O concelho de Albergaria-a-Velha foi criado em 1834, por desmembramento de Aveiro, com as freguesias de Loure, Albergaria-a-Velha e Valmaior.
http://www.prof2000.pt/users/avcultur/AveiDistrito/Boletim02/page29.htm
http://novos-arruamentos.blogspot.com/2008/07/evoluo-do-municipio.html
http://www.rtp.pt/rtpi/images/articles/270/Albergaria.pdf
Por um ofício de 29/09/1835 do Governador Civil de Aveiro, José Joaquim Lopes de Lima, é evidente que Albergaria já era concelho e o de Paus era considerado extinto e anexado ao de Albergaria.
Uma portaria de 31/12/1836 emendava a reforma administrativa da mesma data que considerava o concelho de Paos e não o de Albergaria.
A reforma administrativa de 18/03/1842 mencionava o concelho de Albergaria com as freguesias de Alquerubim, Albergaria-a-Velha, S. João de Loure e Vale Maior. Uma portaria de 15/09/1842 mudava a sede e a designação para Paos. A última sessão da Câmara de Paus, apoiada pelos Cabralistas, realizou-se em 12 de Maio de 1846. A queda do Cabralismo ocorreu em 21 desse mês.
Artigo de Patrício Theodoro publicado na Gazeta de Albergaria, em 1927, citado na obra "Albergaria-a-Velha e o Seu Concelho" de António Pinho:
O concelho de Albergaria tinha sido criado em fins de 1834 por determinação do General Torres (José António da Silva Torres Ponce de Leon), 1º barão de Pico de Celeiros e visconde da serra do Pilar. Ficou constituído por esta freguesia e as de Valmaior e Loure, e foi instalado em fevereiro de 1835, efectuando a sua primeira sessão em 13 desse mês, o que tudo consta dum caderno avulso composto por 60 folhas, com abertura e encerramento e rubricado em todas elas por o Provedor interino (administrador do concelho) António Augusto Henriques Ferreira.
Com a abertura da Escola Secundária e da Escola Preparatória Conde D. Henrique foi criada uma nova zona habitacional em Albergaria-a-Velha conhecida por "Novos Arruamentos das Escolas Técnicas". Com o tempo passou a ser conhecida apenas por "Novos Arruamentos".
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Natal
Estendeu as mãozitas para o Céu
E lá do Céu uma estrela sorria...
Mas o pobre Menino bem sabia
Que a estrela estava distante...
- Foi nessa noite que o Menino nasceu...
Quem nasce não sabe...
Mas o Menino já sabia,
Ó noite de Natal
Tão gélida tão fria!...
Para vestir o Menino
Quem lhe dá o enxoval?
Treme de frio coitadinho,
Nas palhas do bercinho
Daquele humilde curral.
A Estrela cortou o céu
E sobre o Menino desceu
E nesse instante fugiu!...
Depois, já era luzeiro
Aquele humilde curral!...
Mas inda não era dia,
Porque o sol não nascia...
E das bandas do deserto
Uma caravana surgia!...
Sobre as palhinhas geladas,
Nuzinho como nasceu,
O Menino a tiritar
Sorria... Para o Céu!...
In “Saudades de Amor” - 1966
Jacinto de Almeida
http://euli.blogs.sapo.pt/tag/jacinto
Nota: O Dr. Jacinto Pires Almeida (falecido em 1995) foi médico em Albergaria-a-Velha.
E lá do Céu uma estrela sorria...
Mas o pobre Menino bem sabia
Que a estrela estava distante...
- Foi nessa noite que o Menino nasceu...
Quem nasce não sabe...
Mas o Menino já sabia,
Ó noite de Natal
Tão gélida tão fria!...
Para vestir o Menino
Quem lhe dá o enxoval?
Treme de frio coitadinho,
Nas palhas do bercinho
Daquele humilde curral.
A Estrela cortou o céu
E sobre o Menino desceu
E nesse instante fugiu!...
Depois, já era luzeiro
Aquele humilde curral!...
Mas inda não era dia,
Porque o sol não nascia...
E das bandas do deserto
Uma caravana surgia!...
Sobre as palhinhas geladas,
Nuzinho como nasceu,
O Menino a tiritar
Sorria... Para o Céu!...
In “Saudades de Amor” - 1966
Jacinto de Almeida
http://euli.blogs.sapo.pt/tag/jacinto
Nota: O Dr. Jacinto Pires Almeida (falecido em 1995) foi médico em Albergaria-a-Velha.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Exposição Tradições de Natal

Exposição Iconográfica “Histórias dos Meus Avós – Tradições de Natal em Albergaria-a-Velha”
de 2 até 31 de Dezembro
Organização: Projecto Despertar
Local : Biblioteca Municipal de Albergaria-a-Velha
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Imagens do Passado
Quando se encontra patente, no Arquivo Municipal, uma exposição com imagens antigas de Albergaria-a-Velha vimos relembrar uma outra exposição que decorreu no mesmo edificio mas há 15 anos.
A Exposição sobre "Fotografias e Postais Antigos do Concelho de Albergaria-a-Velha", patente no edifício da antiga Cadeia desde 10 a 17 de Abril de 1994, organizada pelo Leo Clube de Albergaria-a-Velha, contou com mais de nove centenas de visitantes.
Neste blog já apareceu uma imagem do Edificio da Cadeia em que aparece um anúncio dessa "Exposição de Postais e Fotografias Antigas" Imagem
Em 1994 foi lançado o livro "Imagens do Passado" com coordenação de Delfim Bismarck Ferreira e prefácio de A.H. Albuquerque Pinho.

Relação de imagens incluídas no livro:
Pág. 7 - Fachada da Capela de N. S. do Socorro, na primeira década do Século XX
8 - Monte de N. S. do Socorro: Avenida principal, vendo-se ao fundo o Cruzeiro e a Capela pequena (hoje inexistente, devido a ter sido transladada na década de 1920 para a Quinta da Fonte, em Campinho), na primeira década do Século XX
9 - Rua de Campinho, antes de ser cortada pela linha do Vale do Vouga, na primeira década do séc. XX. Actual Rua Eng. Duarte Pacheco
Colecção de 14 postais mandada editar em 1908 por Manoel d'Oliveira Campos e António Marques Pereira, sob a orientação de João de Pinho
10 - Rua do Hospital, em 1908-p1
11 - Ladeira, em 1908-p2
12 - Rua Barros Gomes, em 1908. Actual Rua Almirante Reis e parte da Alameda 5 de Outubro .-p3
13 - Rua de Santo António, em 1908.-p4
14 - Avenida da Praça Nova, em 1908. Actual Avenida Luiz Ferreira Leão.-p5
15 - Avenida da Praça Nova, em 1908. Actual Avenida Luiz Ferreira Leão (ângulo posto à anterior) [imagem usada na capa do livro) -p6
16 - Entrada pelo Souto, em 1908. Actual Rua Dr. Brito Guimarães.-p7
17 - Castelo da Boa Vista, visto do souto, em 1908.-p8
18 - Interior da Igreja Matriz. em 1908
19 - Fonte, em 1908.-p10
20 - Cadeia e Paços do COncelho, em 1908. Actaul Rua Dr. Castro Matoso.-p11
21 - Largo do Chafariz, em 1908. Actual Largo 1º de Dezembro.-p12
22 - Igreja vista da Fonte, em 1908.-p13
23 - Rua de Santo António, em 1908.-p14
24 - Inauguração oficial da Linha do Vale do Vouga, a 9 de Fevereiro de 1910.
25 - Igreja Matriz, em 1911
26 - Interior da Igreja Matriz, em 1911
Colecção particular de 4 postais, mandadada editar em 1911 por João Patricio Álvares Ferreira, referente à sua Casa e Castelo da Boa Vista
27 - Casa e Castelo da Boa Vista, fachada sobre a Praça D. Tereza, em 1911
28 - Castelo da Boa Vista, ascpecto sobre o Vale Pequeno, em 1911
29 - Castelo da Boa Vista, fachada posterior sobre a quinta, em 1911
30 - Castelo da Boa Vista, aspecto geral sobre o parque, em 1911
31 - Carnaval de 1911. Carro "O Cisne"
32 - Carnaval de 1911
33 - Carnaval de 1911
34 - Carnaval de 1911. Carro "Champanhe"
35 - Carnaval de 1911. Carro "Os Saltimbancos"
36 - Carnaval de 1911. Carro "Os Padeiros"
Colecção de postais mandada editar no início da década de 10 pel'A Central
37 - Vista do Souto, no início da década de 1910
38 - Rua do Hospital, no início da década de 1910-p2
39 - Largo da República, no início da década de 1910. Actual Largo 1º de Dezembro-p3
40 - Largo da República, no início da década de 1910. Actual Largo 1º de Dezembro-p5
41 - Largo do Vale do Vouga, no início da década de 1910-p6
42 - Estação do Caminho de Ferro, no início da década de 1910-p7
43 - Ponte de Vale Maior, no início da década de 1910-p9
44 - Costumes de Vale Maior no início da década de 1910-p11
45 - Antigo Teatro de Albergaria, projecto de 1921. Este Teatro foi inaugurado a 1 de Março de 1924 e demolido em 1945. Situava-se onde hoje é o Cine-Teatro Alba.
46 - Largo 1º de Dezembro, na década de 1920
47 - Largo 1º de Dezembro, na década de 1920
48 - Praça José Luiz Ferreira Tavares e Avenida da Liberdade. na década de 1920 (Actual Praça JLFT e Avenida NLFL)
49 - Avenida da Liberdade, na década de 1920 (hoje Avenida NLFL)
50 a 55 - Carnaval 1928.
56 a 63 - Carnaval 1929.
64 e 65 - Carnaval 1930
66 - Carnaval 1930, carro "O Ananás"
67 - Carnaval 1930
68 - Entrada da Rua de Campinho (vista da Igreja) no início da década de 1930. Actual Rua Eng. Duarte Pacheco.
Colecção de postais mandada editar, no início da década de 1930, por Bernardino Maria da Costa. (pelo menos 5 postais)
69 - Praça José Luiz Ferreira Tavares e Avenidade da Liberdade (ao fundo), no início da década de 1930. Actual Praça JLFT e Avenida NLFL (ao fundo).
70 - Largo do Vale do Vouga, no início da década de 1930.
71 - Praça José Luiz Ferreira Tavares, no início da década de 1930.
72 - Largo da República (actual Largo 1º de Dezembro) e Rua do Hospital, no início da década de 1930.
73 - Primeiro automóvel dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha, na primeira metade da década de 1930 (1932 a 1935).
74 - Aspecto do Carnaval de 1938.
75 - Aspecto do Carnaval de 1938.
76 - Carnaval de 1938. Carro "O Ninho".
77 - Carnaval de 1938. Carro "As Ceifeiras".
78 - Carnaval de 1938.
79 - Carnaval de 1938. Carro "Alba".
80 - Trajes usados em meados do século XIX e que figuraram na Festa folclórica de Aveiro, a 17 de Abril de 1938.
81 - Vista aérea do centro. no início da decáda de 1940.
82 - Avenida Bernardino Máximo de Albuquerque, na década de 1940.
83 - Rua Dr. José Henriques Ferreira, na década de 1940. (local do actual quartel dos bombeiros).
84 - Antigo Hospital da Misericórdia, na década de 1940. Este Hospital foi construído em 1934, inaugurado a 06/01/1938 e demolido em 1947.
85 - Chafariz no Largo 1º de Dezembro, na década de 1940
86 - Avenida Napoleão Luiz Ferreira Leão, na década de 1940.
Nota de Abertura
O Leo Clube de Albergaria-a-Velha, ao editar o presente volume, procura dar a conhecer como foi Albergaria-a-Velha no passado, contribuindo, assim, mesmo que de uma forma singela, para um melhor conhecimento da nossa Terra, através da reprodução de colecções de postais e fotografias antigas, abrangendo a primeira metade deste século.
Para isso, deu-nos a honra de fazer o prefácio desta obra, o Dr. António Homem Correia Teles de Albuquerque Pinho, historiador albergariense.
Com esta iniciativa, pretende o Leo Clube de Albergaria-a-Velha, a angariação de fundos destinados a fins filantrópicos.
Leo Clube de Albergaria-a-Velha
Prefácio
o passado de Albergaria-a-Velha tem sido dado a conhecer às gerações de hoje muito mais através da escrita do que da imagem.
A escrita tem-nos ajudado a compreender a evolução da nossa terra com o rigor possível, mas deixa sempre uma larga faixa onde a imaginação de cada um labora e recria, com maior ou menor fulgor, amplitude e exactidão. O historiador abre pistas, faz sugestões, apresenta leituras. O leitor capta-as, reiventa-as, enriquecendo-as ou empobrecendoas com a maior ou menor acuidade do seu conhecimento, da sua cultura e da fecundidade do seu espírito.
A fotografia reproduz com universal entendimento as realidades em seu tempo, espartilhando a visão ao campo apresentado. Com maior fidelidade dá a conhecer, pelo ângulo do fotógrafo, a imagem do que foi ou aconteceu. Não é um conhecimento total, mas é uma visão estimulante e amplificante para atingir esse conhecimento. É um testemunho que apoia o labor historiográfico e acorda adormecidas recordações nos mais velhos e curiosidade criativa nos mais jovens.
Eis por que me parece admirável esta ideia de reunir num volume umas tantas imagens de Albergaria e cenas do seu passado entre as quais se destacam as primeiras colecções de postais aqui editadas. É um meritório trabalho que fixa diversas épocas da nossa terra num conjunto de fotografias que, dispersas por várias mãos, acabariam por perder-se, como aconteceu já a tantas outras.
E é, para além de tudo isto, quero crê-lo, um ponto de partida para outras buscas e iniciativas que consigam congregar muito mais do passado de Albergaria retido na memória da fotografia, mais perene, ainda que mais fria do que a fulgurância tão imaginativa quanto deturpadora da memória humana.
E, para além de tudo, fica a minha satisfação, que creio ser a de todos os albergarienses, por ver um jovem empenhado numa tão útil como grata missão cultural. Faço votos de que encontre sempre, para além dos apoios indispensáveis, colaboradores para uma continuidade que se deseja.
Albergaria-a-Velha, 28 de Fevereiro de 1994
Albuquerque Pinho
A Exposição sobre "Fotografias e Postais Antigos do Concelho de Albergaria-a-Velha", patente no edifício da antiga Cadeia desde 10 a 17 de Abril de 1994, organizada pelo Leo Clube de Albergaria-a-Velha, contou com mais de nove centenas de visitantes.
Neste blog já apareceu uma imagem do Edificio da Cadeia em que aparece um anúncio dessa "Exposição de Postais e Fotografias Antigas" Imagem
Em 1994 foi lançado o livro "Imagens do Passado" com coordenação de Delfim Bismarck Ferreira e prefácio de A.H. Albuquerque Pinho.
Relação de imagens incluídas no livro:
Pág. 7 - Fachada da Capela de N. S. do Socorro, na primeira década do Século XX
8 - Monte de N. S. do Socorro: Avenida principal, vendo-se ao fundo o Cruzeiro e a Capela pequena (hoje inexistente, devido a ter sido transladada na década de 1920 para a Quinta da Fonte, em Campinho), na primeira década do Século XX
9 - Rua de Campinho, antes de ser cortada pela linha do Vale do Vouga, na primeira década do séc. XX. Actual Rua Eng. Duarte Pacheco
Colecção de 14 postais mandada editar em 1908 por Manoel d'Oliveira Campos e António Marques Pereira, sob a orientação de João de Pinho
10 - Rua do Hospital, em 1908-p1
11 - Ladeira, em 1908-p2
12 - Rua Barros Gomes, em 1908. Actual Rua Almirante Reis e parte da Alameda 5 de Outubro .-p3
13 - Rua de Santo António, em 1908.-p4
14 - Avenida da Praça Nova, em 1908. Actual Avenida Luiz Ferreira Leão.-p5
15 - Avenida da Praça Nova, em 1908. Actual Avenida Luiz Ferreira Leão (ângulo posto à anterior) [imagem usada na capa do livro) -p6
16 - Entrada pelo Souto, em 1908. Actual Rua Dr. Brito Guimarães.-p7
17 - Castelo da Boa Vista, visto do souto, em 1908.-p8
18 - Interior da Igreja Matriz. em 1908
19 - Fonte, em 1908.-p10
20 - Cadeia e Paços do COncelho, em 1908. Actaul Rua Dr. Castro Matoso.-p11
21 - Largo do Chafariz, em 1908. Actual Largo 1º de Dezembro.-p12
22 - Igreja vista da Fonte, em 1908.-p13
23 - Rua de Santo António, em 1908.-p14
24 - Inauguração oficial da Linha do Vale do Vouga, a 9 de Fevereiro de 1910.
25 - Igreja Matriz, em 1911
26 - Interior da Igreja Matriz, em 1911
Colecção particular de 4 postais, mandadada editar em 1911 por João Patricio Álvares Ferreira, referente à sua Casa e Castelo da Boa Vista
27 - Casa e Castelo da Boa Vista, fachada sobre a Praça D. Tereza, em 1911
28 - Castelo da Boa Vista, ascpecto sobre o Vale Pequeno, em 1911
29 - Castelo da Boa Vista, fachada posterior sobre a quinta, em 1911
30 - Castelo da Boa Vista, aspecto geral sobre o parque, em 1911
31 - Carnaval de 1911. Carro "O Cisne"
32 - Carnaval de 1911
33 - Carnaval de 1911
34 - Carnaval de 1911. Carro "Champanhe"
35 - Carnaval de 1911. Carro "Os Saltimbancos"
36 - Carnaval de 1911. Carro "Os Padeiros"
Colecção de postais mandada editar no início da década de 10 pel'A Central
37 - Vista do Souto, no início da década de 1910
38 - Rua do Hospital, no início da década de 1910-p2
39 - Largo da República, no início da década de 1910. Actual Largo 1º de Dezembro-p3
40 - Largo da República, no início da década de 1910. Actual Largo 1º de Dezembro-p5
41 - Largo do Vale do Vouga, no início da década de 1910-p6
42 - Estação do Caminho de Ferro, no início da década de 1910-p7
43 - Ponte de Vale Maior, no início da década de 1910-p9
44 - Costumes de Vale Maior no início da década de 1910-p11
45 - Antigo Teatro de Albergaria, projecto de 1921. Este Teatro foi inaugurado a 1 de Março de 1924 e demolido em 1945. Situava-se onde hoje é o Cine-Teatro Alba.
46 - Largo 1º de Dezembro, na década de 1920
47 - Largo 1º de Dezembro, na década de 1920
48 - Praça José Luiz Ferreira Tavares e Avenida da Liberdade. na década de 1920 (Actual Praça JLFT e Avenida NLFL)
49 - Avenida da Liberdade, na década de 1920 (hoje Avenida NLFL)
50 a 55 - Carnaval 1928.
56 a 63 - Carnaval 1929.
64 e 65 - Carnaval 1930
66 - Carnaval 1930, carro "O Ananás"
67 - Carnaval 1930
68 - Entrada da Rua de Campinho (vista da Igreja) no início da década de 1930. Actual Rua Eng. Duarte Pacheco.
Colecção de postais mandada editar, no início da década de 1930, por Bernardino Maria da Costa. (pelo menos 5 postais)
69 - Praça José Luiz Ferreira Tavares e Avenidade da Liberdade (ao fundo), no início da década de 1930. Actual Praça JLFT e Avenida NLFL (ao fundo).
70 - Largo do Vale do Vouga, no início da década de 1930.
71 - Praça José Luiz Ferreira Tavares, no início da década de 1930.
72 - Largo da República (actual Largo 1º de Dezembro) e Rua do Hospital, no início da década de 1930.
73 - Primeiro automóvel dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha, na primeira metade da década de 1930 (1932 a 1935).
74 - Aspecto do Carnaval de 1938.
75 - Aspecto do Carnaval de 1938.
76 - Carnaval de 1938. Carro "O Ninho".
77 - Carnaval de 1938. Carro "As Ceifeiras".
78 - Carnaval de 1938.
79 - Carnaval de 1938. Carro "Alba".
80 - Trajes usados em meados do século XIX e que figuraram na Festa folclórica de Aveiro, a 17 de Abril de 1938.
81 - Vista aérea do centro. no início da decáda de 1940.
82 - Avenida Bernardino Máximo de Albuquerque, na década de 1940.
83 - Rua Dr. José Henriques Ferreira, na década de 1940. (local do actual quartel dos bombeiros).
84 - Antigo Hospital da Misericórdia, na década de 1940. Este Hospital foi construído em 1934, inaugurado a 06/01/1938 e demolido em 1947.
85 - Chafariz no Largo 1º de Dezembro, na década de 1940
86 - Avenida Napoleão Luiz Ferreira Leão, na década de 1940.
Nota de Abertura
O Leo Clube de Albergaria-a-Velha, ao editar o presente volume, procura dar a conhecer como foi Albergaria-a-Velha no passado, contribuindo, assim, mesmo que de uma forma singela, para um melhor conhecimento da nossa Terra, através da reprodução de colecções de postais e fotografias antigas, abrangendo a primeira metade deste século.
Para isso, deu-nos a honra de fazer o prefácio desta obra, o Dr. António Homem Correia Teles de Albuquerque Pinho, historiador albergariense.
Com esta iniciativa, pretende o Leo Clube de Albergaria-a-Velha, a angariação de fundos destinados a fins filantrópicos.
Leo Clube de Albergaria-a-Velha
Prefácio
o passado de Albergaria-a-Velha tem sido dado a conhecer às gerações de hoje muito mais através da escrita do que da imagem.
A escrita tem-nos ajudado a compreender a evolução da nossa terra com o rigor possível, mas deixa sempre uma larga faixa onde a imaginação de cada um labora e recria, com maior ou menor fulgor, amplitude e exactidão. O historiador abre pistas, faz sugestões, apresenta leituras. O leitor capta-as, reiventa-as, enriquecendo-as ou empobrecendoas com a maior ou menor acuidade do seu conhecimento, da sua cultura e da fecundidade do seu espírito.
A fotografia reproduz com universal entendimento as realidades em seu tempo, espartilhando a visão ao campo apresentado. Com maior fidelidade dá a conhecer, pelo ângulo do fotógrafo, a imagem do que foi ou aconteceu. Não é um conhecimento total, mas é uma visão estimulante e amplificante para atingir esse conhecimento. É um testemunho que apoia o labor historiográfico e acorda adormecidas recordações nos mais velhos e curiosidade criativa nos mais jovens.
Eis por que me parece admirável esta ideia de reunir num volume umas tantas imagens de Albergaria e cenas do seu passado entre as quais se destacam as primeiras colecções de postais aqui editadas. É um meritório trabalho que fixa diversas épocas da nossa terra num conjunto de fotografias que, dispersas por várias mãos, acabariam por perder-se, como aconteceu já a tantas outras.
E é, para além de tudo isto, quero crê-lo, um ponto de partida para outras buscas e iniciativas que consigam congregar muito mais do passado de Albergaria retido na memória da fotografia, mais perene, ainda que mais fria do que a fulgurância tão imaginativa quanto deturpadora da memória humana.
E, para além de tudo, fica a minha satisfação, que creio ser a de todos os albergarienses, por ver um jovem empenhado numa tão útil como grata missão cultural. Faço votos de que encontre sempre, para além dos apoios indispensáveis, colaboradores para uma continuidade que se deseja.
Albergaria-a-Velha, 28 de Fevereiro de 1994
Albuquerque Pinho
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Alquerubim na ficção

(Carta de Alquerubim, de 31 de julho de 1898) Ainda sobre o Tio Alexandre: "É um homem importante e de grandes amizades e prestígio". Sobre o Tio Vicente: reside em Albergaria, tem boa clinica e fortuna. (...)
Um vice cônsul de Portugal, uma mossoroense valenta que fez história em ...
Vingt-un Rosado, Fundação Guimarães Duque - 2000 - 123 páginas
E de repente tentou de novo decifrar o enigma, a mensagem cabalística inscrita no portal da casa: "Fial de Alquerubim". (Seria uma fórmula de amor, seria o grito de um sonho contra o escuro da vida?)
Um Homem Particular
H Dobal - 2002 - 42 páginas
H Dobal - 2002 - 42 páginas
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Exposição Memórias de Albergaria

exposição fotográfica "Memórias de Albergaria-a-Velha"
patente até 31 de Dezembro de 2009
Local: Arquivo Municipal (Sala Polivalente)
Fábrica Cerâmica da Branca.
Fábrica Alba.
Sala de recepção do Cine-teatro Alba.
Cadeia e Paços do Concelho.
Casa dos Magistrados.
Paços do Concelho.
Cine-Teatro Alba.
Igreja Matriz.
Estação do Caminho de Ferro.
Casa da Fonte.
Trecho da Praça e Rua Direita - Angeja.
Fachada lateral e principal da Casa do Povo de Alquerubim.
Igreja Matriz de Santa Marinha, Alquerubim.
Vista do Souto - Quinta da Bela Vista.
Matadouro Municipal.
Mulheres a lavar a roupa - Alquerubim.
Funcionários da Fundição Velha (Alba).
Transporte de cereais para os moinhos - Alquerubim.
Grupo de pessoas na Tapada, Ameal, Alquerubim.
As Cruzadas - Ribeira de Fráguas.
Representação teatral na Casa do Povo de Alquerubim.
Fial Pitoresco.
Lavadeiras no Rio Vouga, Angeja.
Chafariz - Alquerubim.
Chafariz - Angeja.
Fundição da Fábrica Alba.
Filarmónica de Angeja.
Grupo de pessoas na praia do Rio Vouga.
Rua Direita em dia da Sra. das Neves.
Obras Na estrada de Vilarinho de S. Roque.
Construção da Igreja Matriz em Ribeira de Fráguas - 1962.
Carnaval - corso alegórico da Branca.
Carro alegórico da Fábrica Alba - Carnaval 1938.
Tubagem para canalização de água - Monte do Socorro.
sábado, 28 de novembro de 2009
Erstein

Le 26 août 2000, à l’occasion de la traditionnelle Fête du Sucre, la Ville d’ERSTEIN et l’association organisatrice ont eu l’honneur d’accueillir la Banda Velha Uniao Sanjoanense créée en 1826 à S. JOÃO DE LOURE au Portugal.
En octobre 2001, à l’initiative de deux membres de l’harmonie municipale, Joaquim et Manuel DA SILVA, eux même originaire de S. JOÃO DE LOURE et aujourd’hui habitant d’ERSTEIN, l’Harmonie municipale d’ERSTEIN a eu l’occasion de se déplacer à S. JOÃO DE LOURE.
Les liens d’amitiés se sont alors renforcés et de là est née la volonté de fonder un jumelage officiel entre les deux communes. Le 22 mai 2004 a eu lieu la célébration officielle du jumelage entre Erstein et S. João de Loure.
sermentUne délégation de 100 Portugais s’est déplacée pour cette occasion.
2005, retour des Sjoanense pour le Festival du Sucre et inauguration de la Rue deS. João de Loure à Erstein. En 2006, c’est au tour des Ersteinois de partir pour le Portugal et contribuer à resserrer et solidifier les liens d’amitié qui existent entre les deux nations.
Initié par la musique, la réussite de ce jumelage passe aussi par les liens entre habitants, entre professionnels et associations. Dernière événement en date : venue du Maestro de S. João de Loure faire un stage avec les musiciens d’Erstein.
Nota: A cidade francesa de Erstein está germinada com São João de Loure, uma das 8 freguesias do concelho de Albergaria-a-Velha.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
1994: Projecto da área-escola
Projecto da área-escola para conhecer os transportes públicos
Uma aventura na cidade
Para os alunos da Branca, em Albergaria-a-Velha, conhecer os transportes públicos significava ter que ir até Lisboa e angariar quase mil contos. Quando este projecto da área-escola não passava de teoria, poucos eram os que acreditavam nele. Mas o sonho passou a realidade.
«Atenção! Chegou a malta da Branca!» Dona Graça anunciava, com o auxílio da inseparável corneta, a chegada a Belém do grupo aventureiro. Eram 69 miúdos, acompanhados por 19 adultos, entre pais e professoras. Chegavam «da província», de perto de Albergaria-a-Velha. Uma senhora que esperava o eléctrico perguntava: «Vieram ver os Jerónimos?» Mas alguém respondia que não, que aquela era uma viagem para os miúdos utilizarem o máximo de transportes num só dia. A senhora comentou: «Ao menos, o Estado serve para pagar estas coisas!...» Mas enganava-se.
A aventura dos «amarelinhos» -- assim baptizados pela tripulação da TAP que os acompanhou no voo do Porto até Lisboa -- ficou em quase mil contos. Os bonés amarelos que todos usavam e que deram origem ao diminutivo foram oferecidos por uma empresa da região. Mas «o Estado», na figura do Ministério da Educação, manteve-se alheio.
A viagem, realizada na quinta-feira, era a concretização de um projecto da área-escola, uma das apostas da reforma do sistema educativo que carece de meios financeiros para coisas destas. Por isso, a solução foi pedir, e conseguir, apoios junto da câmara local e das empresas da zona.
O resto ficou a cargo da imaginação: «Montámos uma barraca de comes-e-bebes na feira anual dos 22, fizemos uma quermesse e organizámos um cortejo etnográfico seguido de leilão.» E a freguesia aderiu em peso.
A ideia de envolver neste projecto os alunos de duas escolas do 1º ciclo -- de Lajinhas e de Nobrijo -- surgiu numa reunião do Conselho Escolar. As professoras pensaram que o conhecimento dos transportes públicos seria um bom tema para motivar aquelas crianças, que raramente saem do seu meio. A proposta foi levada aos alunos, que aceitaram à primeira. Mais tarde, as professoras pensaram que um trabalho deste tipo só ficaria completo se os alunos pudessem utilizar cada meio de transporte.
Os preparativos para a aventura começaram nas aulas de Trabalhos Manuais. Além de desenhos e de colagens, os alunos fizeram reproduções de meios de transportes em cortiça. Ao mesmo tempo, iam preparando um estudo sobre a evolução dos transportes ao longo dos tempos. Depois, começaram as visitas de estudo.
Primeiro, foram visitar o Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga e, mais tarde, foram até Aveiro de automotora. Há cerca de dois meses, participaram num programa patrocionado pelo Ministério da Educação sobre a comemoração dos Descobrimentos e foram até Lisboa para andar de barco. Por isso, desta vez, o barco ficou fora do programa.
Quando as professoras lançaram a ideia da viagem a Lisboa, poucos foram os que acreditaram nela: os custos eram muitos e as crianças muito pequenas. Ultrapassados os problemas, as professoras só voltaram a ter dúvidas sobre a concretização da aventura no dia da viagem: o motorista do autocarro que os levou da Branca ao Porto decidiu que havia de ser feita pela estrada nacional. Os nervos ficaram à flor da pele e alguns dos miúdos «enjoaram, mas não vomitaram».
Já com o avião à vista, as professoras suspiravam de alívio e comentavam o susto do autocarro: «Estava a ver que não chegávamos a tempo...» Chegaram em cima da hora e os «amarelinhos» precipitaram-se para o «check-in», dois a dois, de mãos dadas.
Avião é «alto risco»
Os pais dos miúdos que ali estavam tinham confiado na boa vigilânica das professoras. Só meia dúzia de alunos das duas escolas envolvidas ficaram em casa. Os pais «tiveram receio porque consideram o avião um transporte de alto risco», explicava uma professora.
Antes de entrar para o avião, Telmo era dos poucos que não estava com medo. Em contrapartida, cada passo que Fábio dava era mais inseguro do que o anterior. Ao subir as escadas de acesso ao avião reconhecia que estava nervoso e não conseguia dizer mais nada sobre o que lhe ia na alma. Já dentro do aparelho, o espanto foi geral. Joana não imaginava que fosse «tão grande e tão confortável».
No avião, quase todos os alunos da Branca ganharam bons companheiros de viagem. Os passageiros do lado apertaram os cintos aos miúdos e foram explicando as regras de segurança. Ao primeiro movimento do avião, as crianças soltaram os primeiros risos nervosos. Uma das miúdas estranhava o facto de ele «estar a andar para trás».
Quando terminou a «marcha a atrás», Catarina, Patrícia e Ana Maria trocaram olhares de dúvida. Nenhuma conseguia imaginar o passo seguinte do piloto. A colega do banco de trás sugeria que dessem as mãos para ganhar coragem. Patrícia apertava a barriga com toda a força e Catarina procurava o bater do coração para sentir o ritmo acelerado. Finalmente, o avião levantou e os miúdos não resistiram. Os seus gritos agudos confundiam-se com os risos dos adultos, que assistiam, divertidos, às reacções dos mais pequenos.
A aterragem foi outra emoção. Os passageiros mais habituados a estas andanças bateram palmas e os miúdos estranharam. Uma senhora que vinha do Brasil depressa lhes explicou que as palmas eram para o piloto porque tinha aterrado bem, «e nem sempre é assim!». De seguida, um membro da tripulação anunciou: «Os amarelinhos já podem sair.»
A corneta de D. Graça
Chegados a Lisboa, o grupo foi à procura do autocarro que havia de os levar ao Campo Grande. Enquanto a directora da escola contava ao inspector da Carris que o Metropolitano tinha oferecido os bilhetes, as crianças cantavam. Assim que saíram, montaram o primeiro acampamento para comer, e alguém comentava: «Estão sempre cheios de fome.» Pela primeira vez, ouviu-se a corneta de D. Graça, uma das mães que fazia parte do grupo.
Depois, foi a vez do metro. Cada um dos miúdos picou o seu bilhete para que, da próxima vez, saibam andar de metro sem a ajuda dos adultos. Uma vez na carruagem, voltaram às cantorias. À saída, uma das miúdas dizia para a colega: «Anda, lesma!» Era o medo de ficar perdida na confusão.
Do Rossio até à Praça do Comércio foram a pé. Enquanto os rapazes se divertiam com as montras de «lingerie», num grupinho de miúdas comentava-se a viagem. «Como já andámos de barco, só falta aquele que tem uma coisa em cima a rodar, como é que se chama?», perguntava uma delas. E a amiga respondia: «É o helicóptero!»
Depois de novo piquenique, chegou a vez do eléctrico, amarelinho como os passageiros. Antes de começar o trajecto, um dos miúdos decidiu «picar» todos os bilhetes de metro que tinha à mão, alterando por completo a contagem dos passageiros. Quase ninguém se apercebeu e a malandrice passou.
Chegados a Belém, já era hora de almoçar. «A malta da Branca» escolheu uma sombra na relva para, desta vez, comer a sério. Mas a maioria dos miúdos seguiu para o Museu dos Coches com as mochilas pouco aliviadas, porque as mães exageraram na merenda.
Quando este projecto não passava da teoria, até o inspector das duas escolas se ria da ideia. A directora da Escola das Lajinhas, Virgínia Cruz, conta que «no princípio toda a gente dizia que era um sonho que nunca se concretizava». Mas o sucesso da iniciativa já leva as organizadoras a pensar em voos mais altos: «Para o ano vamos à Eurodisney!»
Hália Costa Santos / PUBLICO - 21/06/1994
Uma composição no comboio
O PÚBLICO, que acompanhou os alunos das escolas de Lajinhas e de Nobrijo nesta viagem, pediu-lhes um depoimento escrito sobre o que viram e sentiram. Nos bancos do Intercidades, entre Lisboa e Aveiro, seis alunos do 4º ano fizeram a composição que se segue.
«Hoje foi um dia importante e aventureiro. Saímos da escola às 6h35 numa camioneta de dois andares. Em seguida, fomos buscar os meninos de Nobrijo. (...) Quando partimos da escola de Nobrijo fomos apanhar a estrada nacional que dava acesso à Cidade Invicta.
Logo que chegámos ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, começámos a observar os aviões. Passados dez minutos, fomos para uma carrinha que nos levou directamente para o avião.
Dentro do avião, era um luxo! Imaginem que até tinha um colete salva-vidas e pessoas a servir coisas deliciosas como sumo de laranja e `croissant' com queijo, fiambre e manteiga.
Logo a seguir a ter levantado voo, o avião passou por cima das nuvens. Depois de subir as nuvens, lá estava o Sol a brilhar com intensidade. No princípio via-se muito nevoeiro, mas logo passou. No avião, de um lado via-se o verde da serra e do outro o azul do mar. Passados 35 minutos (...) apertámos os cintos para aterrar.
Saímos do avião, apanhámos uma camioneta e fomos para a estação do metro. Passámos cinco paragens até sairmos no Rossio.
Apanhámos o eléctrico e andámos três quartos de hora até chegar a Belém. Almoçámos no jardim de Belém e brincámos enquanto as professoras foram comprar os deliciosos pastéis de Belém. A seguir, fomos a pé ao Museu dos Coches, mas antes passámos por casa do dr. Mário Soares.
(...) vimos coches antigos, que eram de reis, rainhas e papas. [Num] compartimento havia coches de todo o tipo e forma. Passando para o compartimento de cima, vimos quadros com pessoas importantes... Depois fomos ver uns quadros com a evolução das pessoas e dos eléctricos.
No jardim, [alguns] rapazes foram jogar à bola e enquanto eles jogavam futebol os outros foram comprar um gelado. Depois (...) fomos ter com uma camioneta de dois andares para com esse transporte seguirmos para a estação de Santa Apolónia.
Na Estação de Santa Apolónia fomos jantar e logo de seguida viemos para o Intercidades. (...) Gostámos muito deste passeio e ficámos emocionados. Foi a melhor surpresa destas crianças que participaram nesta viagem.
P.S.: Neste passeio sentimos uma grande emoção, folia e coisas que nunca sentimos na vida...»
Uma aventura na cidade
Para os alunos da Branca, em Albergaria-a-Velha, conhecer os transportes públicos significava ter que ir até Lisboa e angariar quase mil contos. Quando este projecto da área-escola não passava de teoria, poucos eram os que acreditavam nele. Mas o sonho passou a realidade.
«Atenção! Chegou a malta da Branca!» Dona Graça anunciava, com o auxílio da inseparável corneta, a chegada a Belém do grupo aventureiro. Eram 69 miúdos, acompanhados por 19 adultos, entre pais e professoras. Chegavam «da província», de perto de Albergaria-a-Velha. Uma senhora que esperava o eléctrico perguntava: «Vieram ver os Jerónimos?» Mas alguém respondia que não, que aquela era uma viagem para os miúdos utilizarem o máximo de transportes num só dia. A senhora comentou: «Ao menos, o Estado serve para pagar estas coisas!...» Mas enganava-se.
A aventura dos «amarelinhos» -- assim baptizados pela tripulação da TAP que os acompanhou no voo do Porto até Lisboa -- ficou em quase mil contos. Os bonés amarelos que todos usavam e que deram origem ao diminutivo foram oferecidos por uma empresa da região. Mas «o Estado», na figura do Ministério da Educação, manteve-se alheio.
A viagem, realizada na quinta-feira, era a concretização de um projecto da área-escola, uma das apostas da reforma do sistema educativo que carece de meios financeiros para coisas destas. Por isso, a solução foi pedir, e conseguir, apoios junto da câmara local e das empresas da zona.
O resto ficou a cargo da imaginação: «Montámos uma barraca de comes-e-bebes na feira anual dos 22, fizemos uma quermesse e organizámos um cortejo etnográfico seguido de leilão.» E a freguesia aderiu em peso.
A ideia de envolver neste projecto os alunos de duas escolas do 1º ciclo -- de Lajinhas e de Nobrijo -- surgiu numa reunião do Conselho Escolar. As professoras pensaram que o conhecimento dos transportes públicos seria um bom tema para motivar aquelas crianças, que raramente saem do seu meio. A proposta foi levada aos alunos, que aceitaram à primeira. Mais tarde, as professoras pensaram que um trabalho deste tipo só ficaria completo se os alunos pudessem utilizar cada meio de transporte.
Os preparativos para a aventura começaram nas aulas de Trabalhos Manuais. Além de desenhos e de colagens, os alunos fizeram reproduções de meios de transportes em cortiça. Ao mesmo tempo, iam preparando um estudo sobre a evolução dos transportes ao longo dos tempos. Depois, começaram as visitas de estudo.
Primeiro, foram visitar o Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga e, mais tarde, foram até Aveiro de automotora. Há cerca de dois meses, participaram num programa patrocionado pelo Ministério da Educação sobre a comemoração dos Descobrimentos e foram até Lisboa para andar de barco. Por isso, desta vez, o barco ficou fora do programa.
Quando as professoras lançaram a ideia da viagem a Lisboa, poucos foram os que acreditaram nela: os custos eram muitos e as crianças muito pequenas. Ultrapassados os problemas, as professoras só voltaram a ter dúvidas sobre a concretização da aventura no dia da viagem: o motorista do autocarro que os levou da Branca ao Porto decidiu que havia de ser feita pela estrada nacional. Os nervos ficaram à flor da pele e alguns dos miúdos «enjoaram, mas não vomitaram».
Já com o avião à vista, as professoras suspiravam de alívio e comentavam o susto do autocarro: «Estava a ver que não chegávamos a tempo...» Chegaram em cima da hora e os «amarelinhos» precipitaram-se para o «check-in», dois a dois, de mãos dadas.
Avião é «alto risco»
Os pais dos miúdos que ali estavam tinham confiado na boa vigilânica das professoras. Só meia dúzia de alunos das duas escolas envolvidas ficaram em casa. Os pais «tiveram receio porque consideram o avião um transporte de alto risco», explicava uma professora.
Antes de entrar para o avião, Telmo era dos poucos que não estava com medo. Em contrapartida, cada passo que Fábio dava era mais inseguro do que o anterior. Ao subir as escadas de acesso ao avião reconhecia que estava nervoso e não conseguia dizer mais nada sobre o que lhe ia na alma. Já dentro do aparelho, o espanto foi geral. Joana não imaginava que fosse «tão grande e tão confortável».
No avião, quase todos os alunos da Branca ganharam bons companheiros de viagem. Os passageiros do lado apertaram os cintos aos miúdos e foram explicando as regras de segurança. Ao primeiro movimento do avião, as crianças soltaram os primeiros risos nervosos. Uma das miúdas estranhava o facto de ele «estar a andar para trás».
Quando terminou a «marcha a atrás», Catarina, Patrícia e Ana Maria trocaram olhares de dúvida. Nenhuma conseguia imaginar o passo seguinte do piloto. A colega do banco de trás sugeria que dessem as mãos para ganhar coragem. Patrícia apertava a barriga com toda a força e Catarina procurava o bater do coração para sentir o ritmo acelerado. Finalmente, o avião levantou e os miúdos não resistiram. Os seus gritos agudos confundiam-se com os risos dos adultos, que assistiam, divertidos, às reacções dos mais pequenos.
A aterragem foi outra emoção. Os passageiros mais habituados a estas andanças bateram palmas e os miúdos estranharam. Uma senhora que vinha do Brasil depressa lhes explicou que as palmas eram para o piloto porque tinha aterrado bem, «e nem sempre é assim!». De seguida, um membro da tripulação anunciou: «Os amarelinhos já podem sair.»
A corneta de D. Graça
Chegados a Lisboa, o grupo foi à procura do autocarro que havia de os levar ao Campo Grande. Enquanto a directora da escola contava ao inspector da Carris que o Metropolitano tinha oferecido os bilhetes, as crianças cantavam. Assim que saíram, montaram o primeiro acampamento para comer, e alguém comentava: «Estão sempre cheios de fome.» Pela primeira vez, ouviu-se a corneta de D. Graça, uma das mães que fazia parte do grupo.
Depois, foi a vez do metro. Cada um dos miúdos picou o seu bilhete para que, da próxima vez, saibam andar de metro sem a ajuda dos adultos. Uma vez na carruagem, voltaram às cantorias. À saída, uma das miúdas dizia para a colega: «Anda, lesma!» Era o medo de ficar perdida na confusão.
Do Rossio até à Praça do Comércio foram a pé. Enquanto os rapazes se divertiam com as montras de «lingerie», num grupinho de miúdas comentava-se a viagem. «Como já andámos de barco, só falta aquele que tem uma coisa em cima a rodar, como é que se chama?», perguntava uma delas. E a amiga respondia: «É o helicóptero!»
Depois de novo piquenique, chegou a vez do eléctrico, amarelinho como os passageiros. Antes de começar o trajecto, um dos miúdos decidiu «picar» todos os bilhetes de metro que tinha à mão, alterando por completo a contagem dos passageiros. Quase ninguém se apercebeu e a malandrice passou.
Chegados a Belém, já era hora de almoçar. «A malta da Branca» escolheu uma sombra na relva para, desta vez, comer a sério. Mas a maioria dos miúdos seguiu para o Museu dos Coches com as mochilas pouco aliviadas, porque as mães exageraram na merenda.
Quando este projecto não passava da teoria, até o inspector das duas escolas se ria da ideia. A directora da Escola das Lajinhas, Virgínia Cruz, conta que «no princípio toda a gente dizia que era um sonho que nunca se concretizava». Mas o sucesso da iniciativa já leva as organizadoras a pensar em voos mais altos: «Para o ano vamos à Eurodisney!»
Hália Costa Santos / PUBLICO - 21/06/1994
Uma composição no comboio
O PÚBLICO, que acompanhou os alunos das escolas de Lajinhas e de Nobrijo nesta viagem, pediu-lhes um depoimento escrito sobre o que viram e sentiram. Nos bancos do Intercidades, entre Lisboa e Aveiro, seis alunos do 4º ano fizeram a composição que se segue.
«Hoje foi um dia importante e aventureiro. Saímos da escola às 6h35 numa camioneta de dois andares. Em seguida, fomos buscar os meninos de Nobrijo. (...) Quando partimos da escola de Nobrijo fomos apanhar a estrada nacional que dava acesso à Cidade Invicta.
Logo que chegámos ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, começámos a observar os aviões. Passados dez minutos, fomos para uma carrinha que nos levou directamente para o avião.
Dentro do avião, era um luxo! Imaginem que até tinha um colete salva-vidas e pessoas a servir coisas deliciosas como sumo de laranja e `croissant' com queijo, fiambre e manteiga.
Logo a seguir a ter levantado voo, o avião passou por cima das nuvens. Depois de subir as nuvens, lá estava o Sol a brilhar com intensidade. No princípio via-se muito nevoeiro, mas logo passou. No avião, de um lado via-se o verde da serra e do outro o azul do mar. Passados 35 minutos (...) apertámos os cintos para aterrar.
Saímos do avião, apanhámos uma camioneta e fomos para a estação do metro. Passámos cinco paragens até sairmos no Rossio.
Apanhámos o eléctrico e andámos três quartos de hora até chegar a Belém. Almoçámos no jardim de Belém e brincámos enquanto as professoras foram comprar os deliciosos pastéis de Belém. A seguir, fomos a pé ao Museu dos Coches, mas antes passámos por casa do dr. Mário Soares.
(...) vimos coches antigos, que eram de reis, rainhas e papas. [Num] compartimento havia coches de todo o tipo e forma. Passando para o compartimento de cima, vimos quadros com pessoas importantes... Depois fomos ver uns quadros com a evolução das pessoas e dos eléctricos.
No jardim, [alguns] rapazes foram jogar à bola e enquanto eles jogavam futebol os outros foram comprar um gelado. Depois (...) fomos ter com uma camioneta de dois andares para com esse transporte seguirmos para a estação de Santa Apolónia.
Na Estação de Santa Apolónia fomos jantar e logo de seguida viemos para o Intercidades. (...) Gostámos muito deste passeio e ficámos emocionados. Foi a melhor surpresa destas crianças que participaram nesta viagem.
P.S.: Neste passeio sentimos uma grande emoção, folia e coisas que nunca sentimos na vida...»
sábado, 21 de novembro de 2009
Alba

ALBA é a designação pela qual era conhecida a empresa criada em 1921, inicialmente com o nome de Fundição Lisbonense, posteriormente alterada para Fundição Albergariense, e assumindo em 1923 o nome do seu fundador Augusto Martins Pereira, nascido em 1885 em Sever do Vouga. Utilizava um símbolo/logotipo desenvolvido por Daniel Constant.
A ALBA foi adquirida em 2001 pelo grupo DURIT e recentemente parte da fábrica ALBA (actual METALFAB) foi desactivada , sendo transferida para as instalações da FUSAG (em Águeda) .
http://www.alba.pt/ Metafalb (empresa que comprou a Alba em 2001)
http://fabrica-alba.blogspot.com/ Blog sobre as Fábricas Alba
http://albaportugal.ning.com/ Site sobre o Carro Alba
http://rdv-alba.blogspot.com/ Blog com produtos Alba
2000
Empresa emblemática de Albergaria fica em mãos concelhias
Depois de uma hasta pública sem licitadores, as Fábricas Alba foram agora adquiridas, garantindo o futuro dos seus 155 trabalhadores. Durante os próximos três anos, a empresa mantém-se a laborar nas actuais instalações, depois deverá transferir-se para a zona industrial.
As Fábricas Metalúrgicas Alba foram compradas pela Durit - Metalúrgica Portuguesa do Tungsténio, Ldª, sediada na zona industrial de Albergaria-a-Velha.
A aquisição resultou da venda particular da histórica empresa, fundada pelo comendador Augusto Martins Pereira e durante cerca de 70 anos foi o grande emblema empresarial da vila, tendo entrado em colapso financeiro acelerado a partir dos anos setenta.
As dívidas foram-se acumulando e o Estado, enquanto principal credor, através do Ministério das Finanças, mais concretamente via Direcção Geral das Contribuições e Impostos, accionou o mecanismo da venda das instalações e de outros bens imobiliários, mas aquando da hasta pública, realizada na Repartição de Finanças de Albergaria-a-Velha, ninguém apareceu a licitar o edifício fabril, que então foi à praça por uma verba superior a 400 mil contos. Seguiu-se a fase da venda por negociação directa, que teve o seu epílogo na passado dia 21 de Setembro, com a Durit a liderar o processo de aquisição da lendária Alba, numa parceria em que também entraram as empresas Sirme, Fusões e Aquisições, Ldª, ligada ao sector para-estatal e PME, Investimentos, empresa de capital de risco.
A família Martins Pereira fica também ligada a este novo ciclo da Alba, através do engenheiro Pedro Martins Pereira. Três anos para recuperar a imagem da Alba Segundo informações seguras ligadas ao processo de aquisição da Alba, que actualmente conta com 155 trabalhadores, é intenção dos novos administradores fazer os investimentos necessários à imediata recuperação da empresa, tanto em termos de rentabilidade empresarial, como da sua imagem, actualmente muito degradada, depois das áureas décadas de sucesso, onde à qualidade dos seus produtos, se associava um nome de vanguarda, no contexto da vida económica da região e do próprio país.
Numa primeira fase vão ser instaladas novas máquinas e durante um período de aproximadamente três anos, a Alba manter-se-á nas actuais instalações, na rua Comendador Martins Pereira. Entretanto, será construída na zona industrial de Albergaria-a-Velha uma nova unidade de raiz, para onde a empresa posteriormente se mudará
Quanto ao espaço actual, é praticamente certo que o mesmo irá funcionar com uma lógica de forte componente social, isto, no tocante à parte administrativa, refeitório e espaços de lazer.
Ali devem ser implementados espaços destinados a serem utilizados, por exemplo, em almoços de casamento, festas diversas e também deverão ser feitas adaptações necessárias, em ordem a surgirem salas para debates, conferências, ou exposições, sempre na lógica do desenvolvimento sustentado da função e gestão social dos referidos espaços.
Quanto ao futuro da parte fabril e ainda segundo as nossas insuspeitas fontes de informação, é provável que a mesma venha a ser adaptada, por exemplo, a armazéns e outros serviços de apoio. Mas como também admitem as mesmas fontes, ainda se está na fase das deliberações primárias, podendo surgir outras opções, mas sempre dentro das perspectivas do quadros traçados.
Uma coisa, porém, é certa: a Alba fica nas mãos de empresários ligados a Albergaria-a-Velha, cujo sucesso recente está à vista, concretamente os administradores da Durit, Flausino José Pereira da Silva e Manuel Valente, um economista e um engenheiro químico, a que se associa o também engenheiro, gerente da Larus - outro caso de sucesso empresarial dos tempos actuais - Pedro Martins Pereira. O que de algum modo simboliza a árvore genealógica que durante muitos anos criou, fez crescer e geriu a Alba.
Jacinto Martins / Diário de Aveiro, 30/09/2000
2004
Metafalb faz a Alba ressurgir das cinzas
A Metafalb Metalurgia e Fundição SA , sociedade que em 2001 adquiriu o estabelecimento e a marca da antiga Alba, prevê nos próximos dois anos atingir 3,5 milhões de euros de facturação.
A empresa de Albergaria-a-Velha, que emprega 114 pessoas, registou em 2003 vendas na ordem dos 2,5 milhões de euros, um aumento de 20 por cento relativamente ao ano anterior.
"Desde 2001 que temos verificado um incremento contínuo da facturação e meios libertos, eventualmente não tão depressa como gostaríamos mas 2003 foi interessante atendendo à conjuntura", referiu Renato Pereira, administrador da Metalfab.
Quando a nova sociedade assumiu os destinos da velha metalurgia a facturação era de 1,8 milhões. "Apesar de todas as dificuldades que passou, e que conduziram à venda por hasta pública, não deixou de estar no mercado", acrescentou o mesmo responsável
Fundada em 1921 por Augusto Martins Pereira, um industrial que a Vila de Albergaria-a-Velha ainda hoje lembra também como grande benemérito, a Alba foi uma das principais fundições do País mas entrou em decadência a partir da década de 1980.
As dívidas acumuladas, cerca de 5 milhões de euros, na maioria ao Estado, acabaram por ditar a venda dos bens em 2001.
Um grupo de investidores, no qual tomaram parte maioritária accionistas da Durit - Metalurgia do Tungsténio, outra empresa do concelho, adquiriram o estabelecimento em processo de execução fiscal. A operação contou, ainda, com o envolvimento de capital de risco estatal.
Do passado restam as instalações e a marca. A nova sociedade teve de começar do zero no tocante a maquinaria e produção. "A Alba foi uma fundição de referência, ia à frente em muitas coisas e chegou a ter 40 patentes registadas", contou o administrador.
Actualmente mantém os artigos em ferro fundido cinzento em várias gamas, bocas de incêndios, recuperadores de calor e equipamento urbano. Aliás, os tradicionais bancos de jardim chegaram a muitos pontos do País e estrangeiro.
A diversificação da actividade levou a produzir acessórios para ligações em PVC, fibrocimento e artigos de água e saneamento, assim como outras peças específicas.
noticias de Aveiro, 10/02/2004
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Anefa - Entrevista a José Ricardo Bismarck
Entrevista a José Ricardo Bismarck, Cmdt. dos Bombeiros Voluntários de Albergaria a Velha, publicada na Revista da Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente do 3º trimestre de 2009.
É indiscutível o papel das Corporações de Bombeiros nesta temática. A importância de ouvir quem lida com os fogos florestais na 1ª pessoa traduz-se na entrevista a [alguns] Comandantes de Corpos de Bombeiros.
Qual a área florestal e população que a corporação tem a “seu cargo” e com quantos efectivos contam?
José Ricardo Bismarck - O concelho de Albergaria-a-Velha tem 15.300 ha. Sendo que 80% é área florestal, com predominância quase absoluta de eucalipto. Temos uma população de 25.000 habitantes.
No Corpo de Bombeiros, contamos com 20 elementos profissionais e 120 voluntários. O piquete de fogo é diariamente constituído por 5 bombeiros, profissionais no horário normal semanal e voluntários nos outros horários.
Na fase Bravo e Charlie, existem 5 e 7 bombeiros para intervirem nos incêndios florestais.
Há muitos “obstáculos” na vossa actividade?
J.R.B. - As dificuldades gerais são estruturais e de entrosamento entre as diversas entidades que têm responsabilidades no combate aos incêndios florestais.
Nas dificuldades estruturais, saliento a falta de apoio do Estado ao voluntariado e o excesso de exigências, algumas delas burocráticas; Limitação da idade para a entrada nos bombeiros aos 35 anos; ausência de um quadro auxiliar de especialistas (Engenheiros florestais, civis, químicos. Médicos, enfermeiros, psicólogos. Mecânicos, motoristas, socorristas).
Por outro lado, no terreno, existem diversas entidades que assumem o combate inicial aos incêndios florestais, como especialistas em 1ª intervenção (conforme a legislação em vigor), mas na prática, o ónus do combate está nos bombeiros. É muito mais fácil ter taxas de eficiência no combate a fogachos, torna-se mais difícil em incêndios com mais de 10 ha, ainda mais com 100 ou 1000 ha. Diz um ditado popular que “quem come a carne, que roa os ossos”.
Não se pode continuar a passar a mensagem para a população, que uns são rápidos e bem treinados e que os outros não têm formação adequada (quando esta é a mesma e ministrada na mesma instituição).
Que mecanismos e meios têm à disposição para prevenção e combate e qual a vossa capacidade de resposta?
J.R.B. - Durante a fase bravo 1 ECIN 5 bombeiros (Equipa de Combate a Incêndios Florestais). Na fase Charlie 1 ECIN e 1 ELAC 5+2 bombeiros (Equipa Logística de Apoio ao Combate). 2 Grupos GIPS-GNR terrestres 2 helicópteros com brigada de 5 soldados. 1 Equipa de Sapadores Florestais. A capacidade de resposta é boa e rápida, permitindo que no Concelho não haja nenhum incêndio com mais de 10 ha desde 2005.
Quais as principais dificuldades encontradas no terreno?
J.R.B. - A falta de ordenamento florestal será o maior problema, reflectindo-se na falta de acessos, limpeza. Por outro lado, como estamos numa zona de monocultura do eucalipto, não existe descontinuidade florestal, o que aumenta significativamente o risco de um incêndio consumir uma parte importante da floresta. Este fenómeno, em Albergaria-a-Velha, ocorre sensivelmente cada dez anos.
O que pode a população fazer para ajudar ao vosso trabalho?
J.R.B. - A população é parte integrante do problema e da solução. Em primeiro lugar, limpar as zonas envolventes das suas habitações, criando uma faixa de descontinuidade mínima de 50 metros, permitindo que os incêndios florestais junto de povoações, não envolvam riscos urbanos. Assim, os bombeiros concentram-se unicamente no combate ao incêndio florestal.
Seguirem as instruções emanadas quer pelos bombeiros, quer pelas outras entidades; Não fazer queima de sobrantes durante a época proibida; não lançar foguetes; cumprir com as ordens de evacuação, etc.
Considera que as empresas locais que executam trabalhos florestais deviam ter um papel activo na prevenção e combate aos incêndios?
J.R.B. - Claro que sim. As empresas florestais são as primeiras interessadas em que não existam incêndios na floresta. Vivem da floresta, para a floresta e da floresta. Com a situação actual, só acumulam prejuízos.
A solução passa por fazerem plantações ordenadas e com um plano de DFCI (Defesa da Floresta Contra Incêndios).
Penso que uma das soluções para o futuro, será a constituição de ZIF’s (Zonas de Intervenção Florestal), visto haver a necessidade de emparcelar, para aumentar a dimensão de cada zona a intervencionar.
É indiscutível o papel das Corporações de Bombeiros nesta temática. A importância de ouvir quem lida com os fogos florestais na 1ª pessoa traduz-se na entrevista a [alguns] Comandantes de Corpos de Bombeiros.Qual a área florestal e população que a corporação tem a “seu cargo” e com quantos efectivos contam?
José Ricardo Bismarck - O concelho de Albergaria-a-Velha tem 15.300 ha. Sendo que 80% é área florestal, com predominância quase absoluta de eucalipto. Temos uma população de 25.000 habitantes.
No Corpo de Bombeiros, contamos com 20 elementos profissionais e 120 voluntários. O piquete de fogo é diariamente constituído por 5 bombeiros, profissionais no horário normal semanal e voluntários nos outros horários.
Na fase Bravo e Charlie, existem 5 e 7 bombeiros para intervirem nos incêndios florestais.
Há muitos “obstáculos” na vossa actividade?
J.R.B. - As dificuldades gerais são estruturais e de entrosamento entre as diversas entidades que têm responsabilidades no combate aos incêndios florestais.
Nas dificuldades estruturais, saliento a falta de apoio do Estado ao voluntariado e o excesso de exigências, algumas delas burocráticas; Limitação da idade para a entrada nos bombeiros aos 35 anos; ausência de um quadro auxiliar de especialistas (Engenheiros florestais, civis, químicos. Médicos, enfermeiros, psicólogos. Mecânicos, motoristas, socorristas).
Por outro lado, no terreno, existem diversas entidades que assumem o combate inicial aos incêndios florestais, como especialistas em 1ª intervenção (conforme a legislação em vigor), mas na prática, o ónus do combate está nos bombeiros. É muito mais fácil ter taxas de eficiência no combate a fogachos, torna-se mais difícil em incêndios com mais de 10 ha, ainda mais com 100 ou 1000 ha. Diz um ditado popular que “quem come a carne, que roa os ossos”.
Não se pode continuar a passar a mensagem para a população, que uns são rápidos e bem treinados e que os outros não têm formação adequada (quando esta é a mesma e ministrada na mesma instituição).
Que mecanismos e meios têm à disposição para prevenção e combate e qual a vossa capacidade de resposta?
J.R.B. - Durante a fase bravo 1 ECIN 5 bombeiros (Equipa de Combate a Incêndios Florestais). Na fase Charlie 1 ECIN e 1 ELAC 5+2 bombeiros (Equipa Logística de Apoio ao Combate). 2 Grupos GIPS-GNR terrestres 2 helicópteros com brigada de 5 soldados. 1 Equipa de Sapadores Florestais. A capacidade de resposta é boa e rápida, permitindo que no Concelho não haja nenhum incêndio com mais de 10 ha desde 2005.
Quais as principais dificuldades encontradas no terreno?
J.R.B. - A falta de ordenamento florestal será o maior problema, reflectindo-se na falta de acessos, limpeza. Por outro lado, como estamos numa zona de monocultura do eucalipto, não existe descontinuidade florestal, o que aumenta significativamente o risco de um incêndio consumir uma parte importante da floresta. Este fenómeno, em Albergaria-a-Velha, ocorre sensivelmente cada dez anos.
O que pode a população fazer para ajudar ao vosso trabalho?
J.R.B. - A população é parte integrante do problema e da solução. Em primeiro lugar, limpar as zonas envolventes das suas habitações, criando uma faixa de descontinuidade mínima de 50 metros, permitindo que os incêndios florestais junto de povoações, não envolvam riscos urbanos. Assim, os bombeiros concentram-se unicamente no combate ao incêndio florestal.
Seguirem as instruções emanadas quer pelos bombeiros, quer pelas outras entidades; Não fazer queima de sobrantes durante a época proibida; não lançar foguetes; cumprir com as ordens de evacuação, etc.
Considera que as empresas locais que executam trabalhos florestais deviam ter um papel activo na prevenção e combate aos incêndios?
J.R.B. - Claro que sim. As empresas florestais são as primeiras interessadas em que não existam incêndios na floresta. Vivem da floresta, para a floresta e da floresta. Com a situação actual, só acumulam prejuízos.
A solução passa por fazerem plantações ordenadas e com um plano de DFCI (Defesa da Floresta Contra Incêndios).
Penso que uma das soluções para o futuro, será a constituição de ZIF’s (Zonas de Intervenção Florestal), visto haver a necessidade de emparcelar, para aumentar a dimensão de cada zona a intervencionar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)