sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Lápide

Em 22 de Novembro de 1902, a lápide do antigo Real Hospital foi entregue à Câmara Municipal por João Patrício. A câmara não a queria aceitar de modo algum, alegando que não tinha onde a colocar e sugerindo que João Patrício a colocasse na frontaria de sua casa. Valeu a intervenção de Patrício Theodoro Álvares Ferreira, que em sessão camarária apresentou os motivos da importância daquela inscrição e solicitou que a mesma fosse depositada no edifício da nova cadeia onde servisse de origem a um pequeno museu.

Delfim Bismarck Ferreira. Revista Patrimónios nº 8

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Anunciantes GCF

Anunciantes de Albergaria-a-Velha na edição especial da Gazeta dos Caminhos de Ferro, editada em 1944, sobre a Linha do Vale do Vouga.


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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Albergaria-a-Velha 1944

ALBERGARIA-A-VELHA — Lápida comemorativa da fundação de Albergaria, nos Paços do Concelho Albergaria-a-Velha

No seu próprio nome tem Albergaria-a-Velha o certificado da sua origem. Em Novembro do ano de Cristo de 1117, isto é, ano de 1155 da era de César, passava a infanta-rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, nosso primeiro Reí, uma carta de privilégio a Gonçalo Eriz, coutando-lhe a sua vila de Osseloa (hoje o bairro de Assilhó, desta vila), que confinava com terras de Santa Maria (Feira), onde a carta foi assinada.

As demarcações das terras do Couto de Osseloa são muito interessantes, pela especialidade dos lugares que nomeia, designados já alguns dêles em português no meio do latim bárbaro da carta.

A onomástica topográfica é característica, como se vê pelos seguintes nomes, alguns bem conhecidos ainda hoje:

Mata talada, Mata da Ussa, Mata da Brava, Mamoa Negra, Romariz, Rio de Osseloa, Charneca, Fonte Fria (hoje lugar das Frias), que se chamava também Fontinha de Meigonfrio. A carta de Couto foi concedida com a cláusula de estabelecer e sustentar uma Albergaria próximo da estrada. Gonçalo Eríz presenteou alguns servidores da Rainha, que assistiram à feitura da carta e a assinaram. A D. Mem Bofíno e a Artaldo, escudeíro da Rainha, deu um rocím e a Godinho Viegas um gavião. O primeiro albergueiro ou seja o primeiro habitante de Albergaria de nome Gonçalo de Cristo, seria pôsto pela Rainha.

Para se demonstrar quanto era agreste o território da nossa vila, e a ela circunjacente, bastará notar que a carta de Couto dá fé da existência de veados, corças, gamos e ursos.

As albergarias eram utilíssimas instituições de previdência, ponto de refugio dos viandantes que se viam perseguidos pelas quadrilhas de malfeitores de tôda a espécie que infestavam o país naqueles rudes tempos medievais. Na carta de Couto declara-se que o sítio onde se fundava a Albergaria era escolhido de preferência pelos salteadores, que ali vinham roubar e matar os transeuntes.

A carta de Couto não existe no original mas em cópia autêntica, incluída em outra do Bispo de Coimbra, D. Egas, datada do ano de 1258. Publicou-a João Pedro Ribeiro a pág. 243, do 1.° volume das suas «Dissertações cronológicas» (Doc. n.° XXXVI).

***

A primitiva Albergaria foi-se transformando e passou a chamar-se hospital, instalado em uma casa baixa, que foi modernamente a cadeia pública. Na parede exterior dessa casa estava a seguinte lápida, do século XVII.

«A casa do hospital, servindo de cadeia, foi vendida pela Câmara Municipal, em 10 de Setembro de 1905, pela quantia de 1.050$00, ao falecido sr. João Patrício Alvares Ferreira, que ali edificou parte do seu conhecido palacete da Boa Vista e que a actual vereação adquiriu destinando-o à habitação dos magistrados desta comarca.»

A lápida foi depois incrustada no interior do edifício das novas cadeias, de onde saíu para os Paços do Concelho, onde se encontra.

***

Esta carta do Couto de Osseloa, no dizer de Alexandre Herculano, é o primeiro documento em que Portugal figura com o título de Reino, e daí o alto valor histórico que se lhe atribue.

***

«... e Albergaría, possivelmente a mais antiga do País e a que, por isso mesmo, se deu o nome de Albergaria-a-Velha, continua a transformar-se, a progredir e, acompanhando, a par e passo, o movimento de forte impulsíbilidade que há onze anos a esta parte imprimem ao País os continuadores do patriótico movimento de 28 de Maio de 1926, aquele solo agreste e quási ínhóspito é duma, fecundidade exuberante e de tais recursos agrícolas e pecuários que bem pode dizer-se que, em relação aos seus habitantes, se basta a si próprio, visto que dêle se extrai ou nêle se cria, com suficiência, milho, trigo, arroz, batata, vinhos, legumes, hortaliças, e aves de espécies diversas e gado bovino, suíno, caprino e lanígero, cujos mercados e feiras são abundantes.»

Sob o ponto de vista da organização associativa, Albergaria-a-Velha e o seu concelho vem seguindo também a marcha evolutiva da época que passa e, orientada por um princípio disciplinado e dísciplínador, contam-se já, no seu âmbito, numerosas colectividades ou associações de valor entre as quais é justo destacar a Misericórdia de Albergaria, a Associação de Socorros Mútuos, a Corporação e a Banda dos Bombeiros Voluntários, o Grémio Recreativo, o Sporting Club e o Arregaça Foot-Ball Club, em Albergaria; as Bandas de Música de Angeja e S. João de Loure, a Tuna de Valmaíor, a Casa do Povo, em Alquerubím, e a Fundição «Alba».

Comercialmente, Albergaria tem-se desenvolvido também nestes últimos anos, porque, e isso é óbvio, se vêm surgir, por cada lado estabelecimentos de todos os géneros e é crescente o movimento e número de transacções que se verificam nos seus diversos mercados e feiras, entre os quais merecem especial menção o mercado semanal de Albergaria e as feiras mensais de Angeja, em 26 de cada mês, da Branca, nos dias 9 e 22, e ainda o de Albergaria que se realiza também mensalmente, no dia 19.

Mas, se o povo de Albergaria e do seu concelho é essencialmente trabalhador e activo, extraindo da terra, numa luta contínua, o pão de cada dia, é também, e disso se orgulha, um fervoroso crente, e, a par das suas crenças religiosas, de que não abdica, continua a manter o culto tradicional pelas suas festas e romarias, entre as quais, as maiores e de maior tradição e concorrência são: Senhora do Socorro, em Albergaria-a-Velha, no terceiro domingo de Agosto; à Senhora das Neves, em Angeja, no primeiro domingo de Agosto depois do dia 5; à Senhora da Alegria, no domingo de Pascoela.

Albergaría-a-Velha, a cujos destinos administrativos preside uma edilidade composta por homens de valor e de impoluto carácter, que incarnam, absolutamente, o espírito renovador do Estado Corporativo Português, não é agora aquêle ignorado «albergue para os pobres e passageíros» a que D. Teresa a destinou.

Já, a par do comércio, a indústria se desenvolve e vai levar bem longe o seu nome.

A Fundição «Alba», que é, no seu género, uma das melhores do País, e a melhor, sob o ponto de vista das instalações, salubridade e métodos de trabalho; a produtiva fábrica de Valmaior, da Companhia do Papel do Prado, a «The Cáima Pulp C.* Ltd.,» no lugar do Cáima — única no País, para produção de pôlpa para papel, a Fábrica da Branca da Emprêsa Cerâmica, as fábricas de olaria de Assilhó (Albergaria-a-Velha), Biscaia e Angeja, e as fábricas de serração de Alhergaria-a-Velha e Albergaria-a-Nova, evidenciam um forte desejo de desenvolvimento e de progresso que, aliás, se traduz nas obras já produzidas após o movimento de 28 de Maio e que a comissão administrativa da Câmara Municipal dêste concelho em efectividade há alguns anos já vai realizar e entre as quais avultam a continuação da abertura da Avenida de Assilhó, a construção de retretes públicas, lavadouro de viaturas e bebedouro para animais; a construção de cosas para pobres, na sede do concelho; a construção de lavadouros e fontes públicas; ajardinamento de largos em Albergaria e sedes de outras freguesias; captações e canalização de águas para fontes das diversos freguesias e da vila; reparações de ruas e de estradas de todo o concelho e vila; eléctrificação de algumas freguesias e instalação de postos telefónicos Públicos em Albergaria-a-Velha e outros melhoramentos de interesse geral, cujos projectos estão em elaboração.

Verifica-se, pois, que Albergaria floresce, se eleva e progride e, que do acanhado Couto da excelsa infanta-rainha, aos poucos se vai formando uma Albergaria maior onde, dia a dia, se albergam maior número de adesões e aplausos à obra gloriosa dos homens do Estado Novo, cujo chefe — Salazar — encarna todas e as mais elevadas virtudes da nossa Raça.
 
 Caminhos de Ferro do Vale do Vouga - Albergaria-a-Velha (1944, Gazeta dos Caminhos de Ferro nº 1363, ano LVI, 01/10/1944, pp. 511-519)

sábado, 18 de agosto de 2012

Sobre Albergaria-a-Velha

Lista não exaustiva de artigos que falam sobre Albergaria-a-Velha. Aceitam-se sugestões para outras referências.

As ligações não são necessariamente para os textos indicados.

*  Casa do Ex.mo Sr. João  Patrício Álvares Ferreira (1905, A Construção Moderna Ano VI nº 2, 20/02/1905)

* Chorographia Industrial do concelho de Albergaria A Velha (Districto de Aveiro), BTI, 53, Lisboa - Anibal Gomes Ferreira Cabido (1911, 14p)

* Mâmoas de Albergaria-a-Velha - José de Leite de Vasconcelos (1912, O Arqueólogo Português, 1ª série, 17, pp. 71-73)

* O novo cemitério de Alquerubim - projecto do constructor civil sr. João Gomes Soares (1912, A Construção Moderna Ano XII nº 21, 5/11/1912)

* Casa do Ex.mo Sr. João Vidal em Albergaria-a-Velha (1913, A Construção Moderna Ano XIII nº 4, 25/02/1913)

* Casa do Ex.ma Sra. D.  Maria Arménia de Figueiredo Aidos em Beduído (1913, A Construção Moderna Ano XIII nº 12, 25/06/1913)

* Casa do ex.mo Sr. Manuel Tavares Pereira em Alquerubim (1915, A Construção Moderna Ano XV nº 10, 25/05/1915)

* Os pobres de Albergaria-a-Velha (1919, Ilustração Portuguesa, 02/06/1919, p. 434)

* Evolução do Senhorio de Angeja - J. Pinto Loureiro (1937, Arquivo do Distrito de Aveiro)

* A Carta de  doação de Alquerubim em 1090 - António Gomes Rocha Madahil (1938, Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. IV, nº13, pp. 71-74)

* Imprensa periódica do distrito de Aveiro - António Zagalo dos Santos (1943, Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. IX, nº 36, pp. )

* Caminhos de Ferro do Vale do Vouga - Albergaria-a-Velha (1944, Gazeta dos Caminhos de Ferro nº 1363, ano LVI, 01/10/1944, pp. 511-519)

* Aveiro e o Seu Distrito  (1954)

* Cinquentenário do Caminho de Ferro do Vale do Vouga (Albergaria-a-Velha e Branca) (1958, Gazeta dos Caminhos de Ferro nº 1704, ano LXXI, 16/12/1958, pp. 68-74)

 * Albergaria-a-Velha e o seu Concelho - Flausino Fernandes Correia (1966, Aveiro e o Seu Distrito, nº2, Dezembro de 1966, pp. 29-30)

* Origem de Albergaria-a-Velha - A Carta do Couto de Osseloa (1966, Aveiro e o Seu Distrito, nº2, Dezembro de 1966, pp. 73-76)

* Nota Sobre a casa de Stº António em Albergaria-a-Velha (1982, Boletim Aderav nº 6, pp. 7-10)

* Primeira Campanha de Escavação em Cristelo da Branca - João Luis da Inês Vaz (1982, Boletim Aderav nº 6, pp. 26-30)

* Primeira Campanha de Escavação em Cristelo da Branca (cont.) - João Luis da Inês Vaz (1982, Boletim Aderav nº 7, pp. 2-14)

* Escavações no Cristelo da Branca: Breves Notas - João Luis da Inês Vaz (1983, Munda nº 5, pp. 32-38)

* Hábitos alimentares da população do concelho de Albergaria-a-Velha: resultados do inquérito à população com idade igual ou superior a doze anos - MENESES, J. M. Torres ; DUARTE, E. M. Rodrigues; NETO, A. J. Machado Rei (1990, Revista Portuguesa de Nutrição Vol. II, nº 3, Jul.-Set. 1990, pp. 41-53)

* A Necrópole Megalítica do Taco (Albergaria-a-Velha) - Fernando A. Pereira da Silva (1992, Trabalhos de Antropologia e Etnologia, XXXII. Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, Porto , pp. 263-292)
 
* Silva, António Manuel S. P.; Pereira da Silva, Fernando A. (1995) -"O Povoado de S. Julião (Branca, Albergaria-a-Velha, Aveiro)". In Silva, Isabel (coord.) - A Idade do Bronze em Portugal. Discursos de poder. Lisboa: I.P.M., p. 123

* Habitação Vidal em Albergaria-a-Velha (Alcino Soutinho) (2000, Revista Arquitectura e vida n.º 5, Junho de 2000, Loja de Imagem)

* Morfologia e Cobertura Detrítica da Plataforma Litoral na área de Albergaria-a-Velha(Distrito de Aveiro)  - António Alberto Gomes e António Barra (2001, Revista ESTUDOS DO QUATERNÁRIO, Associação Portuguesa para o Estudo do Quaternário,Braga, nº 4,. pp. 7-14)

* Pedras de Armas no Concelho de Albergaria-a-Velha - Delfim Bismarck Ferreira (2002, Revista Patrimónios, 2ª série, nº1, pp. 49-58)

* Moinhos da Freirôa - uns dos seculares moinhos no Rio Caima no concelho de Albergaria-a-Velha - Armando Marques Ferreira e Delfim Bismarck Ferreira (2003, Revista Patrimónios, 2ª série, nº3, pp. 57-68)

* A Fábrica de Papel de Valle Maior (1872-1999) - Delfim Bismarck Ferreira (2004, Revista Patrimónios, 2ª série, nº4, pp. 37-58)

* O Que É o Design Português? (carros) ALBA e VINCI, Francisco Providência (2007, Revista Arquitectura e vida nº 85, Setembro de 2007, Loja de Imagem) 

* Christiano Vicente Leal - pintor retratista e fotógrafo (1848-1911) - Delfim Bismarck Ferreira (2009, Revista Patrimónios, 2ª série, nº7, pp. 37-58)

* O Castelo e Palacete da Boa Vista em Albergaria-a-Velha - Delfim Bismarck Ferreira (2010, Revista Patrimónios, 2ª série, nº8, pp. 21-52)

* (Carro) Alba: Orgulho Nacional (2011, Revista Model Factory, Agosto de 2011)

* José Leite de Vasconcelos e Patrício Theodoro Álvares Ferreira - Correspondência (1899-1931) - Delfim Bismarck Ferreira (2011, Revista Patrimónios, 2ª série, nº9, pp. 41-64)

* O Arquitecto Adães Bermudes E A Construção De Uma Escola Primária Em Albergaria-A-Velha (1902) - Delfim Bismarck Ferreira (2013, Revista Patrimónios, 2ª série, nº10, pp. 79-95)

* A Fábrica Alba E Os Seus Fundadores - História e Património - Nélia Oliveira (2013, Revista Patrimónios, 2ª série, nº10, pp. 185-208)

LIVROS

* Memória Sobre o Grande Filão Metalífero que passa a Nascente de Albergaria-a-Velha e Oliveira de Azeméis - Carlos Ribeiro - 1861

* O Districto de Aveiro(Monografia) - Marques Gomes - 1877 (pp. 63-74)

* Inventário Artístico de Portugal - Distrito Aveiro/Aveiro Sul - A. Nogueira Gonçalves - 1959 (pp. 50-67)

* A Arte Nova Em Aveiro e Seu Distrito - Amaro Neves - 1997 (pp. 90-94)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Projecto de Musealização

A proposta de uma Nova Agenda para a Cultura e Criatividade do Município de Albergaria-a-Velha, não sendo um plano estratégico, propriamente dito, pretende constituir-se como uma ferramenta, simultaneamente, de planeamento e de acção, tendo em vista o novo ciclo que se abre ao Município de Albergaria-a-Velha com a abertura do renovado Cineteatro Alba e da nova Biblioteca Municipal, ambos em 2012, equipamentos de natureza e função municipais, para além de outros, mais específicos, já em funcionamento, que contribuem para uma Rede Municipal de Equipamentos alargada e, necessariamente, integrada.

A qualidade, especificidade e complementaridade dos recursos de que o Município de Albergaria-a-Velha hoje dispõe exigem uma visão e estratégia que potencie o investimento realizado, bem como o vasto espólio patrimonial de que  dispõe, quer seja a nível histórico, social, natural ou cultural, valorizando-os através da  promoção de uma imagem atractiva e actual.

(...)

De acordo com os objectivos estratégicos, apontamos quatro prioridades da Nova Agenda para a Cultura e a Criatividade:

1. Formação e qualificação dos recursos humanos e definição do papel das
instituições culturais, necessárias para o desenvolvimento de uma estratégia que alia a dimensão cultural à economia, à educação e ao planeamento, concretizada na promoção de uma Rede de Agentes Criativos e Educativos do Território;

2. Qualificação do Programa Cultural e Eventos, tendo em vista a sua valorização e apreciação;

3. Produção de uma narrativa sobre a biografia do território, assente nos seus recursos históricos, patrimoniais e artísticos, materializada na definição de um projecto de musealização e interpretação do território;

4. Criação de condições para o desenvolvimento de uma economia criativa
assente num programa de captação e fixação de negócios criativos para o Município de Albergaria-a-Velha.

(...)

Definição de um Projecto de Musealização e Interpretação do Território

O Município de Albergaria-a-Velha é detentor de um conjunto de recursos patrimoniais e históricos que importa trabalhar, documentar, salvaguardar e promover. Neste sentido, propõe-se a realização de um estudo dos elementos identitários do Município, de modo a construir-se uma narrativa que parta da origem histórica deste território e comunidade, passe pelas actividades económicas, pelo património material e imaterial. Considera-se que este núcleo deverá ser explorado a partir das marcas do território identificadas no âmbito do Diagnóstico Cultural, nomeadamente do legado da Fábrica Alba e da fundição. Importa, ainda, proceder-se à identificação do património etnográfico, pertença dos grupos de folclore; à salvaguarda de alguns edifícios escolares, nomeadamente do Plano Centenário, de que temos vários, ou de Adães Bermudes, de que temos uma das 184 escolas construídas no País. Também o minério, os moinhos ou a panificação podem contribuir para o trabalho de valorização e preservação da memória histórica do Concelho, bem como a existência de vestígios arqueológicos da época megalítica.

(...)

José Licínio Pimenta
NOVA AGENDA para a CULTURA E CRIATIVIDADE - ALBERGARIA-A-VELHA 2011 - 2013
CMA

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Correio de Albergaria


CORREIO DE ALBERGARIA 

Quinzenário, Preço 0,60 Euros

III Série Fundado em 1896 (*)

Director: Delfim Bismarck Ferreira
Sub-Directora: Sara Vinga da Quinta

--- A partir de 1 de Agosto de 2012


O "Correio de Albergaria" é o mais recente periódico em Albergaria-a-Velha. Surge após o fim do "Jornal de Albergaria" que se publicou entre 15 de Fevereiro de 2003 e 12 de Agosto de 2011.

(*) Dados sobre as séries anteriores do "Correio de Albergaria":

http://jornais-aav.blogspot.pt

CORREIO D' ALBERGARIA / CORREIO DE ALBERGARIA

Semanário independente, impresso em tipografia própria. Começou em 3 de Dezembro de 1896 e suspendeu em 13 de Abril de 1899, com o n° 122. Foram seus redactores o Dr. Eduardo Silva e João de Pinho.

Reapareceu em 14 de Março de 1901 sob a direcção do Dr. António de Pinho e assim se manteve até 30 de Janeiro, de 1908, findando com o nº 356 desta série ou 478 da numeração geral.

Vendida a tipografia para Angeja, ali continuou até 18 de Maio de 1911, tendo como redactores Camilo Rodrigues e Eugénio Ribeiro.

Surgiria depois o "Correio de Angeja e Albergaria" que foi resultado da fusão do "Correio de Albergaria" e do "Voz de Angeja". Principiou em 3 de Junho de 1911, com o n° 458 do Correio, e findou em 24 de Abril de 1915, com o n° 705.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Jorge Sampaio - 2004


«Estou farto do desânimo e da descrença»

Contrariar o discurso da facilidade para incutir em todos os portugueses a cultura da competência, da formação, do rigor fiscal e do trabalho, foi o mote para o segundo dia da visita de Jorge Sampaio ao Distrito de Aveiro. «Estudar, ler, inovar, ter exigência, com responsabilidade num clima social atractivo», estas atitudes são as únicas possíveis, sustentou o Presidente, para valorizar a competitividade. Mas há também, enfatizou Sampaio, outro factor a salientar: «Não há País que singre sem o empenhamento dos seus cidadãos e dos seus políticos», dando conta que é com mandatos de proximidade que melhor se estabelece «a ponte essencial» entre votantes e eleitos.

Ao pegar no exemplo de alegria das crianças que o receberam nos Paços do Concelho de Albergaria-a-Velha, cantando, entre outros, o tema Sonho Encantado, Sampaio foi peremptório: «Estou farto da descrença e do desânimo. Nós não temos essa história...», pedindo até que as autarquias olhem mais para as escolas de ensino básico como locais onde germinam os ingredientes do futuro.

Por isso, volta a explicar a intenção desta sua visita, ao distrito de Aveiro, a grande maioria dos concelhos que nunca recebera a visita do chefe de Estado: «Levo a vida a dar visibilidade às histórias em que o trabalho é a chave do sucesso», a fim de Portugal se «tornar um País mais progressista e mais moderno». Afinal, sublinhou, «estes casos demonstram que os nossos trabalhadores constroem empresas competitivas, independentemente da origem dos capitais investidos».

Na resposta à intervenção do autarca de Albergaria, João Agostinho, que colocou ao mesmo nível, o Estado, as agências de inovação, as universidades e as empresas na promoção de desenvolvimento, o Presidente da República realçou ser, de facto, essa a combinação e «a chave do nosso futuro».

Nesta jornada - que incluiu visitas a duas empresas de Albergaria-a-Velha (uma de torneiras e mono comandos e uma metalúrgica de componentes com aplicação, entre outras, à indústria farmacêutica e automóvel) e Sever do Vouga (uma metalomecânica) - o Presidente da República voltou a sublinhar a necessidade de encarar o desafio da economia de futuro: «Quem pensar que as leis resolvem os problemas do quotidiano está completamente enganado», uma vez que, enfatizou, «é fazendo, experimentando, gastando horas em formação profissional que se atinge a competitividade».

PAULA CARMO / DN, 16/08/2004 (?)

JORNADA POR ALBERGARIA-A-VELHA E SEVER DO VOUGA

Sampaio prossegue hoje a visita pelo distrito de Aveiro

O roteiro presidencial inclui a visita a diversas empresas industriais PAULO NOVAIS/LUSA

Em Albergaria-a-Velha, o chefe de Estado vai conhecer a Durit - Metalúrgica Portuguesa de Tungsténio, que se dedica à produção de ferramentas e peças em metal duro e que tem apostado na ligação aos meios académicos e na formação, como factores de triunfo.

Por Albergaria-a-Velha se vai demorar também a comitiva presidencial em visita à fábrica da Grohe, uma multinacional alemã que se instalou em Portugal em 1996 e que se dedica ao fabrico de equipamentos de água para várias funções, nomeadamente torneiras de cozinha e de casa de banho.

Jorge Sampaio segue depois para o interior do distrito, sendo recebido nos paços do Concelho de Sever de Vouga, onde o presidente da Câmara, Manuel Soares, não desiste de reclamar a construção da barragem de Ribeiradio, para resolver o problema das cheias a montante, regularizar o Rio Vouga e contribuir para o desenvolvimento local.

O roteiro presidencial inclui a visita a outra empresa industrial, também localizada em Sever do Vouga, a A.Silva Matos SA.

Fundada em 1980, a Silva Matos é hoje a empresa-mãe de um grupo metalomecânico que se dedica ao fabrico e montagem de depósitos de combustível, cisternas de gás e reservatórios dos mais variados fins e que exporta para países tão diferentes como Espanha, França, Bélgica, Alemanha, Reino Unido, Noruega, Marrocos, Tunísia, Angola, Cabo Verde e Países do Médio Oriente, entre outros.


Presidente da República visitou instalações da Grohe

29/01/2004

A visita do Presidente da República às instalações da Grohe teve início com uma breve cerimónia de recepção, onde António Carvalho, director-geral da Grohe Portugal, deu a conhecer a Jorge Sampaio e às outras individualidades e entidades presentes, entre eles o "Jornal da Construção", a importância da Friedrich Grohe no País, sublinhando o objectivo da empresa em duplicar, no prazo de três anos, a sua capacidade de produção. Para que isso suceda, afirmou, a Grohe vai ter que investir 21 milhões de euros, esperando que parte desse montante (cerca de 16 milhões de euros) seja comparticipada pela API - Agência Portuguesa para o Investimento.

Este investimento, segundo António Carvalho, vai ainda permitir aumentar o número de trabalhadores da fábrica dos actuais 355 para 522.

Cinco anos de sucesso

Criada em Março de 1996, a Friedriche Grohe Portugal, Componentes Sanitários, Lda, inaugurou a 28 de Maio de 1998 a sua fábrica de Albergaria-a-Velha.

Representando então um investimento de cerca de seis milhões de contos, esta unidade destina-se à produção integral de torneiras clássicas e de monocomandos.

A unidade de Albergaria-a-Velha é detentora da certificação do TÜV, à semelhança das restantes fábricas do grupo, segundo a norma DIN EN ISO 9001.

A estrutura comercial da Grohe, sediada em modernas instalações no Porto (Boavista), assenta numa rede de 20 distribuidores a nível nacional, incluindo as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.

Em apenas sete anos, a sua facturação aumentou de um milhão de euros (1997) para 6,3 milhões em 2003.

No mesmo período, a sua quota de mercado aumentou de dois para 12 por cento, sendo hoje a Grohe a segunda maior empresa deste sector no mercado nacional. Inclusive, em alguns segmentos, como por exemplo nas torneiras de design, a Grohe ocupa já o primeiro lugar.

Na vertente de projectos, foi seleccionada, entre outras empresas, para o fornecimento de torneiras, chuveiros e sistemas de instalação (louça suspensa) em sete dos dez estádios que vão acolher o Euro 2004.

Um importante investimento

Dos 21 milhões de euros de investimento programados até 2006, 1,2 milhões destinam-se à formação profissional.

Este investimento irá permitir aumentar a capacidade de produção para cerca de cinco milhões de unidades/ /ano, em finais de 2006.

Para tal, a área fabril será ampliada dos actuais 10.894 m2 para os 18.000 m2, e novos e modernos equipamentos de produção serão instalados.

A Grohe Portugal apresenta elevados índices de qualidade, tendo sido em 2003 a empresa do grupo que apresentou a mais alta produtividade.

Sempre a crescer

A Grohe instalou-se em Portugal em 1997, ano em que criou também o seu Departamento Comercial, no Porto.

A execução do seu projecto industrial foi financiada pelo Estado português ao abrigo do Regime Contratual para o Investimento Estrangeiro.

Este projecto criou desde logo 255 novos postos de trabalho e levou à produção de um milhão de unidades em 2001, depois de a fábrica ter entrado em plena laboração em Janeiro de 1998. A Grohe tem, desde então, apostado na formação profissional dos seus trabalhadores, sobretudo em áreas como a Qualidade, o Ambiente, a Higiene e a Segurança. E alguns dos resultados foram: a obtenção, em Novembro de 2003 do certificado de Gestão Ambiental, atribuído pela entidade alemã TUV, depois de ter sido distinguida em 2002 com o prémio "Qualidade 2000+" destinado a empresas do grupo.

Já em Janeiro deste ano recebeu o prémio "Igualdade é Qualidade", atribuído pela Presidência do Conselho de Ministros e pelo Ministério da Segurança Social e do Trabalho "às empresas com políticas exemplares na área da igualdade de oportunidades entre mulheres e homen



Sampaio ficou a saber que a fábrica portuguesa da Grohe registou a melhor produtividade de todo o grupo.

Esta multinacional lidera o mercado europeu de torneiras e sistemas sanitários e irá expandir a sua fábrica portuguesa em Albergaria-a-Velha com um investimento total de 21 milhões de euros, 1,2 milhões dos quais são destinados à formação profissional.

O alargamento permitirá criar 230 novos postos de trabalho até ao final do ano 2006, altura em que o número total de trabalhadores ascenderá a 522.

A capacidade de produção ficará então na casa das cinco milhões de unidades por ano, sendo a actual área fabril, de 10.894 metros quadrados, ampliada em mais oito mil metros quadrados.

A escolha do grupo para reforçar o investimento em Albergaria-a-Velha em detrimento de outras localizações é assumida como uma consequência de a Grohe Portugal ter índices de qualidade ao melhor nível e de ter sido a empresa do grupo que no ano passado apresentou a mais alta produtividade.

A fábrica tem actualmente uma capacidade de produção de dez mil unidades por dia, emprega mais de 350 trabalhadores e irá atingir um volume de vendas de aproximadamente 67 milhões de euros.

Empresa portuguesa também tem sucesso

Outra empresa que Jorge Sampaio visitou hoje, esta de capitais integralmente portugueses, foi a Durit, fundada em 1981 e dedicada ao fabrico de peças e ferramentas de metal duro de alta precisão, e que é actualmente a empresa-mãe de um grupo industrial virado para a exportação, em especial para a Alemanha, e que possui também uma fábrica no Brasil.

Dos 89 trabalhadores que empregava no ano do arranque da produção e um milhão de euros de facturação, passou para os actuais 278 colaboradores e um volume de facturação em 2003 de 11,75 milhões de euros.

Nos dois últimos anos, apesar do aumento da produção, o preço do metal duro baixou em resultado da quebra da procura e do aumento da oferta, pelo que a Durit se vê obrigada a reduzir as margens de lucro para manter a competitividade, segundo explicou a Jorge Sampaio um dos responsáveis da empresa.

Contraste "entre a opulência escandalosa e a pobreza impressionante"

Ainda em Albergaria-a-Velha, o Presidente da República reafirmou também a mensagem de que tem de haver uma repartição equitativa dos sacrifícios que os tempos difíceis impõem aos portugueses.
Ao mesmo tempo exaltou os valores do trabalho, do rigor e da competência como meio de diferenciação entre os cidadãos e não o contraste "entre a opulência escandalosa e a pobreza impressionante", que, disse, tem visto em algumas situações.


Os erros do protocolo

Delfim Bismarck debruçou-se sobre os erros de protocolo da Câmara de Albergaria em relação à visita do presidente da republica. Dados importantes para reflectir e sorrir...

Durante alguns dias, pensei se deveria escrever um artigo sobre a tão falada visita presidencial ao concelho de Albergaria-a-Velha no passado dia 21 de Janeiro. O que me moveu a fazê-lo, foi o facto de ter lido diversos artigos sobre a referida visita que julgo merecerem algumas correcções. Caso contrário, daqui a alguns anos, qualquer pessoa que leia os diversos jornais que falaram deste tema ficará convencida que tudo correu bem e que tudo o que se escreveu foi verdade.
Assim, e ao contrário do que alguns autores referiram, a visita presidencial ao concelho foi marcada por algumas “gafes” e incorrecções, manifestando, de forma inequívoca, o desconhecimento quase total das normas protocolares oficiais existentes em Portugal.
Após ter visto na imprensa regional alguns dos convites públicos feitos por câmaras municipais vizinhas, foi com enorme perplexidade que lemos neste nosso “Jornal de Albergaria” o Convite do Município de Albergaria dizendo “Primeira Visita Oficial do Presidente da República Portuguesa, Dr. Jorge Sampaio, ao Concelho.”
De facto, o convite da autoria da nossa autarquia, começou da prior maneira possível, com três erros “crassos” num convite tão pequeno.
Primeiro: Parece não ter sido a primeira visita oficial de um Presidente da República ao concelho de Albergaria-a-Velha, conforme foi noticiado com bastante ênfase. Parece que já todos se esqueceram da 1.ª República em que mudávamos de Governo “como quem muda de camisa” e chegámos a mudar de Presidente da República duas vezes no mesmo ano.
Segundo: As mais básicas normas protocolares existentes em Portugal não foram cumpridas, já que o Presidente da República é sempre: Sua Excelência o Presidente da República.
Terceiro: Nenhum Convite termina “com os melhores cumprimentos”. Isso são as cartas, e apenas algumas.
Por aqui se demonstra bem o desconhecimento total das normas protocolares e o que deve ser a comunicação institucional. Como é sabido (pelos vistos, apenas por alguns), os tratamentos honoríficos são alvo de normas protocolares em toda a Europa e, naturalmente, Portugal não foge à regra e detém igualmente normas para todo um conjunto de procedimentos: tratamento social, convites, trajes, cumprimentos, ordenação das bandeiras, protocolos em recepções e à mesa, etc.
Se no dia a dia grande parte dessas medidas poderão não ter aplicação prática, em recepções oficiais desta natureza não podem já mais ser esquecidas.
O tratamento honorífico em Portugal é o seguinte:
Presidente da República: Sua Excelência
Rei ou Rainha: Sua Magestade
Príncipes: Sua Alteza Real
Ministros: Excelência
Oficiais Generais: Excelência
Cardeal: Eminência Reverendíssima
Arcebispo, Bispo: Excelência Reverendíssima
Etc., Etc.
Mas o chorrilho de “gafes” e incorrecções não se ficou apenas pelo Convite publicado na Imprensa regional. Na própria visita, ou pelo menos na parte a que tivemos oportunidade de assistir, a recepção oficial foi marcada por constantes quebras protocolares.
Após alguma desorganização no momento da chegada de tão ilustre visitante, foi altura de ouvir o hino nacional formados frente ao edifício dos Paços do Concelho. Aí, naturalmente o Presidente da República fica ao centro mas, quem fica à sua direita? Não é concerteza o Presidente da Câmara como o foi, mas sim a primeira figura do concelho na ordem protocolar, ou seja, o Presidente da Assembleia Municipal.
Mas mais. Após a entrada no átrio do edifício e uma recepção musical de grande interesse cumprimentando Sua Excelência, seguiu-se o descerrar de uma lápide incorrecta e de gosto muito duvidoso.
Foi então altura da subida ao salão nobre que, estava devidamente reservado a convidados institucionais. Só foi pena que se tenham esquecido de alguns dos mais importantes convidados naquela área. Tiveram tempo mais do que suficiente para elaborar uma listagem de convidados institucionais sem esquecer ninguém. Se o fizeram e, se, mesmo assim, esqueceram alguém, ao repararem no dia a presença das pessoas esquecidas deveriam tê-las incluído “à pressa” no lote de convidados. É imperdoável o Provedor da Misericórdia, que é uma das principais figuras locais em termos protocolares, não ter um lugar reservado numa das primeiras filas, senão na primeira, e ser igualmente lamentável, o tratamento diferenciado entre representantes de organismos públicos e/ou de colectividades, esquecendo, a título de exemplo, o Chefe da Repartição de Finanças e algumas associações.
Outro dos graves erros protocolares, senão o mais grave, prendeu-se com a constituição da Mesa de Honra. Onde raio é que foram buscar aquela ideia? Era difícil engendrar uma mesa prior organizada do que aquela. Das duas uma: ou o Presidente da República ficava na mesa da Assembleia dando a direita ao Presidente da mesma, ladeados pelos respectivos secretários ou eventuais outros convidados de honra, ficando a Câmara no seu respectivo lugar, ou seja a mesa da frente; Ou, no caso do Presidente da República ficar a presidir à mesa da Câmara, dava a direita ao Presidente da Assembleia Municipal, seguindo-se o Presidente da Câmara e os restantes convidados de honra, ficando facilmente ocultada a mesa da Assembleia através da Guarda de Honra dos nossos Bombeiros Voluntários.
Quanto ao discurso do Senhor Presidente da Câmara, apesar de ter sido alvo de elogio por parte do Presidente da República (naturalmente, como o foram todos os dos outros presidentes de câmara) devido à forma positiva como encarou o futuro, na minha modesta opinião foi muito fraco. Primeiro porque nem sequer cumpriu os procedimentos protocolares exigíveis a uma Sessão Solene deste tipo. Segundo porque se perdeu a falar da História de Albergaria no tempo da Rainha D. Teresa, de uma forma algo deturpada e com pouco interesse, claramente muito mal pesquisada numa História de Portugal do Professor Matoso, quando em vez disso, deveria ter feito um “Raio X” do concelho, o mais sucinto possível, nos seus aspectos económicos, sociais, culturais, etc., do género: quantos somos, quem somos, o que fazemos, quais são as nossas vantagens e desvantagens, etc. É para isso que também servem as Visitas Oficiais.
Existem um sem número de detalhes que devem ser tratados numa visita oficial desta natureza. Para além dos factores acima citados, também outros deveriam ter sido alvo de um cuidado especial, nomeadamente: as bandeiras, os estandartes, os trajes, as medalhas, etc, só para falar em alguns.
Que esta pequena crítica seja construtiva. Que os responsáveis aprendam. Se não quiserem aprender, quando tiverem situação idênticas telefonem a autarcas amigos ou vizinhos e demonstrem humildade, caso contrário acabam por demonstrar ignorância.
Mesmo que, para a maioria dos munícipes, os pormenores que aqui referi nada tenham de relevante, o que é certo é que existem normas protocolares a cumprir, uma espécie de regras de “boa educação”. As normas não existem por mero acaso, mas sim por que sem elas cada um organizava as coisas como queria sem o mínimo de racionalidade.
Afinal, Teresa Heinz Kerry, a eventual primeira dama norte americana filha de Albergariense, tinha razão ao referir-se à terra onde seus pais viviam: “no campo, perto do Porto”.
Será que Albergaria-a-Velha é assim tão campónia? Ou apenas estará a passar uma fase má?
Quando há alguns meses escrevi sobre a visita de El Rei D. Manuel II a Albergaria-a-Velha em 24 de Julho de 1910, estava longe de imaginar que aqui faria uma crítica a uma visita de um Presidente da República. Mas, a República tem destas coisas ...

Partilhado por JMO em 02/03/2004


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Dixit

Ora experimente criticar a câmara publicamente e depois diga-me alguma coisa. Quando quiser que lhe dê exemplos de pessoas que o fizeram, em Albergaria-a-Velha, e depois sofreram "represálias" de diversas formas, diga. Olhe que não são assim tão poucos como isso.

Delfim Bismarck Ferreira, 24/07/2012

retirado do facebook

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Arte Cristã em Albergaria-a-Velha

Alunos e professores da Escola Secundária de Albergaria-a-Velha criaram uma página da Internet com a "Arte Cristã em Albergaria-a-Velha". No sítio podemos ver as fachadas e por vezes o interior de quase todas as igrejas e capelas e ler algumas notas sobre os templos, os seus padroeiros e outros aspetos históricos.

A página é coordenada pelo professor Luís Silva, que leciona Educação Moral e Religiosa Católica na Secundária de Albergaria. Encontra-se em http://luismanue2.wix.com/arte_crista.

Correio do Vouga,  14/06/2012

Pesquisa e catalogação do património religioso da região

Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha, professor de EMRC e um grupo de Alunos elaborou um trabalho de pesquisa e catalogação do património religioso da região. Apresenta-se num site com notas informais, fotografias, dados histórico, sociais, Capelas, Igrejas e suas dedicatórias.

No nosso agrupamento, estamos, neste período, a lecionar a unidade sobre «arte cristã». Nesse contexto, estamos a construir com os alunos um site em que recolhemos fotos e dados sobre as capelas e igrejas do arciprestado. Vejam no nosso site: http://luismanue2.wix.com/arte_crista

Ao divulgar esta ideia, pretendemos contribuir com uma sugestão para a forma como pode ser lecionada esta unidade: os alunos estão entusiasmados com a recolha de fotos e estão, muitos deles, a conhecer o respetivo pároco, com quem devem falar para pedir autorização para recolher as fotos.

Abraço Luís Silva, Isabel Santos e Mónica Pires.

(via - http://emrc-vida.blogspot.pt/2012/06/emrc-agrupamento-de-escolas-de.html)

Educris - centro de recursos

blogs AEAAV

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Dia da Freguesia e Medalhas

Nunca uma Junta de Freguesia recuou tanto no tempo (Século XIX, ano de 1890) para homenagear os responsáveis máximos dos órgãos executivos. O reconhecimento é meritório se atendermos às inúmeras modificações que os referidos órgãos sofreram até ao início do século XXI, impostos pelos sucessivos Códigos Administrativos, Leis e Decretos-Lei. Apesar de ser uma homenagem a título póstumo, não devemos deixar de pensar que a vida é feita de surpresas onde a missão é viver. Que o tempo é uma coisa que não permite voltar para trás; que somos escravos de ontem e donos do nosso amanhã. Que a morte não existe! Que não deveríamos alimentar expectativas da existência de uma outra vida depois desta, já que o que se dá é apenas uma transformação na nossa mentalidade de ser. Que a vida é a mesma. Que a vida eterna já está sendo vivida por todos nós. Depois da morte continuamos a ser o que já somos; pelo que devemos procurar ser agora em vida aquilo que desejaríamos continuar a ser depois da morte. Que a morte não existe!

 A cerimónia foi complementada com a homenagem a quatro munícipes que dentro de várias vertentes deram/dão o seu contributo para a divulgação do nome da cidade de Albergaria-a-Velha e ao fortalecimento das redes sociais marginais da nossa cidade.

O presidente do executivo actual, no seu discurso, não deixou de tecer considerações sobre a sua convicção de que “(...) ser autarca é ter a função de ser porta-voz de um conjunto de cidadãos que desejam ser ouvidos, respeitados e representados, na exacta medida de que nada se faz sem as pessoas e de que a política apenas faz sentido se for um percurso feito em comunhão com todos os munícipes.

Hoje em dia, começa a haver um crescente divórcio entre a política e os cidadãos, entre os eleitos e os eleitores, colocando em causa um dos pilares fundamentais que a nossa democracia trouxe com o 25 de Abril de 1974, a legitimação do poder político pela extensão do voto e da vontade popular. Os media dão-nos conta diariamente de focos de insatisfação que condenam os que estão em posição de destaque na política ou na administração pública. Ouvem-se ecos de que no seu lugar fariam melhor.

Enquanto, na prática, não colocarmos em acção as nossas capacidades, não temos a certeza do que somos capazes. Se estivéssemos na posição deles talvez fizéssemos pior, daí a necessidade imperiosa que temos de previamente nos retractar, porque não conhecemos as circunstâncias em que se encontram todos aqueles que têm sobre os seus ombros o grande peso da responsabilidade pública.

Como tudo na vida, há que ter vontade, saber e ter disponibilidade para marcar a diferença, representar a ruptura de mentalidades e visão de uma função nobre que é servir as pessoas da nossa Freguesia. É este o desafio que nos é colocado hoje, como forma de mostrar a todos os cidadãos que a política é útil e o meio privilegiado para garantir que amanhã iremos estar melhor que hoje.

Porque acredito que vale a pena não desistir de lutar; porque acredito que as pessoas valem todo o nosso esforço e empenho; porque acredito firmemente que estamos cá pelas pessoas e para as pessoas, o compromisso que assumo, é o de que, o executivo que presido prosseguirá o trabalho desenvolvido em prol da Cidade de Albergaria-a-Velha e dos Albergarienses, no pleno respeito pelos valores da democracia, da fraternidade e da igualdade de oportunidades (...)”

Devido ao número de pessoas a receber as distinções e aos seus familiares de várias gerações, que quiseram partilhar a alegria e o júbilo desta Cerimónia Solene, com destaque para uma familiar que nesta data tem 98 anos, ocorreu no Cineteatro Alba.

Por volta das 13 horas, no Parque de Lazer do Estuval, houve o convívio onde os presentes tiveram a oportunidade de ver as características da nova oferta de área que o mesmo contempla a quem lá se deslocar para usufruir de momentos de partilha com familiares e amigos.

Fazemos votos de que todos possam considerar aquele espaço como seu, preservando e cuidando para que as gerações vindouras possam ter orgulho daqueles que os procederam.

Junta de Freguesia de Albergaria-a-Velha

Além da medalha de honra foi também oferecida uma nova publicação da JF de Albergaria-a-Velha com uma pequena biografia dos homenageados. Esta publicação também foi oferecida ao Arquivo Municipal, à Câmara Municipal e aos familiares do antigo presidente da Junta Fernando Nogueira da Silva que já foi homenageado em 2009.