quinta-feira, 21 de março de 2013

Inauguração Quartel Séc. XXI

Os orgãos sociais e o comando têm a honra de convidar V. Exa. para a cerimónia de Inauguração do “Quartel Séc. XXI”, situado no arruamento H da Zona Industrial de Albergaria-a-Velha, que se realiza no dia 07 de Abril de 2013.

Programa:

10.00h Formatura geral para imposição de condecorações;
10.30h Recepção aos convidados;
11.00h Inauguração Oficial do Quartel Séc. XXI;
11.30h Sessão Solene;
15.00h Desfile apeado e motorizado.

http://www.bombeirosdealbergaria.pt

O actual quartel não servia para as necessidades deste corpo de bombeiros, afirmava o anterior comandante, José Ricardo Bismarck, em declarações ao jornal "Bombeiros de Portugal".

Actual quartel está obsoleto (2008)

(...) justifica a afirmação com os factos de a instalação ter sido “projectada em 1965 e inaugurada em 1969, quando havia três viaturas. Ele foi projectado para seis e hoje temos 33. Havia, na altura, 20 bombeiros e foi projectado para cerca de 30. Hoje temos cerca de 140 bombeiros e está obsoleto. Não foi pensado para ter mulheres, para ter tantas viaturas, para ter oficinas de manutenção, para ter um apoio de comando e de secretaria… E, nesse sentido, é um quartel que perdeu a validade”. 

A pensar no futuro, “estamos a trabalhar no projecto do novo quartel há oito anos, mas já a partir de 1982 se falava em ampliações e na necessidade de um novo quartel, por este estar esgotado”. 

O comandante José Bismarck fez questão de mencionar, agradecido, a equipa técnica que o tem ajudado. “Na Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, o arquitecto Eduardo Costa Ferreira, os engenheiros Carlos Goulart e Paulo Elísio e a Dr.ª Sandra Figueiredo; na Universidade de Aveiro, os professores doutores Carlos Borrego e Nelson Martins e o engenheiro Luis Tarelho; na NJL – Industrias Metalurgicas, Lda., os engenheiros Mário Miguel Marques Mendes e Luisa Pereira; na 2M – Comércio e Serviços de Electricidade, Lda., o engenheiro José Leite; na Scentor SA – Energy and Building Solutions, o engenheiro Francisco Lamas.
 
Jornal Bombeiros de Portugal, 14/Nov/2008

segunda-feira, 18 de março de 2013

Tese

Sendo o GDUP da ECOP formado por operários da Construção Civil contratados para uma obra especifica (neste caso a Escola Técnica) resolvemos devido a termos um problema que é comum neste distrito de Aveiro, desenvolver uma tese sobre as condições dos contratados e as perspectivas de trabalho junto deles para alcançar a sociedade socialista.

I

A região sul do distrito de Aveiro tem-se caracterizado por uma fraca movimentação do proletariado industrial desde o 25 de Abril até aqui. Isto acontece por várias razões algumas das quais podemos enumerar:

— Grande parte do proletariado possui um pequeno talhão de terra que amanha depois de sair da fábrica. o que lhe origina o medo que lha roubem.
— Haver o domínio da pequena indústria sobre a grande.
— Haver um grande número de operários contratados por um ou dois meses que no fim desse período podem vir a assinar novo contrato.

II

É sobre o último caso que nós iremos debruçar detalhadamente visto ser o nosso caso especifico.

A ECOP-Arnaldo Oliveira é uma empresa de Construção Civil do Porto, que vem do Porto e contratou em Albergaria-a-Velha 50 operários até acabar a obra.

A situação destes operários tem muitas especificidades como por exemplo:

— Não têm assistência social pela Caixa de Previdência.
— Não têm subsidio de férias nem 13.º mês.
— Não têm direito a férias.

Além destas condições estão constantemente ameaçados pelo desemprego porque basta o patrão não querer e legalmente não assina o contrato.

III

Aliado a este receio o patrão vai dando as habituais compensações quer monetárias quer através de facilidades aos operários mais obedientes, conseguindo assim uma base de apoio dentro da fábrica que ataca todos os operários que se insurgem contra as injustiças cometidas sobre eles.

Assim é frequente ver-se numa fábrica operários a pôrem-se contra camaradas seus. acusando-os de querer arruinar o patrão que "está a ter prejuízo com a fábrica", só a mantendo aberta porque não quer atirar os trabalhadores para o desemprego e outras lamúrias que lhes são impingidas.

É também frequente ver-se delegados sindicais serem espancados pelo patronato sem haver um repúdio generalizado por parte dos operários.

É evidente que neste clima de terror que os operários aqui vivem e não são as boas palavras que fazem por exemplo com que uma fábrica adira à greve dos metalúrgicos quando decretada pelo sindicato (que é na sua maioria PS).

IV

Isto seria um panorama muito negro se nós nos alheássemos da evolução contínua da situação política portuguesa. Mas neste momento alguns daqueles que ontem defendiam acerrimamente posições do PPD, como é o caso de 3 elementos que hoje integram este GDUP e que já pertencem a uma organização revolucionária, vêem já mais claramente quem são os seus inimigos de classe e quem os defende. Deste modo, nós tentámos despoletar uma luta. que embora não tivesse ido para a frente por falta de apoio da maioria dos operários, teve o apoio bastante activo de vários CDSs, PPDs e PSs.

É na grave crise económica que existe neste pais e que não tem solução capitalista sem ser por métodos repressivos ainda maiores do que os usados neste momento (ou seja através do fascismo) e que irá originar nos tempos mais próximos medidas de restrição que irão despoletar grandes lutas. Pois quando a fome chega já não há mesmo nada a perder para a classe. Assim iremos ver os operários a mandar à fava quem os ilude neste momento e a aderir a um programa revolucionário.

V

Mas aqui surge um perigo: os GDUPs pondô-se à cabeça da luta reivindicativa não terem um programa político que aponte claramente os saltos qualitativos a dar. E é este programa (essa estratégia) que os GDUPs têm que encontrar neste congresso. Porque um programa de luta não basta, porque à luta seguir-se-á a repressão e à repressão a resposta quer nós queiramos quer não. Este clima irá originar graves perturbações a que a burguesia tentará dar resposta fazendo o seu golpe à chilena, a que corresponderá uma resposta do proletariado mais consciente. Se essa resposta não se alargar a todo o proletariado e a certos sectores da pequena burguesia que se queiram aliar, então podemos ter a certeza de que o fascismo se instalará.

Neste sentido temos que apontar claramente na organização da classe não para reivindicar melhores salários mas para conquistar o poder à burguesia. Porque o ciclo de aumento de salários-aumento de preços não tem viabilidade de durar muito tempo em Portugal, quer pela consciência que a classe adquiriu em certos pontos do pais e que não tardará em adquirir nos meios onde a direita ainda domina. depois das lutas que se darão, quer pela impossibilidade da situação aguentar muito tempo de agitação social.

GDUP—ECOP

Página UM, 30/10/1976

domingo, 17 de março de 2013

AR-TEs

O Espaço d'AR-TEs
Centro Cultural Independente
        
A partir de agora novos passos vamos dar e mais intervenientes iremos ser. O sítio de costume, a loja devoluta, a antiga farmácia, passará a ter nome: Espaço dAR-TEs, centro cultural da AlbergAR-TE.

A Praça Ferreira Tavares para além do Bancos, da Câmara, do Tribunal, do Jornal de Albergaria, passará a contar connosco, quotidianamente.

O que vai acontecer? Muitas coisas que o Espaço, polivalente como pretendemos, possa albergar. Esse é o propósito da
AlbergAR-TE, para Albergaria.

Página antiga da Albergar-te
/http://planeta.clix.pt/albergar-te/diversos.html

NB: Isso passou-se já há bastante tempo agora na antiga farmácia está mais um banco.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Rui Marques No Parlamento (1999)

«Rui Marques, eleito presidente da Câmara Municipal de Albergaria-A-Velha nas últimas eleições autárquicas mas a ocupar actualmente as funções de deputado na Assembleia da República foi o alvo de fortes críticas nesta Assembleia Muncipal. Críticas oriundas sobretudo da bancada do PSD, nomeadamente de Mário Jorge Lemos Pinto que alegou mesmo ser ilegal a suspensão do mandato do presidente da Câmara, Rui Marques. Contactado pelo Linha da Frente, Rui Marques afirmou estar 'tranquilo e descansado'. Sobre este caso 'não estou minimamente preocupado', refere ainda Rui Marques.

Linha da Frente, 06/05/1999


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Empresas PME

Foram distinguidas 12 empresas de Albergaria-a-Velha com o estatuto PME Excelência 2012, numa sessão presidida pelo Ministro da Economia e do Emprego, em Braga. Tratam-se de pequenas e médias empresas que apresentaram os melhores desempenhos económico-financeiros e de gestão no ano de 2011. Em todo o país, foram reconhecidas 1.239 empresas.

(adaptado, edição da 2.ª quinzena de Janeiro do Beira Vouga)

Lista de empresas do concelho - PME Excelência 2012

Acustekpro - Soluções Técnicas de Isolamento, Lda - CAE 43290
António Bastos de Almeida & Irmão, Lda. - CAE 56101
Aveicabo - Telecomunicações e Serviços, S.A. - CAE 42220
Fernando Abreu, S.A. - CAE 25731
Fisola - Fábrica de Isoladores Eléctricos, Lda - CAE 27900
Grupel - Grupos Electrogéneos, S.A. - CAE 27110
Litoralalbe - Alimentos para Animais, S.A. - CAE 46211
Maga Moldes, Lda - CAE 25734
Marques, Silva & Pereira, Lda - CAE 16101
Palbit, S.A. - CAE 25733
Planiflex - Indústria de Colchões, Lda - CAE 31030
Transpalmaz - Camionagem de Carga, Lda - CAE 49410

Empresas PME Líder / Plataforma FINCRESCE

2M - Comércio e Serviços de Electricidade, Lda - CAE 43290
Aveicellular - Comunicações e Acessórios, Lda - CAE 46520
Aveidigital - Produtos de Telecomunicações, Lda - CAE 46520
Bioflorestal, S.A. - CAE 2200
Covema - Madeiras, Lda - CAE 46731
Duravit - Comércio e Equipamento Industrial, Lda - CAE 46620
Duromin - Equipamentos para Minas, Pedreiras e Obras Públicas, Lda - CAE 46900
Eurocolchão, Lda - CAE 31030
Fernando Pimenta & Filho, Lda - CAE 41200
Futurvida - Fabricação de Veículos Especiais, Lda - CAE 29320
Heliroma - Plásticos, S.A. - CAE 22292
Intermaco - Comércio e Representações de Máquinas e Ferramentas, Lda - CAE 46620
João de Almeida Oliveira, Lda - CAE 47300
Larus - Artigos para Construção e Equipamentos, Lda - CAE 25120
M.C. Rios, S.A. - CAE 46211
Madeibranca - Comércio de Derivados de Madeira, Lda - CAE 46731
Marinhauto - Indústrias Metalúrgicas, Lda - CAE 25620
Mazel - Rações para Animais, S.A. - CAE 10912
Mazel - Transportes, S.A. - CAE 49410
Mercocentro - Comércio de Produtos Alimentares e Bebidas, Lda - CAE 46170
MetalFaj - Indústria Metalúrgica, Lda - CAE 25992
Metalusa, S.A. - CAE 25110
Newstamp - Estampagem de Componentes Metálicos, Lda - CAE 25501
O 2 A - Autoadesivos, S.A. - CAE 32996
Oligas - Instalações Eléctricas e Gás, Unipessoal Lda - CAE 43210
Petrobranca - Combustíveis, S.A. - CAE 47300
Portoflex - Fábrica de Tubo Flexível, Lda - CAE 25992
Portopal - Madeiras e Derivados, S.A. - CAE 46731
Q. Provider, Lda - CAE 14131
Refracivil - Construções, Lda - CAE 41200
Ribeiroescala - Construções, Lda - CAE 41200
Serrano da Silva - Madeiras e Transportes, Lda - CAE 49410
Sopormetal - Sociedade Portuguesa de Metais, Lda - CAE 46720
Sotavinhos - Distribuição de Bebidas, S.A. - CAE 46341
Transbranca - Transportes, S.A. - CAE 49410
Transportes de Mercadorias Valente & Aguiar, Lda - CAE 49410
TV Ria - Sistemas de Comunicação, Lda - CAE 61900
Unimadeiras - Produção, Comércio e Exploração Florestal, S.A. - CAE 46731
Valart - Metalúrgica Central do Vouga, Lda - CAE 29200
Valpel - Comércio e Tranformação de Papel, Lda - CAE 17220
Viecon - Transportes Nacionais e Internacionais, Lda - CAE 49410


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Património Imóvel

Em 18 de Junho de 2001 a ADERAV solicitou ao IPPAR a classificação como Imóveis de Interesse Público, dos seguintes imóveis do concelho:

* Casa da Fonte - Séc. XVIII - Albergaria-a-Velha
* Troço de calçada romana - Séc. I - Branca    
* Quinta das Relvas - Séc. XVIII - Branca
* Quinta do Outeiro - Séc. XIX - Branca    

NOTÍCIAS DAS ACTIVIDADES DA ADERAV - "Patrimónios" – n.º 2, Março 2002


PATRIMÓNIO IMÓVEL - INFORMAÇÃO OBTIDA NO SITE DO IGESPAR (EX-IPPAR)

http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/

* Casa de Santo António

Categoria de Protecção: Em Vias de Classificação (Homologado como IIP - ...
Cronologia: Despacho de homologação de 12-09-1997 do Ministro da Cultura
Parecer de 15-01-1995 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Proposta de abertura de 13-09-1994 da DRCoimbra
Proposta de classificação de 26-11-1981 da ADPNCAveiro

ZEP: Parecer favorável de 7-11-2011 da SPAA do Conselho nacional de Cultura
Proposta de 29-10-2010 da DRCCentro
http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/72098/


* Pelourinho de Frossos

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público    
http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/73443/


* Pelourinho de Angeja

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público    
http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/73766/


* Mamoa de Açores

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público    
http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/73814/

*Antigo Palace-Garage Hotel

Procedimento encerrado / arquivado - sem protecção legal    
Despacho de encerramento de 22-03-2006 [demolido em 2006]
http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/3720936/

* CTT de Albergaria-a-Velha

Procedimento encerrado / arquivado - sem protecção legal    
Esteve em vias de classificação nos termos do Dec.-Lei n.º 173/2006, DR, I Série, n.º 16, de 23-08-2006
http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/10949547/


* Vila Francelina 

Classificado como MIM - Monumento de Interesse Municipal
http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimovel/detail/14057879/

Imóveis de Interesse Municipal

Consideram-se de interesse municipal os bens cuja protecção e valorização, no todo ou em parte, representem um valor cultural de significado predominante para um determinado município.

Site da CMA

O Imóvel Casa e Quinta das Relvas foi o primeiro Classificado como Imóvel de Interesse Municipal.

O mesmo acontecendo, mais recentemente, com a Vila Francelina.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Jornal de Albergaria

Primeira edição
O nº. 1 da 2ª série do Jornal de Albergaria foi publicado no dia 19/02/1993. Com algum atraso sobre o previsto coube a Mário Jorge Lemos Pinto, o seu primeiro (e único) director, fazer a sua apresentação. A ideia de um novo jornal surgia num quadro de progresso e dinamismo do concelho de Albergaria-a-Velha.

Depois de abortado o projecto da Rádio Osseloa verificou-se a criação, por parte de outras pessoas, da Cooperativa de Comunicação Social de Albergaria. Os objectivos da cooperativa, conforme estatutos de 15/12/1992, eram: promover os valores culturais do concelho; contribuir para o enriquecimento informativo e cultural da população; e despertar nas pessoas a liberdade critica, com respeito pelas instituições e pelas leis.

Nesse primeiro número destaca-se o editorial, uma reportagem sobre o Lar de Terceira Idade, a primeira parte do artigo de Albuquerque Pinho (secção "Para a História de Albergaria") sobre o primeiro número do Jornal de Albergaria em 13/05/1911, notícias das freguesias, desporto, apontamento sobre o Carnaval, secção "De Ecclesia" e o espaço das Escolas.

Director Mário Jorge Lemos Pinto

Primeiros Colaboradores:

José António Moreira Vinhas
Dr. António Albuquerque Pinho
António Augusto Lemos (Desporto)
Pe. Querubim Silva
Luis Filipe
João Agostinho Pereira (Alquerubim)
João Ricardo Valente (Angeja)
José Silva (S. J. Loure)

A última edição do Jornal de Albergaria, com o nº 420, aconteceu em 12 de Agosto de 2011. A quem de direito sugere-se a edição de um volume com artigos do Dr. Alburquerque Pinho e as efemérides locais que publicou ao longo de vários anos.

mudança de instalações para a Rua Serpa Pinto


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

António Augusto de Lemos Martins Pereira 1927-2013


Capa da edição número 12 do Correio de Albergaria.

É feita uma homenagem mais do que justa ao ilustre albergariense António Augusto Martins Pereira! Por isso, a capa a preto e branco, em sinal de luto...


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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

António Augusto Martins Pereira

António Augusto Martins Pereira nasceu em 1927, sendo filho de Américo Martins Pereira e neto do Comendador Augusto Martins Pereira, representantes de uma das famílias que mais marcaram, de forma positiva, o século XX do concelho de Albergaria-a-Velha.


António Augusto Martins Pereira é uma lenda viva do desporto albergariense. Desde muito novo, ainda estudante, começou a praticar voleibol no Sport Clube do Porto, jogando também futebol nos júniores do Infesta, dado que estudava no Colégio Almeida Garret, no Porto.

Foi igualmente praticante de motonáutica e o automobilismo foi outra das suas grandes paixões da juventude. O célebre carro Alba, uma relíquia que faz parte do seu espólio pessoal, acelerou pelo país inteiro, ganhando várias provas de âmbito, como a 2ª Taça Cidade do Porto e vários rallys, o mais importante de todos o do Vinho do Porto-Régua. O lendário carro Alba, da sua autoria, era vencedor habitual da categoria Sport, conduzido pelas mãos hábeis e pela perícia de António Augusto Martins Pereira.

Até que chegou a altura do futebol a sério e no renascer do Sport Clube Alba, no começo dos anos 50, após uma interrupção das actividades do clube que o seu pai e avô haviam fundado a 1 de Janeiro de 1941. Logo ficou patente o empenhamento e a dedicação sem limites de António Augusto Martins Pereira. Primeiro como jogador, nas posições de extremo-direito e avançado-centro, e até esporadicamente como defesa direito, sob a orientação de outro dos “monstros sagrados” do futebol albergariense, o inesquecível Carlos Alves, o homem das luvas pretas.

(...)

António Augusto Martins Pereira pode ser considerado o mais completo e dedicado desportista do nosso concelho, pois foi ainda presidente do Sport Clube Beira Mar, durante dois anos e quatro como vice-presidente. Foi igualmente membro das direcções do Sporting Clube de Aveiro, do Clube Naval de Aveiro e do Clube de Albergaria, do qual é (tal como do Sport Clube Alba) sócio número um.

Jornal de Albergaria - retirado de http://blogdealbergaria.blogspot.pt/2008/08/antnio-augusto-martins-pereira.html

LUTO MUNICIPAL em memória do Ex.mo Sr. António Augusto de Lemos Martins Pereira


É com profundo pesar que a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha tomou conhecimento do falecimento do Ex.mo Senhor António Augusto de Lemos Martins Pereira no final do dia 24 de janeiro de 2013.

Nesta hora de dor, em nome da Câmara Municipal, o Presidente João Agostinho Pereira envia as condolências à família, aos amigos e aos Albergarienses em geral que se reveem na obra que ele nos deixou.

O Senhor António Augusto de Lemos Martins Pereira ficará para a história da cidade e do município de Albergaria-a-Velha como Homem Bom e Ilustre, que honrou a história do poder local e que foi exemplo de dedicação ao serviço público. A história da sua Vida cruzar-se-á com a história das últimas décadas do Município, a nível industrial, desportivo, cultural e social, quer pela obra física quer pelo seu afeto e relacionamento pessoal.

Muito mais se poderia dizer de António Augusto de Lemos Martins Pereira, mas as palavras, especialmente nestes momentos, são sempre poucas para expressar, de forma completa, o sentimento e a estima que devemos a cidadãos desta dimensão, tratando-se, indubitavelmente, de um símbolo da nossa Terra e da nossa Comunidade.

Assim, com este sentimento de perda, é declarado LUTO MUNICIPAL nos dias 25 e 26 de janeiro de 2013, reconhecendo, publicamente, o relevante mérito que o cidadão António Augusto de Lemos Martins Pereira tem para o Município e sua comunidade.

A Câmara Municipal apresenta, também, sentidas condolências à Família enlutada.

É colocada a meia haste a Bandeira do Município em todos os seus edifícios.

CMA, 25/01/2013

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Desenvolvimento - artigos Dr. Mário Jorge

O círculo vicioso da desqualificação (2000)

É nos bairros periféricos das cidades, nos seus dormitórios, nas áreas sem equipamentos e disciplina urbanística, que se identificam os maiores índices de criminalidade, cujos expoentes máximos são os ‘gangs’ de marginais, jovens e não só.

Há tempos, escrevia Nicolau Santos no Expresso (1 de Julho de 2000): "Uma das mais importantes tendências do século XXI aponta no sentido da competitividade vir a medir-se não entre países mas entre cidades. E estarão em competição não as cidades de um determinado país face às cidades de outro país, mas cada cidade em relação às outras cidades do seu país. Será uma concorrência feroz e sem tréguas, em que os presidentes das câmaras municipais terão uma importância decisiva. A sua capacidade política para conseguir o melhor para as suas cidades, garantindo boas infra-estruturas, ambiente limpo e saudável, segurança, acesso fácil a serviços de saúde, parques tecnológicos, equipamentos culturais e desportivos, será fundamental para os espaços que governam (...). Esta competição implicará que cada cidade tenderá a especializar-se em determinada área de actividade e a oferecer as melhores condições para atrair investigadores, médicos, cientistas, professores, desportistas, artistas, investidores, empresários. Serão as cidades-excelência, procuradas por nacionais e estrangeiros, por indivíduos e empresas, por serviços públicos e privados".

Tentando aplicar estes pensamentos à realidade do concelho de Albergaria, fica-nos o sabor amargo de uma angustiante desilusão, por se constatar que aqui o caminho é o oposto. Em vez de se pressentirem os sinais seguros de uma caminhada para a excelência, em termos de gestão racional e harmoniosa do espaço urbano, de concretização de um modelo de desenvolvimento equilibrado, criando mais qualidade de vida – a dura realidade é a de uma cada vez maior subalternização do concelho, de um maior afastamento perante a linha de desenvolvimento que já se identifica por todo o distrito.

No concerto dos concelhos circunvizinhos, nomeadamente dos mais poderosos, como Aveiro, Águeda e Oliveira de Azeméis, é notório o atraso de Albergaria, no que respeita não apenas aos indicadores económicos, mas sobretudo no conjunto dos itens que definem a qualidade de vida.

Por algumas vezes, tentámos suscitar o debate acerca de qual o destino de Albergaria: apenas um dormitório de mão de obra, de serviço às cidades que nos envolvem, ou um aglomerado que possa reverter a seu favor as suas próprias limitações geográficas e económicas, servindo de contraponto aos grandes centros, transformando e potenciando em qualidades e atributos a sua posição necessariamente periférica? Ser um dormitório, ou ser uma área residencial, com tudo o que aquele significa de mau e esta de bom?

O debate não é inócuo. Saber o que se pretende de Albergaria, é colocar em discussão o modelo de sociedade que se almeja, nomeadamente ao nível da gestão do seu espaço geográfico. É bom lembrar, permanentemente, que as comunidades vivem num espaço, do mesmo modo que as pessoas habitam em casas. A organização, a harmonia, o apetrechamento desse espaço é que pautam a qualidade de vida das pessoas, a sua maior ou menor felicidade. Assim como não se é feliz numa casa sem os cómodos adequados, sem os equipamentos básicos, numa casa degradada e suja – também não há comunidades prósperas em espaços desorganizados, tortuosos, sem equipamentos, sujos. A prosperidade e qualidade de uma comunidade dependem desde logo das condições e organização do território onde está radicada. E a falta de alegria e de harmonia de uma comunidade, a falta de qualidade de vida, são uma das principais causas da delinquência, da violência e da agressividade, mais evidentes na juventude.

É também por isso que é nos bairros periféricos das cidades, nos seus dormitórios, nas áreas sem equipamentos e disciplina urbanística, que se identificam os maiores índices de criminalidade, cujos expoentes máximos são os ‘gangs’ de marginais, jovens e não só. A delinquência está na razão directa da degradação urbanística e da falta de uma gestão do território atenta à integração das comunidades.

Estas pechas são, por sistema, as consequências da criação de dormitórios suburbanos, sem qualidade, sem um ordenamento adequado à integração das comunidades.
A partir daqui, a partir do momento em que uma área cresce sem uma disciplina urbanística especialmente atenta às especificidades de uma zona dormitório, então o circulo vicioso da desqualificação nunca mais pára. Se um território sofre os efeitos de um crescimento tortuoso e indisciplinado da construção, sem o paralelo aparecimento de equipamentos de convergência e de espaços de integração comunitária, ocorre um movimento de repulsão de núcleos a quem estes aspectos não agradam, e de atracção de famílias de poucos recursos e baixos índices de exigência em termos de qualidade.

São sobretudo as massas humanas que vêm do interior rural e procuram emprego nas periferias das cidades, em regra desqualificadas profissionalmente, de baixos recursos e de níveis culturais a rasar o zero. O seu grau de exigência é mínimo, satisfazem-se com pouco. E também pouco ou nada se lhes dá. Por outro lado, quem revela padrões de qualidade mais desenvolvidos acaba por se afastar, ou de nem sequer ali se estabelecer.

Degradado, pois, o território, por uma gestão inadequada e incompetente e por uma governação insensível, o dormitório é o destino natural de uma procura nada exigente, impreparada, sem recursos, proletarizada, que irá recriar a cultura de bairro.

A tendência inevitável será então de o concelho, que não se consegue opor a este movimento, vir a transformar-se na periferia das cidades que se vêm a impor pela sua qualidade.

Em Albergaria-a-Velha, os investimentos em qualidade de vida têm sido mínimos. Tirando o que é obrigatório, têm sido insignificantes os lampejos de criatividade, com vista a evitar esta suburbanização do nosso espaço.

Repare-se que uma área periférica e suburbana é sempre um espaço sem história, sem personalidade colectiva, uma espécie de gare aonde aporta quem tem dificuldades em entrar no corpo da cidade. É um espaço por definição transitório, uma espécie de arrumos da casa principal, e portanto sem beleza, sem requinte.

O nosso concelho está exactamente nesta secundarização, transformada num espaço desarrumado, sem ordem, sem beleza, sem qualidade.

E nada os órgãos autárquicos fazendo para realçar a sua história, a sua personalidade; nada fazendo para aumentar os seus espaços e equipamentos de convergência colectiva, os seus parques, as suas áreas de lazer – é inevitável que a sua suburbanização seja a cor que já domina entre nós: é a negligência (já tantas vezes aqui denunciada) quanto à falta de recolha selectiva dos lixos; é a falta de civilidade no comportamento dos grupos, é a transformação do centro cívico da sede do concelho num ridículo "pimbódromo", debitando tardes a fio rodos de barulho alarve, atordoando quem lá passa, ou vive por perto; é a modéstia do comércio; é a prática cultural intermitente, quase sempre ao nível da romaria; é a terrível falta de espaços e equipamentos básicos de convergência (parques, praias fluviais, campos de jogos, bibliotecas, auditórios)...

São pois os inúmeros estigmas de uma "cultura" suburbana, afinal o caldo onde germinam todos os factores de desagregação social, a violência, a delinquência, a agressividade.

Com toda esta desqualificação, é fatal que o espaço se desorganize, assim seguindo tudo num circulo vicioso imparável. Perante a desqualificação do espaço e das comunidades, os factores de valorização e de excelência, de que fala o trecho acima transcrito, ficam ausentes, são ‘apanhados’ por outras terras, perdendo-se assim níveis de competitividade. Albergaria-a-Velha já não está em condições de concorrer com a maioria das cidades e vilas do distrito, porque não exibe predicados de excelência a nenhum nível, faltando-lhe os mais básicos elementos de qualidade de vida. Não está no mapa das coisas notáveis, por nada de positivo, de digno, ou de excelente. Longe vai o tempo em que dizíamos que Albergaria já começava a ser uma boa terra para se viver. O tempo que se perdeu!

Mário Jorge de Lemos Pinto / Jornal de Albergaria
republicado no site Notícias de Aveiro em 25/09/2000


E Aveiro aqui tão perto... (2001)

O jornal PÚBLICO do passado dia 22 de Setembro dedicou a sua rubrica relativa às ‘Autárquicas 2001 – O Portugal das Cidades’ a Aveiro. E deu-lhe um título sugestivo: ‘Aveiro – Uma Aposta Certeira na Qualidade de Vida’.

O artigo dá conta que em Aveiro a qualidade de vida é uma evidência reconhecida por todos. Desde os seus habitantes até aos que estão de visita, todos sublinham as excelências desta cidade, ao nível da segurança, do ambiente, do trânsito, da arrumação urbanística, da oferta cultural. “Uma qualidade de vida traduzida em equipamentos e acontecimentos quotidianos, mas alicerçada numa infra-estruturação concluída muito antes dos grandes projectos”.

Certo que a cidade de Aveiro beneficia de um conjunto amplo de equipamentos cuja existência tem a ver exactamente com a circunstância de ser uma cidade, e capital do distrito. É o caso da Universidade e de um elenco vasto de serviços administrativos.
Mas a qualidade de vida, que pujantemente Aveiro patenteia, é a resultante de muito mais do que isto. É o produto de uma gestão autárquica cuidada e inteligente, pensada desde o primeiro momento com o objectivo de criar aos aveirenses condições de vida saudáveis e agradáveis.

A qualidade de Aveiro não resulta apenas dos equipamentos de que dispõe, mas também, e muito, de um planeamento urbanístico harmonioso, com vias de circulação arejadas e folgadas, com zonas verdes cuidadas. E é por isso que todos reconhecemos que Aveiro é uma cidade bonita, não apenas porque predestinada com condições naturais de eleição (a Ria), mas porque o ordenamento do seu espaço físico foi sempre cuidado.

Deve reconhecer-se que este manancial de excelências não pode ser anotado a crédito apenas da actual Câmara de Aveiro. Creio que isso vem (pelo menos) do tempo das Câmaras presididas por Girão Pereira, isto é, de há mais de 25 anos, e a que o elenco municipal presente soube dar continuidade, embora, por certo, com meios financeiros mais poderosos.

Este desenvolvimento da cidade de Aveiro poderia representar para Albergaria-a-Velha um de dois movimentos, de sinal oposto: ou uma tendência mimética, de imitação, uma tentativa de aproveitar o exemplo e as cinergias próprias do desenvolvimento de uma cidade tão próxima (geográfica e afectivamente). Ou, pelo contrário, um retrocesso, uma subalternização, uma suburbanização.

Ambos os movimentos são possíveis.

Há pequenas povoações que sabem tirar partido da qualidade de metrópoles de maior dimensão, criando elas próprias condições de vida de qualidade. Basta ver que o crescimento das cidades, por muito harmonioso que seja, gera sempre alguns efeitos perversos, subprodutos quase inevitáveis: mais ruído, mais trânsito, menor coesão social, mais imigração do interior, menos espaços colectivos.

As pequenas povoações adjacentes podem beneficiar de alguma procura da periferia, desde que esta ofereça o que a grande cidade não tem. É um pouco como o hipermercado, que está longe de substituir o tratamento personalizado da pequena mercearia de bairro, capaz de oferecer produtos e atendimento que não têm lugar nas grandes superfícies.
Mas o contrário também ocorre, e com mais frequência. A proximidade de uma cidade com qualidade de vida pode fazer com que as povoações satélites sofram os efeitos da suburbanização.

É o que acontece com o aparecimento dos bairros-dormitório, onde pernoitam muitos do que trabalham na cidade. Sobretudo os que não dispõem de meios que lhes permitam ocupar as zonas residenciais da cidade, mais caras, mais inacessíveis.
Os bairros-dormitório, porque são áreas de passagem, são o parente pobre dos bairros-residenciais, estes com mais qualidade urbanística, no geral providos de equipamentos de lazer, áreas verdes, e portanto mais caros.

Nos primeiros habitam (‘dormem’) as pessoas de menos recursos, em geral recem-imigrados em busca de melhores condições de trabalho nas zonas industriais das cidades, casais jovens que apenas aspiram a poderem mudar-se o mais depressa possível, e uma massa imensa proletarizada, de baixos recursos. Nos bairros-residenciais fixam-se as pessoas de mais rendimentos, ou com preocupações culturais mais exigentes, que aspiram a um modo de vida mais cuidado.
Os exemplos de uma situação e de outra acabam por ser visíveis no tecido urbanístico da nossa região.

Já há muito tempo que temos vindo a anotar a tendência suicida de Albergaria se tornar numa zona dormitório, suburbana, das cidades que a cercam, nomeadamente de Aveiro. Ou seja, é cada vez mais evidente que o nosso concelho não tem conseguido furtar-se às tendências suburbanizantes que emergem da sua proximidade das cidades.

As sucessivas gestões municipais de Albergaria têm manifestado uma clara e catatónica falta de visão para salvar o nosso concelho daquilo a que uma vez chamámos de ‘circulo vicioso da desqualificação’: a desqualificação urbanística e do ordenamento do território gera necessariamente mais des-qualificação.

Os resultados desta deriva na gestão municipal de Albergaria são por demais evidentes: um (des)ordenamento do território caótico; total ausência de zonas verdes, de lazer e de fruição colectiva; ausência de equipamentos de convergência colectiva; vias de comunicação estreitas e sinuosas, acentuando a conglomeração dos edifícios; implantação de edifícios a esmo, gerando subprodutos físicos, como becos, esquinas, varandas dependuradas sobre as vias, convivências espúrias de habitações unifamiliares com prédios em propriedade horizontal; trânsito ‘terceiro-mundista’, desregrado, já entupido a algumas horas e em algumas vias.

As consequências sociais e económicas são notórias: mentalidade, comportamentos, padrões de cultura suburbanos, sobretudo da juventude; insatisfação das pessoas, gerando individualismo e agressividade; ociosidade e ausência de mecanismos de ocupação de tempos livres; êxodo dos jovens quadros técnicos, para zonas com mais qualidade; baixo nível de rendimentos e consequente baixo poder de compra das famílias; logo, comércio incipiente e sem dinâmica.

Em conclusão, o concelho de Albergaria-a-Velha tem sido influenciado negativamente pelo desenvolvimento de Aveiro: em vez de tentar acompanhar a reconhecida qualidade de vida desta cidade, Albergaria está a sofrer os efeitos que marcam o aparecimento das terras-dormitório.

Tudo resultado de uma gestão municipal sem ambição, sem qualidade, sem bom gosto, sem inteligência. De vistas curtas.

Mário J. Lemos Pinto/Jornal de Albergaria
Republicado pelo site Noticias de Aveiro em 05/10/2001