sábado, 15 de fevereiro de 2014

Câmara Municipal comemora Fundação do Concelho

No dia 15 de fevereiro, a Câmara Municipal vai comemorar o 179º Aniversário da Fundação do Concelho de Albergaria-a-Velha, uma efeméride importante na medida em que, a partir de 1835, foi possível fortalecer a identidade de um território e comunidade com características próprias.

Para assinalar esta data e preservar a nossa memória coletiva, vai ter lugar, pelas 16h00, no Edifício dos Paços do Município, uma sessão solene que contará com a presença dos antigos presidentes da Câmara de Albergaria-a-Velha ou os seus descendentes. Nesta cerimónia, para além de uma intervenção do atual presidente da autarquia, António Loureiro, serão descerradas fotografias de todos os antigos chefes do executivo e apresentado um pequeno filme sobre o Concelho.

À noite, as comemorações continuam com um concerto no Cineteatro Alba, pelas 21h30. Teresa Salgueiro, uma das artistas portuguesas com mais projeção internacional, vem apresentar o seu trabalho a solo, O Mistério, cujos temas foram totalmente compostos pela artista.

Para Delfim Bismarck, Vice-Presidente da Câmara Municipal, “a ideia de comemorar o aniversário do concelho há muito que deveria ter sido efetuada. Como o próprio por diversas vezes escreveu e sugeriu à assembleia municipal local ao longo dos anos, é de elementar justiça que o salão nobre dos Paços do Concelho apresente uma galeria com os retratos de todos os antigos presidentes de câmara que ao longo de 179 anos serviram o município.

O facto de nesta data virem a Albergaria-a-Velha muitos filhos, netos e bisnetos deste concelho é, para nós, muito importante e que nos enche de alegria. Desta forma, salvaguarda-se a memória de uma comunidade, fortalecendo-a e enriquecendo-a”.

CMA, 07-02-2014

HISTÓRIA

O território que hoje compõe o concelho de Albergaria-a-Velha tem ocupação humana desde a pré-história, conforme os sítios arqueológicos o demonstram. Chegados ao século XVI, este território estava dividido por diversos concelhos autónomos: Angeja, Frossos, Paus e Pinheiro, enquanto os restantes aglomerados populacionais se mantinham na jurisdição de outros concelhos: Aveiro, Bemposta, Recardães e Vouga.

Com o advento do Liberalismo, no início do reinado de D. Maria II, foi então promovida a elevação de Albergaria-a-Velha à categoria de Vila e criado o seu concelho, retirando-a do concelho de Aveiro. Para esse fim, foi anexado o concelho de Angeja (temporariamente extinto), a freguesia de São João de Loure e parte da freguesia de Valmaior (do concelho de Aveiro). E no dia 13 de Fevereiro de 1835 teve lugar a primeira sessão, na presença da maior parte do povo do mesma Villa apesar de só ser oficializado por Decreto de 23 de Julho de 1835, para logo em Setembro de 1835 lhe ser acrescentado o concelho de Paus. A 6 de Novembro de 1836, foram extintos os concelhos de Frossos e de Recardães. O primeiro, foi por poucos dias integrado no concelho de Albergaria-a-Velha, até que em Janeiro de 1837 passa a integrar o restaurado concelho de Angeja. Do segundo, uma parte da freguesia de Valmaior, passou para o concelho de Albergaria-a-Velha. Pouco depois, a 18 de Março de 1842 foi extinto o concelho de Paus, ficando uma parte (Alquerubim e Paus) para o concelho de Albergaria-a-Velha e outra para o concelho de Águeda. No entanto pouco tempo duraria esta medida, uma vez que em Maio de 1842, na sequência da ditadura de Costa Cabral, viria a ser restaurado o concelho de Paus e extinto temporariamente o de Albergaria-a-Velha, assim se prolongando até Maio de 1846, altura em que na sequência da revolta designada por "Maria da Fonte" foi restaurado o concelho de Albergaria-a-Velha.

Poucos anos mais tarde, o Decreto de 31 de Dezembro de 1853 extinguiu os concelhos de Angeja e de Vouga. Do primeiro, passaram a integrar o concelho de Albergaria-a-Velha as freguesias de Angeja e Frossos, ficando as freguesias de Canelas e Fermelã para o concelho de Estarreja. Do segundo, viria a ser incorporada no concelho de Albergaria-a-Velha outra parte da freguesia de Valmaior. Mas só em 1855 o concelho de Albergaria-a-Velha viria a assumir a totalidade do seu actual território, com a anexação das freguesias da Branca e da Ribeira de Fráguas.

Como vimos, foi ao longo de cerca de vinte anos que se foram congregando os territórios que constituem o concelho de Albergaria-a-Velha, nem sempre de forma fácil e ordeira.

Os Paços do Concelho de Albergaria-a-Velha foram funcionando em casas arrendadas, até que em 1869 se deram início às obras do actual edifício, que apenas foi inaugurado em 1897. Foi por esta altura que, no período compreendido entre 1895 e 1898, o concelho de Albergaria-a-Velha anexou o concelho de Sever do Vouga.

A partir de Janeiro de 2013, o concelho de Albergaria-a-Velha sofreu uma nova reorganização, sendo agregadas as freguesias de Frossos e de Valmaior, respectivamente, a São João de Loure e Albergaria-a-Velha.

Desta forma, o concelho de Albergaria-a-Velha é presentemente constituído por seis freguesias: União das freguesias de Albergaria-a-Velha e Valmaior, União das freguesias de São João de Loure e Frossos, Alquerubim, Angeja, Branca e Ribeira de Fráguas.

O concelho de Albergaria-a-Velha tem actualmente 25.252 habitantes (censos 2011).

(panfleto CMA)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Fotografias de João Fortunato de Pinho

No âmbito de um protocolo celebrado com o Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha, João Manuel Estrela de Pinho Dias, neto do artista Albergariense João de Pinho, cedeu dois álbuns de fotografias do seu avô, que contêm imagens do final do século XIX e início do século XX.

João Fortunato de Pinho, para além de desenhar e pintar, foi fotógrafo amador quando esta arte era uma novidade em Portugal, tendo ainda fundado, em 1896, o jornal Correio de Albergaria. Nos dois álbuns cedidos ao Arquivo Municipal, encontram-se dezenas de fotografias antigas de locais do Concelho – Fábrica de Papel de Valmaior, Praça Comendador Ferreira Tavares, Quinta da Boa Vista, Igrejas de Alquerubim e Angeja - bem como de alguns eventos importantes – o Carnaval de Albergaria-a-Velha ou a primeira excursão de comboio da Vila da Feira até Albergaria-a-Velha.

O Arquivo Municipal, na sua missão de preservação, tratamento e difusão de importantes documentos históricos, vai proceder à digitalização das imagens, que ficarão guardadas na coleção “Fotografias de Albergaria-a-Velha”. Os dois álbuns originais serão, depois, devolvidos ao proprietário, juntamente com as digitalizações feitas pelos técnicos do Arquivo.

Estas fotografias vêm enriquecer o património arquivístico do Município, dando-se, assim, mais um passo na preservação da nossa memória coletiva.

Para Delfim Bismarck, Vice-Presidente da Câmara Municipal, “o presente acervo de imagens é de grande importância para o concelho de Albergaria-a-Velha bem como para a região de Aveiro, já que aqui podemos encontrar imagens únicas de diversos aspetos desta e de outras regiões do país. Em muitos casos, apresentam igualmente as únicas imagens conhecidas de algumas personalidades do concelho”.

CMA, 13/02/2014

DADOS BIOGRÁFICOS DE JOÃO DE PINHO

Natural de Albergaria pertencia à família da célebre e bi-centenária Estalagem dos Padres. Era um artista: desenhava, pintava e era fotógrafo amador quando esta arte dava os primeiros passos no País.

Em 1896, com 25 anos, fundou e dirigiu o jornal "Correio d'Albergaria" que durou até 1908.

Lançou a primeira colecção de 14 postais ilustrados de Albergaria-a-Velha, em 1908, com clichés [fotos] por ele realizados em 1907 e 1908 e mandados imprimir em Paris.

Dedicou-se à busca de documentos sobre a história da região, muitos dos quais publicou no "Jornal de Albergaria", bem como publicou um pequeno volume, no começo do século, sobre o Convento de Serém e as ligações constantes dos seus frades com Albergaria. Foi tesoureiro de Finanças em Albergaria e em outras vilas e cidades.

Fonte: António Homem de Albuquerque Pinho, "Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha"

http://blogdealbergaria.blogspot.pt/2011/04/joao-pinho-1871-1939.html


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Comemorações da fundação do concelho

(...) nas comemorações do 25 de Abril de 2010, decorridas no Centro Cultural da Branca, nós próprios, depois de fazermos um apanhado do que foi aquela data e o que se lhe seguiu, afirmámos: "Melhor ainda, seria comemorar outras efemérides, como, por exemplo, a da fundação do concelho de Albergaria-a-Velha que teve a sua primeira sessão no dia 13 de Fevereiro de 1835, que ainda por cima comemora este ano uma data "redonda" os seus 175 anos".

O mínimo exigível, seria uma daquelas mostras e realizar no Arquivo Municipal (Antiga Cadeia), com duas ou três vitrinas e dois ou três painéis, a que habitualmente chamam pomposamente exposições e que o marketing político da agenda cultural e da revista da autarquia tratam de induzir os leitores a pensar tratar-se de algo em condições, quando não passam afinal de "micro-exposições". (...)

Mas o mais importante, é que Albergaria-a-Velha não tem o seu dia, e esse dia quanto a nós, deveria ser o 13 de Fevereiro (data da fundação do concelho), ou o 1º de Novembro (simbolizando o mês de Novembro de 1117 em que a Rainha D. Teresa doou o Couto de Osseloa a Gonçalo Eriz, fundando assim a primitiva Albergaria).

Um ou outro seriam o "Dia do Município", que para além de servir para que nas escolas se falasse um pouco mais da nossa história local, "semeando" assim raízes à nossa terra, poderia e deveria servir também para homenagear os Albergarienses que por cá ou espalhados pelo Mundo mais se têm destacado nas mais diversas áreas de actividade. Aliás, isto é o que qualquer município com algum grau de civilidade faz. Será que custa assim tanto?

Delfim Bismarck, Jornal de Albergaria, 22/02/2011

No dia 15 de Fevereiro realiza-se um concerto com a cantora Teresa Salgueiro por ocasião dos 179 anos do concelho de Albergaria-a-Velha. Delfim Bismarck é actualmente vereador. Esperamos por mais iniciativas relacionadas com a comemoração deste dia que no próximo ano fará 180 anos.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Exposição de Pintores albergarienses

20 pintores em exposição
PRIMEIRA EXPOSIÇÃO COLETIVA DE PINTORES ALBERGARIENSES

A inauguração é na sexta-feira, 14 de fevereiro, pelas 17h30!

Biblioteca Municipal de Albergaria-a-Velha

Amélia Resende
Ana Sofia Almeida
Artur Oliveira
Clélia do Carmo
Fausto Ferreira
Filipe Chaló
Filomena Vaz Pinto
Igor Alexandre
Isaura Lalanda
João Cavacas
João Larraz
Jorge Cruz
José Manuel Tavares
Kátia Pires
Lucília Ferreira
Maria do Céu Oliveira Silva Santos
Maria Helena Melo (Lena)
Paulo Tanoeiro
Tiago Paço
Tucha Martins



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Filme sobre a Alba com estreia prevista para Abril


Falar sobre a Alba é falar sobre uma empresa que se dedicou a uma região e que se entregou à uma comunidade. E fê-lo de uma maneira arrojada para a época, reflectindo a postura visionária do seu fundador, o Comendador Augusto Martins Pereira. O legado que deixou é a prova viva da dedicação às gentes das suas terras, Sever do Vouga, de onde era natural, e Albergaria-a-Velha, onde fundou a Alba. Com estreia prevista para Abril, o filme «Alba, uma marca ao serviço da comunidade», produzido pela Animacroma Filmes, pretende salvaguardar a memória de uma das empresas mais importantes da nossa região, com uma acção notável, não só a nível económico, mas também social, desportivo e cultural, através da criação de diversas infra-estruturas que até hoje persistem no tempo.

Leia a notícia detalhada na edição da 1.ª quinzena de Fevereiro. Mais em www.jornalbeiravouga.com

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Evolução da População do concelho de Albergaria-a-Velha

Albergaria-a-Velha
Evolução do nº de habitantes (censos de 1864 a 2011) para o concelho de Albergaria-a-Velha

Como evoluiu a população do concelho - video

A POPULAÇÃO DO DISTRITO DE AVEIRO - de 1864 a 2011
http://populacaodistritodeaveiro.jimdo.com/

    Sumário:
    Evolução da População do Distrito entre 1864 e 2011
    Evolução da População dos Concelhos entre 1864 e 2011
    Variação da População dos Concelhos entre 1864 e 2011
    Variação da População do Distrito por Períodos de 50 Anos
    Variação Percentual da População Entre 1864 e 2011
    Nº de habitantes das freguesias nos censos de 1864 e 2011
    Evolução dos Grupos Etários Entre 1981 e 2011 (Distrito)
    Evolução dos Grupos Etários Entre 1981 e 2011 (Concelhos)
    A População do Distrito no Censo de 2011

 Aceda aos dados do distrito de Aveiro em http://populacaodistritodeaveiro.jimdo.com
 Aceda aos outros distritos em http://www.censosdeportugal.blogspot.com

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A EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO DO DISTRITO ENTRE 1864 e 2011

O primeiro gráfico em http://populacaodistritodeaveiro.jimdo.com/ traça a evolução da população do distrito de Aveiro, em termos do número de habitantes constantes dos censos efectuados em 1864, 1878, 1890, 1900, 1911, 1920, 1930, 1940, 1950, 1960, 1970, 1981, 1991, 2001 e 2011. O segundo gráfio apresenta a variação percentual verificada entre censos.

Neles estão registados alguns dos fenómenos que condicionaram a evolução da população portuguesa nestes últimos 150 anos: o reduzido crescimento verificado no censo de 1920, fruto da peste pneumónica e da 1ª Grande Guerra; o crescimento verificado nos anos 30 e 40, após a instauração do Estado Novo; o decréscimo populacional que se instala no País nos anos 70, fruto da emigração e das guerras coloniais; o forte crescimento verificado no censo de 1981, em resultado do regresso dos residentes nas ex-colónias.

O distrito de Aveiro apresenta uma taxa de crescimento superior à média do País (2.83 para 2.46).

População - 2011

sábado, 25 de janeiro de 2014

Biblioteca


Visitas guiadas à Biblioteca Municipal

Atividades por Marcação

Visita Guiada à Biblioteca Municipal de Albergaria-a-Velha – périplo pela História do Edifício e do seu Fundador João Patrício Álvares Ferreira.

À Descoberta… da BM – atividade de promoção de leitura e de criação de públicos que pretende proporcionar a descoberta dos cantos e recantos da Biblioteca Municipal e do seu tesouro – os LIVROS –, através de uma visita-jogo à Nova Biblioteca Municipal.

http://albergaria.bibliopolis.info/Eventos/tabid/262/PostID/90/Atividades-por-Marcac%C3%A3o.aspx

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Albergaria-a-Velha e o seu concelho

Albergaria-a-Velha e o seu concelho (1874-1957)

ALGUMAS PALAVRAS

COMO EXPLICAÇÃO E COMO HOMENAGEM

Consideramo-nos depositários de bastantes documentos e apontamentos, lenta e pacientemente recolhidos mercê da curiosidade e canceiras de várias pessoas, que tinham por objectivo, de certo, prestar a sua colaboração com uma obra de natureza idêntica à que trazemos agora a público.

A morte levou todos os que, com carinho. com perseverança e talvez com paixão. se dedicaram a essa ingrata tarefa e é certo que alguns deixaram, na brilhantes do seu labor.

Duma vez sabemos, que se tentou a publicação sistematizada de documentos, acompanhados de notas valiosas. Deram-se, porém, os primeiros passo, e mais não se avançou.

Fez-se, depois, a publicação de documentos dispersos, obedecendo-se apenas ao intuito de se dar conhecimento do muito que se podia esperar para a História da nossa terra — e despertar algum entusiasmo e interesse, por estes assuntos, em tantos que deles andavam arredado, e que podiam tornar-se apreciáveis colaboradores —. O interesse, sempre efémero, esmorecia no dia seguinte, apagava-se breve, e os jornais inutilizavam-se por desnecessários. Se alguém, por espírito de coleccionador, os arquivava, não pensava mais em folheá-los para pousar a vista, ainda uma vez, em documento que a princípio prendera a sua atenção. Era fastidioso...

Para que tantos elementos de valor não viessem o extraviar-se e perder-se, cumpria publicá-los em volume de fácil consulta e em que os assuntos aparecessem arrumados com alguma sequência.

Foi o que nos propuzernos fazer, certos de que outros, melhor apetrechados, se dispuzessem, a completar o nosso trabalho, cujo mérito se reduz, quase, à fidelidade dos documentos que contém, e no escrúpulo que presidiu às anotações.


*

Queremos deixar aqui consignado que o maior incitamento para esta publicação nos veio do Sr. José Figueiredo, proprietário da Tipografia Vouga, pela espontaneidade com que assumiu todos os encargos da edição.

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Consideramos um dever relembrar, neste momento, os nomes daqueles que muito contribuíram para se compilarem todos os materiais de que nós utilizamos. Cumpramos, pois, esse dever.

ANTÓNIO AUGUSTO HENRIQUES FERREIRA, falecido na casa da Travessa, desta vila, em 11 de Setembro de 1885, com 69 anos, era irmão de João Henriques Ferreira Júnior, enforcado como liberal em 9 de Outubro de 1829, e do Dr. José Henriques Ferreira, a quem Fazemos largas referências, no lugar próprio, pela sua acção nas lutas liberais e na criação do nosso concelho. António Augusto, inteligente e culto, deixou um caderno de valiosos apontamentos, relativos a acontecimentos seus contemporâneos e a factos anteriores.

PATRÍCIO TEODORO ÁLVARES FERREIRA, falecido em 10 de Abril de 1932, com 86 anos, foi talvez o investigador de maior profundidade e extensão, possuindo um vasto repositório de documentos inestimáveis, que correm o risco de se perder. Dotado duma cultura superior no seu meio, escrevia com elevação, afirmando-se pela pureza da linguagem e pelo classicismo da expressão. Iniciou no jornal O Movimento a publicação de vários documentos. que copiosamente anotava, mas não deu seguimento a essa tentativa de reconstituição da história da nossa terra, e que tão bem se augurava. Recentemente, e na Gazeta, de Albergaria, recomeçou sob outra orientação, não indo além de algumas páginas.

JOÃO DE PINHO, falecido em 4 de Março de 1939, com 68 anos, era uma alma dedicada à sua terra, tomando parte activa em todas as iniciativas que tendiam a elevá-la e engrandecê-la. Devotou-se a coleccionar documentos e factos que respeitassem à sua História, fazendo publicar no Jornal de Albergaria o maior número deles. Teve como auxiliar ALBERTO EDUARDO DE SOUSA, que aqui, como Escrivão de Fazenda, radicou profundas simpatias, nunca esquecendo Albergaria, que era para ele a terra adoptiva. Colocado na Inspecção de Fazenda em Aveiro, onde se achava depositado o vasto arquivo do Convento de Jesus, dele extraiu a cópia de vários e longos documentos, que interessavam a Albergaria, remetendo-os a João de Pinho. Veio a falecer em casa do seu genro, Sr. Manuel Marques Lima, de Mouquim, em 8 de Dezembro de 1913. com 71 anos.

AMÂNDIO DE MIRANDA CABRAL, falecido em 7 de Maio de 1921, com 49 anos apenas, era um funcionário inteligente e zelosíssimo, merecendo a consideração e estima de todos os magistrados com quem serviu, e a de todos aqueles que com ele tratavam, quer pelo seu saber, quer pelo seu aprumo moral. Trabalhador metódico e incansável, ainda lhe sobejava vagar para tomar bastantes notas, dia a dia, e buscar outras de velhos papéis.

Para a memória de cada um destes homens, vai uma parcela da nossa gratidão e da nossa saudade.

Janeiro de 1944

António de Pinho

Posfácio

O Prof. Doutor Marcelo Caetano elaborou um Plano para ser observado pelos seus alunos que se propuzessem escrever a monografia dos respectivos concelhos.

Nesse Plano dizia que eram condições essenciais duma monografia:

— o método e a clareza da exposição
— a probidade nas afirmações; e
— o escrúpulo na documentação.

Acrescentava a seguir:

Não importa escrever muito: mas é preciso escrever bem, referir os factos nos seus lugares, e separar nítidamente as matérias distintas entre si.

Cremos ter obedecido a estes ditames antes mesmo de os conhecer, pois nos norteámos, tão somente, pela nossa própria orientação, já vincada nos fascículos publicados há 13 anos.

Não indicaremos os motivos da interrupção havida, embora possamos afirmar que, no longo lapso do nosso aparente repouso, colhemos novos e valiosos elementos que agora inserimos, e que melhor esclarecem, se não completam, determinados assuntos bastante complexos.

Este nosso trabalho representa anos de paciente e lenta investigação, e não menor esforço se tornou necessário para a análise e coordenação dos documentos e elementos, ou por nós exumados ou recebidos de outrem.

Propositadamente nos abstivemos de tratar de factos e assuntos nossos contemporâneos, não só para evitarmos interpretações duvidosas e algumas susceptibilidades, mas ainda porque é uma fase cujo estudo está ao alcance de todos.

Não tivemos, nem podíamos ter, pruridos de literato, e apenas nos guiámos pelo desejo de ser útil à nossa terra com esta obra, que outros, no futuro, se encarregarão de completar.

A critica dirá se conseguimos o nosso objectivo.

Albergaria-a-Velha, 5 de Dezembro de 1957

António de Pinho

Obras não impressas referidas em Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha de seu filho António Homem de Albuquerque Pinho que seguiu os passos de seu pai.

Apontamentos da vida albergariense (manuscrito de João de Pinho)
Coisas e Loisas, principalmente de Albergaria (manuscrito de António Augusto Henriques Ferreira)
Notas a Esmo (conjunto de três manuscritos de Amândio de Miranda Cabral)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Albergaria-a-Velha e o seu concelho

Albergaria-a-Velha e o seu concelho (1874-1957)
DR. ANTÓNIO FORTUNATO PINHO - 15/04/1874 - 16/04/1958

Eu era pequenito e vivia com meu avô materno e minhas tias ali na extinta Farmácia Lemos & Filha, na Rua de Santo António.

E lembro-me, lembro-me como se fôsse hoje, de ouvir o meu avô dizer «O Senhor Dr. Pinho vai-se casar com a Senhora D. Maria Emília de Albuquerque, da «Casa da Rua de Cima».

A «Casa da Rua de Cima» é, nesta vila, a Casa Mater dos Albuquerques, hoje na legitima posse de um dos seus descendentes o Ilustre Dr. José Homem de Albuquerque Ferreira.

Não me lembro de ouvir falar no casamento, que se deveria ter feito pouco tempo depois. Eu era muito pequenino. Do casamento do Senhor DR. ANTÓNIO FORTUNATO DE PINHO com a Senhora D. Maria Emília Correia Telles de Araújo e Albuquerque nasceram a Senhora D. Maria Regina, a Senhora D. Maria Luísa e o Sapientíssimo Doutor António Homem Correia Telles de Albuquerque Pinho, a partir deste número (finalmente!) nosso Ilustre Colaborador e o primeiro Professor Universitário que Albergaria-a-Velha, vila, teve, nos oito séculos da sua História. (...)

O DR. ANTONIO DE PINHO que eu recordo e que tanto me ensinou de Direito (de Direito e doutras coisas) é já o da segunda metade da sua vida, pois quando eu comecei a advogar, ele Já tinha 66 anos. Havia, então, cá, quatro Advogados: o DR. PINHO, o Dr. Hernâni Ferreira de Miranda, o Dr. Silvino Gonçalves de Sousa (estes dois eram Advogados e Notários) e o Dr. Armando de Albuquerque Miranda, que usava o nome de Armando de Albuquerque. [Mais o Dr. Alfredo de Sousa e Melo e o Dr. Manuel Homem Ferreira que começou a advogar quase quando eu!] Eu comecei a advogar em 1950, mas já cá estava desde 1944, ano em que morreu meu pai e em que eu tive de me fixar em Albergaria-a-Velha. Até 44, eu andava a monte... por Lisboa, pelo Porto, por onde calhava...

Quando cá vinha, visitava sempre o Senhor DR. PINHO, como era conhecido aqui entre nós. Dessa altura, lembro-me bem dele. Era o Dr. Pinho o Orador oficial de Albergaria. Falava bem. pausadamente. Não era rápido na oração. Mas construia muito bem a frase, que tinha sempre aquela estrutura estilística, que o improviso rápido não permite.

Quando comecei a advogar, o DR. ANTÓNIO DE PINHO foi muito meu amigo e um belo Mestre. Uma vez, em pleno julgamento, em situações opostas, ele não quis aproveitar-se da sua maior sabedoria e da minha menor experiência, pelo contrário, chamou a minha atenção para certo aspecto que eu desprezara e não era para o fazer. Perdi essa questão, mas caí de pé. Foi a sua bondade a sua amizade que permitiram que me não estatelasse, como um «caloiro» que era.

(...)

A sua profunda cultura humanística levou-o para a História desta Albergaria, que vem dos tempos de D. Teresa, Mãe de D. Afonso Henriques, como ele bem o documentou na sua primorosa Biobibliografia ou, se se quiser mais acríbia, Monografia ALBERGARIA-A-VELHA E O SEU CONCELHO, que a Tipografia Vouga editou em 1944 e que é a autêntica Crónica de Albergaria-a-Velha. Foi uma obra que mereceu ao PROF. DOUTOR MARCELLO CAETANO o mais aberto louvor.

Havia dados soltos publicados em jornais, alguns do saudoso Senhor Patrício Teodoro Álvares Ferreira (1846-1932) que «fez extrair certidão da Carta de Couto d'Osseloa que se encontra na Torre de Tombo, e publicou-a na Gazeta de Albergaria de 19 de Fevereiro de 1927, e daqui foi transcrita na Gazeta de 10 de Junho de 1934».

Tudo quanto há em volume para a História de Albergaria-a-Velha a este Benemérito Historiador da nossa terra.

E, no entanto, não há uma Rua com o seu nome, não há a estátua que Albergaria-a-Velha lhe deve!

É da sina de Albergaria-a-Velha, ignorar os seus filhos e endeusar os estranhos. Até se diz que Albergaria é má mãe e boa madrasta. (...)

Evocar o nome do inolvidável e muito Ilustre DR. ANTÓNIO FORTUNATO DE PINHO, que morreu faz no dia 16, quinze anos, é um imperativo de gratidão que todos os albergarienses devem ao seu primeiro Historiador e é um acto de justiça e pura amizade que o meu coração lhe presta.

Vasco de Lemos Mourisca, Arauto de Osseloa nº 198, 01/04/1983

Actualmente já existe uma rua com o seu nome. Em 16 de Janeiro de 1944 foi editado o primeiro fascículo de "Albergaria-A-Velha E o Seu Concelho" de António de Pinho.

Dados Biográficos de António Fortunato de Pinho
http://blogdealbergaria.blogspot.pt/2011/09/antonio-fortunato-de-pinho-1874-1957.html

Índice da obra
http://blogdealbergaria.blogspot.pt/2011/11/albergaria-e-o-seu-concelho-de-antonio.html

Referências bibliográficas:

Albergaria-a-Velha 1910 da Monarquia à República - pp. 306 e 307

Gente Ilustre Em Albergaria-a-Velha - pp. 13 e 14

Associação dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha - Subsídios para a sua História

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Pároquia de Nossa Senhora das Neves de Angeja,

O padre Querubim Silva, diretor do Colégio Nossa Senhora da Apresentação de Calvão e atual pároco em Angeja, será nomeado pároco da paróquia de Soza.

http://www.oponto.net/index.php/local-categorias/rota-do-ponto/item/4730-querubim-silva-nomeado-para-a-paroquia-de-soza

NOMEAÇÕES

1. INTRODUÇÃO

 A morte inesperada do Padre Fernando Manuel Teixeira Pinto e o regresso a Benguela, sua Diocese de origem, do Padre Tiago Kassoma exigem que sejam dados às paróquias, que generosamente serviram, novos párocos que as possam servir pastoralmente.

Agradeço a Deus a dedicação sentida e a generosidade encontrada nos presbíteros e diáconos que asseguraram este tempo de transição e nos que assumem, a partir de agora, este acrescido serviço pastoral, sabendo que o fazem sem em nada aliviar tantos outros múnus pastorais que lhes estão confiados.

Esta permanente disponibilidade para a missão constitui um sentir fraterno de comunhão e corresponsabilidade dos diáconos e presbíteros com o bispo diocesano e revelam que para lá do imperativo duma consistente organização eclesial está presente e actuante em cada um de nós “o sonho missionário de chegar a todos” porque aí “opera a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica”, como nos lembra o Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (EG 30 e 31).

A Missão Jubilar que vivemos e os dinamismos pastorais que em nós despertou veio revelar-nos que há entre nós, na vida da Igreja e na sua acção pastoral, um manancial extraordinário de graça que urge descobrir e de generosidade que importa valorizar e me incumbe agradecer.

Neste espírito de corresponsabilidade e de gratidão;

 HEI POR BEM NOMEAR:

1.     P.e Querubim José Pereira da Silva, Pároco de S. Miguel de Soza, no Arciprestado de Vagos.

2.     P.e Manuel António Carvalhais, Pároco de Santo António de Vagos, no Arciprestado de Vagos.

3.     P.e Manuel Martins Simões de Melo, Pároco de S. Tomé de Paredes do Bairro, no Arciprestado de Anadia.

4.     P.e João Carlos de Almeida Carvalho, Pároco de Nossa Senhora da Assunção de Ancas, no Arciprestado de Anadia.

5.     P.e Leonardo António Pawlak, Pároco de Nossa Senhora das Neves de Angeja, no Arciprestado de Albergaria-a-Velha.

6.     Diácono Manuel Benjamim de Oliveira Simões, Colaborador do Pároco de S. Miguel de Soza, no Arciprestado de Vagos.

7.     Diácono Dario da Rocha Martins, Colaborador do Pároco de Santo António de Vagos, no Arciprestado de Vagos.

8.     Diácono Afonso Dinis Dias, Colaborador do Pároco de Nossa Senhora da Assunção de Ancas, no Arciprestado de Anadia.

Aveiro, 3 de Janeiro de 2014.

António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro

http://www.diocese-aveiro.pt/v2/?p=9302