quinta-feira, 17 de março de 2016

500 anos do Foral de Paus



Evento




As comemorações dos 500 anos da outorga do Foral de Paus, atualmente um lugar na Freguesia de Alquerubim, com a recriação de uma feira medieval será um momento cultural relevante durante este ano. À semelhança das comemorações, em 2014, dos 500 anos do Foral de Frossos e do Foral de Angeja, esperamos assinalar de forma única e diferenciadora, com capacidade para atrair pessoas de fora do concelho, uma data da nossa história que só faz sentido assinalar uma vez.




Delfim Bismarck, vereador da Cultura, Litoral Magazine



FORAL DE PAUS  / 1516 / Edição fac-similada, com nota introdutória e transcrição / Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha / (Reviver-Editora 2006).




Foral era um documento utilizado em Portugal que tinha como objectivo estabelecer um Concelho e regular a sua administração, deveres e privilégios.


O foral manuelino para a vila e concelho de Paus foi passado em Lisboa a 2 de Junho de 1516. O original encontra-se na Biblioteca de D. Manuel II.




Prefácio; Nota Introdutória: Foral de Paus (Fotografia); Transcrição do Foral Manuelino de Paus Fotografia); Apontamentos do Foral de Paus (Fotografia); Transcrição dos Apontamentos do Foral de Paus; Minuta do Foral de Paus (Fotografia); Glossário e Bibliografia. A Nota Introdutória, Revisão da Transcrição Paleográfica e Glossário é de autoria da Profª Doutora Maria Alegria Fernandes Marques.




«A edição fac-similada aqui apresentada, além de perpetuar um importante documento da história de Paus, e consequentemente da freguesia e município onde hoje se insere, Alquerubim e Albergaria-a-Velha, respectivamente, permite a aproximação ou a descoberta das gentes de hoje aos seus ancestrais, bem como aos lugares, aos costumes e às tradições de outrora».


João Agostinho Pinto Pereira, Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha (prefácio)

quinta-feira, 10 de março de 2016

2001: Praça em Angeja gera conflito

O projecto de remodelação do centro histórico de Angeja, em Albergaria-a-Velha, está a causar polémica. A presidente da Junta, Helena Vidinha, pede a intervenção do Instituto Português do Património Arqueológico e Arquitectónico (IPPAR). Que aguarda esclarecimentos da Câmara.


Em causa está uma nova configuração da Praça da República, onde existe um pelourinho, considerado monumento nacional e uma fonte centenária, que, segundo a autarca, não se justificam.
«Está muito bem como está», disse Helena Vidinha ao JN, salientando que o que é necessário «é melhorar o aspecto da praça que é um local de convívio e de estar das pessoas».


«Melhorar a calçada e recuperar o fontenário, por exemplo», disse a autarca ao JN, que salientou que nunca esteve na mente da Junta de Freguesia propor à Câmara uma «alteração radical» do local.
«Qualquer alteração ou intervenção tem que respeitar a grande carga de afectividade que aquele local tem para a população», referiu a autarca. «Não gostaríamos de ver a praça destruída como centro de convívio», disse.


«Há muita gente que diz que se o projecto da Câmara for para a frente toca o sino a rebate», confidenciou a presidente da Junta de Freguesia de Angeja.


O presidente da Câmara de Albergaria-a-Velha, Rui Marques tem uma posição contrária, lembrando que as duas propostas de remodelação da praça feitas pelo GTL de Angeja ainda não tiveram qualquer deliberação.


«Pretende-se transformar, dignificar e abrir aquele espaço, que tem servido para estacionamento de automóveis quando há um a apenas 50 metros», disse o autarca ao JN.


«Queremos colocar o pelourinho num local mais central e dignificante como fizemos em Frossos», disse Rui Marques, que não entende a posição da presidente da Junta de Freguesia.


«Ela está contra tudo», disse o presidente da Câmara, enquanto Helena Vidinha refuta. «Ele não está habituado a que lhe batam o pé». «É falso que vamos cortar as árvores e não há nenhuma falha da nossa parte. Temos muito respeito por Angeja. Repare que são raros os GTL fora das sedes do concelho. Pusemos lá um», disse.


Jesus Zing, Jornal de Noticias 15/08/2001

sábado, 5 de março de 2016

Cacos da Memória


Toninho tinha apenas seis meses quando seus pais, imigrantes portugueses no Rio de Janeiro, resolveram voltar à terra natal. Sua infância, portanto, passou-a numa aldeia portuguesa – Minas do Palhal – na qual a família viveu por onze anos antes de retornar definitivamente ao Brasil em 1957.
As lembranças desse tempo é que compõem esses deliciosos Cacos da memória que, como o nome sugere, reconstituem fragmentos de episódios vividos, recuperados ao capricho da memória e dependentes, muitas vezes, da “cola da imaginação” para restaurá-los ou “preencher lacunas”, ainda que a essência dos fatos permaneça inalterada.




O processo de resgate de sua infância é deflagrado [...] com a visão de uma menina com seu guarda-chuva e seus sapatos de verniz (“estalando de novos”) e seu ar de quem tem perfeita ciência de sua elegância. Esses sapatos levam o João Antônio ao Toninho e ao seu desejo de possuir sapatos de homem, não mais sandálias de menino.



Comprados para serem usados em sua 1ª comunhão, os “sapatos de verniz, reluzentes”, conferiram ao menino a importância que, anos mais tarde, ele irá identificar na menina do guarda-chuva: “Tive a impressão que todos admiravam os meus sapatos de verniz!”




O que Toninho não sabia “é que sapatos novos costumam magoar os pés” e o caminho de ida e de volta à missa foram o bastante para que ele voltasse mancando... Pronto: os cacos começam a se juntar! O leitor é levado, assim, a acompanhar artes e invenções do Toninho numa linguagem bem humorada em que não são raros trechos poéticos e belas metáforas, bem como o uso de expressões próprias do português de Portugal, devidamente “traduzidas” para o “brasileiro” ao fim de cada fragmento narrado.




Personagens, animais e festas da aldeia, a dor causada pela palmatória, a fartura – que “era a ausência da falta” – as vindimas, as “histórias ao pé do lume”, muitas delas envolvendo bruxas e lobisomens... as experiências de Toninho tornam-se as experiências do leitor, tal a leveza de seu texto, sua naturalidade e o verdadeiro encanto que despertam suas memórias.




Pelo que acima vai dito, fica evidente o quanto a obra me agradou e o quanto desejo sabe-la lida e amada por mais pessoas, especialmente nas escolas que hoje reúnem meninos tão cheios de brinquedos e tão vazios deles, tão necessitados, sem saberem, de – à falta de experiências ricas como as de Toninho – ao menos viverem, pela literatura, o que a vida já não lhes oferece viver.




Jussara Neves


http://www.jussaraneves.com.br/2013/05/cacos-da-memoria-de-joao-antonio.html




Filho de imigrantes, nasci no Rio de Janeiro em 12-09-46. Passei a infância numa aldeia portuguesa - Minas do Palhal - onde a família tentou radicar-se. Retornei ao Brasil em 1957. Sobre esse período escrevi um livro (Cacos da Memória, Edição do Autor, 2008), minha primeira experiência literária. Em 1965 ingressei na Aeronáutica, onde exerci a função de desenhista, dando baixa em 1995 como 1º tenente. Licenciado em Pedagogia e Educação artística, nunca exerci atividades pertinentes, mas gosto muito de artes plásticas, arquitetura,artesanato, cinema e leitura. Minha principal ocupação atual é esperar o dia do pagamento. Para que o tempo não me incomode demasiado, escrevo alguma coisa; não sei nem gosto de jogar cartas na praça... Sou casado, tenho dois filhos e fui adotado como avô. Não tenho guarda-chuva nem celular. Guarda-chuva, perdi todos que comprei ao longo da vida; desisti de perder mais um. De celular não preciso.




Joao Antonio Ventura


https://www.blogger.com/profile/00321521272177246479
http://votonico.blogspot.pt/




Jussara, acabo de chegar do aniversário da Yasmin Júlia (9 anos),outra menina que me inspira e que me adotou como avô, e ainda estou sob o impacto do que li no seu texto, portanto não sei bem o que dizer-lhe em agradecimento, só isto: amei tudo que disse!


Foi muito mais do que poderia esperar. Contudo, em se tratando de você, com o preparo que tem e completa ausência de outros interesses, nem a mínima obrigação de agradar-me - não duvido, acredito em tudo que disse. Ainda vamos falar mais de "Cacos", mas por ora quero dizer-lhe que o primeiro impacto foi com a primeira ilustração com os moinhos da Freirôa (que não cheguei a conhecer), onde reconheci de imediato o rio Caima, sem ter lido ainda a legenda. Hoje bastante desfigurado, aquele rio da ilustração é o Caima da minha infância, aquele que está na minha memória - é o "rio que passa pela minha aldeia". Uma das coisas que gosto muito no seu blog é o cuidado primoroso com que trata as ilustrações dos seus textos e todo visual do Minas de Mim. Agora vou dormir, Jussara, um grande abraço.


Joao Antonio Ventura - 26 de maio de 2013 00:25




Ah, mais uma observação: aquela igrejinha da ilustração é a tal aonde fui assistir missa só para mostrar os meus lindos sapatos de verniz. Agora está restaurada e serve de morgue para o cemitério ao lado. Naquela ocasião havia sido destruída internamente por um incêndio, mas eu não registrei o fato na minha memória - só tinha olhos para os meus sapatos de verniz. Sobre isso escrevi um post no
Vô Tônico: "Um caco esquecido".


Joao Antonio Ventura - 26 de maio de 2013 20:13




Foi através da minha amiga Dra. Nélia Oliveira e companheira de escrita a duas mãos no estudo monográfico "Ribeira de Fráguas - a sua história", 2010, que conheci o livro "Cacos da Memória", como profundo conhecedor da historiografia local, fiquei fascinado com a assertividade que o meu amigo João António Ventura colocou no seu livro, que, ele, teve a amabilidade de me enviar um exemplar para Portugal. Muitos dos locais mencionados na referida obra literária, ainda estão tal como ele os viu pela última vez. O rigor sociológico, diria, etnográfico, estampado neste livro é deveras incomum, particularmente para quem nunca mais visitou a aldeia na qual passou parte da sua mocidade e que, nota-se na fluidez da leitura, o marcou de forma indelével. Abraço, João.


Nuno Jesus - 28 de maio de 2013 11:08

Escrevi Cacos da memória entre 2006 e 2008, a partir de um evento ocorrido na cidade de Cunha – SP, que abre o livro sob o título de “A menina do guarda-chuva e os meus sapatos de verniz”, por ocasião de visita a um amigo de longa data, mas de há muito desgarrado da minha vida.




Ao escrevê-lo descobri que gostava de escrever; e o que era para ser meia dúzia de pequenas histórias virou um livro com mais de cem fragmentos da memória; e no conjunto uma crônica da minha família naquele período de dez anos.




E também descobri, ou redescobri, a aldeia da minha infância, longe no espaço e no tempo e quase apagada da minha memória. Visitei seus lugares (os meus lugares), seus habitantes e suas histórias. E aquela aldeia – Minas do Palhal – renasceu em mim.




Pude notar, enquanto escrevia e, principalmente, ao fim da tarefa, uma aproximação afetiva com o lugar e seus habitantes. A aldeia, que nos primeiros textos eu designei por “um lugar como aquele”, ao meio do livro designava por seu próprio nome e ao fim já era a “minha aldeia”.


Um amigo virtual português, Nuno Jesus, ao ler “Cacos da memória” derramou-se em elogios. Não compreendi bem o seu entusiasmo.




Nuno é diletante e pesquisador da etnografia daquela região em que se insere a minha aldeia; e autor, juntamente com a historiadora Nélia Oliveira, do livro “Ribeira de Fráguas – sua história”. Nuno enviou-me o ficheiro com a diagramação de outro livro seu, este em coautoria com Emília Campos e Vera Marques: “Telhadela – perspectiva histórica e etnográfica”. Ao ler o trabalho, lindamente ilustrado com fotografias de época, compreendi o entusiasmo de Nuno com o meu livro e também o significado da palavra etnografia, desconhecido para mim àquela altura. É que de certa maneira eu também fiz etnografia em Cacos da memória - sem o saber, porém, e portanto sem o compromisso e o rigor da ciência. Fiz etnografia contando histórias. Talvez por isso agradável de ler, segundo depoimentos vários.




JAV




ler textos do livro em:
http://votonico.blogspot.pt/search/label/cacos%20da%20mem%C3%B3ria


Imagens - Facebook





terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Acção Católica Rural (antiga JAC e LAC)


Nome: Dália Rosa Faria Nunes
Nascida: 17 de fevereiro de 1942
Diocese: Aveiro


Fui militante da JACF/JARC de 1961 a 1970, tendo interrompido até 1980, altura em que recomecei na ACR, até hoje

MR: Como conheceu a Acção Católica Rural (antiga JAC e LAC)?
DN: Em 1961 fui convidada por militantes da Seção da minha paróquia (Branca) para frequentar as reuniões e, passado muito pouco tempo, participei ativamente na encenação e dinamização de uma atividade do Movimento. Gostei e continuei.

MR: Qual a motivação para se tornar militante da ACR?
DN: Naquela altura dizíamos que os militantes precisavam de ser «pescados à linha», e foi isso que fizeram comigo. Vi-me quase desde o início responsabilizada em atividades e em ações de formação, e penso que foi o sentir que acreditavam em mim, o que me motivou a continuar. A esta distância, penso que a maior motivação foi o dizerem-me «tu vais fazer porque és capaz».

MR: Que percurso fez dentro da Ação Católica?
DN: Nessa altura fazia-se um “aspirantado”, penso que com a duração de dois anos. Eu saltei essa etapa, embora tenha feito “exame”, para passar a militante. Fui convidada para a equipa diocesana logo a seguir, onde fui responsável das pré-jovens e do Ultramar, e passados dois ou três anos, fui eleita presidente diocesana.
Na ACR, fui dirigente diocesana, onde ocupei o cargo de tesoureira e presidente. No plano nacional assumi vários cargos: secretária, vogal de expansão, vogal de formação, representante na FIMARC, e presidente e vice-presidente. Pertenci também a Junta Diocesana da Acção Católica. Atualmente sou dirigente de base e diocesana.

MR: Como carateriza a Ação Católica da época em que ingressou no Movimento?
DN: A Ação Católica da época era o Movimento da Igreja por excelência, e quase todas as paróquias a tinham organizada. Era disciplina ensinada nos Seminários, e a Hierarquia tinha nela os seus braços para a ação, embora os leigos “tivessem” de dar contas à Hierarquia. Contudo, a análise dos acontecimentos da sociedade civil permitiu aos militantes adquirirem uma consciência nova da sua responsabilidade, quer como cidadãos, quer como cristãos. Era para os seus elementos uma escola de formação integral e espaço de crescimento na fé. Muitos militantes da JAC/F devem a sua valorização pessoal ao Movimento.

MR: Quais os maiores marcos da história do Movimento?
DN: Como jovem, vivi o Grande Encontro (“Os novos escolhem Deus”), que se realizou em Lisboa, em 1963; o encontro europeu de jovens rurais em Stuttgart, em 1965; e várias concentrações, todas precedidas de uma longa preparação de todos os participantes.
Como adulta, logo a seguir ao 25 de abril, envolvi-me com outros militantes no esclarecimento dos cristãos da diocese acerca dos programas partidários, vistos à luz da Doutrina da Igreja; no esclarecimento dos rurais sobre as consequências da nossa entrada na Comunidade Europeia; na Assembleia Mundial da FIMARC, realizada na Casa Diocesana de Albergaria-a-Velha (foi um trabalho exigentíssimo, pois recebemos participantes de todos os continentes, que estiveram cá 15 dias); as várias Jornadas Sociais, sendo duas realizadas em Aveiro, mas tive participação ativa em todas; as diversas campanhas, principalmente as «A Aldeia que eu quero no Portugal europeu», que nos abriu para as realidades europeias e deu uma nova forma de abertura do Movimento ao meio, e a campanha «O homem primeiro»; e ainda Seminários que proporcionaram aos militantes da ACR a possibilidade de escutarem pessoas das mais diferentes áreas da sociedade civil e religiosa.
Os cadernos de militantes e as revistas «Girassol», «Fé e Trabalho», «Diálogo» e «Mundo Rural», embora não sendo marcos, foram meios usados para a formação contínua dos seus elementos.

MR: Como vê a receção do Concílio Vaticano II dentro do Movimento? Deram-se grandes alterações?
DN: Uma das maiores virtudes da Acção Católica foi ajudar os militantes a intervirem, estarem atentos aos acontecimentos e consciencializarem-se dos seus deveres como cristãos e cidadãos.
Quer na JACF/JARC, quer na ACR, os documentos conciliares sobre a missão dos leigos no mundo, foram tema de reflexão e de muitas ações de formação. O início das reuniões, quer de base, quer diocesanas, quer nacionais, tinham sempre um largo tempo de discussão sobre estes temas. O mesmo no que se refere às diversas Encíclicas e Cartas Pastorais, que foram publicadas ao longo dos anos. A minha consciência de leiga (penso que responsável) vem toda daí.
Espero que com as comemorações dos 50 anos do Concílio e com a celebração do Ano da Fé, muitos destes documentos voltem a ser objeto de estudo e reflexão.

MR: O Movimento teve a preocupação de acompanhar o que ia acontecendo aquando da saída dos documentos conciliares?
DN: Pelo que disse atrás, confirmo que sim. O Movimento foi uma grande escola de formação eclesial e cívica.

MR: Como carateriza a Acção Católica dos anos seguintes (após o Concílio)?
DN: Apesar da Acção Católica ter vivido e concretizado no seu trabalho militante a doutrina conciliar, as alterações politicas, o fim da sua estrutura organizativa e  o aparecimento  de novos  movimentos e novas formas de apostolado,  com um  cariz menos interventivo  e menos  “exigente” e muitas vezes  “mais  macio”,  não  obrigando tanto  a “pôr as mãos na massa” e ainda  um novo posicionamento da Hierarquia,  levou a um enfraquecimento  progressivo da Acção Católica.

MR: E hoje, como vê a Acção Católica Rural enquanto recetora da mensagem do Concílio?
DN: Tenho consciência clara que a ACR tem de estar no mundo, com outro tipo de abordagem, mas nunca com menos exigência e menos consciência do papel dos seus militantes dentro da Igreja e do meio. E esta consciência terá de ser de novo adquirida, estudando e debatendo a doutrina conciliar e aplicando-a à vida, utilizando o seu método de trabalho, a Revisão de Vida.

MR: Qual pensa ser o papel da ACR nos dias de hoje?
            DN: Olhando para as nossas paróquias, sinto uma certa frustração e um desencanto. Dá-me a sensação que regredimos e que às vezes não somos capazes de arregaçar as mangas e nos sentirmos comprometidos e intervenientes na vida dos homens e mulheres que connosco partilham os acontecimentos. O mundo está diferente e as solicitações são muitas, mas não nos podemos demitir da missão que nos foi confiada.
Vivemos a nível de país um momento doloroso mas interpelante, e a Igreja (bispos, padres e leigos) tem de saber qual o seu papel no meio de tudo isto. A ACR é por natureza um movimento vocacionado para a intervenção evangélica, e tem de continuar a lutar por aquilo em que acredita.
Continuo a pensar que a Acção Católica ainda não tem substituto, e tenho a perceção de que em alguns setores da Igreja se começa a reconhecer que o lugar da Acção Católica não está ocupado.

Nome: Flausino Pereira da Silva
Nascido: 27 de agosto de 1938
Diocese: Aveiro
Militante da ACR desde: 1984 (64 anos de Militante, contando o tempo de Pré-Jacista)
Militante Pré-Jac desde 1948, depois da JAC e ACR, até hoje!

Como conheceu a Acção Católica Rural (antiga JAC e LAC)?
Através da JAC da minha Paróquia (Branca, diocese de Aveiro).

Qual a motivação para se tornar militante da ACR?
A atração pela formação nas reuniões e a possibilidade de conhecer pessoas, conviver e assumir responsabilidades          

Que percurso fez dentro da Acção Católica?
Iniciei como Pré-Jacista em 1948, passei a militante de base da JAC, depois a dirigente e, em 1956, fui chamado a fazer parte da equipa diocesana. Em 1960 fui convidado para a equipa nacional, onde permaneci até este Movimento se incorporar na ACR. Depois interrompi e regressei como dirigente diocesano e nacional, após as primeiras jornadas sociais de 1984.

Como carateriza a Acção Católica da época em que ingressou no Movimento?
Nos anos quarenta e cinquenta a Acção Católica tinha um enorme peso na Igreja, por ser praticamente o único Movimento Apostólico de intervenção social. A Hierarquia dava grande importância ao papel do Movimento e tinha muita consideração pelos seus membros.

Quais os maiores marcos da história do Movimento?
Para mim, os maiores marcos foram: o Congresso Mundial da JAC-JACF, em Lourdes, em 1960; o Grande Encontro da Juventude em 1962; a Comemoração dos 25, 50 e 75 anos da Acção Católica; as Jornadas Sociais da ACR; as Campanhas, das quais destaco "A Aldeia que eu Quero no Portugal Europeu", com a constituição de cerca de mil grupos de análise reflexão e acção (GARA), que culminou na Festa das Jornadas e no desfile festivo, realizados em Aveiro; os Seminários Nacionais, iniciados em 1988, no seguimento desta campanha, e que prosseguem anualmente até hoje.

Como vê a receção do Concílio Vaticano II dentro do Movimento? Deram-se grandes alterações?
Se houve Movimento que acolheu e traduziu na sua ação apostólica as deliberações do Concilio Vaticano II, foi a Acção Católica, particularmente a ACR que, com as Jornadas Sociais assumiu corajosamente o seu papel de «Sal da Terra e Luz do Mundo».

O Movimento teve a preocupação de acompanhar o que ia acontecendo aquando da saída dos documentos conciliares?
A Acção Católica e a ACR, em particular, deram sempre muito relevo na formação dos militantes: à Doutrina Social da Igreja, às Constituições que saíram do Concílio, bem como a Exortação que se lhe seguiu. Foram objecto de estudo, nos cadernos do militante e nas acções de formação desenvolvidas

Como carateriza a Acção Católica dos anos seguintes (após o Concílio)?
O Concílio deu uma nova força à Acção Católica, que se libertou, progressivamente, da conceção de "manus longa" da Hierarquia, para assumir a sua identidade de Movimento Laical, evangelizando as pessoas e estando presente nas realidades temporais, para as transformar.

E hoje, como vê a Acção Católica Rural enquanto recetora da mensagem do Concílio?
Mau grado a ACR ter recebido e traduzido na sua militância e ação a doutrina do Vaticano II, a própria Hierarquia e a Igreja não a traduziram na Acção Eclesial. Surgiram novas formas de apostolado e movimentos de cariz mais espiritualista, e menos intervencionista.
Com a evolução social e política e o desenvolvimento associativo, de par com a democratização da vida social, cultural, económica e até eclesial, os Movimentos da Acção Católica perderam expressão e tornaram-se "difíceis" para os cristãos e para a própria Hierarquia.
É indiscutível, contudo, que a acção evangelizadora e a formação dos militantes da ACR, hoje em dia, traduzem amplamente o espírito e a doutrina do Concílio Vaticano II

Qual pensa ser o papel da ACR nos dias de hoje?
A ACR tem de se manter fiel à sua vocação e missão de Movimento de Leigos no mundo, porque essa é a sua essência.
Mas o nosso mundo muda/mudou muito depressa e as pessoas estão demasiado cheias de si, de coisas materiais e culturais, e de ideias que o mundo lhes incute e, por isso, menos disponíveis para Movimentos "difíceis" como o é a ACR.
Adaptando a formação e a ação ao modo eclesial e social de hoje, o Movimento continua a ser e é, na atualidade, fundamental, como o foi no passado, para a Nova Evangelização das pessoas e dos ambientes

http://mundo-rural.webnode.pt/entrevistas/
http://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/14549/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o_Joana%20Veigas_MIT_2014.pdf

Histórias de Acção Católica

Relatos de um compromisso na primeira pessoa em destaque na Ecclesia Rádio

A ECCLESIA Rádio vem apresentando histórias de envolvimento e dedicação nas dinâmicas dos Movimentos da Acção Católica, que comemora 75 anos de vida no nosso país, tempo em que, como lembrou a Conferência Epsicopal Portuguesa, ajudaram a formar muitos leigos “que tiveram um papel assinalável nos mais diversos sectores da sociedade portuguesa, desde a política à economia, do ensino, às profissões liberais mais significativas”.


Para o Pe. Querubim Silva, assistente espiritual da Acção Católica Rural (ACR), admite que a metodologia do “Ver, Julgar, Agir” marca o seu quotidiano e afirma que o movimento “não é residual”.
“Estamos presentes, e com vida, em 14 dioceses”, assegura, destacando a importância da ACR para a “preservação de valores do meio rural” como a vizinhança ou a solidariedade.

(...)
Dália Nunes, também ela membro da direcção da ACR, chegou à Acção Católica por causa do sonho de ser “locutora”, acompanhando assim uma celebração de consagração de jovens. Das suas memórias destaca a primeira participação num encontro europeu, em 1965, “tudo o que aconteceu na viagem, de comboio” ou o dormir “em tendas com água lá dentro e lama nos pés”.
Desde 1961, Dália Nunes sente que a Acção Católica “faz parte da vida” e aplica a sua metodologia às situações que lhe surgem na vida profissional.
(...)
O ciclo de programas conclui-se esta Sexta-feira com o testemunho de Flausino Silva, da ACR, numa emissão que se inicia pelas 22h45, na Antena 1.

AE 13/11/2009
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/nacional/historias-de-accao-catolica/

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Pinterest



https://pt.pinterest.com/luisloureiro/albergaria-a-velha/


Pinterest é uma rede social que permite compartilhar fotos de variadas temáticas.


O link acima está relacionado com Albergaria-a-Velha.


Cidade do distrito de Aveiro, na zona centro de Portugal 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Crianças de Albergaria descobrem como funciona a Câmara Municipal





A Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha promove, amanhã, um dia aberto para os alunos do 3º ano do 1º Ciclo do Ensino Básico no âmbito das comemorações do Dia do Município.


A partir das 9h30 os serviços municipais recebem cerca de 130 crianças divididos em quatro visitas guiadas, proporcionando um contacto direto com a atividade camarária e com o Executivo Camarário.

Durante a visita, alunos e professores serão acompanhados por funcionários da Autarquia, percorrendo as diversas Divisões distribuídas pelos Paços do Município. Para além dos serviços autárquicos, o roteiro inclui os locais mais emblemáticos, como a lápide da fundação de Albergaria, o Salão Nobre, bem como o Gabinete do Presidente da Câmara Municipal, onde serão recebidos por António Loureiro e os restantes membros do Executivo. Pretende-se explicar aos jovens cidadãos a missão da Câmara Municipal, as suas áreas de atuação e a forma como a sua atividade se reflete no dia a dia da comunidade.


Para além de vir ao encontro do programa de Estudo do Meio do 1º Ciclo do Ensino Básico, o dia aberto insere-se na estratégia de promoção da História e Património Local e da Educação para a Cidadania, procurando sensibilizar os mais novos para as responsabilidades da Administração Pública e para as formas de exercer uma participação ativa. A visita à Câmara Municipal no 3º ano do 1º Ciclo antecede e complementa a visita à Assembleia da República, que as crianças farão depois no 4º ano.
                                    


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Erigir busto a Napoleão Luis Ferreira Leão (1935)

Acta – Sessão da Câmara


Data 1935-02-05




Presidente: Bernardino Correia Teles de Araújo e Albuquerque,
§§§ Vogais/Vereadores- Dr. Eduardo Henrique de Almeida Souto. Manuel Marques Lima, Francisco Pires de Miranda Ferreira da Silva (vogal administrador do concelho).


§§§ Escrivão: Albérico Henriques




§§§ Deliberações:




- Aprovação da acta anterior;
- Substituição do retrato do Senhor Bernardino Máximo de Araújo e Albuquerque por outro;
- Colocação de canos para condução de água em Rendo:
- Erigir busto a Napoleão Luis Ferreira Leão;
- Mandar organisar caderno de encargos para a construção de quatro casas no "Bairro Napoleào" e uma no Bairro de Campinho para moradia da irmã do benemérito;
- Imposto sobre carnes;
- Admissão de assalariado para fiscalizar o Matadouro;
- Autorização de pagamentos: reparação da casa de posto de ensino do lugar do ontão; artigos fornecidos para o Posto da Guarda Nacional Republicana; renda da casa do Delegado do Procurador da República: à União Eléctrica o fornecimento de energia; material de construção.



Pelo Senhor Presidente foi apresentada a seguinte proposta:




Considerando que, por um espírito de justiça e gratidão, a esta Câmara Municipal compete, como legítima representante do povo, perpetuar a memória das cidadãos que, por actos de benemerência, heroísmo ou quaisquer outros que contribuam para o bem colectivo ou para o progresso de Albergaria. se tenham distinguido;




Considerando que o cidadão Napoleão Luis Ferreira Leão, pelo valiozíssimo legado feito, por seu testamento de 12 de Fevereiro de 1922 em benefício dos pobres e obras de caridade de Albergaria bem merece ser apontado às gerações vindouras como exemplo de filantropia e dedicação à terra natal;




Considerando que para atingir essa finalidade se deve procurar que o nome do prestante cidadão fique inteiramente vinculado à história da nossa terra por forma diferente da oral ou escrita;




Proponho que a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha tome a iniciativa de lhe erigir um busto, em local a determinar oportunamente, e que a sua aquisição e despesas inerentes sejam custeadas por meio de subscrição pública, para a qual a Câmara contribuirá com importância de 6.000$0O, a incluir no próximo orçamento ordinário.




Fonte:AMA




(o busto seria colocado na Praça Ferreira Tavares em 1966 - 31 anos depois)