quinta-feira, 26 de março de 2009

Aniversário dos Bombeiros de Albergaria-a-Velha

A Associação dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha comemora o 84º aniversário nos dias 4 e 5 de Abril.

No sábado (dia 4), o quartel de Angeja estará aberto à população desde as 9 horas, havendo a realização de um simulacro (15h) e convívio (16h) naquela freguesia.

No domingo (dia 5), o programa inclui a recepção aos convidados e formatura geral (9h), imposição de condecorações (9h15), romagem ao Monumento ao Bombeiros (10h30), missa solene (11h), bênção de nova viatura na Alameda 5 de Outubro (12h30) e almoço convívio (13h30).

Região de Águeda, 20 de Março de 2009

Novo Quartel

A corporação anda a recolher fundos para a construção do novo quartel.

Para ter acesso aos desenhos de especialidade em formato PDF para a construção do novo quartel, proceda à transferência bancária para o NIB da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha e receberá os dados de acesso, para o e-mail citado no formulário, que lhe permitirá fazer o download dos ficheiros.

http://www.bombeirosdealbergaria.pt/quartel/



Em 18 de Novembro de 2008, a Câmara Municipal e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários assinaram a escritura de constituição do direito de superfície do terreno destinado à construção do novo Quartel dos Bombeiros. De acordo com o documento assinado, a autarquia constitui, gratuitamente, a favor da Associação dos Bombeiros Voluntários o direito de superfície, pelo período de 51 anos, sobre dois artigos: um prédio urbano composto de terreno destinado a construção urbana sito na Zona Industrial de Albergaria-a-Velha, com um área de 14194 m2 e um prédio rústico composto por terreno de vinha e pinhal, sito no Taco, com 1920 m2. Além da constituição do direito de superfície, a autarquia desenvolveu o projecto de arquitectura do novo quartel, sem qualquer custo para a Associação Humanitária, e colaborou num processo de candidatura. (CMAAV)

Apenas por curiosidade deixamos aqui a indicação de alguns locais que chegaram a ser ponderados para o novo quartel:

- na Estação do Caminho de Ferro, face à Alameda 5 de Outubro;
- terreno na ZI junto ao CMA.;
- terreno perto da TOTAL;
- terreno anexo ao quartel existente;
- e terreno no centro Albergaria-a-Velha (Auto-reparadora).

Fonte: Forum BVAV (Março de 2006)

sexta-feira, 13 de março de 2009

O tempo que passa e a memória que perdura

Alguém, já nem sei quem, escreveu que "uma pessoa só morre depois de morrerem todos aqueles que a conheceram". É este um dizer de sabedoria normal, que faz com que perdure, para além do tempo e capaz de o vencer, a memória do coração. Aquela que sempre guarda, envolvidos em amor, os que fazem parte da mesma vida ou que partilharam os mesmos ideais.

Como se fala hoje muito das doenças do coração e das suas consequências, vamos encontrando razões para perceber que também ele vai perdendo a memória e, deste modo, deixa morrer muita gente antes de ela se ter despedido de vez. É o mundo incontável dos não-amados, dos idosos a reclamar cuidados e a exigir despesas sem lucros, das vítimas, como tantas crianças, depressa esquecidas por decisões loucas. São ainda todos os que vivem do outro lado da barricada, se evitam na vida e a quem se pôs um rótulo definitivo de cariz politico, religioso ou qualquer outro, marcado pela desafeição, e de quem de diz, com normalidade, que é como tivessem já morrido….
No tempo actual tudo parece ter referência obrigatória ao económico e ao poder. Quem perdeu cotação nestes campos, põe-se simplesmente de lado ou já morreu. A menos que teime em contrariar, permanecendo vivo, para gáudio de uns e incómodo de outros.
Ser incómodo, a qualquer título, hoje é um perigo. Os afectos, as emoções, a liberdade sem peias passaram a ser o mais poderoso fundamento das leis e das relações sociais. Estas vão-se encarregando de aliviar o terreno, para que nem os gerados não nascidos, porque “ainda não são gente”, nem os que já não merecem ser vivos, porque oneram o tesouro e roubam tempo aos apressados, incomodem cada vez manos quem quer ser livre de responsabilidades e, mais ainda, do pesado ónus de ter de amar e de respeitar.

O amor, essa dívida nunca paga por quem dele beneficiou! Aqui, entra a memória do coração, grande teimoso que não deixa morrer nem quem já partiu Entra o espaço necessário da gratidão, o reduto sempre aberto do respeito e do apreço, o sentimento maravilhoso de quem diz "nunca morrerás porque eu te amo". Entra a vida.

Só os vivos fazem parte da história e dela continuam eternamente protagonistas. Aos que apenas se olham a si próprios e aos seus interesses, o tempo os leva consigo na onda do esquecimento. Aos que fazem do cuidado e do bem dos outros o seu caminho diário, a vida não os deixa morrer, nem esquecer. Redimem os tempos povoados de egoísmo, servem de estímulo aos que optaram por ser solidários e dar lugar aos outros, com gestos feitos de amor fraterno e de reconhecimento da sua dignidade.
A memória apaga-se facilmente, por incómoda e desnecessária, se não é guardada por um coração que sente e persiste em ser lúcido e agradecido. Há pessoas que, da sua memória, resta a placa na rua. Põe-se-lhes, por debaixo, a indicação de quem foram, porque já ninguém os conheceu. Quase sempre homens da política, promovidos por correligionários. Poucas ruas com nome de mulheres. Outras pessoas, que podem nem ter nome nas ruas, serem até de terras, povos e línguas diferentes, os que viveram ontem e vivem hoje bem os conhecem. É o que se passa com quem viveu fazendo o bem, por ele soube dar sentido à história e à sua vida em sociedade. São esses os que nunca morrem. Sempre conhecidos de quem lhes está grato por uma vida que gerou vida, por um testemunho que anima a fazer igual caminho. O tempo apaga tudo, menos a memória do bem, a que o amor deu sentido. Com gestos de bem-fazer, é preciso dar memória ao coração, dar lugar aos que ninguém lho deu.

Assim, vale a pena viver, se abre caminho ao alcance de todos, se dá sentido ao tempo.

D. António Marcelino - Bispo Emérito de Aveiro

publicado no jornal Região de Águeda de 12/03/2009

quarta-feira, 11 de março de 2009

Electricidade no Concelho

A electricidade chegou à sede do concelho antes de 1928, tendo tido a Câmara Municipal como produtor e distribuidor. A partir de 1932 passa a receber da União Eléctrica Portuguesa(UEP).

A electricidade chega em 1935 a Angeja e Branca; em 1936 a Frossos; e em 1950 a Ribeira de Fráguas e Valmaior.

Centrais de serviço público

Em Albergaria-a-velha existia apenas a central da Câmara Municipal, termoeléctrica, com 30 kW de potência instalada, anterior a 1928 e que a partir de 1932 passa a apoio da UEP. É desactivada em 1935.

Centrais de serviço particular

Existiram 3 centrais de serviço particular, duas delas mistas:

- As do Palhal, da empresa Minas e Metalurgia. Tendo a componente hidroeléctrica, 838 kW de potência máxima, e estando instalada no rio Caima e a termoeléctrica, de apoio, com 584 kW de potência máxima, ambas instaladas em 1939.

- As da Quinta do Caima, da Caima Pulp Company. A componente hidroeléctrica, anterior a 1928, teve uma potência máxima de 83 kW, e esteve instalada no rio Caima, e a termoeléctrica com 244 kW de potência máxima, foi instalada em 1935.

- A de Valmaior, da Companhia do Papel do Prado, hidroeléctrica instalada no rio Caima, desde 1949, com 45 kW de potência.

Fonte: Wikienergia e Estatísticas da Instalações eléctricas em Portugal, 1928-1950.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Artigo de JLV


«Mamoas» de Albergaria-a-Velha

Um dólmen consta duma parte arquitectónica (câmara e corredor) e dum aterro (tumulus), que em algumas regiões nossas tem o nome de mâmoa. Deve entender-se que este nome é antigo, e que se conservou ua tradição, em geral sem sentido, e só como designação locativa.

Junto de Albergaria-a-Velha há dois sítios chamados respectivamente Mamoa das Arrotas e Mamoas do Taco.

0 meu ilustrado amigo o Sr. Patrício Teodoro Álvares Ferreira, notando com razão que tais nomes deviam designar monumentos preistóricos, verificou que em verdade havia nos sítios uns montículos de terra muito antigos, e convidou-me para lá ir vê-los, o que fiz em começos do Setembro de 1911. Para aqui transcrevo do meu canhenho arqueológico a descrição sumária do que em companhia dele observei.

I. Mamoas das Arrotas

Fica dentro de um pinhal, ao sul e na freguesia de Albergaria, da qual dista cerca de 1 quilômetro,-à direita da estrada de macadame que vai do Porto a Lisboa, nas proximidades da povoação de Açores. É pouco elevada, mas de grande diâmetro. No centro há uma excavação pouco profunda, que corresponde ao lugar em que outrora esteve a câmara. Nenhuma pedra resta.

II. Mamoas do Taco

São em número de três. Ficam na freguesia e ao sul de Albergaria, distantes das últimas casas da vila cerca de 1 quilómetro.
A 1ª é pouco alta, mas de grande diâmetro. Nenhuma pedra.- Muitas louras de coelhos.
A 2ª dista uns decâmetros desta para Norte. Nas mesmas circunstâncias da anterior.
Á mesma distância, plus minús, fica a 3ª, que é como as outras. A circunferència dela orça por uns 110 metros; a altura por uns 3 metros.
Todas estão dentro de um pinhal, que o povo chama «das mâmoas». O sítio é nu de pedras; só por aí se vêem alguns seixos e xisto.

Os esteios dos dólmens ou desapareceram, ou jazem enterrados muito fundo.

Na figura junta dou a gravura de uma delas, segundo a fotografia que o Sr. Patrício Álvares Ferreira me enviou.
.
Apesar da modéstia da presente noticia, ela constitue o mais antigo capítulo da história de Albergaria-a-Velha.

José Leite De Vasconcelos

-----Palavra esdrúxula. Do latim mammula, deminutivo de mamma; por ter sido comparado o atêrro a uma mama. Na topografia há outras palavras com origem em metáforas tiradas do corpo dos animais, v. g. cabêço, cêrro, costa; vide sobre o assunto as minhas Lições de Philologia Portuguesa, Lisboa 1911, pág. 259 e 470

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Calão dos contrabandistas de Albergaria-a- Velha

À identidade dos elementos fundamentaes do calão no tempo, junta-se a sua identidade no espaço : assim a maioria dos termos do calão do norte de Portugal encontram-se ao sul. O mesmo facto repete-se com as diversas girias nos outros paises. (...)

Calão dos contrabandistas de Albergaria-a-Velha

Para confirmar essa observação darei uma lista, infelizmente muito curta, de termos usados numa giria de gente de Albergaria-a- Velha, districto de Aveiro, a qual negoceia em cavalgaduras, faz contrabando, e tem contracto com ciganos, sendo até conhecida pela denominação imprópria de ciganos.

Devo o conhecimento d'esses termos aos srs. coronel Brito Rebello e médico Lemos (de Alquerubim). A maior parte de taes termos é-nos conhecida de outros pontos do paiz (especialmente de Lisboa e Porto); alguns que parecem especiaes ao calão de Albergaria devem ter tido maior extensão no uso: só assim se explica como piovês (do argot francez pivois), stockjish (do inglez, em que a palavra significa bacalhau secco) chegaram até essa gente de Albergaria. A lista faz crer que o estudo das girias semelhantes das nossas províncias teria muito interesse.

Arames, s. m. pi. Esporas.
Artife, s. m. Pão.
Befe, s. m. Podex.
Broi, broia, adj. Bom, boa.
Cachilras, s. m. pi. Seios.
Calique, s. m. Dinheiro.
Catroio, s. m. Cavalgadura.
Catruchas, s. f. pi. Botas de agua.
Chavelho, s. m. Copo de vinho.
Cboina, s. f. Cama.
Choinar, v. n. Dormir.
Coco, s. m. Copo.
Cosque, s. m. Casa.
Croia, s. f. Dona da casa.
Desconfiar, v. n. Retirar-se.
Duque, s. m. Cão.
Escarnhida, s. f. Excremento humano.
Esquilha, s. f. Sardinha.
Estoio, s. m. Cavalgadura.
Fanfar, v. a. Apanhar, roubar.
Fardelhas, s. f. pi.
— de trigo. Pão de trigo.
Froina, s. f. Broa.
Gadanhos, s. m. pi. Dedos.
Gelfo, s. m. Cão.
Gomarra, s. f. Gallinha.
Irmo, s. m. Irmão.
Lupante, s. m. Olho.
Lupar, V. a. Ver.
Malurdia, s. f. Mãe.
Manez, s. m. Homem.
Maneza, s. f. Mulher.
Moinar, v. n. Dormir.
Moletos, s. m. pi. Pós ou dedos.
Monteira, s. f. Cabeça.
Moquideira, s. f. Boca.
Mosquir, v. n. Comer.
Mosco, s. m. Poubo.
O-da-eira. Padre.
Palurdio, s. m. Pae.
Piar, V. a. Beber.
Piar-do-ventre. Flatus ventris.
Piovês, s. m. Vinho.
Porco, s. m. Porco.
Quilhar, v. a. Futuere.
Raso, s. m. Padre.
Reco, s. m. Porco.
Reichelo, s. m. Porco.
Respo, s. m. Excremento humano.
Stockfish, s. m. Presunto.
Suquidora, s. f. Boca.
Suquir, V. a. Comer.
Telo, s. m. Jumento.
Tó, s. m. Porco.
Trigo, s. m. Pão.
Vezer, v. a. Ver.
Zagrâo, zagré, s. m. Vinho.

"Os ciganos de Portugal; com um estudo sobre o calão. Memoria destinada à X Sessão do Congresso Internacional dos Orientalistas", de Adolpho Coelho (1892)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Junta de Freguesia de Albergaria-a-Velha

Foi publicada uma notícia no jornal Região de Águeda a informar que a Junta de Freguesia de Albergaria-a-Velha pretendia atribuir, em data não indicada, medalhas ao Sr. Fernando Nogueira da Silva e às colectividades da freguesia com mais de 25 anos.

O CDS local já tinha proposto a atribuição de uma medalha ao antigo presidente da JF Albergaria.

A Junta aprovou no ano passado o regulamento de atribuição de medalhas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

11 de Fevereiro

Deixar passar em claro o dia 11 de Fevereiro, seria quanto a nós uma falta indesculpável, pelo que ele representa de lu­ta, querer, e esforço pelas coi­sas de Albergaria-a-Velha.

Diríamos mesmo que esta data está pré-destinada para as efemérides valiosas tal aquilo que representa de progresso na nossa vila.

Uma só data e dois aniver­sários, é para nós qualquer coisa que nos entusiasma e que nos obriga a dizer que nestes assuntos nem sempre há me­mória curta.

CINE-TEATRO ALBA

A primeira festa de aniversá­rio vai para o Cine-Teatro Al­ba, que em 11 de Fevereiro de 1950 abriu as suas portas ao Público. Numa pequena brochura policromada, tendo como abertura a figura saudosa e sempre presente de Américo Martins Pereira onde se enal­tecia a obra à data inaugura­da, esta publicação debruça-se sobre o apetrechamento da casa da espectáculos podendo-se ler:

«O Cine-teatro Alba — pro­jecto do Eng.° Júlio José de Brito, é sem dúvida uma das melhores, mais modernas e mais luxuosas casas de espec­táculos do país...

Com uma lotação total de cerca de 600 cómodos lugares, é dotado de aparelhagem dupla
de cinema — Gaumont Kalle 21 — alta fidelidade em som, equipada com lanternas de pro­jecção de grande intensidade e projectores para o palco, pos­suindo uma instalação de alto­-falantes, numa rede completa, com sinal de chamada eléctrica por todo o edifício, enriqueci­do com todos os pavimentos e lambrins revestidos de mármo­re, um magnífico bar, sala- de recepção luxuosíssima, esplên­didos vestiários, escaparates de exposição, etc., o Cine-Teatro Alba é uma casa de espectá­culos sem rival na província e competindo, mesmo, com as melhores da capital».

A família Martins Pereira no seu todo não foi esquecida com encómios ao seu chefe de então Sr. Augusto Martins Pereira «homem que vive pelo coração e pelo cérebro com largo saber de experiência feito, tanto tem trabalhado e produzido para tornar Albergaria maior e. melhor, evidenciando , e dedicando-lhe, as mais vastas faculdades de realização.»

(…)

É efectivamente um espaço de que Albergaria e seu con­celho continua a usufruir e que ,nós hoje aqui trazemos somen­te para lembrar que os homens passam mas as obras ficam, num testemunho do quanto va­le a pena o empenhamento pe­lascoisas. úteis da terra.

RÁDIO

A 11 de Fevereiro de 1986 foi para o ar e pela primeira vez a Rádio Independente de Albergaria, que constituída em cooperati­va, veria o seu nome alterado meses depois para Rádio Osseloa — C. R. L. nome que presentemente ostenta. Poder­-se-á dizer que não foi fácil a sua implantação e quanto ao seu nascimento ele observou-se com um certo medo e indesmentível pessimismo. Talvez quem sabe, se uma experiência e nada mais! Mas assim não aconteceu. Com o saber, esfor­ço e tenacidade dos seus fun­dadores srs. Horácio Araújo Gomes, Fausto Pereira Gomes e seu filho Manuel Pereira Go­mes a rádio local fez ouvir a sua voz. Quanto a estúdios é que a coisa não tem andado bem, isto é, tem-se andado de Caifaz para Pilatos como soe dizer-se, valendo neste aspecto a boa vontade de`diversas pessoas que voluntariamente têm cedido a título precário as ins­talações por vezes em casa própria. Em 18-12-86 tomou posse a primeira direcção a (….)

Beira Vouga nº 395, 16/02/1987

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sobre o Dr. Manuel Homem Ferreira

Já depois de publicada a segunda edição, faleceu o Sr. Dr. Manuel Homem Ferreira, a quem dedico esta edição. Este ilustre advogado era por todos reconhecido como jurista distinto, livre, probo e combativo, estimado pela correcção de trato e pela lealdade com que sempre se relacionou com colegas e magistrados. Admirado pelo seu inconfundível estilo a peticionar e a alegar, que se concretizava no uso exacto, expressivo e conciso da palavra, aliado a um insuperável rigor técnico e a uma fina ironia. A sua morte representou para a advocacia portuguesa a perda de um dos seus mais lídimos representantes que ao longo de mais de cinquenta anos, de profícua actividade, a prestigiou.

Estarreja, 2 de Novembro de 2004.

João Pedro de Melo Ferreira (prefácio à terceira edição da obra Código das Expropriações)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Incêndio destrói parte de casa apalaçada


Um incêndio de proporções consideráveis destruiu parte da Casa da Fontoura, em Beduído, Alquerubim, onde está a ser erguido um espaço de turismo rural. Face à extensão das chamas, os bombeiros tiveram que partir parte do telhado para libertar o intenso fumo que se fazia sentir no interior da moradia

Uma das mais qualitativas e históricas casas do concelho de Albergaria-a-Velha sofreu danos que se podem considerar de teor bastante elevado, com os seus donos a assistirem àquilo que eles próprios classificam de tragédia, não apenas financeira como histórica.

Por volta das 22 horas de anteontem, um incêndio destruiu parte de uma casa do século XVIII, propriedade de Alberto Nogueira de Lemos, médico de cirurgia torácica no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. O imóvel, de rés-do-chão, chama-se Casa da Fontoura e situa-se na Rua de São Brás, no lugar de Beduído, freguesia de Alquerubim, e apresenta uma traça apalaçada e tem vindo a ser alvo de obras, de modo a tornar num espaço de turismo rural.

O fogo parece ter começado numa das chaminés e a empregada terá ouvido um grande estrondo e, logo que se aproximou, deparou com a cozinha e a casa do forno em chamas. O proprietário e a esposa, que vieram a Beduído passar o Natal, estavam noutra dependência e, ao verem o fogo irromper, chamaram os Bombeiros de Albergaria-a-Velha, que fizeram deslocar ao local cerca de 20 homens, três carros de fogo e uma ambulância. Foi necessário usar máscaras e botijas de oxigénio para entrar na casa, onde o fumo era muito intenso.

Com o uso de agulhetas e intensos jactos de água despejados sobre o telhado e o interior das dependências atingidas, os bombeiros conseguiram dominar o fogo ao fim de hora e meia, mas os trabalhos de rescaldo só viriam a ser concluídos por volta das duas da madrugada. Os prejuízos são bastante elevados, mas estão cobertos pelo seguro, tendo a GNR de Albergaria-a-Velha estado no local a fim de registar a ocorrência, que juntou muitos curiosos na rua fronteiriça à Casa da Fontoura.

EA
Albergaria-a-Velha - quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007


Quinta da Fontoura