Mostrar mensagens com a etiqueta balanços. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta balanços. Mostrar todas as mensagens

domingo, 30 de abril de 2023

Mário Branco

Uma entrevista que faltava fazer a Mário Branco, médico reformado e Presidente da Assembleia Municipal de Albergaria-a-Velha, eleito pela lista de António Loureiro, em 2013. Ocupa este lugar há 10 anos e revela, agora, em exclusivo ao Aveiro TV, como foi e está a ser ocupar este cargo.

Mário Branco opina também sobre a evolução do concelho nestes últimos 10 anos e afirma também que tem tido a sorte de ter uma Assembleia Municipal com pessoas que sabem estar e fazer política ao mais alto nível, embora não esconda que já houve situações mais quentes em algumas sessões.

O Covid foi uma fase que o marcou, havendo a necessidade de adaptar a forma como decorriam os trabalhos da Assembleia Municipal, bem como o acesso às mesmas, pelas pessoas que queriam interagir com este órgão municipal. 

Acabando-se este mandato, garante que se retira da vida política, e insta os mais jovens a saírem da sua zona de conforto e a participarem ativamente na política, pois só assim a mudança acontece e os territórios evoluem.

video https://www.youtube.com/watch?v=-lArpqtYf1o



quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Território com Passado, Pesente e Futuro


ALBERGARIA-A-VELHA, UM TERRITÓRIO COM PASSADO, PRESENTE E FUTURO

Os territórios que hoje constituem o concelho de Albergaria-a-Velha, com uma área de mais de 160 kms2, testemunham uma ocupação humana desde cerca do IV milénio a.C.

É um território de características diversificadas, que se estende desde a Ria de Aveiro, a poente, até ao alto do antigo telégrafo de Vila Nova de Fusos, a nascente, a cerca de 330 metros de altitude, apresentando, por isso, características ribeirinhas por um lado e quase serranas por outro.

Estas terras são cruzadas e servidas por uma riqueza hídrica cujos principais protagonistas são: o Vouga, o Caima, o Fílvida, o Jardim e o Mau, para além das muitas ribeiras que os servem.

Se a estas características juntarmos solos férteis, muitos deles de aluvião, um clima temperado Atlântico, e uma centralidade invejável junto às principais vias de comunicação do país desde tempos imemoriais, facilmente compreendemos as razões que levaram a ser esta uma região tão apetecível para a fixação humana ao longo dos séculos.

A propósito da comemoração do centenário da ALBA, empresa marcante para o nosso concelho, para a região e para o país, lembramos aqui as seculares atividades moageira, mineração, cerâmica e papeleira, entre outras, que começaram por fazer do território do concelho de Albergaria-a-Velha um pólo de fixação de população e de atração de empreendedores. Depois veio a celulose e a silvicultura, mais tarde a fundição e um sem número de atividades económicas diversas, muitas delas com grande vocação exportadora.

Empreendedorismo, inovação e localização estratégica, terão sido os fatores cruciais para o desenvolvimento e sucesso da indústria nesta região levando a que, Albergaria-a-Velha seja um concelho com uma baixa taxa de desemprego.

Assim, está em curso a ampliação da Zona Industrial de Albergaria-a-Velha, através da abertura de um novo arruamento industrial e da disponibilização de mais de 17 hectares de terrenos para instalação de atividades económicas, bem próximo da nova ligação ferroviária que o atual governo pretende construir.

Depois de definidos os principais eixos estratégicos a médio e a longo prazo, no sentido de promover um desenvolvimento sustentado e sustentável da nossa comunidade, os últimos tempos têm tido uma especial concentração de investimento na Zona Industrial, Ação Social, Educação e Ambiente, sem descurar a Cultura, o Património, o Urbanismo e o Desporto.

Com um orçamento limitado, tem havido o esforço financeiro de requalificar um sem número de edifícios municipais, alguns dos quais sem intervenções há cerca de duas décadas, como: Pavilhão Municipal, Mercado Municipal, Centro Coordenador de Transportes, Unidades de Saúde, Escolas, equipamentos desportivos, entre tantos outros.

Para além disto, o desejo de qualificar cada uma das freguesias do concelho com parques, praças e zonas verdes, tem sido uma realidade, estando também o Parque da Cidade de Albergaria-a-Velha em fase final de projeto e os terrenos parcialmente adquiridos, bem como uma candidatura para a execução de um percurso pedestre com passadiços nas margens do rio Caima, inserido em pleno parque molinológico.

Também uma casa da memória do concelho está em marcha,estando já o programa do futuro Museu do Concelho de Albergaria-a-Velha em execução.

Estamos certos que este será o melhor caminho a seguir. 

Albergaria-a-Velha é, sem dúvida, um concelho onde vale a pena viver, trabalhar e investir.

DELFIM BISMARCK (Vice-Presidente da Câmara Municipal)

Editorial do Boletim Municipal nº 55


sexta-feira, 5 de abril de 2019

Litoral Magazine - Entrevista a Delfim Bismarck


O vice-presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha e vereador da cultura, Delfim Bismarck, revela que o projeto cultural para o concelho passa por um setor que muitas vezes é esquecido: o da identidade histórica e cultural.

Com vários projetos a decorrer nesta área, acredita que cidadãos mais informados serão mais capacitados e ativos. Em entrevista à Litoral Magazine, garante que conhecer a nossa história e o nosso património é um fator diferenciador na identidade territorial. “Só se ama aquilo que se conhece!”

LM - Explique-me a estratégia cultural do município para 2019?

DBF - Para 2019, a estratégia cultural do município vem na sequência dos anos anteriores, nomeadamente no que diz respeito à criação de públicos e do reforço da identidade histórica e patrimonial do concelho. Sem estes, estaríamos a programar e a investir dinheiros públicos sem retorno. Daí a nossa preocupação em criar uma oferta cultural transgeracional muito diversificada, não indo atrás de tendências ou modas que na sua maioria não trazem mais-valia alguma para o território.

LM - O orçamento mantém-se igual relativamente ao ano passado?

DBF - De uma forma geral sim. Deveremos rondar 1,1 milhões de euros de investimento na área da cultura, entre atividades, apoio a coletividades, programação no cineteatro Alba, na biblioteca e no arquivo municipal, escavações arqueológicas, edições, entre outros, não incluindo encargos com as referidas instalações nem custos com o pessoal.

LM - O que Albergaria-a-Velha pode esperar para este ano?

DBF - Para além da natural consolidação de uma programação eclética, existirão algumas novidades que passam pelos primeiros passos na criação de um museu, a organização de uma conferência internacional na área das bibliotecas, a ampliação da Rota dos Moinhos, e a aquisição de mais um sítio arqueológico de relevo para posterior escavação e estudo.

LM - Qual o objetivo da criação do museu?

DBF - Será um museu onde serão realçados os mais importantes contributos para a história regional e nacional, pois os territórios que compõem o concelho de Albergaria-a-Velha foram, em diversos períodos, extremamente importantes para a história nacional, fosse na pré-história, na Idade Média, na história da indústria moageira, papeleira, de mineração e de fundição, ou ainda na 2.ª Invasão Francesa, na Monarquia do Norte, entre outras. A ideia é criar um museu que conte estas e outras histórias, uma vez que a maioria da população não tem noção do papel de Albergaria-a-Velha na História de Portugal.

LM - Qual a importância do Festival do Pão para a promoção do concelho e dos seus recursos?

DBF - O Festival do Pão de Portugal insere-se numa estratégia integrada na área do Turismo e Património, planeada pela autarquia. Assim, considerando a diversidade e qualidade dos recursos do município ao nível dos produtos locais e da gastronomia, bem como de um conjunto de recursos turísticos com elevado potencial e, por outro lado, a oportunidade de a partir deles conceber novas ofertas territoriais que potenciem o concelho na sua globalidade e onde este se possa diferenciar pela positiva, o tema do pão (e tudo a ele associado, como sejam os moinhos ou a indústria de panificação) surge como uma oportunidade a explorar em Albergaria-a-Velha.

LM - E o Albergaria ConVida?

DBF - O Albergaria ConVida, sendo outro dos grandes eventos anuais, já não é tão diferenciador, uma vez que gastronomia, artesanato e grandes concertos existem um pouco por todo o lado. No entanto, com o Festim – Festival Internacional de Música do Mundo e com os grandes nomes nacionais em concerto, temos conseguido atrair a este festival milhares de pessoas naquele que é um dos momentos altos da animação cultural do concelho.

LM - De que forma a Rota dos Moinhos contribuiu para a reconstrução do património da região?

DBF - Sendo Albergaria-a-Velha o concelho de toda a Europa com mais moinhos de água inventariados, mais de 350 moinhos, entendeu a autarquia divulgar e promover todo esse vasto património edificado, criando a Rota de Moinhos do concelho de Albergaria-a-Velha. De facto, esta é uma temática que pela sua expressão cultural do território e componente da sua identidade regional, constitui-se como um importante elemento diferenciador e de elevado potencial. Assim, temos assistido, gradualmente, ao aumento do número de moinhos recuperados, ao aumento do número de moinhos inseridos na Rota dos Moinhos e ao aumento do número de visitantes à mesma.

LM - Albergaria-a-Velha tem uma iniciativa única na região: o Festival Risorius. Que mais-valias trouxe para o município?

DBF - O Risorius, Festival de Humor e Arte, tem vindo a consolidar outra das marcas culturais de Albergaria-a-Velha no panorama nacional. Graças ao médico e humorista Carlos Vidal, mentor deste festival, a quem damos total “carta-branca” para programar edição após edição, este festival é já uma referência a nível nacional, tendo por aqui passado os principais nomes nacionais nesta matéria. Recentemente, com a realização do programa “Governo Sombra”, durante o festival, este teve, uma vez mais, grande mediatização nacional.

LM - Qual a iniciativa cultural que considera ter sido a mais vantajosa para o concelho?

DBF - De todas as referidas anteriormente, creio ter sido o Festival do Pão de Portugal, pois a sua visibilidade na comunicação social nacional ultrapassa todos os eventos, mesmo a Expo-Florestal. E esse facto, só por si, reforça a competitividade de Albergaria-a-Velha e valoriza a sua identidade. É curioso como a diáspora Albergariense começou a lidar com o facto de o seu concelho estar nos canais televisivos nacionais por bons motivos. No passado, este tipo de visibilidade era escassa e quase sempre negativa, com alusões aos incêndios e à prostituição.

LM - De que forma considera que a população se sente envolvida com a programação do Cineteatro Alba?

DBF - O facto de a programação ser “um pouco para todos os gostos” contribuirá para isso. Naturalmente que existem ainda pessoas sem hábitos culturais, daí a nossa preocupação em chegar a essas “franjas” para que adquiram esses hábitos e não se sintam excluídos.

LM - Qual o papel da Biblioteca Municipal de Albergaria-a-Velha na promoção da cultura?

DBF - A biblioteca municipal é o principal equipamento municipal de difusão cultural. Para além de espaço de leitura, ali decorrem exposições, conferências e atividades muito diversificadas para públicos de todas as idades. Para se ter uma noção do que estamos a falar, só no ano passado foram cerca de 30.000 visitantes (160.000 desde a sua abertura ao público em 2013). Com cerca de 30 mil visitantes na última edição, este evento é, de longe, o evento concelhio de maior visibilidade nos órgãos de comunicação social nacional.

Litoral Magazine, 29/03/2019

Aproveitamos para recuperar parte de uma outra entrevista realizada em 2016:

A estratégia que temos vindo a implementar, não apenas para 2016 mas para o atual mandato, assenta na consolidação de um modelo de desenvolvimento que alie a cultura, a educação e a economia, de modo a atrair e fixar pessoas e atividades criativas e empreendedoras. Dinamizamos a atividade cultural nos diversos equipamentos culturais do Município através da valorização, do apoio e da promoção de diversas iniciativas e eventos. Apoiamos a ação dos agentes culturais locais, incentivando o associativismo e a preservação dos valores culturais tradicionais. Nestas áreas temos a destacar o Festival Pão de Portugal, um grande evento de dimensão nacional que atraiu cerca de 27 mil pessoas, em 2015, em volta da gastronomia e de um elemento tradicional que tem uma grande história na nossa região. Trata-se de um evento em que apoiamos a produção cultural local, uma vez que durante o festival há diversas apresentações e espetáculos produzidos por associações ou grupos albergarienses, o que permite evidenciar a qualidade do que se faz no concelho. A Rota dos Moinhos é outra das vertentes desta política. O levantamento e inventariação dos mais de 300 moinhos de rodízio no concelho, permite a preservação destes engenhos com mais de um século; o desenvolvimento de turismo de natureza; a preservação do património cultural e natural e a atração de visitantes de Portugal e do estrangeiro. Em 2014, por exemplo, a Rota dos Moinhos foi visitada por 406 pessoas, em 2015 foi visitada por 689 e esperamos aumentar esse número em 2016.

Outra vertente desta política é a preservação de sítios arqueológicos de interesse, continuando escavações em locais que estavam ao abandono há décadas, valorizando-os e ou musealizando-os, como são o caso das Mamoas do Taco, monumentos funerários com cerca de 5.000 anos, ou do Monte de São Julião, na Branca. A aposta que temos levado a cabo com a identificação e valorização dos Caminhos de Santiago, no caso o Caminho Português e o Caminho Caramulo/Vouga, é outro aspeto desta política cultural que alia turismo, natureza, património e religião.

Lançámos também uma política de estudo, inventariação, preservação, conservação, classificação e divulgação do património natural, histórico, cultural e arqueológico do concelho, como forma de valorização do território e do património, tornando-o mais competitivo, atrativo e diferenciado. Destaco aqui o lançamento da revista Albergue, uma publicação anual sobre a História e o Património de Albergaria, que permite mostrar a riqueza do território, não só às pessoas de fora, mas também aos próprios albergarienses.

Temos garantido igualmente apoio a edições temáticas de interesse cultural, como o catálogo da exposição da Cinemateca Portuguesa e do Museu do Neorrealismo, que assinala o centenário do nascimento do cineasta albergariense Manuel Guimarães, ou o documentário “Alba – Uma marca ao serviço da comunidade”, sobre o fundador da Fábrica Metalúrgica Alba.

Litoral Magazine, 26/02/2016

Delfim Bismarck é natural de Albergaria-a-Velha. Em 2013, aceitou o desafio lançado por António Loureiro, presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha para assumir as funções de vice-presidente e vereador da Cultura. Para Delfim Bismarck, Albergaria-a-Velha é um concelho bem localizado onde a indústria, o ambiente e a cultura se fundem e onde vale a pena investir, viver e visitar.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Litoral Magazine Agosto 2016

http://litoralmagazine.com/100-milhoes-euros-investimentos-albergaria-velha/

“Mais de 100 milhões de euros de investimentos em Albergaria-a-Velha”

Entrevista a António Loureiro. Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha

Qual o balanço destes quase três anos de mandato?

No contexto global, com a equipa que tenho, considero que temos feito um trabalho que tem sido reconhecido pela população.
Este é um projeto a oito anos, e o balanço destes quase três é positivo, porque é extremamente gratificante pegarmos no nosso programa e vermos como o temos cumprido.
Tínhamos consciência de que íamos entrar no fim de um quadro comunitário e no início de outro, para além de recebermos menos receitas provenientes da AdRA – Águas da Região de Aveiro. Ou seja, que iria haver menos investimento, como está a acontecer em todos os municípios, e por isso, foi necessário preparar Albergaria para o futuro. Desta forma, desenvolvemos um conjunto de ferramentas, para além do investimento nas pessoas. Neste último aspeto, é para nós gratificante vermos a atividade que temos desenvolvido na ação social, na educação, no desporto, na cultura. E ainda, num pilar que é essencial: a economia. E aqui começa todo o desenvolvimento.

Como é que o Executivo coopera na criação desse desenvolvimento?

Começámos com a discussão do Plano Diretor Municipal (PDM), em plena campanha eleitoral. Dizíamos que era possível melhorar significativamente o PDM e o seu regulamento, nomeadamente que era possível aumentar a área da zona industrial. E não é à toa que entrámos na Câmara e conseguimos aumentar os terrenos destinados a solo industrial em 52%. Primeira promessa cumprida, com um regulamento mais amigo do cidadão, dos empresários, e que permite captar investimentos para o nosso Município. Começam a aparecer empresas a investir em Albergaria e cada vez mais vão surgir novos investimentos.
Neste momento, para os próximos tempos temos mais de 100 milhões de euros de investimentos, para Albergaria, em termos de indústria. Se as pessoas estiverem atentas, verão as gruas na zona industrial.

E que outras medidas existem por parte do Município no estimulo à economia local e à criação de novos postos de trabalho?

Para além do aumento da oferta dos terrenos da zona industrial, e da criação de um regulamento mais amigo do cidadão e do empresário, baixámos os impostos. Não nos podemos esquecer que o Município de Albergaria, de acordo com o Anuário dos Municípios Portugueses do ano passado, foi o 9º Município com maior redução de impostos.
No primeiro ano, baixámos o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), que passou de 0.4% para 0.3%.
A nossa aposta é a captação de investimento, e por isso, todos os anos temos baixado a derrama para as empresas. Desde 2014 baixámos esta taxa de 1,35% para 1,25% e criámos uma taxa de derrama reduzida de 0,25% para as empresas com um volume de negócios inferior a 150 mil euros.
Com esta baixa de impostos, o Município deixou de arrecadar mais de dois milhões de euros anuais. Num orçamento de 14 milhões da Câmara Municipal, dois milhões é um valor significativo.
Temos também um projeto inovador a nível nacional, cujo regulamento outros municípios já seguiram, que é o apoio à criação do próprio emprego. No ano passado apoiámos doze projetos, que já criaram mais de vinte postos de trabalho, e em que é dado um incentivo até quatro mil euros no primeiro ano de atividade.

O Executivo tem investido nos setores da Educação e da Ação Social. No âmbito da Ação Social quais foram as principais áreas de intervenção?

Exclusivamente na área da Ação Social, mantivemos os programas que existiam no Município e focámo-nos em duas vertentes: na vertente da infância e juventude e na vertente da idade sénior. Para além disso, também nos focámos no apoio na integração, na inclusão, na deficiência, e também ao nível da habitação social. Estas foram as áreas mais privilegiadas.

Que medidas foram implementadas no apoio à habitação social?

Na habitação social não aumentámos, nem pretendemos aumentar, o número de fogos. Após uma análise à habitação social e à sua qualidade, decidimos que o caminho seria por outro tipo de apoio. Criámos um Regulamento de Apoio ao Arrendamento Urbano, para motivar as pessoas a desconstruir a ideia que têm sobre a habitação social. Provavelmente será uma medida que perdurará no tempo. No fundo, podemos dizer que existem medidas de apoio à habitação, mas diluídas na comunidade, apoiando os munícipes no arrendamento.

Quantos arredamentos foram apoiados este ano?

Cerca de cinquenta.

E qual foi o orçamento?

75 mil euros.

Que ações foram desenvolvidas no âmbito da integração dos deficientes?

Trabalhámos um Programa de inclusão, designado “Incluir +”. Criámos uma sala de estimulação e de integração sensorial, numa parceria com a Misericórdia – que nos cedeu as instalações gratuitamente – e envolvendo o tecido empresarial, através de mecenato. Conseguimos abrir uma sala de Snoezelen e uma sala de Integração Sensorial, destinadas quer às crianças e jovens que temos nas unidades de autismo e de multideficiência, quer à população sénior. E ainda, a outras crianças e jovens que, não estando em estruturas de educação e ensino, estão na rede social e também na rede privada, ou indicados pela intervenção precoce.

Quantas crianças são apoiadas?

Neste momento, penso que temos dezoito crianças inscritas, provenientes das unidades de autismo e multideficiência. Temos ainda outros utentes de variadas condições, sobretudo idosos, que estão numa fase ainda experimental e que são cerca de 30.

Criaram também o Cartão Municipal do Voluntariado. Em que consiste esse cartão?

O município tem um Banco Local de Voluntariado – indexado ao Banco Nacional de Voluntariado – que sofreu um upgrade, no sentido de envolver os Bombeiros Voluntários. Criámos um programa, em que eles tem um Cartão de Voluntário e, envolvendo todo o tecido comercial e serviços da cidade e fora dela, criaram-se algumas parcerias.
Os beneficiários do cartão têm alguns descontos em comércio e em serviços da nossa Cidade e do nosso Concelho. São 222 estabelecimentos, onde a própria Câmara Municipal também está envolvida, ao conceder benefícios na utilização dos seus equipamentos e serviços. É um reconhecimento por todos aqueles que prestam voluntariado, e uma forma de dignificar e promover o comércio tradicional.

Há um grupo de apoio às pessoas que procuram emprego. Como funciona?

Os Grupos de Entreajuda para a Procura de Emprego (GEPE) são uma parceria entre a Câmara Municipal e o Instituto Padre António Vieira. É um grupo de capacitação para a procura de emprego. Um grupo informal, constituído por dez, doze pessoas, que se reúne semanalmente ou quinzenalmente, com animadores formados pela organização. Nesse grupo, são trabalhadas questões emocionais, de apresentação, de relacionamento, de proatividade, entre pessoas que estão completamente desmotivadas.

Qual a taxa de sucesso?

A taxa de sucesso é muito superior a cinquenta por centro. Felizmente o grupo está quase a acabar. O ano passado tivemos dois grupos de entreajuda. Este ano temos um, constituído por duas pessoas, sendo certo que vão entrando e saindo pessoas.

Qual a taxa de desemprego em Albergaria-a-Velha?

Albergaria-a-Velha tem desenvolvido esforços no sentido de promover a divulgação e procura efetiva de emprego: através do Gabinete de Inserção Profissional (GIP) e também através do Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS) 3G “Albergaria Integra’T”. Em termos de dados oficiais do IEFP em junho de 2015 tínhamos 989 inscritos, e este ano em junho tivemos 846 desempregados inscritos.

Quais foram as principais prioridades na educação?

Tivemos como principal prioridade trabalhar aquilo que é da nossa responsabilidade e competência: a Educação Pré-Escolar e o 1º Ciclo do Ensino Básico. Em termos de parque escolar, tínhamos bastante assimetrias, ou seja, três Centros Escolares de boa qualidade, com uma construção recente, e depois várias escolas dispersas pelo concelho, em muito más condições.
Herdámos uma situação de insuficiência de instalações no 1º Ciclo do Ensino Básico, visto que foram encerradas várias escolas para a construção da Escola Básica do 1º e 2º Ciclos. Uma escola que foi construída para acolher oito turmas do Básico, neste momento tem catorze. Isto provoca uma sobrecarga no edifício e uma desproporcionalidade face à população escolar acolhida. A nossa pretensão é reabrir uma das escolas e tentar cooperar com o Agrupamento na reorganização do 1º Ciclo do Ensino Básico.
Numa primeira fase, temos trabalhado as escolas da periferia para receberem o maior número possível de alunos e descongestionar as outras escolas. Para além disso, requalificámos as escolas e os jardins de infância que necessitavam, e é nossa intenção mantê-los abertos.
Trabalhámos também uma área da nossa responsabilidade: as refeições escolares e o prolongamento de horário. Nas refeições escolares, apostámos, à semelhança de outros municípios, na nossa Rede Social, por uma questão de proximidade e de qualidade. As refeições são servidas pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) mais próximas das escolas. Aumentámos ainda o número de escolas com o prolongamento de horário.

Qual o atual Programa Municipal da Educação?

O que temos feito no Programa Municipal da Educação tem sido acrescentar constantemente atividades àquilo que é a nossa oferta complementar às escolas e aos jardins de infância da rede pública, solidária e particular. O nosso Programa Municipal de Educação é aberto a toda a comunidade, trabalha desde crianças até à terceira idade. Essencialmente investimos na atividade física, na alimentação saudável, na parte mais artística – onde temos atividades muito focadas para a cultura através da utilização dos nossos equipamentos, Biblioteca e Cineteatro e dos seus respetivos técnicos.
Temos o programa de Promoção da Atividade Física e de Expressão Musical para a Educação Pré-Escolar, que é complementar da atividade letiva; e temos todo um conjunto de atividades muito semelhantes para a terceira idade, dirigido às IPSS.
Incluímos neste programa e nesta nossa oferta, as instituições que trabalham a deficiência, que normalmente não se enquadram nem na infância nem na terceira idade, e que estavam fora dos programas. A produção de espetáculos anuais são o culminar de todo este trabalho com a população portadora de deficiência.
De referir que o Programa Municipal da Educação passou a ser trabalhado com os Agrupamentos de Escolas, com os coordenadores de departamento, com as direções, com a rede social e com a rede privada.

Podemos dizer que em Albergaria-a-Velha há uma política de inclusão das pessoas com deficiência?

Sim. Há em Albergaria uma política de inclusão das pessoas com deficiência. Ainda agora realizámos o Albergaria ConVIDA, onde houve a preocupação de criar estacionamentos e acessibilidades. Todo este cuidado está sempre presente nos eventos realizados, nas provas desportivas, nas atividades que o município desenvolve. Felizmente o nosso município é uma referência neste aspeto. Para nós é muito enriquecedor recebermos visitas de outros municípios para verem o trabalho que temos feito.

Existe também uma preocupação na área da saúde.

Mesmo não sendo da competência direta do Município fizemos obras nas Extensões de Saúde de Valmaior, Angeja e Alquerubim. Melhorámos de forma significativa as instalações, e hoje as pessoas são atendidas de uma forma mais condigna. Hoje, tanto para os profissionais como para os utentes, existem melhores condições.
Também colaborámos com o Centro de Saúde de Albergaria. Uma das nossas pretensões era reabrir a Extensão de Saúde de Frossos, algo com o qual nos estávamos a debater desde que chegámos, e que conseguimos reabrir há um mês.
Temos ainda a pretensão de criar uma nova Unidade de Saúde em São João de Loure. Pretendemos iniciar esse processo para o próximo ano.

Como considera que o Concelho de Albergaria se diferencia do contexto regional e nacional?

Pela qualidade de vida. Além de ter menos impostos, fomos dos primeiros Municípios a baixar o IMI para as famílias. Há uma redução de 10% para famílias com um filho, 15% para famílias com dois filhos, e 20% para famílias com três ou mais filhos.
A qualidade de vida de Albergaria nota-se. Temos neste momento uma preocupação em criar um conjunto de ciclovias; temos uma aposta diferenciadora no turismo: a ecopista que vai de Albergaria-a-Velha até ao Parque de Valmaior, e que, brevemente, irá de Valmaior até Sernada de Vouga e, em conjunto com a Câmara Municipal de Águeda, até à Ecopista de Server de Vouga.
Temos os primeiros percursos pedestres homologados pela federação, que recomendo a todas as pessoas. Vários grupos – que fazem este tipo de percursos – têm dado nota máxima em sites específicos.

E culturalmente também existem eventos que têm fomentado o turismo?

Sim. Há aqui um evento que despertou toda esta área do turismo em Albergaria-a-Velha, que foi o Festival Pão de Portugal.
Hoje o Festival do Pão é uma referência. Somos considerados a capital do Pão de Portugal, porque existe em Albergaria uma grande tradição. Não é à toa que se realizou o Festival do Pão.
Albergaria é o concelho com o maior número de moinhos de água inventariados da Europa. Criou-se a Rota dos Moinhos, que tem despertado a curiosidade de muitas pessoas. Também um conjunto de ações na área da cultura e do património tem atraído cada vez mais pessoas ao concelho.

Recentemente foi adjudicada a obra de requalificação do Mercado Municipal. Em que consiste este projeto?

Este projeto é das poucas obras de cimento que nós prometemos, um projeto em que foi preciso alguma audácia. Primeiro foi feito um estudo do consumidor, para perceber que mercado as pessoas gostariam de ter.
Neste momento, com as obras que vamos fazer, para além da melhoria das acessibilidades, e das questões de higiene e segurança alimentar, vão surgir duas áreas de restauração, e vamos passar a ter dez espaços que poderão estar abertos durante todos os dias e não apenas dois dias por semana.
A nossa preocupação foi respeitar a traça original do edifício. Esta foi a primeira condição que nós colocámos: valorizar o passado e respeitar o projeto inicial do arquiteto Jorge Gigante.
O mercado vai ficar aberto para a cidade. Entre as lojas e os espaços de restauração vai existir uma praça de convívio, onde se pretende dinamizar um conjunto de atividades artísticas e culturais.

E no âmbito do Portugal 2020 que novos projetos irão surgir?

Temos a requalificação da Escola da Avenida, que é a nossa pretensão, tendo em consideração a falta de salas de aula que existem no 1º Ciclo do Ensino Básico, em Albergaria-a-Velha.
Temos o projeto de requalificação da Piscina Municipal de Albergaria.
No âmbito da Requalificação Urbana, temos o Mercado Municipal, que foi o primeiro projeto que avançou e cuja obra inicia ainda este ano, e que terá um investimento de um milhão e meio de euros; a requalificação da Praça Fernando Pessoa e as ruas envolventes à Praça (este projeto vai para dois milhões de euros); temos ainda para requalificar a Rua Gonçalo Eriz, uma das mais importantes da cidade.
Fora estes investimentos, que assentam “que nem uma luva” no Portugal 2020, temos um projeto muito interessante – que há mais de uma década e meia que não surgia – a abertura de uma Avenida em Albergaria. Irá chamar-se Avenida D. Teresa. A Avenida irá desde o Arquivo Municipal até à Biblioteca, e terá estacionamento para cerca de 130 automóveis.

Qual considera ter sido a sua maior conquista nos últimos três anos?

Algo que é estruturante para o concelho: a zona industrial, através da aprovação do PDM. Apenas daqui a uns anos as pessoas vão ter a perceção daquilo que este Executivo conseguiu. Conseguimos resolver o problema da falta de área e, essa é, sem dúvida, a nossa grande conquista, e é daqui que virá todo o desenvolvimento do Concelho.
Uma segunda área, – mais um documento estruturante – a Requalificação Urbana, que já estamos a fazer.
Há um aspeto que me tocou em especial e que me tem dado um enorme prazer trabalhar, em conjunto com os meus Vereadores, que é a área da Ação Social. Enquanto ser humano é extremamente gratificante aquilo que proporcionamos. Todo este apoio na Ação Social, na área da deficiência, no apoio ao arrendamento, na melhoria das refeições, no aumento das bolsas de estudo no Ensino Superior em 50%, na criação do Cartão de Voluntariado, no reforço do apoio às Associações (aumentámos mais 15% no apoio às Associações Desportivas); no apoio às IPSS. Todo este trabalho social é algo extraordinária, e é algo que nos enriquece enquanto seres humanos, por fazermos um trabalho em prol de uma comunidade.
Há pessoas que atacam o aumento da despesa mas nós entendemos que isto é um investimento no ser humano. Uma aposta deste Executivo.

LM

https://drive.google.com/file/d/0BwwWVRJOLAkoYks1eFVXeHZHbFE/view

Com um programa eleitoral que contempla poucas obras de cimento, o autarca do CDS-PP falou à Litoral Magazine sobre a grande aposta do Executivo: captar investimentos para Albergaria-a-Velha. Mas não só, são vários os projetos nos setores da Educação, da Inclusão e da Ação Social.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Albergaria em Destaque

AVEIRO O distrito de Aveiro reúne atraentes polos urbanos, paisagens únicas e recursos naturais, combinados com uma oferta de turismo balnear, turismo de natureza e termalismo.


Dos concelhos que o compõem, nesta edição destacamos Albergaria-a-Velha e Sever do Vouga, onde sobressaem costumes, tradições, património arquitetónico e a gastronomia. O concelho de Albergaria-a-Velha foi sempre conhecido pelos seus inúmeros moinhos de água, que ligaram o concelho à produção de pão durante séculos, sendo que a tradição ainda hoje, se encontra presente entre a população albergariense, cuja tradição gastronómica é reconhecidamente rica e variada. A criação da Rota dos Moinhos pretendeu ajudar a reavivar a tradição do concelho e reabilitar um produto turístico e cultural com grande potencial. A excecional posição geoestratégica de Albergaria-a-Velha na região e no país e os excelentes acessos que dispõe tem permitido a sua afirmação como um importante polo industrial. Numa visita ao concelho de Albergaria-a-Velha, deixe-se levar pelo seu encanto natural e património arquitetónico, conheça a sua dinâmica cultural e delicie-se com a gastronomia. (...)


- AFIRMAÇÃO E VALORIZAÇÃO


Albergaria-a-Velha assume-se como uma cidade jovem, dinâmica, capaz de atrair investimentos e pessoas. A liderar os destinos do Município, pelo primeiro mandato, está António Loureiro, um homem de causas e convicções, cujo desiderato passa por contribuir de forma decisiva para a melhoria da qualidade de vida da população albergariense, bem como para o desenvolvimento e dinamização do concelho de Albergaria-a-Velha.


Para conhecer as inúmeras potencialidades que Albergaria-a-Velha tem para oferecer a quem a visita, a Revista Portugal em Destaque foi ao encontro de António Loureiro, presidente da Câmara Municipal, que em entrevista apontou uma panóplia de razões para visitar esta bela e jovem cidade, mas também o concelho, todo ele mosqueado com singularidades inolvidáveis. Albergaria-a-Velha assume-se, desde logo, como uma referência na Região Centro, em termos de oferta cultural, quer no Cineteatro Alba, como na própria Biblioteca Municipal. António Loureiro é categórico ao afirmar que a cidade tem uma das bibliotecas, que a nível nacional, maior dinâmica apresenta, tanto em número de utentes, como nas atividades promovidas. “A dinâmica neste espaço vai desde a apresentação de autores de livros nacionais ou locais até exposições de fotografia, escultura e pintura. É um espaço de excelência, que para além de uma vasta oferta de livros, respira cultura”, salienta o autarca.


A criação da Rota dos Moinhos de Albergaria-a-Velha assumiu o desiderato de reavivar a identidade da terra através de um produto turístico e cultural que alia a preservação e valorização deste património. “É uma oferta para residentes e visitantes, permitindo-lhes assim conhecer melhor este concelho, a sua história e as suas gentes”, avança o autarca, recordando que, no primeiro ano de mandato, foi inaugurado o Parque dos Moinhos, na Ribeira de Fráguas, complementado com a criação de dois percursos pedestres homologados pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal: o Trilho do Linho e o Trilho dos 3 Rios, que oferecem uma experiência inesquecível a quem os visita. À volta desta dinâmica ligada à identidade cultural do concelho, foi criado o Festival Pão de Portugal, um evento incontornável que projeta Albergaria-a-Velha no contexto nacional e que tem granjeado cada vez mais visitantes. O presidente da Câmara deu nota ainda que a farinha produzida por estes moinhos está em processo de certificação.


Criando uma simbiose perfeita entre o turismo de natureza e a história, o Município recuperou o polo museológico ao ar livre das Mamoas do Taco. António Loureiro sublinha ainda a publicação anual da revista “Albergue – História e Património do Concelho de Albergaria-a-Velha”, que promove a investigação, valorização e divulgação do património concelhio.


Incontornável é também a Pateira de Frossos, um espaço fantástico e ideal para a prática do birdwatching, com elevado potencial para atrair turistas, nacionais e estrangeiros. O Parque de Lazer em Vale Maior e o Centro de Atividades Radicais e Ambientais, em Vilarinho de S. Roque, são outros espaços de visita obrigatória.


António Loureiro não quis deixar de evidenciar a gastronomia do concelho e a criação da Confraria Gastronómica de Albergaria-a-Velha, que pretende divulgar pratos típicos entre os quais, o leitão de Angeja, as enguias de Frossos, os rojões, o cabrito ou os turcos.


- Dinâmica autárquica


Volvidos dois anos e meio da sua eleição como presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, António Loureiro traça um balanço positivo do trabalho desenvolvido, enumerando um conjunto de ações concertadas que têm permitido diferenciar o concelho no contexto nacional. O autarca salienta o apoio ao comércio local, com a criação do Cartão Municipal do Voluntariado. “É um cartão que permite descontos entre os 15 e os 25 por cento na aquisição de serviços e produtos nos equipamentos municipais, mas também em mais de 222 estabelecimentos comerciais na área do Município”, desvenda o edil, fazendo alusão ao Lugar das Cores. Como forma de incentivar a atividade comercial no concelho, por cada cinco euros de compras no comércio local ganha-se uma entrada gratuita neste parque temático natalício que, pela oferta cultural e atividades desenvolvidas, tem cativado a atenção de ‘miúdos e graúdos’, tendo a última edição registado um total de 6.000 pessoas. Paralelamente, foi lançado o “Albergaria em Flor – Unidos Criamos Valor”, um projeto comunitário que pretende envolver a população no embelezamento do centro urbano da cidade, estreitando laços de boa vizinhança. Outra das grandes conquistas apontadas por António Loureiro foi a aprovação do Plano Diretor Municipal que permitiu um aumento do solo industrial na Zona Industrial de Albergaria-a-Velha em 52 por cento. “Com o aumento da oferta dos terrenos na Zona Industrial, diminuímos o preço do metro quadrado, sendo mais fácil captar as empresas”, refere o autarca, acrescentando que Albergaria tem uma zona industrial de referência a nível nacional, assumindo-se como um dos concelhos do país com maior volume de exportações. Simultaneamente, o Município de Albergaria diminuiu os impostos, designadamente o IMI para a taxa mínima e a derrama, passando a ser o quarto município da Região de Aveiro mais amigo do contribuinte. seu manifesto eleitoral, mas há uma que o autarca destaca e que ver concluída neste mandato, o Mercado Municipal. “A intervenção proposta soluciona problemas de acessibilidades e moderniza o espaço de forma a atrair novos clientes para o mercado de frescos, criando ao mesmo tempo uma nova centralidade”. No âmbito do Portugal 2020, António Loureiro assume como desideratos a recuperação da Escola da Avenida e a requalificação do Complexo de Piscinas de Albergaria-a-Velha.


- Reabilitação Urbana


A Câmara Municipal criou duas Áreas de Reabilitação Urbana (ARU), uma no centro da cidade, a outra na Vila de Angeja, onde se pretende efetuar obras de regeneração nos espaços públicos. A ARU de Albergaria-a-Velha identifica um conjunto de imóveis de interesse patrimonial e define seis unidades de intervenção, que correspondem aos “principais espaços de vivência urbana” da cidade. O objetivo da ARU de Albergaria-a-Velha, tal como em Angeja, é criar condições de atração e fixação de população no centro, mas também de atividades de comércio e serviços. Neste contexto, a autarquia tem projetado a abertura de uma nova avenida. “Essa via vai permitir uma nova centralidade na cidade, estando programados 130 lugares de estacionamento e novas frentes de construção”, revela o edil.


- Estratégias concertadas


O Município de Albergaria-a-Velha definiu um regulamento de incentivos financeiros com o objetivo de atrair ideias de negócio e pequenas empresas recém-criadas, de forma a desenvolver a economia local.


Na esfera da saúde, o Município preconizou obras de melhoramento nas extensões de saúde de Valmaior, Angeja e Alquerubim, assumindo a qualidade de vida dos seus cidadãos como algo incontornável, mesmo não sendo esta uma competência direta da autarquia. No plano da ação social, António Loureiro evidenciou as obras no Bairro das Lameirinhas e o apoio a cerca de 50 famílias com subsídio de arrendamento. “O Município continua a fomentar o arrendamento urbano para famílias carenciadas ou indivíduos com fragilidade socioeconómica”. Vocacionadas para pessoas com deficiência ou com incapacidade e problemas sensoriais ou neurológicos, a autarquia abriu ao público, sem custos para os utentes, uma sala Snoezelen e uma sala de Integração Sensorial.


Em entrevista à Revista Portugal em Destaque, António Loureiro salientou ainda as obras de melhoramento no parque escolar do concelho, o aumento do apoio
financeiro aos agrupamentos escolares, o aumento e reforço às necessidades educativas especiais, bem como o aumento do número de bolsas escolares atribuídas.


- Objetivos e projetos


António Loureiro não consagrou muitas obras em cimento no (...)


PORTUGAL EM DESTAQUE / ABRIL 2016
https://issuu.com/portugalemdestaque/docs/destaqueabrilonline

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Entrevista Diário de Aveiro

“Havia menos audácia no passado”

Diário de Aveiro: Que balanço faz da primeira metade do mandato?

António Loureiro: Faço um balanço positivo, tendo em consideração o programa eleitoral em que as pessoas votaram. Estamos a cumprir os objectivos que tínhamos traçado. Por outro lado, tivemos de corrigir algumas situações… Houve mudanças. Há um conjunto de áreas que nos dão alguma segurança. Um é a zona industrial – com a revisão do PDM vamos ter um crescimento de 52 por cento da área, que vai permitir que o preço por metro quadrado baixe de forma a atrair mais empresas. E é daqui que começa tudo: a partir da criação de postos de trabalho podemos dinamizar o desenvolvimento do município. Há uma estratégia com 20 medidas de acção.

Diário de Aveiro, 11 de Janeiro de 2016
http://www.diarioaveiro.pt/noticia/879



segunda-feira, 30 de junho de 2014

Primeiros oito meses de mandato

Oposição ainda não se habituou à ideia de que perdeu as eleições”

O vice-presidente da Câmara municipal de Albergaria-a-Velha, Delfim Bismarck, em entrevista ao Correio de Albergaria, fez um balanço dos primeiros oito meses de mandato. Sem “fugir” às questões, falou sobre o Albergaria ConVIDA, evento que se realiza entre os dias 26 e 29 de Junho (mais barato em custo do que o que foi realizado em 2013), do Festival do Pão de Portugal (a nova aposta da autarquia) e da oposição.

Como apostas para o futuro, acabou por se remeter ao silêncio, preferindo falar da Expoflorestal, que se realiza no próximo ano.

Correio de Albergaria (CA): Aproxima-se o Albergaria ConVIDA, evento que é considerado uma das grandes iniciativas do município. Quais as alterações que produziu para a edição deste ano?

Delfim Bismarck (DB): A edição deste ano apresenta algumas novidades, nomeadamente: o facto de a biblioteca municipal estar aberta ao público durante o horário do evento, apresentando exposições, visitas guiadas e actividades para os mais novos; a ampliação da área onde se encontra o palco principal, uma vez que autarquia adquiriu recentemente uma parcela de terreno no extremo norte da quinta, criando uma nova zona dedicada aos bares locais, em que cada um dos interessados terá o seu espaço; a presença de mais animação na tenda principal, nomeadamente com grupos e dj’s, maioritariamente locais; uma reorganização dos stands, por temas, para o qual decorreu um sorteio entre os interessados.

CA: E mais?

DB: Para além disso, mantemos o número de oito tasquinhas, como se as freguesias ainda fossem oito, pois é um evento onde as coletividades presentes na tenda gastronómica conseguem angariar verbas que lhes permitirá algum desafogo financeiro.

CA: O cartaz, pelos nomes, é mais barato do que o do ano passado. Por algum motivo?

DB: Sim. De facto decidimos reduzir os custos do cartaz deste ano. Para termos uma noção, só em cachets para músicos, o custo no ano passado foi de mais de 57.000 euros, enquanto este ano será de apenas 32.000 euros.

Decidimos apresentar um programa mais sensato, substancialmente mais barato mas igualmente apelativo para o público em geral.

CA: Albergaria-a-Velha realizou há pouco tempo o Festival do Pão. Foi uma aposta ganha? É um certame para continuar a realizar?

DB: Sem dúvida. O Festival do Pão de Portugal foi um evento de nível nacional, com uma promoção e projecção de Albergaria-a-Velha como nunca visto até hoje. Foram mais de 2 horas de televisão, com cobertura pela RTP, TVI, Porto Canal e CM TV, bem como dezenas de notícias na imprensa escrita, criando assim uma marca e um produto turístico que fazia muita falta ao nosso concelho. Albergaria-a-Velha é habitualmente notícia nos órgãos noticiosos nacionais por razões negativas, como os incêndios, a prostituição, acidentes e outros. E desta vez a imagem do nosso concelho ficou associada a um bom motivo. A satisfação foi generalizada, desde parceiros, produtores e publico em geral, trazendo a Albergaria-a-Velha mais de 22.000 pessoas, dinamizando a nossa economia e promovendo o o. Os números falam por si. Através dos inquéritos que realizámos, constatamos que: 40% dessas pessoas repetiram a presença; 35% dos visitantes eram de fora do concelho de Albergaria-a-Velha; destes, 30% eram de fora do distrito de Aveiro. Foi uma mostra onde estiveram mais de 65 tipos de pães diferentes e onde foram vendidas mais de 4.5 toneladas de pão, em 3 dias. Estas razões são mais do que suficientes para ser um certame a repetir.

CA: Está previsto o lançamento de mais algum evento novo?

DB: Estamos a pensar noutro evento que também “coloque Albergaria no mapa”, mas é muito cedo para falar nisso. Não nos podemos esquecer que também temos no nosso concelho, de dois em dois anos, a Expoflorestal, esse grande certame a nível internacional que poderá ganhar outros contornos.

CA: Faz, ou não, falta a Albergaria-a-Velha um espaço mais condigno para a realização deste tipo de eventos?

DB: Para o género do Festival do Pão de Portugal e do Albergaria ConVIDA julgo que não. O espaço da Quinta da Boa Vista/Torreão, com o enquadramento que tem, torna-se um num espaço muito agradável. Naturalmente que, para pessoas com a mobilidade condicionada não será o espaço mais adequado. Estamos a trabalhar num projeto de requalificação daquele espaço.

CA: Está há oito meses como vice-presidente da autarquia. Como avalia o trabalho efetuado até agora? O que mudava se tivesse de corrigir alguma coisa?

DB: Julgo ter sido muito positivo, mas a avaliação do nosso trabalho deverá ser feita pelos munícipes e não por nós. O nosso trabalho começará a ser mais visível daqui a uns meses. Mudava alguma da burocracia que condiciona e atrasa muitas das acções que pretendemos realizar.

CA: Tem, provavelmente, os pelouros com mais visibilidade na autarquia. Como estavam a cultura, o desporto e o Turismo antes de chegar à Câmara municipal? O que mudou desde então?

DB: Em termos de Cultura, estava já em funcionamento o Cine-Teatro Alba, no qual mantivemos o nível de programação, mas baixando em 10% as despesas e abrindo-o à comunidade e associações do concelho. A Biblioteca Municipal tem sido também dinamizada, quer através do aumento de títulos disponibilizados, tendo havido um incremento de mais de 20% de livros, tendo atualmente cerca de 60.000 livros, quer através da organização de exposições temáticas diversificadas: desde os pintores albergarienses, aos 150 anos da imprensa no concelho, exposições de pintura, de ilustração infantil e documentais, etc. Para além disso, passamos a comemorar o Dia do Município, pois não compreendemos como este não era comemorado anteriormente. Com isto, pretendemos reconhecer cidadãos e instituições que muito têm feito pelo nosso concelho.

CA: E no desporto?

DB: Relativamente ao Desporto mantêm-se os apoios às coletividades, mas há que pensar muito bem num plano de recuperação das instalações desportivas, pois o estado de degradação em que se encontram são muito preocupantes. Em alguns acasos, pavilhões gimnodesportivos novos estão cheios de infiltrações e com problemas de construção graves.

CA: E como está o município na área do turismo?

DB: Quanto ao Turismo, nem sequer existia, numa época em que todos sabemos da importância desta actividade na economia. Hoje temos pessoas com formação a trabalhar nessa área, participamos em certames que promovem o concelho, temos convidado conceituados industriais de hoteleiros a investir no concelho, temos dinamizado e organizado visitas guiadas à Rota dos Moinhos, fizemos um protocolo com o IPAM para caracterização e propostas nesta área, vamos avançar com a formação de interpretes do património, estamos a dinamizar os caminhos de S. Tiago que só em 2013 fizeram passar pelo nosso concelho mais de 1.000 peregrinos, etc. Já para não falar na musealização das Mamoas do Taco, na divulgação e promoção da Pateira de Frossos e de um sem número de actividades nesta área que seria fastidioso aqui elencar.

CA: Uma das bandeiras que o CDs-PP colocou na campanha eleitoral era reduzir as despesas com o CT Alba e a publicidade. A oposição diz que isso não foi feito e que até aumentou. Até que ponto essa afirmação é verdade?

DB: A oposição ainda não se habituou à ideia de que perdeu as eleições. Os esquemas instalados demoram a desmantelar. Relativamente às despesas com o CT Alba reduzimos 10% na programação comparativamente com a anterior gestão. Quanto à publicidade houve, de facto, um ligeiro aumento, uma vez que a promoção do Festival do Pão a isso obrigou.

CA: Enquanto membro da oposição, identificou um sem número de incongruências na gestão que era feita pelo PSD. Agora que conhece melhor a gestão camarária, continua a pensar da mesma forma?

CA: Sim, sem dúvida. Aliás, hoje tenho uma visão ainda mais crítica relativamente aos últimos anos da gestão anterior e dos seus devaneios. Às vezes ficamos espantados com o que descobrimos. Oportunamente divulgaremos alguns desses dados.

CA: Como avalia a posição que o PSD tem tido agora na oposição?

DB: Ficamos muitas vezes estupefactos com o que afirmam, como se não tivessem estado à frente dos destinos do concelho até há oito meses atrás.

CA: Como avalia o relacionamento entre o executivo e as juntas de freguesia?

DB: Julgo ser muito bom. Cordial, justo e equitativo, o que não acontecia no passado. Para nós, todas as juntas de freguesia são iguais, independentemente do partido político que a preside.

https://arquivo.pt/wayback/20160214222826/http://www.correiodealbergaria.pt/?p=1439

CA. 25junho2014



segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Na Esquina

SPORTING - ALBA: VAIDADE DE SER DE ALBERGARIA-A-VELHA

Fomos a Alvalade ver o Sporting-Alba, e gostámos. O resultado não interessa para nada, pois o que contou foi o respeito que os profissionais do Sporting (e os milhares de espectadores) tiveram para com os amadores de Albergaria; e a dignidade destes em se baterem frente-a-frente com aqueles, todos unidos na paixão comum por uma modalidade desportiva. Foram onze de cada lado a disputar lealmente todas as jogadas. Não houve 'baile', nem houve gozo ou sobranceria: o Sporting bateu-se pelos golos, do primeiro ao último minuto do jogo, como se estivesse a jogar uma final. E festejou-os, dentro e fora do relvado, como se tivessem sido obtidos contra um Barcelona! Creio mesmo que esta foi a melhor homenagem que os profissionais anfitriões prestaram aos amadores visitantes: trataram-nos como IGUAIS, de homem para homem, de atleta para atleta! A isso, o Alba respondeu com correcção, desportivismo e com uma inexcedível entrega ao jogo. Não houve 'frangos', não houve jogadas caricatas que fizessem rir. Gostámos de estar numa bancada com centenas de sportinguistas, que, como nós, também aplaudiram o golo do Alba. E no final eram milhares, felicíssimos por terem ganho ao Alba - de Albergaria-a-Velha, terra do distrito de Aveiro.

ESCOLA SECUNDÁRIA HÁ 40 ANOS

Em Outubro de 1973 (há 40 anos...) a Secção de Albergaria-a-Velha da Escola Industrial e Comercial de Oliveira de Azeméis começou a funcionar nas casas do antigo Bairro Napoleão (na Bela Vista, ao lado do Ciclo Preparatório), que foram despejadas dos seus ocupantes (para Assilhó) e adaptadas a salas de aula. Foi um esforço e uma iniciativa importante do Presidente da Câmara Municipal de então, José Nunes Alves. Aí comecei eu a trabalhar, dando aulas de História e de Direito Comercial, aos cursos de Formação Feminina, Comércio e Mecânica, diurnos e nocturnos. Entre outros, estavam comigo também a dar aulas, Alberto Soares Pereira (que era o subdirector), Luisa Conde, Pureza Seabra, Luis Ribeiro, Olga Andrade, Alberto Gonçalves Silva, Natália Campos, António Fernandes Silva, Damião, Brites, Basilinda, padre José Maria Domingues.... Recordo por várias razões: porque estou a completar 40 anos de trabalho, ininterruptamente (incluindo serviço militar), o que já é muito tempo; porque há 40 anos que a Escola Secundária foi para o local onde hoje está; porque evoco com saudade alguns que já faleceram, e muitos dos meus alunos, com quem ainda hoje me cruzo; porque a memória do presidente José Nunes Alves e a sua obra continuam a reclamar a homenagem que lhe é devida. Sem meios, sem pessoal, sem automóveis, o presidente José Nunes Alves deixou uma obra imperecível.

QUAL A EXPLICAÇÃO PARA A DERROTA?...

Churchill tinha razão: não são as oposições que ganham as eleições; são os governos que as perdem. Há, quem, em Albergaria, tente justificar a derrota de João Agostinho nas autárquicas com o problema nacional: as pessoas, descontentes com o Governo PSD, teriam penalizado as câmaras PSD e votaram noutros partidos. Errado: se assim fosse, não se compreendia que o PSD tivesse ganho em Aveiro, em Braga, na Guarda, mantendo ainda outras câmaras. E também não se compreenderia que o PSD tivesse ganho em Angeja, Alquerubim, S. João de Loure. Os descontentes com o Governo Passos Coelho estariam numas terras, e noutras não?... A tudo acresce que, a haver reflexos do descontentamento nacional nas autárquicas, então o CDS (partido do Governo) também seria penalizado – e não foi. Logo, e sem descartar que os vencedores têm sempre o mérito de se afirmarem como alternativa credível, a explicação para a derrota de João Agostinho (o Pimenta não risca muito nestas contas, já que foi apenas um mero e acidental substituto, um duplo) terá de se encontrar cá dentro. E aqui a perplexidade é imediata: João Agostinho esteve em campanha eleitoral durante 12 anos, ininterruptamente, desde o primeiro dia em que foi presidente; nos últimos quatro anos inaugurou o cine teatro e a biblioteca, fez festivais de variedades; esteve presente em tudo quanto era festa e arraial; teve coberturas fotográficas de tudo e mais alguma coisa, desde entregas de subsídios até assinaturas de contratos; fomentou um culto da personalidade obsceno, com a afixação do seu nome em todas as placas possíveis e imaginárias; sempre aprimorou a sua imagem, nunca prescindindo do fato e gravata; refinou o seu estilo demagógico até ao enjoo, onde não faltaram as choradeiras em público …. E ainda assim perdeu! Temos um case study…

Mário Jorge Lemos Pinto
copy+paste do facebook

(o texto sobre as autárquicas está incluído no artigo publicado por MJLP no Correio de Albergaria mais recente)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Entrevistas Litoral Centro / 2008

Entrevistas feitas em 2008 pelo jornal Litoral Centro (Miguel Cunha) numa perspectiva para as eleições de 2009 e numa análise do mandato de João Agostinho até esse momento. O PSD acabaria por vencer as eleições e João Agostinho entraria no seu último mandato que terminará agora em 2013.

Entrevista a Rogério Camões (PSD) - "João Agostinho é um homem do povo"

O presidente da concelhia do PSD de Albergaria-a-Velha, em entrevista ao Litoral Centro, elogiou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo presidente da Câmara Municipal, o social-democrata João Agostinho.

O líder do PSD albergariense acredita que o êxito do autarca se deve muito ao facto de “ser um homem do povo, não tem problemas em olhar para o lado e ajudar”.

Sobre as próximas eleições, não quis revelar muito sobre esta matéria, mas deixou a porta aberta à candidatura de João Agostinho.

- NA SUA OPINIÃO, COMO É QUE O PSD TEM GOVERNADO O CONCELHO DE ALBERGARIA-A-VELHA?

Tem governado bem. Se não achasse isso, eu próprio não teria sido candidato nas últimas eleições. Aceitei o convite efectuado pelo então presidente da concelhia, João Agostinho, para liderar a Assembleia Municipal, porque, da análise que fiz do trabalho desenvolvido pelo seu Executivo, verifiquei que era positivo, muito embora as oposições digam o contrário.

- PORQUE ACHA QUE OS DOIS PARTIDOS DA OPOSIÇÃO DIZEM QUE JOÃO AGOSTINHO FAZ UMA GESTÃO CONSOANTE OS CICLOS ELEITORAIS?

Isso carece logo de fundamento, até porque só uma vez governou tendo um ciclo eleitoral pelo meio, porque vai no segundo mandato. Eu entendo que o Executivo fez o que tinha de ser feito no concelho.

- E FOI O QUÊ?

Numa primeira fase, fez uma requalificação exaustiva das escolas do 1º ciclo, que estavam num estado degradante, estavam todas a cair (estamos a falar de 21 escolas). Depois, ainda colocou os serviços administrativos da Câmara Municipal a funcionar com qualidade e é conhecido que a autarquia lidera, no distrito e até no país, um projecto de reorganização administrativa, algo que tem de ser motivo de orgulho para os albergarienses. Por outro lado, quem se aventura na construção do maior investimento alguma vez feito no concelho, não pode ser considerado um presidente que trabalha consoante ciclos eleitorais. Estou a falar no caso da escola EB 1,2 de Albergaria-a-Velha, que está a ser construída. Claro que não vou reduzir o que os anteriores presidentes fizeram quando passaram pela autarquia, porque, cada um, fez alguma coisa e quem diz o contrário não sabe do que fala. As obras e as pessoas quem as fizeram são conhecidas de toda a gente. Não entendo muitas vezes as pessoas na política…

- QUER DIZER PORQUÊ?

Há partidos que, quando vencem as eleições, dizem que os eleitorados são esclarecidos, mas, quando as perdem, vêm para a praça pública tentar passar a mensagem que os eleitores são enganados. Esse tipo de afirmações fazem parte daquilo que é chamado "política baixa", porque é tentar diminuir o trabalho que se faz. Por esse tipo de atitudes e pela campanha feita em 2005, é que as pessoas deram a resposta cabal, com a vitória, por maioria, do presidente João Agostinho, porque o seu trabalho não pode ser escondido. Com o actual presidente, a rede viária sofreu melhorias significativas e as colectividades sociais, recreativas e culturais começaram a receber o apoio da autarquia, que retribuem esse tipo de política cultural. Eu disse sempre, em campanha eleitoral, que era preciso fazer "a obra com as pessoas".

- JOÃO AGOSTINHO TEM FEITO ISSO?

É inegável. Aliás, o presidente João Agostinho vem da sociedade civil, é um homem da solidariedade e sabe bem as dificuldades que as colectividades passam. Ele, melhor do que ninguém, conhece o que é necessário fazer na sociedade, até porque, durante o seu percurso político, começou com o cargo de secretário, passando para presidente de uma Junta de Freguesia até chegar à presidência da Câmara Municipal. O êxito dele acontece porque ele subiu todos os degraus na política, é um homem do povo e não se poupa a esforços para responder às solicitações que lhe chegam.

- ESTÁ A QUERER DIZER QUE NOS MANDATOS ANTERIORES NÃO HOUVE OBRAS PARA AS PESSOAS?

Sim. Pela primeira vez na história do concelho, as associações de solidariedade social receberam apoios no mandato de João Agostinho. É um facto que a primeira ajuda tem de vir do Estado, mas as autarquias não podem ficar insensíveis ao que se passa com as pessoas. Não é por acaso que a Segurança Social de Aveiro considera o concelho como um bom exemplo no apoio social. Custa-me ouvir e ler certas coisas, quase a querer esconder as coisas de uma pessoa que tem apenas seis anos de mandato, quando houve outros que estiveram 16. E andam para aí a dizer que a rede de abastecimento de água é obra do CDS-PP, mas não é verdade, porque foi uma Câmara do PSD quem iniciou as captações no rio Vouga.

- O CONCELHO TEM UMA BOA TAXA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA?

Sem a menor dúvida. A taxa é uma das melhores do país, mas isso só é possível graças ao trabalho de sucessivos mandatos.

- QUAIS TÊM DE SER AS PRIORIDADES DE JOÃO AGOSTINHO?

Deve continuar com a sua política social, porque, cada vez mais, é necessário o apoio às pessoas. Com a crise que o país atravessa, é preciso uma grande solidariedade social para ultrapassarmos as dificuldades das pessoas que estão carenciadas. Ele é capaz de olhar para o lado e ver o que o próximo precisa.

- FALOU SOBRE A REQUALIFICAÇÃO DO PARQUE ESCOLAR, MAS COM A CARTA EDUCATIVA, A MAIOR PARTE DAS ESCOLAS VÃO FECHAR...

É mais um bom exemplo que Albergaria-a-Velha deu ao distrito, porque foi um dos primeiros concelhos a ter a sua Carta Educativa aprovada. É possível que venha a acontecer o encerramento de alguns edifícios, mas isso são modas…

- TEMOS UM PAÍS DE MODAS?

Há pessoas que não querem mudar a sua opinião. Precisamos de gente que governe a longo prazo, porque governar desta forma que têm feito, até eu era capaz de ser ministro. É irracional o Governo andar a pagar para abater vacas e, hoje, o leite é aumentado porque a produção decaiu. O país é mal governado e o que andaram a fazer na educação e na saúde é uma estratégia mal pensada. Hoje, comemoram-se fechos e até fazem festas nas televisões.

- COMO VIU O ENCERRAMENTO DAS URGÊNCIAS NO SEU CONCELHO?

As pessoas habituaram-se porque a "morte" foi lenta, com o encerramento dos serviços de cada vez. O exemplo mais flagrante e pior do país é o do Hospital de Faro, distrito onde fecharam os serviços todos, sem que o hospital tenha condições para receber mais gente. Hoje, Faro não tem um hospital, mas, sim, um armazém de pessoas. Um ministro que comete este erro só tem de ser demitido.

- PARA ALÉM DA POLÍTICA SOCIAL, O QUE É NECESSÁRIO FAZER?

Falta uma biblioteca e a requalificação do cine-teatro, que tem como alternativa o Centro Cultural da Branca. E ainda bem que o João Agostinho ganhou o primeiro mandato, porque a biblioteca que estava projectada custaria 5 milhões de euros e seria, com toda a certeza, um "elefante branco", que não teria condições para se rentabilizar.

- A CÂMARA ESTÁ, OU NÃO, A ESQUECER-SE DA SUA ZONA INDUSTRIAL?

A zona industrial precisa de uma intervenção para rentabilizar o espaço. Ela teve um crescimento muito grande nos últimos anos e convém referir que foi criada pelo José Nunes Alves, presidente de Câmara eleito pelo PSD.

- MAS O QUE FALTA NA ZONA INDUSTRIAL PARA CHAMAR MAIS INVESTIDORES?

Faltam algumas infra-estruturas. Neste momento, falta, sobretudo, que a actividade económica cresça, como aconteceu há alguns anos. Até porque não são as autarquias a terem de fazer fábricas. Na minha opinião, é necessário, primeiro, que a crise económica no país seja ultrapassada para que tenhamos novos investidores. Mas deixe-me dizer que a nossa zona industrial nem está assim tão mal como dizem. Não se pode é vir paras as Assembleias Municipais culpar o presidente da Câmara Municipal pelo desemprego existente no concelho.

-ESTAMOS A DOIS ANOS DAS ELEIÇÕES. O PSD JÁ ESTÁ A PREPARAR ESSE ACTO ELEITORAL?

Começámos a preparar as eleições no dia em que vencemos em 2005. Nós trabalhamos a longo prazo, porque o objectivo é continuar a liderar a Câmara Municipal, manter as sete freguesias que temos e conquistar a que falta, que é a de Frossos, sabendo que é difícil, porque o presidente da Junta tem mostrado trabalho e tem merecido a confiança dos eleitores. Está aqui uma prova em como é impossível esconder as obras que fez ao longo do mandato.

- E JOÃO AGOSTINHO, VAI SER NOVAMENTE O CANDIDATO DO SEU PARTIDO?

Depende muito da vontade dele e também do partido. Mas ele também me disse, quando fui eleito presidente da concelhia, que podia contar com o seu trabalho. Da análise que estamos a fazer, o trabalho desenvolvido tem sido bom e, por isso, se ele quiser ser candidato e for aprovado pelos militantes, não vejo problemas em que lidere a lista nas eleições autárquicas de 2009.

Miguel Cunha / Litoral Centro, 30/01/2008

Entrevista a Jesus Vidinha (PS) - "Trabalho de João Agostinho com balanço negativo"

O presidente da concelhia do PS de Albergaria-a-Velha, Jesus Vidinha, em entrevista ao Litoral Centro, acusa o presidente da Câmara Municipal, João Agostinho, de pensar “o seu trabalho na gestão autárquica, tendo em conta...

O presidente da concelhia do PS de Albergaria-a-Velha, Jesus Vidinha, em entrevista ao Litoral Centro, acusa o presidente da Câmara Municipal, João Agostinho, de pensar “o seu trabalho na gestão autárquica, tendo em conta, e muito, o retorno político-partidário”.

A dois anos das eleições autárquicas, o líder do PS albergariense adianta que o partido já se encontra a preparar esse acto eleitoral, mas não revela se vai ser o candidato à presidência da Câmara Municipal.

- QUAIS AS RAZÕES QUE APONTA PARA O FACTO DE O PS NUNCA TER SIDO PODER EM ALBERGARIA-A-VELHA?

As razões essenciais prendem-se com causas internas e externas. O PS, durante os últimos 20 anos, não aproveitou os momentos em que teve maior projecção autárquica. Não tendo dado continuidade a esse trabalho, acabou por entrar num percurso que o conduziu a uma representação autárquica cada vez menor, ao ponto de, no mandato entre os anos de 2001 e 2005, não ter eleito nenhum vereador para o Executivo municipal, retomando a representação nas eleições de 2005. Faltou ao PS uma liderança de continuidade e estamos a trabalhar para que o partido, no concelho, consiga ter uma visibilidade maior, à semelhança do que se passa a nível legislativo, onde somos a segunda força política.

- FALTOU, ENTÃO, AO PS UMA LIDERANÇA FORTE NO CONCELHO?

Não digo isso. Houve, sim, oscilações de liderança, não se conseguindo criar um fio político, com coerência, e o resultado disso foram os resultados autárquicos nas freguesias, na Assembleia e Câmara Municipal.

- ESTAMOS A DOIS ANOS DAS ELEIÇÕES...

Exactamente. A nossa estratégia passa por ocupar o espaço que, sociologicamente, nos pertence.

- ACHA QUE ISSO É POSSÍVEL NUM CONCELHO ONDE SE REGISTA UMA BIPOLARIZAÇÃO DO ELEITORADO?

Claro que sim, porque existe esse espaço. Porque muito do eleitorado que votou noutras candidaturas, não colocou o seu voto no PS, porque, eventualmente, não se revia no candidato.

- ESTÁ A FAZER UMA AUTO-CRÍTICA NESSE ASPECTO?

Enquanto militante do PS, estou a fazer uma crítica a mim próprio. Todo esse percurso que o partido fez acabou por afectar todo o seu percurso, ao nível da credibilidade. A mais-valia do PS, em termos concelhios, é apresentar qualidade nas suas intervenções e nos seus protagonistas, de tal forma que é o que lidera a oposição ao Executivo municipal, mas não conseguiu transpor isso para os votos.

- O PS TEM REVELADO INCAPACIDADE EM MOSTRAR A SUA IMAGEM AO ELEITORADO LOCAL?

Eu penso que é difícil fazer-se isso sem um fio condutor, uma liderança coerente ao longo do tempo. Estamos confiantes de que todo este trabalho que temos vindo a desenvolver, há alguns anos, vai ter a sua repercussão nas próximas eleições autárquicas.

- REPERCUSSÃO A QUE NÍVEIS?

Claramente no aumento de representatividade nas freguesias, na Assembleia Municipal e no Executivo. Estamos cientes de que isso vai acontecer, porque começamos a ter algum feed-back por parte das pessoas, que começam a acreditar no nosso trabalho.

- TEM SIDO UM DOS CRÍTICOS MAIS FEROZES DO MANDATO DE JOÃO AGOSTINHO. EXPLIQUE-NOS PORQUE RAZÕES?

Está ao alcance de todos os albergarienses, porque basta olhar para o trabalho desenvolvido.

- CONCORDA COM AS AFIRMAÇÕES DE CARLOS RESENDE, QUANDO DIZ QUE “JOÃO AGOSTINHO PENSA CONSOANTE OS CICLOS ELEITORAIS”?

Partilho da ideia de que o presidente da Câmara Municipal faz uma gestão da autarquia, pensando muito no retorno político-partidário. Portanto, não é uma política feita para o desenvolvimento do concelho, mas, sim para garantir os apoios necessários para se manter no poder, sem se vislumbrarem prioridades na gestão municipal. Não existe, hoje, uma leitura de longo prazo para o desenvolvimento de Albergaria-a-Velha, cujo concelho está estagnado, tendo em conta a dinâmica de concelhos como Águeda, Estarreja e Sever do Vouga. Os três têm, por exemplo, uma dinâmica cultural ímpar e…

- MAS A VIDA DE UM CONCELHO NÃO SE FAZ APENAS COM A DINÂMICA CULTURAL...

Exacto. Mas o desenvolvimento passa por três pilares essenciais: primeiro, a qualidade do espaço urbano, o desenvolvimento comercial e a dinâmica cultural. Ainda não temos um plano de urbanização aprovado neste Executivo, quando é urgente que existissem, pelo menos, dois: Um em Albergaria-a-Velha e outro na Branca, pois são duas freguesias que estão a sofrer um grande crescimento, mas não têm um documento que imponha regras.

- MAS ISSO NÃO SE FAZ PORQUE RAZÃO?

Por manifesta falta de vontade política. Claro que um plano coloca algumas regras, que acabam por condicionar algumas coisas, nomeadamente nessas duas freguesias.

- AO NÍVEL DA CULTURA, ESTE CONCELHO TEM UMA GRANDE DINÂMICA ASSOCIATIVA...

Tem muitas associações que vão garantindo a actividade cultural muito forte, mas não existem estruturas físicas onde possam apresentar o seu trabalho. Não se compreende como é que se está à espera tanto tempo por uma requalificação do cine-teatro Alba, um atraso da responsabilidade de Rui Marques e João Agostinho. Actualmente, o cine-teatro não oferece condições de qualidade para receber espectáculos de nível, já não é digno para certos eventos. Houve uma oportunidade única para o requalificarmos, quando Manuel Maria Carrilho esteve no Governo, mas quem estava no poder não conseguiu ver o que era preciso fazer para termos um cine-teatro de excelentes condições.

- MAS EXISTE O CENTRO CULTURAL DA BRANCA (CCB)...

É um facto que o CCB oferece esse tipo de condições, é um espaço municipal, mas o concelho tem de possuir um lugar de destaque para receber grandes espectáculos. Portanto, é urgente a requalificação do cine-teatro Alba. E isso aplica-se à inexistência de uma biblioteca municipal, para criar novas condições e ofertas às populações.

- QUAL É O BALANÇO DO TRABALHO EFECTUADO POR JOÃO AGOSTINHO AO LONGO DESTES SEIS ANOS EM QUE ESTÁ NO PODER?

Balanço negativo, porque o concelho de Albergaria-a-Velha está muito distante do grau de desenvolvimento de outros concelhos. Depois, ainda temos investimento que é feito de forma assimétrica, com uma repartição desigual entre as freguesias, como se constata no Orçamento. Depois, existe uma tendência para o aumento de despesa corrente, que já ultrapassa os 50%, o que quer dizer que vamos ter cada vez menos investimento.

- ESSE AUMENTO NÃO SERÁ TAMBÉM O REFLEXO DAS DELEGAÇÕES DE COMPETÊNCIAS DO GOVERNO NAS AUTARQUIAS?

Penso que não, até porque existem comparticipações governamentais. Devo reconhecer que existe uma maior sobrecarga de despesas, mas há também um suporte financeiro para as sustentar. Mas tem de haver rigor na própria gestão da autarquia. O presidente tem no seu Executivo um ilustre empresário do concelho e, por isso, gostava de ver na Câmara o rigor que ele deve colocar na gestão das suas empresas.

- NÃO HÁ NADA POSITIVO NA CÂMARA?

Devo reconhecer como boa, numa primeira fase, a requalificação do parque escolar do concelho, mas, hoje, verifica-se que esse investimento já não é condizente com a nova realidade da educação do país, porque não se apostou na criação de centros escolares, como devia ter sido feito, em vez de intervenção em pequenas escolas.

- SE O PS FOSSE PODER, O QUE FARIA DE DIFERENTE?

Teríamos uma nova visão do planeamento urbano, para um desenvolvimento sustentável e harmonioso. E faríamos uma grande aposta na zona industrial (ZI), que está abandonada, para captar novos investimentos. A nossa ZI não tem estruturas de apoio e verifica-se uma ausência de política de expansão, pois está muito dependente dos interesses particulares. E tem de ser a autarquia a lutar pelo desenvolvimento do seu parque empresarial.

- PARA ALÉM DAS CARÊNCIAS QUE FALOU, O QUE FALTA AO SEU CONCELHO?

Olhe, a questão das urgências do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) foi bem aceite pela população, que fica muito melhor servida em Aveiro. Em relação a carências básicas, penso que o concelho tem de aproveitar a sua mais-valia, mantendo o desenvolvimento económico. Depois, está na zona do Baixo-Vouga, que deve ser potencializada na área turística, com várias ideias que até acabei por dar no meu manifesto eleitoral, com a criação de centros de interesse. Tal como propus o aproveitamento da área florestal em Ribeira de Fráguas. Em suma, o turismo não tem sido aproveitado e tem de ser a Câmara Municipal a dar os primeiros passos para chamar investimentos nessa área. E também nos falta uma grande superfície comercial no concelho, porque pode ser uma âncora económica, apesar de já termos tido três propostas no Executivo.

- O PS JÁ ESTÁ A PREPARAR AS ELEIÇÕES?

Isso é óbvio, já estamos a fazer uma reflexão sobre o próximo acto eleitoral.

- VAI SER CANDIDATO?

Ser candidato passa, primeiro, por uma vontade própria e também pela vontade dos militantes. Estarei disponível para desempenhar o serviço que o partido entender que seja melhor para mim.

- O PS VAI SER PODER EM 2009?

Tenho grandes esperanças que o partido vai dar um salto qualitativo nas eleições autárquicas de 2009.

Miguel Cunha / Litoral Centro, 23/01/2008

Entrevista a Carlos Resende (CDS) - "João Agostinho trabalha a curto prazo"

O presidente da concelhia do CDS-PP de de Albergaria-a-Velha, Carlos Resende, em entrevista ao Litoral Centro, acusa o presidente da Câmara Municipal, João Agostinho, de pensar “pequeno, a curto prazo, sempre tendo em vista os ciclos autárquicos”.

A conversa que manteve com o LC serviu para mostrar os seus pontos de vista e as prioridades que o seu partido tem para o município.

Carlos Resende teve, depois da entrevista, um problema de saúde e ainda se encontra a recuperar, mas está pronto para a batalha autárquica.

- PORQUE É QUE O CDS-PP PERDEU O PODER NO MUNICÍPIO DE ALBERGARIA-A-VELHA?

Porque o dr. Rui Marques esteve 16 anos a liderar a Câmara Municipal e esse tempo todo provocou algum desgaste da sua pessoa e, consequentemente, a sua queda, saindo da liderança da autarquia. E depois, as propostas feitas pelo PSD foram levadas a sério pelos munícipes, que elegeram esse partido para o poder, mas, mais tarde, viram que as promessas não passaram disso mesmo.

- DÊ-NOS EXEMPLOS...

O quartel dos Bombeiros Voluntários e a reabertura do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) durante 24 horas. Basta falar destes dois aspectos para vermos que existem coisas que, em apenas seis anos, não conseguiram ser cumpridas pelo presidente da Câmara Municipal.

- O DESGASTE COM OS ANOS DE PODER DESGASTOU RUI MARQUES?

Penso que sim, mas os quatro mandatos que teve serviram para que ficasse obra feita, de qualidade, em todo o município de Albergaria-a-Velha.

- JÁ AFIRMOU QUE ALBERGARIA-A-VELHA TEM VIVIVO CONSOANTE OS CICLOS AUTÁRQUICOS. QUAIS AS RAZÕES QUE APONTA PARA DIZER ISSO?

Repare uma coisa: quando mudam as pessoas, também existe uma mudança na estratégia. O Rui Marques tinha uma visão muito diferente do João Agostinho. O primeiro pensava a longo prazo, com preocupação pela sustentabilidade do concelho. O segundo tem uma forma de fazer política totalmente diferente, pensa a curto prazo para ganhar votos. Ou seja, quando pensamos em curto prazo fazemos obras pequenas, mas, quando idealizamos a longo prazo, é necessário que o concelho seja sustentado e que mostre diferença em relação aos outros concelhos. E existem alguns exemplos em Albergaria-a-Velha.

- QUAIS SÃO?

As redes de abastecimento de água e de saneamento. São duas obras que foram iniciadas com Rui Marques e que, hoje, fazem de Albergaria-a-Velha, dentro dos 308 municípios portugueses, num dos primeiros nessa área. São obras que diferem a estratégia de obras a longo e curto prazo.

- ESTÁ A QUERER DIZER QUE O PRESIDENTE JOÃO AGOSTINHO PENSA...

Pensa sempre nas próximas eleições autárquicas e, assim, fica sem tempo para projectar grandes obras. Em seis anos, só há uma obra estruturante que lhe posso reconhecer, que é a escola EB1,2 de Albergaria-a-Velha, que será inaugurada próximo das próximas autárquicas. Foi uma luta sua, mas, tirando isso, o que temos visto é inaugurar obras que estavam projectadas por Rui Marques.

- ESTE PENSAR A CURTO PRAZO TRADUZEM-SE EM GRANDES OPÇÕES DO PLANO E ORÇAMENTO, COMO DISSE, SEM GRANDES INVESTIMENTOS?

Exactamente. Basta vermos que uma grande fatia das obras pequenas vão terminar no ano de 2009, o que quer dizer que não vai haver sequência a longo prazo.

- SE O CDS-PP FOSSE PODER EM ALBERGARIA-A-VELHA, NO CONTEXTO ACTUAL, O QUE ESTARIA A SER LANÇADO PARA 2008?

Não seria agora, já teria sido há muito tempo. Eu apresentei um conjunto de propostas, quando nos candidatámos, e, hoje em dia, ainda são as mais apropriadas para tornar Albergaria-a-Velha num concelho diferente.

- QUAIS SÃO ESSAS PROPOSTAS?

A primeira tem a ver com a zona industrial, que tem de levar um volte-face. O concelho vive o problema do desemprego, que continua a crescer a olhos vistos. Em 2001, Albergaria-a-Velha a taxa de desemprego rondava os 2% e, actualmente, é superior a 8%, uma das maiores do distrito de Aveiro. Claro que as Câmaras Municipais podem dar passos para atrair investidores, porque têm uma arma que se chamam zonas industriais, claramente o caminho que está a ser seguido por Águeda. Albergaria-a-Velha sempre foi reconhecida como uma das melhores do país, mas estagnou. Temos de chamar novos investimentos, alargando-a para a zona norte do concelho, dando condições para multiplicar a chegada de empresas e, por consequência disso, arranjar colocação para os desempregados.

- E MAIS?

Temos de criar um gabinete de apoio aos empresários, também um caminho que está a ser seguido por Águeda. Esse gabinete tem de ter pessoas tecnicamente formadas para os encaminhar e acompanhar numa série de consultas até à instalação das empresas. Outro factor seria a criação de um centro de formalidades na zona industrial, com a congregação de serviços, poupando em deslocações e em tempo. Podia, por exemplo, ter uma dependência bancária e dos correios portugueses, para facilitar o trabalho de todos.

- E DEPOIS DA ZONA INDUSTRIAL?

A rede viária do concelho também é importante. Estou a falar da variante à vila de Albergaria-a-Velha, que está em estudo de impacto ambiental, a variante à vila da Branca e a EN163, a estrada que liga a sede do concelho a Ribeira de Fráguas, uma via com problemas de acessibilidade e que merecia uma intervenção profunda, de forma a minimizar alguns prejuízos, pois demora-se mais de 30 minutos para fazer 15 quilómetros. Outra valia seria a instalação no concelho de uma rede de transportes urbanos, levando as pessoas a poupar nos combustíveis. E estamos a falar de prioridades a longo prazo.

- E A CURTO PRAZO?

Teríamos de pegar nos investimentos que foram feitos ao longo dos anos e que, depois disso, pouco se têm falado. Há, pelo menos, três (cine-teatro, fábrica de papel de Vale Maior e a Quinta do Torreão) que foram feitos pela Câmara Municipal. A fábrica de papel, ainda não se sabe para o que vai servir, enquanto a Quinta do Torreão tem sido utilizada para eventos de grande êxito. Mas já está na altura de uma requalificação, por causa do muito movimento que tem vindo a ter. Não se pode andar sempre a gastar dinheiro em pequenos arranjos de requalificação, apenas quando se realiza o "Albergaria Convida", uma das boas iniciativas realizadas pelo Executivo de João Agostinho.

- QUAIS SÃO OS ASPECTOS NEGATIVOS DO MANDATO DE JOÃO AGOSTINHO?

Este mandato fica marcado por um aspecto negativo, que vem a acontecer em todo o país. Falo do encerramento do SAP, mas as culpas não podem ser atribuídas ao presidente João Agostinho. É uma política do Ministério da Saúde, mas, no entanto, critico o silêncio do presidente ao longo do processo, mostrando alguma aceitação a uma situação que sempre criticámos, porque defendíamos a sua manutenção. O autarca João Agostinho esteve mal do ponto de vista estratégico e, depois, andou a reboque do CDS-PP. Com excepção do PS que nunca aceitou as nossas propostas (quis ficar ao lado do Governo), todos os partidos estiveram com as nossas ideias. Penso que o Executivo podia e devia ter feito mais, nomeadamente com a interposição de uma providência cautelar, que seria uma forma de luta contra o encerramento do SAP.

- CONCORDA, OU NÃO, COM A CRIAÇÃO DO NOVO PARQUE DESPORTIVO?

O que vamos fazer ao actual parque desportivo?

- NÃO SOU O PRESIDENTE DA cÂMARA MUNICIPAL...

Pergunto isso porque quando se fala do novo parque desportivo, gosto de repetir o que disse ao Alba na altura da campanha eleitoral. Eu defendo a manutenção do actual parque desportivo, porque é natural, na Europa, que os estádios sejam colocados fora das cidades. Neste momento, temos um estádio na zona industrial e acho que o devemos potenciar, até porque foi-se adquirindo terrenos que, entretanto, foram vendidos. Neste momento, não concordo com a mudança, porque não podemos colocar fora o investimento já efectuado. Temos é de ver o que temos de fazer para o melhorar, porque em Albergaria-a-Velha nem sequer está longe do centro da vila e as pessoas queixam-se da falta de mobilidade. Mas, falando como dirigente do Alba, temos uma carrinha que vai, em dia de jogos, fazer um percurso para transportar adeptos aos jogos em casa, mas o veículo chega quase vazio. Há mentalidades que são difíceis de mudar…

- O CDS-PP JÁ ESTÁ A PREPARAR AS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS?

Claro que sim. Aliás, desde que perdeu as eleições com a minha pessoa, começou a preparar as autárquicas de 2009. Penso que devemos trabalhar a longo prazo e não em cima do período eleitoral.

- VAI CANDIDATAR-SE AO CARGO DE PRESIDENTE DA CÂMARA?

Com toda a certeza, serei candidato, num dos lugares da lista, porque ainda não sabemos quem vai encabeçar a equipa que o CDS-PP vai apresentar. Eu estarei sempre disposto a colaborar com o partido.

- MAS VAI, OU NÃO, SER O CABEÇA DE LISTA?

Estamos a dois anos das eleições e é um pouco prematuro estar a dizer-lhe isso. Ainda nem sequer fiz uma avaliação dessa situação, mas posso deixar a certeza de uma coisa: enquanto o CDS-PP me quiser nos seus quadros, eu serei candidato, não se sabendo, como é óbvio, em que lugar. Quando o partido entender que não sou uma mais-valia, termino as minhas funções na política e continuo o meu caminho como sempre fiz.

Miguel Cunha / Litoral Centro, 02/01/2008

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

2000: Entrevista a Rui Marques



Albergaria-a-Velha ficou, de há anos a esta parte, estigmatizada pela "invasão" de droga nas escolas, e pela "mancha negra" que constitui a prostituição, na sua forma mais degradante – a de estrada. Rui Marques, presidente da Câmara há 15 anos tem lutado contra esses flagelos e embora não se encontrem debelados, especialmente a prostituição, estão numa, forma regressiva. Outra desgraça que costuma abater-se sobre a área do seu concelho são os fogos que, e felizmente, este ano têm andado por outras bandas. O concelho vive um surto de desenvolvimento e a pouco e pouco vai mostrando uma face nova, mercê, de grandes investimentos. Mas há muito por fazer ainda...

CP - O PP continua a corresponder aos seus ideais políticos, ou nem por isso?

RM - Na maior parte das questões identifico-me com as posições do PP, embora não me identifique COM nenhuma das correntes. Para cada uma das questões tenho a minha posição. O meu grande partido foi sempre a Câmara. Sou médico, gosto de exercer medicina, mas talvez no melhor momento da minha vida profissional vim para a Câmara, gosto do trabalho que faço, mas ao nível da carreira política não tenho grandes ambições.

CP - Mas gostaria de ter visto outros rumos para o PP?

RM - Sinceramente, não gostaria de me pronunciar sobre questões do partido, e pela simples razão que sou muito mais um autarca do que um homem do Partido.

CP - Quase a completar um quarto mandato, acha que os objectivos que se propôs quando veio para a Câmara estão atingidos ou estão muito aquém?

RM - Muito aquém não estamos, mas eu estou sempre insatisfeito. De uma forma geral acho que o trabalho é positivo, porque a generalidade dos objectivos estão atingidos embora haja outros, porque este trabalho não pára. O trabalho desenvolvido ao longo destes anos levaram a que o concelho se transformasse. Isto é público e notório. O concelho sofreu uma grande transformação, para melhor, mas há ainda muito por fazer...

CP – Essa transformação é palpável em que áreas?

RM – Hui.. tantos. Olhe, por exemplo, o mercado de emprego. Hoje temos uma taxa de desemprego residual. Vieram para Albergaria muitos investidores, há muito mais dinheiro, as pessoas têm um nível de vida melhor...

CP – Mas a nível da Educação, a situação é também animadora?

RM – Sem dúvida... temos um Plano para o sector educacional que está praticamente cumprido e que satisfaz em todas as suas vertentes.

CP – Especifique...

RM – Ao nível do pré-primário temos, ao nível da componente pedagógica, uma cobertura a 100%, e estamos a trabalhar muito a sério na componente do acompanhamento, mas aí depende muito também da vontade dos pais. Mas desde que eles queiram faremos também uma cobertura a 100% e isto implica também a realização de obras. Mas estamos a trabalhar no sentido de adaptação das salas. Estamos, por isso, muito acima da média nacional. Ao nível dos 2º e 3º ciclos, com a escola que agora abriu em S. João de Loure, ficamos com todo o concelho coberto e permite-nos até uma outra coisa que é caminhar no sentido da extinção da telescola.

Falta-nos o Secundário mas que ficará também coberto com a Escola de Albergaria.

CP – Vamos agora falar de acessibilidades no concelho...

RM – A acessibilidade está boa, embora haja alguns casos que é preciso resolver, Mas deixe-me que lhe diga que os casos mais gritantes são da responsabilidade da administração central, isto e, estradas nacionais que o governo quer transferir para a Câmara. Como exemplo refiro-lhe a E16-3 que vai de Vale Maior a Telhadela, passando pela Ribeira de Fráguas... aí está o problema mais complicado, mas estamos a tentar que ela seja beneficiada. Há ainda outro problema no acesso da zona sul que tem um bom traçado mas precisa de um piso melhorado. Mas hoje as distâncias medem-se em tempo e não em quilómetros... e no concelho de Albergaria ninguém demora mais de dez minutos a chegar à sede.

CP – A zona industrial tem-se expandido a olhos vistos... como tem sido a motivação por nós investidores?

RM - Nós não temos que contactar directamente os investidores basta que lhes demos condições e fizemos um grande investimento com verbas que eram da Câmara, do I QCA, criamos um parque com boas condições de acessibilidade, bons acessos interiores e todas as infraestruturas necessárias, desde a água até ao gás natural, passando pelo saneamento. Há excelentes condições de acessos com a proximidade do IP5, da auto-estrada e do IC2 e tudo isto conjugado faz com que se tenham cá implantado. Todos os dias está gente a chegar. Ainda recentemente estive em Vitória a visitar uma unidade de unia empresa de metalomecânica que se quer instalar cá com uma área coberta na ordem dos 30.000 m2. O parque industrial está a crescer e já tem muito boas empresas, e pode dizer-se que está quase todo ocupado mas temos já o Plano de Pormenor da Zona Industrial que está para ser aprovado já com zonas de expansão. É um problema perfeitamente equacionado em termos de crescimento, o que há um problema paralelo, que é a falta de mão de obra. Já há quem se queixe, mas espero que isso se resolva com a vinda de mais pessoas para o concelho.

CP – Isso leva-nos ao problema da habitação. Há condições para acolhimento de mais população?

RM – Neste sector o mercado tem respondido. E como os preços não são muito altos... Aqui mesmo na sede do concelho está a ser desenvolvido um projecto de arquitectura de um complexo de 140 fogos de habitação de custos controlados e em Alquerubim vai a ser a Câmara a promotora de cerca de meia centena de fogos, também de custos controlados, que está na fase de negociações com o INH. Dentro de pouco tempo, espero, vamos pôr a concurso a construção destas habitações.

CP – Mas nem tudo são rosas neste concelho. Há problemas...

RM - Há problemas e graves, como a droga. Albergaria beneficia de ter um enquadramento viário muito bom, mas o que entra de bom também entra aqui de mau. É um local onde o tráfego se desenvolve com alguma intensidade, exactamente por ser um nó estratégico das vias de comunicação. É conhecido que é um ponto de encontro de traficantes. É uma presença em quase todas as escolas. Os traficantes sabem bem que é nesses escalões etários que se inicia o consumo e é aí o local de venda privilegiado, tornando-se o alvo preferencial dos traficantes. Há aí zonas onde, toda a gente o sabe, o negócio é mais visível, mas segundo as informações que tenho obtido de responsáveis é que não é este tipo de traficante que interessa, embora funcionem como o mecanismo pelo qual se pode chegar mais longe. Daí que a intervenção a este nível seja um pouco mais frouxa.

CP – Ainda não há muitos anos houve, aqui bem perto, problemas com as etnias ciganas...

RM - Houve, sim senhor, mas nada de problemas xenófobos. Foi mais uma vertente do problema de que temos estado a falar... a droga.

CP – Mancha negra continua a ser a prostituição.

RM – Já não tanto. À medida que as manchas florestais reduzem, as condições para essas mulheres também são cada vez piores, mas é uma mancha em que a legislação é muito permissiva. Mas são já focos muito mais reduzidos, até porque a zona que era mais pretendida para esse negócio, entre Albergaria-a-Velha e Albergaria-a-Nova, está quase toda ocupada por espaços comerciais. Ainda há um pequeno foco no Sobreiro, mas a tendência é também para acabar. Pode dizer-se que ainda há pequenos focos para a tendência é para diminuir ou acabar.

CP – Albergaria é um concelho seguro?

RM – Temos alguns problemas de segurança, mas todos eles também provocados pela droga. Há alguma pequena criminalidade, toda ela relacionada com esse flagelo. Mas já conseguimos que o efectivo da GNR, em Albergaria, fosse reforçado e temos já o compromisso do governo e está já em orçamento o novo quartel na Branca. Há já terreno, e é uma obra nova que vai reforçar a segurança no concelho, cobrindo toda a zona norte, ficando o posto de Albergaria para as zonas centro e sul. Por outro lado, oferecemos também uma viatura à GNR no âmbito do programa Escola Segura.

CP – Este ano o seu concelho esteve um pouco imune à tragédia dos fogos.

RM – Graças a Deus!!! Mas ainda houve alguns, mas sem grande dimensão. Não quero embandeirar em arco, mas isto são questões de ocasião. Eu penso que a zona que ardeu, dentro de um ano está outra vez em condições de arder... se tivermos o azar das condições climatéricas ajudarem os incendiários e se eles quiserem pegar fogo, penso que arde tudo outra vez. È muito difícil combater os incêndios quando não há limpeza da floresta. Temos o helicóptero que em termos de vigilância é muito bom, e temos um excelente corpo de bombeiros, mas isso não chega. Temos procurado prevenir arranjando muitos caminhos, para que os acessos sejam facilitados. Temos muitos pontos de água e financiamos os bombeiros no que concerne a bons carros e bom equipamento. Procuramos, em suma, dar condições para que o combate aos incêndios seja o melhor possível. Mas mais não podemos fazer.

CP - Para concluir, fale-nos dos projectos em desenvolvimento.

RM – Há um investimento grande na Biblioteca, cujo projecto é do arquitecto Siza Vieira. É uma obra para cerca de 250 mil contos. É uma obra que vem sendo perseguida há muitos anos, e para a qual já tinha indicado à Câmara talvez umas dez possíveis localizações. Finalmente a obra vai por diante, ficará situada numa zona a seguir ao Pavilhão gimnodesportivo, próximo das Escolas, e sobranceiro ao Vale onde queremos desenvolver o Parque da Vila. A Biblioteca fica integrada no Parque o que penso ser unia boa solução. É uma obra que dignificará Albergaria.

Depois há um outro projecto, o do Centro Cultural e Posto de Saúde da Branca, que é da autoria do arquitecto Carrilho da Graça, o autor do Pavilhão dos Mares na Expo-98. Vai ser um projecto conjunto, com duas obras diferentes e financiadas por Ministérios diferentes. Todo o projecto é do mesmo autor e é um empreendimento homogéneo. Como pode ver fez-se muito mas há uma que ainda gostava de ter este ano resolvida uma pretensão que é a de um polo da Universidade de Aveiro. Há negociações, já falei com o senhor Reitor e já adquirimos a Quinta do Torreão, que era o local ideal para esse polo da Universidade..

Mas não posso deixar de lhe referir que a Câmara de Albergaria esteja a ser descriminada em relação a outros concelhos, do Partido Socialista. É o caso da recuperação da sala de Cine-Teatro. Quando as coisas estão bem, eu reconheço, mas [não] neste caso, e estou a dize-lo pela primeira vez. Há um caso flagrante de discriminação intolerável. Aveiro, Estarreja e Sever do Vouga já viram esse problema resolvido, e quanto a Albergaria há um esquecimento sintomático.


Entrevista de Arménio Bajouca, Campeão das Provincias, 07/09/2000


PERFIL

Rui Manuel Pereira Marques, de 46 anos é um presidente de Câmara eleito sucessivamente pelo CDS e CDS/PP, na terra onde nasceu. Licenciado em medicina pela Universidade de Coimbra, há 15 anos que deixou de exercer para se dedicar de corpo inteiro à autarquia. Para além da presidência da Câmara de Albergaria-a-Velha é também presidente da Associação de Municípios do Carvoeiro e vice-presidente da Associação Nacional de Municípios.

Divorciado e pai de quatro filhos (3 rapazes e uma rapariga, de 24, 18, 4 e um ano respectivamente) confessa não ter tempo para a leitura, mas gosta muito de cinema e o último filme que o marcou especialmente foi "A vida é bela". Já no que respeita à TV prefere coisas ligeiras que o descontraíam de um dia muito preenchido com coisas sérias. Por isso, "Sai de Baixo" é o anti-depressivo que vê, quando pode, para além da Informação, pois gosta de estar a par do que se passa no pais e no mundo. Relativamente à febre do momento – Big Brother – não concorda com o formato que, na sua opinião, "não tem nada de cultural e explora apenas o devassar da intimidade das pessoas, numa guerra de audiências que não é positiva para a sociedade, não traz vantagens nenhumas e nada tem de educativo". Gosta de jogar Ténis e de ir caçar com os amigos. Desportivamente falando praticou andebol por mais de vinte anos, e Beira-Mar, Sanjoanense, Académica de Coimbra e Clube de Albergaria foram clubes pelos quais envergou a camisola.