A gastronomia é hoje um dos principais motivos de atracção turística de qualquer região. Para além disso, é também uma importante componente do turismo que, como é sabido, é o responsável por uma fatia substancial do PIB do nosso país, transformado, cada vez mais, num país de serviços, aproveitando a sua localização e clima.
Desde há alguns anos, a gastronomia é igualmente considerada “Património”, a classificar, a estudar, a preservar e divulgar, inclusive a certificar, como aconteceu recentemente com os Ovos Moles de Aveiro.
Apesar das instituições que têm obrigação de o fazer pouco ou nada terem feito, não se pense que o concelho de Albergaria-a-Velha não possui nada de relevante que não mereça ser preservado, estudado e salvaguardado, seja na área do património arqueológico, edificado, cultural ou mesmo gastronómico.
É precisamente sobre este último que aqui vos falarei hoje. Das suas qualidades e tradições, assim como das suas potencialidades e subaproveitamento para os mais diversos fins como o têm feito, e bem, grande parte dos concelhos nossos vizinhos.
Senão vejamos. Quem nunca provou e confirmou a excelente qualidade de alguma da gastronomia tradicional do nosso concelho? Quem nunca provou enguias fritas ou de escabeche, leitão assado, lampreias em arroz ou à bordalesa, peixinhos do rio fritos, ou vitela assada? Quem nunca provou pães ou padas, regueifas, pães doces, folares, broas, ou biscoitos diversos como, raivas, rosquilhas, bolos de gema ou turcos? Já para não falar em rabanadas e bilharacos?
Enfim, após esta pequena apresentação, afinal todos nós nos lembramos de que temos gastronomia diversificada e de grande qualidade.
Mas para além disso, esta não é uma gastronomia de hoje, sem raízes nem tradições, aproveitada e adaptada de outras terras ou regiões.
Na muita documentação que tenho consultado ao longo dos anos, pontualmente vou encontrando pequenas referências à nossa gastronomia. Por isso, aqui destacarei hoje o pão, o leitão e os biscoitos.
Primeiro o pão. Segundo um apontamento datado de 1882: os “bolos de pão alvo … da casa da Ti Quitéria do Agostinho, ou ainda da Ti Costa …. As duas boas creaturas indicadas … exerciam a vida de padeiras com o maior aperfeiçoamento e aceitação dos consumidores ainda de muito longe. A primeira fabricava pão para o ultimo Bispo de Aveiro, D. Manuel Pacheco de Rezende – tres vezes por semana era o Paço Episcopal fornecido; e ambas a seu turno o Convento de Serém. Muitas terras há que possuem especialidades a certo ramo da industria. Albergaria Velha dedica-se ao fabrico de pão, e é da sua labra o feitio dos pães emitando pujadas têtas, … sem se vêr igual em outra parte, a não ser por emitação”. Por aqui facilmente se vê como o pão confeccionado em Albergaria-a-Velha era afamado na região, e que outros aqui vinham consumir e imitar as nossas produções.
Depois o leitão. Um outro apontamento do final do século XIX informa-nos de que “entre os bons assadores de leitão, que é das melhores iguarias que em Albergaria se prepara, há o costume de o trazerem uma ou outra vez a arejar, depois de meio assado, para o constiparem, dizem. A pele assim torna-se mais quebradiça e a carne tenra e enxuta. A expressão “leitoeiro” utilizava-se quando se referiam a um apreciador de leitão”. Também esta pequena nota nos demonstra como era já tradição o leitão assado no nosso concelho, e como era já umas das principais iguarias que aqui se preparava.
Por fim, os biscoitos. Nesta matéria, existia em Albergaria-a-Velha desde o final do século XIX uma pequena fábrica de bolachas e biscoitos que atingiu grande fama na região, a “Loja Nova”, situada na Rua de Santo António, fundada por Joaquim Ribeiro e Silva.
Os seus produtos, de grande qualidade, eram equiparados aos melhores de Coimbra e Porto, e por esse motivo eram expedidos para todo o país. Mesmo depois do proprietário ter transferido residência para o Porto, os seus familiares aqui mantiveram a sua produção de escala mais regional por mais alguns anos. De entre os seus produtos, os mais procurados eram os biscoitos, raivas e folares da Páscoa. A tradição de confeccionar este género de produtos conseguiu manter-se viva ao longo dos anos, graças inicialmente à “Casa Turco” e actualmente a D. Margarida Ferreira, herdeira das receitas destes afamados doces regionais.
Por estas três amostras bem se antevêem as potencialidades da gastronomia do nosso concelho. Mas, se tudo isto não bastasse, ainda assistimos, impávidos e serenos, ao aproveitamento, e bem, com fins económicos e turísticos, por parte dos nossos concelhos vizinhos, de alguns destes produtos.
Senão vejamos: o pão. Quem ainda não foi ao Museu do Pão, em Seia, que ali atrai milhares de pessoas anualmente, ou ao Festival da Broa de Avanca, organizado pela Confraria da Broa ali existente. Ora sendo o concelho de Albergaria-a-Velha um dos que mais moinhos, moleiros e padeiros teve, porque nunca aproveitou esses recursos para fins semelhantes? O pão do Fontão e de Albergaria-a-Nova continua a ser do melhor que há.
Depois o leitão, que Águeda transforma na Festa do Leitão e ali faz deslocar milhares de pessoas, ou que Anadia e Mealhada divulgam há muitos mais anos de forma bem rentável. No nosso concelho, temos uma forma diferente de o assar, mais saudável, como se pode comprovar com o sucesso que é a “Casa dos Leitões” em Angeja.
As enguias enlatadas, que uma empresa da Murtosa exporta para todo o mundo, contrapõem com as que aqui podemos saborear, fritas ou de escabeche.
E as lampreias que Sever do Vouga transforma no Festival da Lampreia, ali levando milhares de pessoas, enquanto assistimos à sua passagem a subir os rios que existem na quase totalidade das freguesias do nosso concelho, sem delas fazermos aproveitamento económico e turístico, fosse com arroz ou à bordalesa. Ou a vitela, que também Sever do Vouga bem divulga e apresenta, enquanto nós por cá nos limitamos a prová-la sem grande divulgação. Até os folares que Ílhavo apresenta como bandeira concelhia, são aqui feitos com mestria e em nada lhes ficam atrás, com ou sem ovos.
Apenas os biscoitos diversos descendentes da “Casa Turco” ainda levam longe o bom nome de Albergaria-a-Velha, mas até quando? Parece que apenas a regueifa e o pão doce estão esquecidos e ainda ninguém se lembrou de os aproveitar para fins económicos e turísticos nos concelhos vizinhos, já que as rabanadas e os bilharacos são produtos mais sazonais. A título de curiosidade, as famosas cavacas típicas das Festas de São Gonçalinho, em Aveiro, foram este ano confeccionadas no nosso concelho, na Branca.
Agora, se a estas qualidades gastronómicas e potencialidades turísticas adicionarmos um outro condimento – a excelente localização geográfica do concelho de Albergaria-a-Velha –, então porque não salvaguardamos e divulgamos os nossos excelentes produtos gastronómicos, prestando diversos “serviços” ao mesmo tempo que salvamos o nosso “Património”, atraímos turismo, criamos emprego, geramos riqueza e divulgamos algumas das boas coisas que ainda existem no nosso concelho.
04-05-2010
Fonte: Dr. Delfim Bismarck, Portal de Albergaria
Após a leitura deste artigo, constato que o autor, na realidade, está atento à assimetria gastronómica do nosso concelho.
Somente comento três iguarias “serranas”, que há séculos vão para a mesa dos habitantes da freguesia da Ribeira de Fráguas.
Mesa sem vitela assada no forno (a lenha), nos dias das festividades locais, é situação rara.
Provavelmente uma herança secular do movimento migratório oriundo da região lafonense, para a nossa freguesia.
As regueifas e cavacas confeccionadas no lugar de Vilarinho de São Roque, são outro testemunho da gastronomia local.
Em jeito de brincadeira, com boa vontade, ainda ainda vamos formar a Confraria do Caracol, aqui pela Ribeira.
Um abraço.
Nuno Jesus, 6 de Maio de 2010, 19:21
Com a abertura da Escola Secundária e da Escola Preparatória Conde D. Henrique foi criada uma nova zona habitacional em Albergaria-a-Velha conhecida por "Novos Arruamentos das Escolas Técnicas". Com o tempo passou a ser conhecida apenas por "Novos Arruamentos".
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terça-feira, 6 de agosto de 2019
sexta-feira, 17 de maio de 2019
Nomes das ruas
Tal como eu, penso que muita gente desconhecerá que aquele espaço em frente ao cinema já teve o nome de Salazar. História é história e penso que era muito mais digno manter o nome de uma personalidade relevante, mesmo tendo sido, como foi o caso, um ditador, do que pôr às ruas nomes tão pouco significativos localmente como, por exemplo, Rua da Cruz Vermelha… para já não falar de casos caricatos passados noutros lados, como Av. Jorge Nuno Pinto da Costa em Marco de Canaveses ou a recentíssima Av. Dr. Manuel Pinho (esse mesmo, o ex-ministro dos corninhos) em Paços de Ferreira…
Condessa Mumadona, 14/09/2009 ás 11:46 am
Não sei se em Albergaria existe uma Rua com o nome Cruz Vermelha mas até é um nome digno. Quanto aos outros também não concordo. Também não concordo com os estádios Avelino Ferreira Torres, Pavilhão Municipal Dr. Rui Marques (como esteve previsto), etc…
O que é que Salazar terá feito por Albergaria de tão importante? Também não será mera politica? “A praça entre a Rua Almirante Reis e o caminho de ferro teve o nome de Salazar, até ser retirado em 1974.” (citando) Não estou a ver onde era mas parece que a Casa da Alameda ficava na Alameda Oliveira Salazar http://imagensdealbergaria.blogspot.com/2009/08/casa-alameda.html
lean, 14/09/2009 ás 5:49 pm
Escrevi “localmente”. Não está, obviamente, em causa o mérito da instituição, que é grande. Pode pôr-se em causa, sim, a sua relevância local que é nula, dado que a Cruz Vermelha nem sequer tem ou teve algum dia delegação em Albergaria. A rua com o nome de Cruz Vermelha existe realmente em Albergaria e não me parece haver razão suficiente para isso, mas foi apenas um exemplo. Ou então temos razão para pôr às ruas de Albergaria nomes como Liga Portuguesa contra o Cancro, Associação Beneficente Coração da Cidade ou Sport Lisboa e Benfica…
O caso de Salazar parece-me diferente. É, evidentemente, de motivação política e concordo que não teve também estrita relevância local, mas teve, sem dúvida, importância histórica como personalidade que influenciou directa ou indirectamente o destino de todos os portugueses, os albergarienses incluídos e nesse sentido, indiferente, amado ou odiado, foi realmente uma personalidade que marcou gerações e que estará sempre, para o bem e para o mal, indissociado da história de Portugal. Também dos albergarienses, portanto…e as revoluções mudam muita coisa, mas não mudam a história dos povos…
Condessa Mumadona, 15/09/2009 ás 1:12 pm
Portal de albergaria - Agosto de 2009
O Portal de Albergaria chegou recentemente ao fim. Houve uma primeira fase de maior relevância porque permitia os comentários. Mesmo que anonimamente permitia uma maior interactividade que nunca foi conseguido em tempos de "facebook".
A recuperação neste post destes comentários não é por qualquer ligação politica mas apenas por demonstrar algumas opiniões divergentes.
A alteração de nomes de ruas aconteceu noutras ocasiões como por exemplo na implantação da república. A referida artéria chama-se actualmente Alameda 5 de Outubro.
A comunicação social nacional tem publicado noticias com análises da toponímia a partir da base de dados dos CTT.
Ideologia nos nomes das Ruas, Observador, 2019
Figuras da ditadura dão nome a ruas em 78 concelhos JN, 2018
Condessa Mumadona, 14/09/2009 ás 11:46 am
Não sei se em Albergaria existe uma Rua com o nome Cruz Vermelha mas até é um nome digno. Quanto aos outros também não concordo. Também não concordo com os estádios Avelino Ferreira Torres, Pavilhão Municipal Dr. Rui Marques (como esteve previsto), etc…
O que é que Salazar terá feito por Albergaria de tão importante? Também não será mera politica? “A praça entre a Rua Almirante Reis e o caminho de ferro teve o nome de Salazar, até ser retirado em 1974.” (citando) Não estou a ver onde era mas parece que a Casa da Alameda ficava na Alameda Oliveira Salazar http://imagensdealbergaria.blogspot.com/2009/08/casa-alameda.html
lean, 14/09/2009 ás 5:49 pm
Escrevi “localmente”. Não está, obviamente, em causa o mérito da instituição, que é grande. Pode pôr-se em causa, sim, a sua relevância local que é nula, dado que a Cruz Vermelha nem sequer tem ou teve algum dia delegação em Albergaria. A rua com o nome de Cruz Vermelha existe realmente em Albergaria e não me parece haver razão suficiente para isso, mas foi apenas um exemplo. Ou então temos razão para pôr às ruas de Albergaria nomes como Liga Portuguesa contra o Cancro, Associação Beneficente Coração da Cidade ou Sport Lisboa e Benfica…
O caso de Salazar parece-me diferente. É, evidentemente, de motivação política e concordo que não teve também estrita relevância local, mas teve, sem dúvida, importância histórica como personalidade que influenciou directa ou indirectamente o destino de todos os portugueses, os albergarienses incluídos e nesse sentido, indiferente, amado ou odiado, foi realmente uma personalidade que marcou gerações e que estará sempre, para o bem e para o mal, indissociado da história de Portugal. Também dos albergarienses, portanto…e as revoluções mudam muita coisa, mas não mudam a história dos povos…
Condessa Mumadona, 15/09/2009 ás 1:12 pm
Portal de albergaria - Agosto de 2009
O Portal de Albergaria chegou recentemente ao fim. Houve uma primeira fase de maior relevância porque permitia os comentários. Mesmo que anonimamente permitia uma maior interactividade que nunca foi conseguido em tempos de "facebook".
A recuperação neste post destes comentários não é por qualquer ligação politica mas apenas por demonstrar algumas opiniões divergentes.
A alteração de nomes de ruas aconteceu noutras ocasiões como por exemplo na implantação da república. A referida artéria chama-se actualmente Alameda 5 de Outubro.
A comunicação social nacional tem publicado noticias com análises da toponímia a partir da base de dados dos CTT.
Ideologia nos nomes das Ruas, Observador, 2019
Figuras da ditadura dão nome a ruas em 78 concelhos JN, 2018
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Rui Marques
Sem querer fazer política, mas porque a história faz-se (também…) de factos e de realidades indesmentíveis, ainda que por vezes o tempo as desvaneça, convém lembrar que o Dr. Rui Marques teve um primeiro mandato muito bom, um segundo mandato assim assim (se me é permitido usar esta linguagem falando do desempenho de um cargo…) e um último mandato na verdade muito mau ou mesmo, na opinião de muita gente descomprometida com quem se fala e que vota (…), desleixado e desastroso em muitos aspectos e foi esse deslizar para o abismo que tornou possível que um então relativamente desconhecido presidente da Junta de Alquerubim tivesse chegado a presidente da Câmara Municipal de Albergaria.
Mesmo que apenas com os tais cento e tal votos que naquele caso representaram, dado o anterior prestígio do Dr. Rui Marques e a notória implantação do partido que o apoiava, particularmente em Albergaria, na Ribeira de Fráguas e em S. João de Loure, mais do que uma grande vitória de João Agostinho, uma fortíssima penalização a uma certa arrogância e a um certo autismo que os anos prolongados no topo às vezes tendem a proporcionar. É que o povo é sereno, como dizia o outro, mas por vezes não anda tanto a dormir como alguns pensam…
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Árvores e Candeeiros
![]() |
| notícia de 1931, Gazeta de Albergaria |
O Deputado José Luís Ferreira, do Grupo Parlamentar “Os
Verdes”, questiona o Ministério da Agricultura, Mar, do Ambiente e do
Ordenamento do Território, sobre o abate de árvores centenárias, tílias, em
Albergaria-a-Velha.
Considera que se trata de árvores que “não apresentavam sintomas de problemas sanitários ou outros e que faziam parte do património cultural e arbóreo, marcante de tantas gerações de albergarienses”. O deputado ecologista quer saber quais os motivos que levaram a este abate e também os planos futuros que existem para aquele local.
Na base da questão está o abate de nove tílias centenárias no largo do Torreão, junto da entrada principal da Quinta da Boa Vista, precisamente junto do local onde decorrem as obras de construção da Biblioteca Municipal de Albergaria.
Recorde-se que este caso motivou uma tomada de posição de populares que se recusaram a retirar veículos estacionados no largo como forma de protesto.
05-06-2012 (Fonte: Rádio Terranova )
---
Francisco Silva, 7 de Junho de 2012
As árvores não só não estavam doentes, como não causavam qualquer problema nas fundações. São, aliás, espécies indicadas para serem plantadas nas cidades. Mais: eram seres vivos insubstituíveis e que faziam parte da cidade, cujos cidadãos tinham direito a usufruir. Que idade é que você tem? Que gravetos é que quer ver ali a crescer, para si, para os seus filhos e para os seus netos? O que você não percebe é que a cidade, qualquer cidade, é para as pessoas e para ser vivida pelas pessoas; as cidades não são objectos que estão ao serviço de um poder político qualquer, que não tem a mínima ideia do que é o planeamento. Qualquer albergariense que se preze já devia estar farto de ver as fachadas que fazem a identidade citadina emparedadas ou, pior, destruídas: são boas para depois vermos nos postalinhos, não é? Para dizer aos filhinhos e aos netinhos como era isto antigamente, não é? Será que você merece a cidade que tem?---
RC, 7 de Junho de 2012
De há uns anos para cá, desde a importação da moda dos movimentos ditos ecologistas e dos partidos ditos verdes, floresceu a ideia de que o que é verde, não se pode cortar… Esteja o ciclo de vida no limite, seja por que razão seja, natural ou da conveniència humana, é verde, não se pode cortar… Enfim, o oito ou oitenta, o exagero, o extremisto tão à portuguesa…Recordo a polémica intensa ocorrida há alguns anos a propósito do abate das árvores, também centenárias e muito mais frondosas e vistosas do que estas tílias do Torreão, que escondiam a fachada do edifício da Câmara Municipal… O que se disse, as sentenças condenatórias que algumas mentes ecológicamente ultrasensíveis anunciaram aos quatro ventos quando se soube que as árvores iriam ser abatidas… Atentado ambiental, crime ecológico, vilipêndio da memória dos albergarienses, o diabo a sete!…
As árvores foram, apesar dessas visões catastrofistas dos pretensos salvadores da Natureza, realmente abatidas. E hoje… Alguém nota a falta?… Alguém pensa que ficou desvalorizada a estética paisagista do jardim e da fachada municipal?… Alguém acha que a percentagem de dióxido de carbono tornou o céu albergariense mais perigoso?…
Vai Albergaria passar à categoria de deserto apenas porque se decidiu abater nove tílias centenárias numa perspectiva de valorização do património construido, não se sabendo, sequer, neste momento, o que vai ser a futura decoração daquele espaço que até poderá passar por um complemento paisagista natural?…
Enfim… há albergarienses que são uns exagerados!…
---
Campinho a Capital, 7 de Junho de 2012
O Francisco Silva também ainda deve ser novo… pela teoria dele a alameda em frente ao cinema ainda estava cheia de ameixieiras e diospireiros, o chão ainda era de terra batida e estava sempre cheio de diospiros e ameixas esmagadas e de ramos esgaçados pela miudagem a subir às árvores… nem sei se sabe do que é que eu estou a falar… Também nem se deve lembrar do que era o centro de Albergaria a Velha há trinta anos, estavam lá realmente as tílias, mas não estavam as centenas de árvores que foram plantadas nesses trinta anos nas ruas da cidade, não estavam lá os relvados junto ao pavilhão e às piscinas… se alguma coisa se fez nesta terra nos últimos trinta anos foi aumentar as árvores plantadas, mude de teoria para dizer mal, não venha com política para isto, que em matéria de natureza nunca se fez tanto em Albergaria a velha como nos últimos trinta anos, parece que você é que ainda é muito novo…---
Francisco Silva, 7 de Junho de 2012
Anda muita confusão por essas cabeças. Já percebi que o progresso da nossa cidade é meter betão em cima da terra. Se calhar assim parece mais cidade. Qual é a justificação para cortar as tílias? Valorização do espaço? Não me façam rir. Pelo que sei, o poder público nunca justificou o acto inqualificável; devia fazê-lo! As cidades valem também pela identificação que a sua população consegue fazer dela; eu, e muitos albergarienses, revemo-nos naquilo que a nossa cidade nos pode oferecer. E Albergaria já tem muito pouco para oferecer nesse campo. E com o actual poder poder público tem cada vez menos.Por acaso sabiam que a casa do Torreão tinha murais e frescos (ou afrescos) nos tectos e paredes, pintos há cerca de 100 anos? E sabem o que lhes aconteceu? Foram destruídos; em nome do progresso, certamente. Por que não preservá-los? Por que não fazer um projecto que contemplasse a sua preservação, um motivo em que a população se pudesse rever? O exemplo das tílias é só mais um. Já agora, não acho nada bem que se tenham abatido as árvores frente à câmara; nem acho nada bem que se tenha destruído o café Girassol para se construir um mamarracho. Mas eu ainda tenho memória disso, porque os mais novos só tem memória de espaços citadinos anódinos, feios, que mais parecem os subúrbios ou os dormitórios das grandes cidades. Mas parece que é isso que querem os meus conterrâneos… Será?
---
Luis Castro, 7 de Junho de 2012
Eu não sei, e admito isso, qual foi o principal motivo que levou o executivo camarário a remover as ditas tílias do local. O que é facto, e volto a reafirmar, é que os paralelos junto a estas tílias estavam TODOS levantados. De qualquer forma, já ouviu falar em enquadramento paisagístico ou reorganização paisagística? Sim, isso também acontece nas cidades!Se fossem árvores que ao olharmos para elas dissessemos “Eh pá, realmente eram tão bonitas e fazem aqui tanta falta!” A verdade é que não o eram (na minha opinião) e tornaram a praça muito mais arejada. Acredita que alguém ia de propósito ao largo da Quinta do Torreão para ver as árvores?
Concordo com o RC quando diz que “Alguém pensa que ficou desvalorizada a estética paisagista do jardim e da fachada municipal?… Alguém acha que a percentagem de dióxido de carbono tornou o céu albergariense mais perigoso?…”
Relativamente ao Café Girassol, estou plenamente de acordo consigo. O que ali está é um autêntico mamarracho. Foi uma das primeiras obras do Dr. Rui Marques e que desde sempre foi um projecto mal nascido. O arquitecto desse edifício é o mesmo do Centro de Saúde….
De qualquer forma, pelo que se consta, não estará ali muitos mais anos por isso, não se preocupe!
O senhor é mais um bacoco moralista. Quem lhe disse a si que os murais e frescos tinham sido destruídos em prol do progresso? Para que o senhor saiba, esses ditos murais e frescos foram removidos no início das obras e encaminhados para restauro.
---
RC , 7 de Junho de 2012,
… é a primeira vez que leio alguém a lamentar o abate das árvores que ofuscavam inutilmente a fachada do interessante edifício da nossa Câmara Municipal. E olhe que críticas antes do abate, ouvi muitas, mas elogios ao resultado final, ouvi ainda mais…
---
Francisco Silva, 11 de Junho de 2012
Ou seja, tectos e pinturas do edifício da futura biblioteca foram de facto destruídos e não têm qualquer recuperação possível. E só não foram TODOS destruídos porque alguém se lembrou de avisar que seria um crime essa destruição. E porque o interior do edifício está documentado há muitos anos. E que essa destruição até poderia ser usada como trunfo político. Mas se era uma riqueza do concelho, ou da cidade, deixou de o ser. Desapareceu.De resto, é uma imbecilidade confundir a destruição de património com progresso. Não sei onde esta gente vive, mas em Albergaria até parece que progresso rima com retrocesso.
(…) quando se constrói/recupera um imóvel tem que se ter em conta o que lá existe, o que é possível e deve ser recuperado, incluindo as árvores. Nada disso foi feito aqui. O que revela que este poder local não sabe muito bem ao que anda. Ou se calhar sabe muito bem, porque esta é uma das formas de despender mais dinheiro numa obra projectada. Claro que ninguém está preocupado com isto, afinal, trata-se de dinheiro público e a avaliar pelos comentários, o dinheiro público é para desperdiçar.
(…) aqui há uns anos, em Angeja, foram abatidas umas dezenas de árvores seculares, oliveiras, se não estou em erro. O poder local de então começou por dizer que estavam doentes. Mentira. E depois lá se foi sabendo que afinal as árvores foram cortadas para lenha… Perguntem a qualquer angejense com memória, porque hoje, no seu lugar, apenas estão lá uns gravetos sem sentido, na Rua da Várzea.
---
Luis Castro, 11 de Junho de 2012
Vamos lá ver se entendi: Francisco, quer dizer, então a biblioteca devia ser no sitio onde será mas o edifício não deveria sofrer aquelas obras profundas certo? Devia ser no lugar da antiga padaria. Boa ideia! Até se podia aproveitar os balcões de atendimento e tudo!O sr. continua a afirmar incessantemente que os quadros foram destruídos. Continuo a dizer-lhe que o que diz não tem fundamento porque, como já lhe referi anteriormente, essa foi uma das preocupações da CM (conhecendo o valor das obras) no início da construção da biblioteca. A verdade é que muitas das pinturas (que as conheço) estavam num estado lastimável que a sua recuperação e restauração eram praticamente impossíveis.
---
Sousita, 13 de Junho de 2012
Para que é que precisamos daquelas árvores, ora essa?! Era bom termos uma praça em condições, onde se pudesse estar, mas afinal foi tudo para os bibliotecários poderem ter o seu pópó à porta. Progresso, dizem os saloios… Agora vamos proteger-nos do sol debaixo da sombra dos carros e vamos respirar o seu fumo. E os tectos, património de todos, para que servem?! Ora, em nome do progresso, e porque este se quer de grandes mamarrachos, lá se foi o património. É bem, porque a gente vive é de betão… Com aquele cubo nas traseiras do torreão, deve ter sido por falta de espaço… Mas também, numa terra onde se destruiu um cine-teatro majestoso por um ao estilo de pré-fabricado, onde a maior e mais antiga fábrica vai caindo aos poucos, onde existem (?) vestígios arqueológicos na zona industrial, que poucos conhecem, onde se deixou cair o edifício garagem, onde se fizeram obra duvidosas como o edifício do paços do concelho, já nada admira… e o povão até aplaude!
Mas o pior disto tudo, é que se está tudo a conjugar para colocarem mais
candeeiros daqueles bonitos, tipicamente históricos, que adornam a zona
histórica da cidade… e mais uns cubos com umas couves… de preferência com o
passeio rebaixado, como na rua da igreja à santa cruz, ou na rua de sto antónio, para se poder
estacionar à vontade em cima dos passeios.
---
JF, 13 de Junho de 2012Sousita, quanto aos candeeiros…vamos esperar para ver, mas aqueles mastros inclinados apontados ao céu em frente ao Cine-Teatro não auguram nada de bom. Palpita-me que nisso vamos estar de acordo. Para já apenas me fazem lembrar os que em tempos colocaram na Rua de Santo António: abortos, mamarrachos, aberrações, revelações de uma imensa ignorância para além da parte estética, porque se esta é discutível, a questão histórica nem por isso…
[completo]
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Portal de Albergaria

O objectivo do Portal de Albergaria é concentrar a informação dispersa sobre o Concelho de Albergaria-a-Velha.
Neste ambiente virtual, em constante actualização, os cibernautas podem encontrar diversos artigos sobre o Município, conteúdos multimédia, factos históricos, notícias, eventos culturais e desportivos, ou seja, um conjunto de dados espalhados por vários lugares, tais como órgãos de comunicação social, paginas Web de instituições ou colectividades e blogs.
Através da disponibilização de informação de forma livre e gratuita, os mentores do projecto procuram incentivar a criação, inovação e a cooperação entre os autores dos conteúdos e os utilizadores Albergarienses. Assim sendo, convidam todos os munícipes a colaborar com o portal, enviando artigos de opinião, de interesse público ou histórico, eventos organizados por colectividades, festas, vídeos ou fotos do Concelho. O e-mail é noticias@portaldealbergaria.com
O portal já está online no endereço http://www.portaldealbergaria.com/.
CMA
Neste ambiente virtual, em constante actualização, os cibernautas podem encontrar diversos artigos sobre o Município, conteúdos multimédia, factos históricos, notícias, eventos culturais e desportivos, ou seja, um conjunto de dados espalhados por vários lugares, tais como órgãos de comunicação social, paginas Web de instituições ou colectividades e blogs.
Através da disponibilização de informação de forma livre e gratuita, os mentores do projecto procuram incentivar a criação, inovação e a cooperação entre os autores dos conteúdos e os utilizadores Albergarienses. Assim sendo, convidam todos os munícipes a colaborar com o portal, enviando artigos de opinião, de interesse público ou histórico, eventos organizados por colectividades, festas, vídeos ou fotos do Concelho. O e-mail é noticias@portaldealbergaria.com
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Republicada no PORTAL DE ALBERGARIA onde provocou uma troca de palavras mais ou menos acesa:
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Luis Castro, 5 de Junho de 2012
Outra vez esta conversa sem jeito nenhum?Voltamos a bater no ceguinho novamente!
E agora, o que é que querem que a câmara faça? Não pensaram que as raízes das ditas tílias poderiam estar a causar problemas nos edifícios adjacentes? Como era visível, muitos dos paralelos já estavam levantados por causa das raízes. Ah e tal agora porque eram centenárias não se podiam abater. Além disso, na minha opinião, estéticamente não ficavam nada bem! Há tantos outros assuntos tão mais importantes na NOSSA TERRA! A biblioteca será, como já é o Cineteatro Alba, uma importante infraestrutura para a NOSSA CIDADE!