sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Revista Albergue


Editorial da Revista Albergue nº 7

Tempos estranhos estes, que vivemos. O ano de 2020 será lembrado, talvez, como o primeiro de vários, em que o Homem se vê obrigado a adaptar a uma nova realidade, condicionadora, para quem viveu tempos de desenvolvimento económico, social e cultural.

Esta adaptação a um “novo tempo”, também trouxe, e trará, novas formas de vivência e convivência, de introspecção, hábitos, rotinas e preocupações.

Talvez por isso a leitura tenha voltado a ser uma boa aliada de uma vida intelectualmente equilibrada e estimulante, voltando a ser valorizada a História com a qual tanto se aprende.

Assim chegámos ao sétimo número da nossa “Albergue” e, com ele, uma vez mais, a satisfação de mais uma missão cumprida. Manter a periodicidade e a qualidade, conseguindo também manter o aumento gradual do interesse dos leitores, a procura dos investigadores pelas fontes aqui publicadas, mas também o desejo dos autores em verem editados os resultados dos seus trabalhos de investigação, são factores mais do que suficientes para director e editor se sentirem preenchidos.

Passo a passo o concelho vai ficando mais rico e a missão apresentada no primeiro número vai sendo cumprida: criar uma edição que sirva de veículo de inventariação, preservação, valorização e divulgação da História e do Património do Concelho de Albergaria-a-Velha.

Neste sétimo número, trazemos a público um conjunto de artigos diversificados e de grande amplitude cronológica, que vão do século XVI, com um artigo sobre uma casa histórica, passando pela arquitectura, arte sacra, genealogia, tanatologia e por quatro artigos biográficos, qual deles o mais interessante, pois vão de uma afamada curandeira do século XVII a um conceituado advogado do século XX. Pelo meio, temos ainda um artigo sobre um projecto especial dedicado ao património natural.

Todos estes motivos serão, estamos em crer, mais do que suficientes para continuar a agradar aos leitores e contribuir para que todos aqueles que se interessam pela História e Património do Concelho de Albergaria-a-Velha aprofundem os seus conhecimentos, alimentem a sua curiosidade e se tornem mais atentos, mais informados, mais e melhores defensores e fruidores daquele que foi o legado dos nossos antepassados.

De novo, aqui fica o nosso mais sincero agradecimento a todos os autores, historiadores, arqueólogos e investigadores diversos, que colaboram graciosamente nesta publicação, trazendo a público os resultados dos seus mais recentes estudos e investigações.

Para imagem de capa, a escolha recaiu desta vez sobre a Adoração dos Magos, notável pintura do século XVII existente na Igreja Paroquial de Valmaior, desconhecida da grande maioria dos leitores.

A todos aqueles que tornaram possível a concretização deste projecto editorial, desde autarcas a colaboradores e leitores, o nosso muito obrigado.

Delfim Bismarck Ferreira - Vice-Presidente da Câmara Municipal e editor da revista municipal Albergue.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

A necessária missão da Imprensa Local

No dia 3 de Maio de 2014 participei, na qualidade de director do Jornal de Albergaria durante 18 anos (1993-2011), numa mesa redonda, realizada no âmbito da exposição comemorativa dos 150 Anos de Imprensa Local no Concelho de Albergaria, a decorrer na Biblioteca Municipal.

A exposição é um acontecimento imperdível para os albergarienses, que poderão visitar os cabeçalhos e algumas páginas dos jornais que ao longo dos decénios aqui se foram publicando. É sobretudo uma oportunidade para, certamente com alguma surpresa, se verificar como era pujante a intervenção cívica dos cidadãos em épocas recuadas.


Do muito que de importante foi dito nessa mesa redonda, e do longo rosário de dificuldades, em confronto com a profusão de títulos que já se publicaram, ficou a apreensão pelo futuro da imprensa local, e concretamente da imprensa local em Albergaria. No fim de contas, que futuro para a nossa imprensa local?

Importa precisar que um jornal local não é um jornal que se “faz” e se vende numa localidade: ele é “local” em atenção ao seu específico conteúdo, predominantemente virado para os factos e pessoas da localidade que é o seu espaço físico e pessoal de observação.

JORNAL E PÚBLICO LEITOR

A imprensa local pressupõe um binómio incindível: um jornal e um público leitor. Um jornal só existe se houver quem o leia; um público leitor só é leitor se tiver um jornal que lhe interesse ler.

A questão que se coloca terá necessariamente de ser esta: o jornal local surge, porque já há um público para ele; ou o público será leitor, se houver um jornal local que o atraia?

Antigamente, e apesar das elevadas taxas de analfabetismo, em qualquer localidade havia um público leitor para as notícias que lhe importavam mais de perto. A inexistência de outros meios de comunicação, a coesão das comunidades, a importância, elevada, que os pequenos/grandes acontecimentos significavam para as pessoas, a necessidade afectiva dos que emigravam de saberem das coisas da sua terra e dos seus, a pontificação de líderes de opinião (licenciados, professores, proprietários, comerciantes), políticos (os caciques) e não só, intervindo activamente nos assuntos comunitários – eram ingredientes óptimos para que os jornais locais surgissem e proliferassem.

Havia, naturalmente, um público leitor propício a receber o jornal, a “consumir”. E os jornais surgiam, em épocas em que certamente até seria mais difícil conceber a sua existência, considerando a logística da sua composição tipográfica, as dificuldades de comunicação, a censura.

Apesar dos avanços tecnológicos e da informática, hoje as coisas não são assim. São piores.

Dada a frenética mobilidade populacional, com os caudais de pessoas que tão depressa vêm residir em Albergaria (e nas outras localidades é o mesmo), como daqui saem, as comunidades estão desestruturadas e desenraizadas. As pessoas estão cada vez mais de passagem, sem chegarem a criar laços afectivos profundos com uma localidade. Infelizmente, Albergaria derrapa perigosamente para ser uma localidade “de-onde-não-se-é”, ou seja, corre-se o risco de ser uma terra cujos habitantes estão de passagem, sem que alguma vez cheguem a criar raízes.

Assim sendo (ou quando assim for), diminuirá, abaixo do mínimo de subsistência, o público que se interesse pela história de Albergaria, pelos

seus antigos, pelas suas tradições ou costumes, pelos seus problemas, pelo seu quotidiano e, pior que isso, pelo seu futuro. E deixará de haver massa crítica que consuma e suporte um jornal local.

O “FAZER-PARTE-DE”

Só que isso é muito perigoso. A desagregação comunitária é um risco imenso e de consequências graves. É, desde logo, a própria negação da sociabilidade, pois as pessoas vivem em comunidade, e é em comunidade que se efectiva a sua dimensão primordial de ser social, de ‘homo gregarius’, enquanto manifestação da própria dignidade da pessoa humana. Sem comunidade, sem a consciência de pertença a um grupo, a pessoa estiola intelectualmente e afectivamente. Acresce que a sua consciência de pertença, de “fazer-parte-de” é um pressuposto básico da própria democracia, como modo de governo da coisa pública, sobretudo na sua configuração mais exigente de democracia participativa, e portanto da sua realização enquanto ‘homo politicus’.

É por isso que a sociedade só se realiza plena e democraticamente desde que os seus elementos participem activamente no seu fluir histórico. Mas para participarem, é necessário que tenham a consciência de a integrar, de pertença.

Ora, qualquer intenção de inclusão, de “fazer-parte-de”, fracassará se não houver o conhecimento do todo social, na sua dimensão histórica e fenomenológica. E aí a imprensa local desempenha um papel ingente, revelando o que foi, discutindo o que é, projectando o que será.

É por esta ordem de razões que a subsistência da imprensa local é um desígnio de natureza pública, isto é, de interesse público, que não pode ser deixado ao alvedrio das regras de mercado, de ser ou não rentável ou sustentável. Deve ser apoiada pela sociedade politicamente organizada, porque (por paradoxal que seja) só assim a imprensa local será livre e cumprirá a sua função de “integrador comunitário”.

E portanto, ao contrário do que acontecia antigamente, em que era o público que fomentava os jornais locais, bem me parece que hoje o sentido tem de ser outro: é o jornal local que, com a sua qualidade, criará o público leitor, contribuindo positivamente para a coesão da comunidade. Mas para ter a necessária qualidade, o jornal tem de ser persistente, o que não é compatível com regras de mercado, de estreita e redutora contabilidade de receitas e despesas. Tem de ser apoiado, porque é do interesse público que se trata.

Mário Jorge Lemos Pinto, Correio de Albergaria, 14/05/2014

https://arquivo.pt/wayback/20150912105330/http://www.correiodealbergaria.pt/?p=1184

http://jornais-aav.blogspot.com/2015/09/2014-artigo-sobre-imprensa-local.html

Foi o único director na 2ª série do Jornal de Albergaria que durou 18 anos. Curiosamente verificou-se no último ano o desaparecimento do Correio de Albergaria mas mantém-se o Jornal de Albergaria que reapareceu, na sua 3ª série, em 2018.

https://jornaldealbergaria.pt/pedido-de-contacto/


segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Hospital de Alquerubim

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A CONSTRUÇÃO CIVIL EM AVEIRO, 1860-1930 - NOTAS PARA A SUA COMPREENSÃO HISTÓRICA - MANUEL FERREIRA RODRIGUES

647-Pela sua importância, tanto na economia da região como no imaginário da época, sublinho a presença nesta relação de três emigrantes, «capitalistas», residentes ou regressados de Luanda, Califórnia e Brasil. Encomendam os prédios mais caros, mais sumptuosos e tecnologicamente mais evoluídos. Essas escrituras são, por isso, excelentes catálogos das soluções técnicas disponíveis, como, a título de exemplo, se mostra no Anexo II. Tornam-se notados e admirados pela sua filantropia, pela intensa actividade em prol do melhoramento das condições de vida nas suas terras de origem. Um bom exemplo é o do promotor da construção do hospital de Alquerubim, concelho de Albergaria-a-Velha, ao enfatizar os seus desígnios filantrópicos, afirmando que desejava «beneficiar com um hospital a freguesia de Alquerubim, onde nascera».

713-No contrato referente ao hospital de Alquerubim, o texto refere o autor do risco da obra, o Director das Obras Públicas deste Distrito de Aveiro, Eng. António Ferreira de Araújo e Silva. O responsável por uma grande parte dos projectos da cidade no século XIX, João da Maia Romão, desenhador e arquitecto da Câmara Municipal de Aveiro e professor do Liceu local, é referido como o autor de dois projectos: em Abril de 1883 desenha um jazigo e, em Janeiro de 1885, uma casa de habitação. Francisco A. Silva Rocha, director da Escola Industrial e Comercial de Aveiro, é referido, de passagem também, como o autor (...) três projectos: uma casa de habitação e de dois jazigos.

1302-Algumas escrituras explicitam claramente os «modelos das obras ajustadas: «Que todo o trabalho interior compreendendo estuques e madeiras será feito pelo segundo outorgante lo construtor] em conformidade com o seguido na casa de Rosa Marcela, sita no Largo do Cojo, desta cidade, que se escolhe por modelo, devendo ter igual acabamento e perfeição». Noutra obra, com projecto por certo da autoria de Silva Rocha, diz-se: «Servirá de tipo na execução  dos trabalhos e suas dimensões, no interior, a casa de habitação actualmente ao  Senhor [Frederico] Saporiti Machado, sita na Rua do Carmo, e de tipo dos trabalhos exteriores os respectivos desenhos e peças escritas». Na edificação do hospital de Alquerubim, «as carpintarias seguirão o tipo das da casa da Escola de Alquerubim, menos quanto ao envidraçamento das enfermarias, que serão persianas, tipo quartel de Cavalaria 10, desta cidade de Aveiro»

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Revista Albergue nº 7


Revista Albergue N.º 7 é apresentada no Cineteatro Alba

O sétimo número da Revista Albergue – História e Património do Concelho de Albergaria-a-Velha vai ser apresentado ao público no dia 7 de novembro, pelas 16h00, na Sala Principal do Cineteatro Alba. Tendo em conta as medidas de prevenção no âmbito da Covid-19, a participação na sessão carece de inscrição prévia para biblioteca@cm-albergaria.pt ou ctalba@cm-albergaria.pt.

Delfim Bismarck, Vice-Presidente da Câmara Municipal e editor da revista anual, refere que a publicação do sétimo número traz a satisfação de mais uma missão cumprida. “Passo a passo o Concelho vai ficando mais rico e a missão apresentada no primeiro número vai sendo cumprida: criar uma edição que sirva de veículo de inventariação, preservação, valorização e divulgação da História e do Património do Concelho de Albergaria-a-Velha”, refere o autarca. Manter a periodicidade e a qualidade, despertar o interesse dos leitores, bem como motivar investigadores para o estudo da História Local são desafios que têm sido conquistados ao longo dos vários números da revista.

(...)

CMAV, 28/10/2020


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Moinhos

Em Albergaria-a-Velha há uma rota que o leva a descobrir 14 moinhos

Construíram-nos nas margens dos rios, ribeiros e regatos; desviaram as águas para que embatessem furiosamente nos rodízios de madeira; os grãos que lhes dão a moer fazem as pesadas pedras giratórias ranger sincronizadamente e a farinha que de tudo isto resulta sussurra ao cair das mós. Durante séculos, o moinho foi um dos lugares centrais da vida das comunidades rurais e, em toda a Europa, não há terra que os tenha em tão grande quantidade como o município de Albergaria-a-Velha. Existirão mais de 350 moinhos no concelho!

Com vista à requalificação e proteção destas estruturas, o município de Albergaria-a-Velha, em parceria com associações e instituições locais, criou, em 2014, a Rota dos Moinhos, uma oferta turística que, atualmente, conta já com 11 núcleos (num total de 14 moinhos) espalhados por todas as freguesias. O projeto vai além da salvaguarda do património edificado e da atração de turistas, focando-se na preservação dos saberes, memórias, vivências e tradições dos antigos moleiros, bem como na afirmação da identidade de Albergaria-a-Velha como terra de água, moinhos e pão.

(...)

https://www.aveiromag.pt/2020/07/11/em-albergaria-a-velha-ha-uma-rota-que-o-leva-a-descobrir-14-moinhos/

AVEIROMAG

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Regueifa de canela

Agora que tanto se fala (e ainda bem!) da regueifa de canela de Albergaria, dou aqui público testemunho que a do fabrico do Élio Dinis, do Nobrijo, Branca, de que sou comprador, há mais de dez anos, é excelente.

Sempre a compramos no mercado da Costa Nova, nas manhãs de sábado ou domingo, quando lá vamos, ao peixe. E é a melhor altura de a comprar, para se comer à sobremesa do almoço, quando a sua textura, sabor e aroma estão mais refinados.

Então, é assim.

Quando lá for, não peça “uma” regueifa: peça, sim, “aquela” regueifa. Ou seja, escolha-a primeiro, com o olhar, na bancada. Escolha a que estiver mais cozida, e portanto mais castanha e com muitos “olhos” e mais negros. Depois de indicar “aquela” regueifa, a escolha ainda não está completada: observe a parte de baixo, que também deve estar escura, entre o castanho escuro e a cor de cinza. Daí que o processo possa demorar o seu tempo, mas pode crer que o Élio Dinis ou as meninas que estão no balcão terão a necessária paciência, pois identificarão imediatamente que é um conhecedor do assunto, a quem se deve corresponder com solicitude. De um lado, quem cozinha com arte; do outro, quem sabe o que quer comer. E depois, pode ser que os espanhóis que andam por lá também aprendam alguma coisa.

COM VAGAR

Feita a compra e pago o ridículo preço de 1,25€ pela regueifa, tenha cuidado em não a amassar dentro do saco. Por isso, se entretanto também comprou um saco de suspiros, ou de bolos de gema, ou um folar (ou tudo junto, o que está longe de ser um exagero, pois dá para oferecer aos filhos e aos pais) tenha cuidado para não colocar tudo dentro do saco, a esmo: separe os artigos com cuidado.

Agora, não tenha pressa em começar a comer a regueifa, pois se o fizer arrisca-se a não ter sobremesa. Guarde-a na mala do carro e traga-a direitinha para casa.

Depois dos preliminares prandiais de um almoço de sábado ou domingo, que imagino que sejam mais demorados que o costume, é chegado o momento de atacar a regueifa. Tenha logo em atenção que se trata de um acto comunitário, familiar. O exemplar vem para a mesa, inteiro, e a família ou os amigos estão cerimoniosamente expectantes. O produto merece-o. Vai começar o segundo momento da sua digressão gustativa, pois que o primeiro foi a escolha.

E pergunto eu: sabe como se come a regueifa? Digo-lhe já que há uma regra de oiro: nada de faca! A regueifa não pode ser cortada, mas sim esgaçada, o mais delicadamente possível, com as pontas dos dedos, para não a asfixiar. Cada conviva retira o seu pedaço de regueifa, esgaçando-o na horizontal e coloca-o no seu pratinho. E pode então começar, “descascando”, ou seja, retirando a crosta de cima, pelos “olhos”, que não são mais que bolhas de massa que cozeram e ficaram enfolipadas) e vai comendo. As pequenas hóstias castanhas, quebradiças, são uma delícia! E por isso já percebeu por que a regueifa deve estar bem cozida, pois só assim obterá uma crosta consistente e levemente quebradiça, às vezes crocante.

UMA UNIÃO PARA A VIDA!

Comida a parte cima do seu naco de regueifa, passa à parte de baixo, que é rugosa, estriada. Vai arrancando essas estrias de pão, como se estivesse a desfiar um pedaço de bacalhau – se a crosta foi saborosa, a côdea, comida em lascas, é ainda melhor. Faça por as lascas saírem rapadas, sem miolo, porque este vai a seguir. Na sua mão vai por fim ficar então o que restou do pedaço de regueifa, que é o miolo. E quando o comer, logo perceberá porque lhe recomendei que tivesse cuidado no transporte do artigo e não o amassasse, e também porque lhe disse que não deve usar faca e porque deve “desconstruir” o pedaço de regueifa com cuidado e com critério. É que só assim obterá um miolo esponjoso, dúctil, leve e perfumado. Comer aquele bocado final de regueifa, o miolo, é o culminar de sensações gustativas de eleição, e que só um produto único e de extraordinária qualidade como é a regueifa de Albergaria lhe pode proporcionar.

Já agora, ela vai com qualquer bebida, até mesmo a água. Mas a regueifa com um cálice de Vinho do Porto – é uma união para a vida!

Mário Jorge lemos Pinto / Correio de Albergaria, 28/05/2014

https://arquivo.pt/wayback/20150912105211/http://www.correiodealbergaria.pt/?p=1268


terça-feira, 29 de setembro de 2020

Rádios Locais (1986-1988)

RIAV - RÁDIO INDEPENDENTE DE ALBERGARIA-A-VELHA / RÁDIO OSSELOA

A 11 de Fevereiro de 1986 foi para o ar e pela primeira vez a Rádio Independente de Albergaria, que constituída em cooperativa, veria o seu nome alterado meses depois para Rádio Osseloa — C. R. L. nome que presentemente ostenta. Poder­-se-á dizer que não foi fácil a sua implantação e quanto ao seu nascimento ele observou-se com um certo medo e indesmentível pessimismo. Talvez quem sabe, se uma experiência e nada mais! Mas assim não aconteceu. Com o saber, esforço e tenacidade dos seus fundadores srs. Horácio Araújo Gomes, Fausto Pereira Gomes e seu filho Manuel Pereira Gomes a rádio local fez ouvir a sua voz. Quanto a estúdios é que a coisa não tem andado bem, isto é, tem-se andado de Caifaz para Pilatos como soe dizer-se, valendo neste aspecto a boa vontade de diversas pessoas que voluntariamente têm cedido a título precário as instalações por vezes em casa própria. Em 18-12-86 tomou posse a primeira direcção a (….)

Beira Vouga nº 395, 16/02/1987

https://novos-arruamentos.blogspot.com/2009/02/11-de-fevereiro.html

Notícia sobre a festa organizada pela Rádio Osseloa para galardoar os melhores do Desporto em 1986.

https://novos-arruamentos.blogspot.com/2010/11/os-melhores-de-1986.html

Ficheiro aúdio com a transmissão da visita do Grupo Folclórico Cultural Recreativo Albergaria à Rádio Osseloa, em 1987, onde foram entrevistados no programa de Jacinto Martins (Peninha).

https://novos-arruamentos.blogspot.com/2015/07/grupo-folclorico-cultural-recreativo.html

Ainda me lembro dos dias de verão em que o único locutor era o António Amador. Sintoma de falta de meios a que juntava a necessidade de andar sempre a mudar de “casa”. Mas também recordo as emissões matinais de Domingo com o Jacinto Martins. Ainda me recordo dele a falar de pessoas que iam ao Girassol beber “chá”.

E.R., 5 de Fevereiro de 2010

A Rádio Osseloa pertencia à Cooperativa de Radiodifusão - Radio Osseloa Crl. Após a legalização das rádios locais nenhum alvará foi concedido às rádios do concelho. A frequência do concelho era o 101.9.

Cooperativa de Radiodifusão - Radio Osseloa Crl - R 25 DE ABRIL LT 7 4 DT AP 158 - ALBERGARIA A VELHA - 3850-000 ALBERGARIA-A-VELHA - Contribuinte:  501762817

RÁDIO TALÁBRIGA

BlogdeAlbergaria disse...

Recebemos o seguinte e-mail do Dr. Delfim Bismarck, o qual desde já agradecemos:

"Há muito mais para dizer sobre estas rádios.

Apesar da minha colaboração ter sido muito esporádica, acompanhei de perto o que se passou na Rádio Talábriga.

Fernando Nogueira da Silva (ao tempo presidente da junta de freguesia de Albergaria-a-Velha e gerente da Sociedade de Padarias Beira-Vouga), cedia o espaço, O Dr. Pedro Marques (do Colégio de Albergaria) e Henrique de Castro garantiam o apoio financeiro indispensável.

De entre os muitos autores de programas, lembro-me de:

Henrique de Castro ("Fados e Guitarradas" ao domingo de manhã), Rui Pinto ("Jó Manias", e assistência técnica a quase todos os programas), José Francisco Alho (programação de quase todas as tardes à semana, e um programa infantil ao domingo com Cristina Castro, em que participavam Ricardo Neves e Daniela Chaló), Orlando Oliveira ("Discos Pedidos", todos os dias das 20.oo às 21.00 horas), João Carlos Pereira (“Colchões Quentes”, uma espécie de "Oceano Pacífico da RFM), António José Oliveira(“Praia do Meco”), João Madail e Carla Pinto (Noticiários, de hora a hora)

Eduardo Pinto ("Poção Mágica"), Prof. Hernâni Domingues ("Sorte ao Jogo", ao sábado, sobre lotarias e totobolas), Dr.ª Paula Vieira (programa sobre história, aos sábados de manhã), Policarco (programa ao sábado),

Dr. Pedro Marques (programa ao sábado sobre economia), Jacinto Martins (programa sobre Desporto, essencialmente Futebol), entre tantos outros.

Para além disso, a "Talábriga" fazia as transmissões em directo das provas de motociclismo que então se realizavam em Albergaria-a-Velha e que contavam para o campeonato nacional.

Aqui fica este breve apontamento.

Delfim Bismarck

4 de maio de 2010 às 18:13

https://blogdealbergaria.blogspot.com/2010/03/no-tempo-das-radios-pirata-1986-1987.html

Anónimo disse...

Pouco se falou sobre a radio Talábríga muito ha a dizer a radio começou em São Marcos (Lapeira) com emissor fabricado por mim e os estudios eram numa casa de arrumos da casa dos meus pais (Fernando Moreira) tudo fiz para a radio funcionar desde antenas montadas por mim com algum perigo, no para raios do torreão ainda deve haver alguem com fotos dessa montagem (...) em tempos muitas politicas para tudo acabar, ficou a experiencia e muitas horas de gozo com apenas 2wats de pwr inicialmente escutava-se em Aveiro mais tarde aumentou-se potencia para cerca de 30Wats emissor de fabrico artesanal fabricado por um Eng. de Aveiro.

30 de maio de 2010 às 00:10

https://blogdealbergaria.blogspot.com/2010/03/no-tempo-das-radios-pirata-1986-1987.html

Armando Ferreira disse...

Estávamos em 1987, o programa chamava-se "A Ronda do Mocho", em homenagem à coruja das torres que nidificava nas imediações do torreão. Aos sábados à noite, entre as 23.00 e a 01.00 da manhã. Éramos o último programa da grelha e cabia-nos a tarefa de fechar a porta e deixar a chave no sítio combinado. Muita música da preferência dos autores, alguma poesia portuguesa e textos de ocasião. Os autores, Armando Ferreira e Paulo Tavares, tinham por vezes a colaboração do amigo Carlos Gonçalves. O "estúdio" era um local único e sui-generis. O amadorismo, a carolice e a descoberta de um novo mundo, onde era possível tentar fazer rádio e sonhar que éramos ouvidos por alguém. A memória da reunião na padaria para decidir a grelha também está bem presente. Pena que algumas cassetes do programa que foram gravadas por amigos, ao que parece se tenham perdido na voragem do tempo. Restam as memórias da aventura que foi a Rádio Talábriga.

20 de março de 2010 às 19:39

https://blogdealbergaria.blogspot.com/2010/03/no-tempo-das-radios-pirata-1986-1987.html

Anónimo disse...

Também o Lions Clube de Albergaria manteve durante algum tempo uma emissão semanal que era assegurada por Narciso Cruz e de cujos programas ainda existem as cassetes gravadas.

26 de março de 2010 às 19:08

https://blogdealbergaria.blogspot.com/2010/03/no-tempo-das-radios-pirata-1986-1987.html

RÁDIO CAIMA - Emissora Independente de Vale Maior

Constituída igualmente como Cooperativa (CRL).

(...)

 PAULO MONIZ disse...

Todos os comentarios ainda que triados (sic) sobre estas radios das quais fiz parte são genericamente caseiros e com várias imprecisões mas a história é feita destas coisas. É pena que assim seja mas um dia com alguma distância alguém escorregará na realidade e borrará a pintura. Não me cabe a tarefa de revelar o que verdadeiramente aconteceu com as referidas rádios (r.i.a-talábriga-r.caima) mas sim aos detentores dos respectivos patrimónios, aos pseudo-jornalistas, a todos os oportunistas dessa época (ou d)e outras. Eu estarei com toda a certeza tranquilo, a rir, a apreciar o circo.

24 de junho de 2010 às 14:58

https://blogdealbergaria.blogspot.com/2010/03/no-tempo-das-radios-pirata-1986-1987.html

Ângelo Castanheira, 5 de Fevereiro de 2010, 10:03

Fantástico!

Eu era puto mas lembro-me muito bem das provas que penso que eram realização do Motoclube de Albergaria. O Paulo Moniz, o mestre das electrónicas, chegou a fazer a cobertura para uma das três, rádios (desaparecidas) que havia no concelho via telefone a partir da casa dele que era em frente ao campo do Alba, eu cheguei mesmo a relatar em directo um acidente que tinha visto. Relatar não será bem o termo será melhor dizer que falei para o telefone de uma forma muito atrapalhada, ansiosa e a comer as palavras, outros tempo.

Um dia destes proponho uma tertúlia publica para discutirmos estas questões!

Um abraço e parabéns ao Portal de Albergaria!

https://arquivo.pt/wayback/20131111233741/http:/www.portaldealbergaria.pt/2010/02/motociclismo-em-albergaria-a-velha-1987/

Os concursos para atribuição de licenças para operadores privados de radiodifusão apenas se realizaram em 1989.

Muitas pessoas perguntar-se-ão porque é que Albergaria, localidade em franco e reconhecido desenvolvimento, não têm uma rádio. Será que não tinha ou não tem direito? No concurso a que foi sujeita, não continha o seu projecto os necessários requisitos para obter o indispensável alvará? Pura e simplesmente, ninguém concorreu?

Perguntas que os albergarienses farão com toda a legitimidade, mas para as quais não temos resposta. Perguntas que encerram «questiunculas» pessoais e transmissíveis que, a serem de novo içadas ao mastro «pater» da praça pública, nada de novo ou de relevante trariam porque são questões passadas e, claro está, tautológicas.

Albergaria Merece Ter Rádio - artigo de 1991 de José Manuel Alho

https://novos-arruamentos.blogspot.com/2010/11/1991-albergaria-merece-ter-radio.html

Naturalmente que tive pena que não tenha vindo nenhuma frequência para Albergaria mas quando vemos o que aconteceu com rádios como a Rádio Clube do Vouga ou a Rádio Moliceiro ainda bem que não veio. Passaram a simples retransmissores de rádios nacionais ou a rádios gira-discos. 

RIAV – Rádio Independente de Albergaria (Rádio Osseloa), Rádio Talábriga e havia uma outra (...). Não me lembro bem. 

Mas a rádio em Albergaria nunca tomou proporções de outras terras e depois acabaram por terminar. 

http://radiobasedados.no.sapo.pt/ [101.9 Albergaria a Velha] 

Em Albergaria havia alguns carolas mas os projectos nunca se solidificaram e entretanto apareceu a Lei da Rádio e essas pessoas não conseguiram meios para conseguir o alvará. A internet tem uma coisa boa que é requerer menos meios mas sem “carolas” também se torna complicado prosseguir.

E.R., 5 de Fevereiro de 2010

adriano disse...

Ainda hoje existe uma frequência atribuída ao concelho de Albergaria. http://www.mundodaradio.org/flux/viewtopic.php?id=252 101.9 - Outros nomes: Lena Machado, José Manuel Alho (http://www.eb1-curval.rcts.pt/coord_escola09.htm), etc

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Calendário

 

Calendário da CGD de Albergaria-a-Velha 1988/1989

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Aveiro 74 - Informação


A publicação "Aveiro 74 - Informação" inclui uma lista de contactos do nosso concelho por várias actividades.



Indicações úteis: 


SERVIÇOS PÚBLICOS

Câmara municipal, telef. 52114
Serviços Municipalizados, telef. 52176
Correio, telégrafo e telefone (Estação do), telef. 52111
Notário (Cartório), telef. 52181

AGRICULTURA, COMÉRCIO, INDÚSTRIA E PROFISSÕES
  • Adubos (Depositários de):
António Henriques da Costa, telef. 52102
Augusto M. Pereira, telef. 52214 e 52263
Fausto Vidal, telef. 52174
Fernando Rodrigues (Herdeiros de)
José Tavares Coelho
Manuel Tavares da Cruz (Herdeiros de)
Orlando de Almeida Branco
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A lista albergaria74 é bastante extensa mas interessante. A maior vantagem é mesmo poder ser encontrada informação através do google ou de outro motor de busca.




sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Casa de Alcino Soutinho em Albergaria-a-Velha


A caixilharia foi uma brutalidade em dinheiro, foi o Soutinho que a desenhou, são todas com vidro triplo. Ele inicialmente queria vidro duplo, mas eu tinha um amigo meu que tinha uma fábrica de vidros e ele pôs o laminado por fora, têm dois, caixa de ar e depois têm outro por dentro. Obriga a uma manutenção grande a casa. Isto é uma brutalidade, na altura o que eu gastei aqui em madeiras dava para comprar um apartamento (gargalhadas).

(…)

Havia aqui um presidente da Câmara, que era o doutor Rui Marques do CDS. Ele tinha comprado uma casa ali em cima, que é uma zona chamada Campinho com uma área muito grande de terreno e envolvente, uma casa antiga, apalaçada e ele começou a restaurar essa casa e foi o Soutinho que começou a restauração.

Entretanto comprei este terreno que é dum tio-avô meu. É muito grande este loteamento, tem oito lotes. Este aqui têm 1250 metros quadrados. Comprei isto em 1985 e dei por este terreno quatro mil e quatrocentos contos, era muito dinheiro. A casa é de 1990 mas só foi concluída em 1999.

E então o Rui Marques, ele era meu amigo eu falei com ele e disse-me “vou-te apresentar um arquiteto e gostava que tu fizesses a casa com ele, é um arquiteto muito bom e eu precisava de começar a ter casas arrojadas em Albergaria”. E nós fomos falar com o Soutinho, fomos lá ao Porto, estava ainda na zona nova, ele estava na rua que vai dar à Constituição do lado esquerdo. Nós fomos falar com ele, e lá lhe demos o programa, o quê que queríamos. Era uma casa de primeira habitação, cinco quartos, cinco casas de banho, piscina…

(…)

Têm aqui um jardim interior quando se entra, onde as divisões se desdobram em volta deste jardim. Tudo feito por construtores locais. Isto aqui (o jardim interior) é o sítio de brincadeira do meu neto, ele adora este sítio.

O chão é todo em madeira em tábua corrida. O sol desgasta as madeiras. Isto aqui é um escritório, repare neste móvel que faz uma separação e serve de apoio ao escritório,

foi ele que fez o desenho. Ainda tenho aí os desenhos e ainda esquissos que ele fez para explicar aos proprietários.

Esta casa tem um problema muito grande é a falta de arrumos. A casa para ser construída no terreno teve de ser toda desaterrada, e criou aqui um falso e podia ter aproveitado para fazer um compartimento nessa zona que foi aterrada depois e resolvia-se a falta de arrumação. É que o arquiteto desenha mas depois nós que vamos habitar temos outras necessidades.

Este quarto de baixo, serve para quando alguém tem um problema de mobilidade e não consegue ir para o andar de cima. E a casa de banho que dá serventia à parte de baixo. Repare que tudo têm portadas interiores, é uma segurança. Já na altura enveredei por comprar materiais bons, as peças sanitárias são todas Rocca. Ali é a cozinha. Aqui é um corredor que dá acesso a três salas. Esta sala usamos todos os dias, a outra é mais quando vem visitas, mas no fundo não é uma sala muito usada. A casa à frente têm pouca abertura, atrás está toda rasgada.

Lá atrás tenho um forno de lenha e a casa da piscina com balneário. Uma pérgula a toda a volta.

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Aquele muro (de vedação da propriedade) caiu, houve um ano em que choveu muito e existia uma linha de água, isto aqui eram uns campos com silvas e dum momento para o outro choveu muito e as linhas de água aparecem. Os vizinhos não tinham muros e o meu muro fez de barragem, aquilo foi até à tensão de rotura. A piscina desapareceu, apareceu-me água no piso debaixo. A qualidade dos materiais revelou-se nesse momento, porque mesmo inundado o piso debaixo o chão de madeira ficou impecável.

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Aqui tem uma sala, uma sala de jantar. Esta escada aqui é bonita, mas tira aqui um espaço nas salas, se ficasse uma sala ampla era outra coisa. Para festas é aqui que subimos e descemos. Quando vimos o projeto final da casa a minha mulher disse: “aqui esta escada senhor arquiteto não gosto muito”. Ele também queria por umas colunas redondas nas salas, e ainda me cortava mais as salas. A ideia quando eu lhe falei é que eu queria uma sala de jantar com portas de correr mas que me desse continuidade para outra sala, imagine que tinha aqui um jantar grande abria as portas e tinha outra sala para puder aumentar-me. É interessante este pormenor da escada porque eu lembro-me que o arquiteto disse “isso é como as senhoras que usam aqui um apêndice, um penduricalho num casaco” (gargalhadas).

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As portadas abertas ou fechadas criam dois ambientes diferentes, nem parece a mesma casa.

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Não comemos na cozinha, a cozinha é para cozinhar não é para comer, o Soutinho queria que assim fosse. Estes móveis da cozinha foram todas desenhadas por ele criando um plano de fora a fora. Tem bastante luz a casa toda. Os móveis são todos de origem. Eles dizem que isto é um “implúvio”. Tem este interior árabe. Vinha sempre a Andrea aqui e outro arquiteto que também lá estava no escritório, parece-me que foi o João Cabral, tinha assim o cabelo grande, seria da mesma idade da Andrea. Quando houve este problema do muro o Soutinho veio logo ver o que aconteceu.

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Lembro-me de termos ido ver outras casas que o Soutinho fez, por exemplo a de Matosinhos.

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Esta casa era para ser branca, o arquiteto foi a um congresso em Itália, e tinha, inicialmente a ideias de pintar de branco. Entretanto acho que fez a apresentação em Itália da nossa casa e perguntaram-lhe a cor, e ele falou em branco e houve críticas ao branco e disseram para ele não a pintar de branco, que a casa ficava com outro ser completamente diferente. Nem imagino esta casa pintada de branco.

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Se soubesse quando ela foi construída, foi na altura do Saddam Hussein, e aqueles problemas que houve no médio oriente, foi muito criticada a casa. Foi polémico, chamaram bunker. Na altura os meus filhos andavam na secundária e mesmo eles eram criticados, chegavam a casa e diziam “oh mãe, a mãe do meu amigo disse, Carlos que casa horrível que vocês estão a fazer.” Depois da nossa começaram já a mudar na rua.

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O que foi uma loucura foram os cálculos de engenharia. Ele estava a trabalhar nos prédios da Mota Engil um engenheiro qualquer, ele até estava com receio em nos dizer o preço, foi uma loucura. O comentário que eu fiz ao Soutinho foi “Oh senhor arquiteto

ponha a arquitetura de lado e comece a fazer cálculo” e ele disse “tem razão, vou pensar seriamente nisso” (gargalhadas). Em relação à casa, eu acho que tem um trabalho muito meritório e forte. É um contraste.

(…)

Tem aqui uma parte muito linda, esta escada de lanço único, com este varão aqui de lado enquadrado com estes painéis brancos é espetacular.

Obrigado, volte sempre que precisar ou queria visitar a casa, gostámos muito.

EXCERTOS DA CONVERSA COM CARLOS VIDAL - Anexos (123-126)
(2 de agosto 2019, na casa de Albergaria-a-Velha)

AS CASAS DE ALCINO SOUTINHO - estudo das habitações unifamiliares entre 1963 a 2003
PROJETO DE DISSERTAÇÃO. ANA RITA MOREIRA (2020)

https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/8693/2/TM_Ana%20Moreira.pdf

https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/8693/3/TM_Ana%20Moreira%20-%20Anexos.pdf

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A relação que Alcino Soutinho possuiu com os seus clientes e amigos, foi relatada pelos próprios aquando as visitas às habitações. Alegre, preenchida de momentos de socialização entre famílias e amizades que perduram uma vida. Alcino Soutinho era a “alma da festa”, com os seus jogos, piadas, seriedade nos momentos adequados, contrariando e educando muito vezes o próprio cliente, no sentido duma melhor arquitetura, que este cria, pois a experiência e poética assim o ditavam. 

Das histórias que foram contadas pelo arquiteto e eternizadas através do livro de “Conversas com Arquitetos", de Nuno Lacerda, Soutinho conta uma história acerca do casal Vidal, proprietários da Casa de Albergaria-a-Velha.

“(…) fiz uma casa (…) que era um casal, constituído por um senhor muito simpático que era funcionário superior de um banco e a mulher que era médica dentista.

E que me chegou lá e disse: “senhor arquiteto, a única coisa que eu queria é que o senhor me fizesse uma casa com telhado, eu não posso com os caixotes”. Eu disse logo que sim, até porque eu tenho muito respeito pela telha, que é um material tão digno como qualquer um. Depois, traziam-me também um clássico, que era uma folha rasgada de uma revista com uma casa qualquer. Eu disse: “sim senhor, não tenho qualquer problema”. E então fiz um projecto que é uma casa que tem os telhados todos a descer para o interior da casa que depois tem um núcleo central. Portanto, quando se está de fora só se vê o limite, a cumeeira. Portanto, são telhados que convergem nesse núcleo, que é o centro da casa. Eu cheguei, mostrei uma maqueta, falámos sobre isso e a senhora ficou a olhar para mim e disse-me assim: “o senhor arquiteto fintou-me”. E eu perguntei-lhe:“mas porquê?”. E ela disse: “porque fez um telhado mas não fez…”. E eu disse: “então, mas está cá a telha, está cá o telhado, se queria assim ou assim, e eu gosto mais assim”. E achei graça, depois deu-se uma relação muito interessante” (Soutinho, 2010).

AS CASAS DE ALCINO SOUTINHO - estudo das habitações unifamiliares entre 1963 a 2003
PROJETO DE DISSERTAÇÃO. ANA RITA MOREIRA (2020)

ANEXO II LISTA DAS OBRAS DE SOUTINHO

1988 - Remodelação e ampliação de uma habitação em Albergaria-a-Velha

1990 - Habitação unifamiliar, Albergaria-a-Velha