezenas de anos e que iriam ser quase todas cortadas ainda nesse ano, como pode ler-se no «Correio d'Albergaria», para virem a ser substituídas por árvores de menor porte.

Esta decisão da Câmara, então presidida por Domingos Guimarães, Director da Fábrica de Papel de Valmaior, procurava o embelezamento da Praça Ferreira Tavares, para o que também se encarregou o mestre de obras José Vidal de fazer a planta e apresentar um orçamento para a sua regularização. Dois anos depois, já emoldurada com os Lancis de granito, iniciava-se a macadamização da rua envolvente, obra que veio a ser concluída pelo Dr. Jaime Ferreira que também mandou ensaibrar e regularizar o piso da própria praça.

POSTAL PUBLICADO NA QUARTA PÁGINA

Faz parte de uma nova colecção de 12 postais, não coloridos, com aspectos de Albergaria-a-Velha e Valmaior. Foram postos à venda em Agosto de 1913. Cada postal custava 1 centavo (10 réis), enquanto os anteriores custavam 30 réis.

A edição era de «A Central», o grande estabelecimento comercial que António Marques Pereira possuiu durante cerca de meio século no Largo 1.º de Dezembro, onde entroncava a estrada que vinha de Viseu.

Provavelmente porque a anterior edição se encontraria esgotada, um dos editores mandava executar, apenas 5 anos depois, uma outra. Não é caso para estranhar porque o postal ilustrado e a carta eram as formas correntes de comunicação à distância, para além de estar já em moda o coleccionamento de postais.

Apenas cinco anos decorridos, é sensível a diferença verificada na Avenida. Não só o nome passa a ser Avenida da Liberdade, no que antes se conhecia por Avenida da Praça Nova e oficialmente se designava por Avenida Luiz Quillinan, mas o que, no primeiro postal, aparece ainda como projecto tosco, começa agora a ter o aspecto com que iria manter-se por largos anos.

Nos passeios, já com lancis, despontam as primeiras árvores protectoramente engradadas. Tinham sido mandadas plantar no Inverno de 1911, mas, já no verão, várias tinham morrido ou sido partidas pelo «vandalismo» de que se queixava o «Jornal d'Albergaria». Foram depois substituídas e protegidas como se vê no postal. Mesmo assim não vingaram muito tempo, pois em 1918, a Câmara, presidida então pelo Dr. Francisco António de Miranda, mandou plantar outras que custaram 7$55.

Para além do já referido, também se verifica, nesses cinco anos decorridos entre as duas fotografias, que surgiram numerosas construções, entre as quais avulta, significativamente, uma situada a meio do lado esquerdo da Avenida. É a casa onde, a partir dos anos 30 durante dezenas de anos, foi a residência e consultório do Dr. Flausino Corrêa que fez de Albergaria a sua terra e a serviu com entrega devotada que muitos recordarão gratamente.

Essa casa, demolida há anos e substituída por um prédio de andares, foi considerada na época como um lindo «palacete». Concluída em 1911, pertenceu a Germano Araújo, durante longos anos Secretário da Câmara e foi obra do «habil architecto desta villa, sr. António Marques Pereira», como refere o jornal.

Anoto, por fim, que a fotografia foi tirada num domingo de manhã, dia em que se realizava o mercado semanal na Praça Ferreira Tavares. Ao cimo da Avenida vê-se o mostruário de venda da louça de barro espalhada no chão ensaibrado do passeio do lado direito. Era produto da antiga e afamada «Fábrica de Loiça da Biscaia», nos arredores de Assilhó.

Eis o que me ocorre sobre os postais publicados no número anterior deste jornal.

Embora o estudo da evolução da zona central de Albergaria-a-Velha tenha de ficar para mais tarde, creio que seria pena que estes elementos. agora revelados, se viessem a perder.

Albuquerque Pinho, Beira Vouga, Albergaria-a-Velha, 15 de Abril de 1987.