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sábado, 21 de janeiro de 2023

Fernando Nunes Almeida


Fernando Nunes de Almeida nasceu em dia 21 de Maio de 1928 em Lisboa. Iniciou na capital a sua profissão na Segurança Social, vindo mais tarde trabalhar para Aveiro.  Passou a viver em São João Loure, terra de seu pai. A mãe era de Angeja.

Era casado  com Maria da Conceição Filipe Almeida de quem enviuvou. Morreu em Mirandela onde reside um dos seus dois filhos.

Foi presidente da Câmara Municipal entre 1981 e 1986. Era vereador em janeiro de 1981 aquando do falecimento de José Nunes Alves passando a ocupar o lugar de Presidente da Câmara. Venceu depois as eleições de 1982. Não foi o nome escolhido em 1985 mas voltou a ser vereador em 1983.

Recebeu a medalha de Ouro do município em 27/05/1995. 

Faleceu no dia 14 de Janeiro de 2023.

fonte: Jornal de Albergaria, 19/01/2023 (adaptado)


Almeida, Fernando Nunes de: N. 1928. Escriturário. Funcionário dos serviços sociais. Foi eleito vereador em 16-12-1979 pelo PSD e (...) tomou posse como Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, substituindo o presidente eleito, José Nunes Alves, que faleceu (em Janeiro de 1981). Exerceu o cargo até 15-12-1985, cumprindo dois mandatos.

Dicionário Biográfico do Poder Local

DESPACHO CM

LUTO MUNICIPAL
EM MEMÓRIA DO EX.MO SR. FERNANDO NUNES DE ALMEIDA

É com profundo pesar que a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha tomou conhecimento do falecimento, no dia 14 de janeiro de 2023, do Ex.mo Senhor Fernando Nunes de Almeida.

Nesta hora de dor, em nome da Câmara Municipal, envio as minhas condolências à família, aos amigos e aos Albergarienses em geral, que se revêm na obra que ele nos deixou.

O Ex.mo Senhor Fernando Nunes de Almeida ficará para a história do município de Albergaria-a-Velha como Presidente da Câmara Municipal, Vereador, mas também como Homem Bom e Ilustre, que honrou a história do poder local e que foi exemplo de dedicação ao serviço público.

Muito se poderia dizer de Fernando Nunes de Almeida, mas as palavras não são suficientes para expressar de forma completa o valor deste cidadão, o qual, incontestavelmente, é um símbolo da nossa terra e da nossa democracia.

É, pois, com este sentimento de perda que declaro LUTO MUNICIPAL nos dias 15 e 16 de janeiro de 2023, reconhecendo publicamente o seu valor como cidadão.

É colocada a meia haste a Bandeira do Município em todos os seus edifícios.

Paços do Município de Albergaria-a-Velha, 14 de janeiro de 2023.

O Presidente da Câmara Municipal,

António Augusto Amaral Loureiro e Santos


Eleições Autárquicas 1982 | Comissão Nacional de Eleições (cne.pt)


Eleições Autárquicas 1993 | Comissão Nacional de Eleições (cne.pt)


resultados_al_1993_cm_am.pdf (cne.pt)

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

José Nunes Alves

(...) José Nunes Alves, um dos poucos presidentes que se manteve em funções a seguir ao 25 de Abril de 1974, por pressão da população do concelho, que não permitiu a sua destituição do cargo. José Nunes Alves passou a presidir à Comissão Administrativa da autarquia até as primeiras eleições autárquicas de 1976, nas quais foi candidato pelo PSD e venceu o acto eleitoral. 

Ao longo dos anos, José Nunes Alves ligou-se e apoiou várias instituições concelhias, incluindo os Bombeiros, que agora pretendem atribuir-lhe a categoria de sócio honorário, não sendo previsível outra decisão que não seja a aprovação da proposta, muito provavelmente por unanimidade.


A memória do presidente da Câmara José Nunes Alves merece mais do que o nome em duas ruas, merece um busto! Foi presidente de Câmara antes do 25 de Abril de 1974, manteve-se no período revolucionário, como presidente da comissão administrativa, e venceu as duas primeiras eleições autárquicas livres. 

Faleceu no exercício do cargo, e merecia que o féretro tivesse saído dos paços do concelho - o que não aconteceu. A sua acção está aí, e devia ser devidamente recenseada. E recordada. 

Mário Jorge Lemos Pinto (grupo Café Girassol - Facebook)

José Nunes Alves nasceu em 14 de Novembro de 1902 e faleceu em janeiro de 1981. 

domingo, 28 de outubro de 2018

Dicionário biográfico do poder local


Na sequência da publicação em 2013 do livro  "O Poder Local do Estado Novo à Democracia: Presidentes de Câmara e Governadores Civis, 1936-2012", também sob a forma de e.book , completo aqui a publicação dos dados recolhidos para o projeto de pós-doutoramento desenvolvido no Centro de Investigação e Estudos em Sociologia, do ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa. O extenso trabalho de recolha de fontes deu origem a uma base de dados com mais de 6.000 entradas respeitantes a 3.102 presidentes de câmara (e vice-presidentes, além de presidentes e vogais de comissões administrativas entre 1974 e 1976) e 402 governadores civis (e substitutos), cujas listas foram publicadas na obra acima mencionada.

Fonte:

Dicionário biográfico do poder local em Portugal, 1936-1913
Por Mária Antónia Pires de Almeida

Albuquerque, Bernardino Correia Teles de Araújo e: Estudos superiores. Presidente da Comissão Administrativa de Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, foi nomeado Presidente do Conselho Municipal, mediante o disposto no Decreto-Lei nº 27.424, de 31-12-1936, no dia 22-02-1937 (DGII nº 45, 24-02-1937). Em 14-12-1937 passou a Presidente da mesma câmara (DGII nº 292, 15-12-1937). Exonerado a seu pedido em 04-01-1946 (DGII nº 10, 12-01-1946).

Pereira, Américo Martins: N. 1905. Ensino secundário. Filho de Augusto Martins Pereira, industrial e Presidente da Câmara, e irmão de Albérico Martins Pereira, Vice-Presidente. Gerente comercial de indústria metalúrgica familiar Alba. Foi nomeado Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, em 18-07-1946 (DGII nº 168, 22-07-1946). Faleceu no cargo em 01-09-1949. Pai de António Augusto Martins Pereira.

Raposo, João:  Estudos superiores. Foi nomeado Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, em 29-12-1949 (DGII nº 1, 02-01-1950). Exonerado a seu pedido em 28-07-1950 (DGII nº 180, 04-08-1950). Em 08-05-1957 foi nomeado Vice-Presidente da Câmara Municipal de Aveiro (DGII nº 110, 10-05-1957). Foi-lhe concedida autorização para ser demandado criminalmente no processo que contra ele pendia no tribunal (DGII nº 273, 21-11-1959). Exonerado a seu pedido em 11-02-1960 com louvores (DGII nº 40, 17-02-1960).

Pereira, Augusto Martins: N. Sever do Vouga, distrito de Aveiro, 27-11-1885. Trabalhou em criança nas Minas do Braçal. Emigrou para os Estados Unidos da América onde aprendeu e se aperfeiçoou nas técnicas de fundição e metalurgia. Instalou-se nos Açores e fundou a Fundição Lisbonense, em Ponta Delgada, 1907, que vendeu em 1920. Em 1921 fixou-se em Albergaria-a-Velha e criou a Fundição Albergariense, empresa metalúrgica. Com mais 29 sócios locais constituiu a Sociedade Augusto Martins Pereira, Lda, 1923. Esta sociedade evoluiu, já sem sócios, para a empresa Alba Fábricas Metalúrgicas, a qual obteve uma Medalha de Ouro na Exposição Industrial Portuguesa de 1934. Agraciado com a Comenda de Mérito Industrial, 1936. Fundador da Banda Alba e do Cine-Teatro Alba. Criou uma cantina e um armazém para minorar as dificuldades do abastecimento provocado pela II Guerra Mundial. Provedor da Santa Casa da Misericórdia local. Industrial. Foi nomeado Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, em 28-07-1950 (DGII nº 180, 04-08-1950). Exonerado em 02-12-1957 (DGII nº 285, 07-12-1957). Faleceu em 02-05-1960. Pai de Américo Martins Pereira, anterior Presidente da mesma câmara, e de Albérico Martins Pereira, Vice-Presidente.

Ferreira, Gaspar Inácio: N. Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, 06-01-1885. Curso de infantaria. Participou em ações militares em Moçambique, 1917-1918, e foi condecorado com uma medalha de ouro. Chefe dos serviços municipalizados de eletricidade de Aveiro, 1924-1935. Presidente da Junta Autónoma do Porto de Aveiro durante 30 anos. Coronel das Forças Armadas. Presidiu à Junta Militar de Aveiro, 1926-1932. Chefe de gabinete do Ministro do Interior, 1932. Foi nomeado Governador Civil de Aveiro em 18-08-1932. Exerceu o cargo até 26-03-1936. Deputado à Assembleia Nacional, 1945, 1949, 1953. Presidente da Comissão distrital da União Nacional. Em 02-12-1957 foi nomeado Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro (DGII nº 285, 07-12-1957). Exonerado a seu pedido em 25-03-1963 com louvores (DGII nº 76, 30-03-1963). Recebeu a comenda da ordem do Infante D. Henrique.

Correia, Flausino Fernandes: Estudos superiores. Foi nomeado Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, em 25-03-1963 (DGII nº 76, 30-03-1963). Reconduzido por portaria de 23-03-1967 (DGII nº 78, 01-04-1967). Exonerado a seu pedido em 05-11-1968 com louvores (DGII nº 267, 13-11-1968).
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Ferreira, José Homem de Albuquerque: Estudos superiores. Foi nomeado Vice-Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, em 05-05-1961 (DGII nº 109, 08-05-1961). Exonerado a seu pedido em 25-03-1963 com louvores (DGII nº 76, 30-03-1963).

Pereira, Albérico Martins: Filho de Augusto Martins Pereira e irmão de Américo Martins Pereira, ambos industriais e Presidentes da Câmara. Foi nomeado Vice-Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, em 25-03-1963 (DGII nº 76, 30-03-1963). Reconduzido por portaria de 01-04-1967 (DGII nº 85, 10-04-1967). Exonerado a seu pedido em 26-11-1968 (DGII nº 285, 04-12-1968).
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Alves, José Nunes: N. Sobreiro, Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, 1903. Proprietário. Foi nomeado Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha em 07-01-1969 (DGII no 9, 1101-1969). Reconduzido por portaria de 30-01-1973 (DGII no 30, 05-02-1973). Foi reconfirmado no cargo por portaria de 17-06-1974, nos termos do no 1 do art. 6° do Decreto-Lei no 236-74 de 03-06-1974 (DGII no 156, 06-07-1974). Câmara foi dissolvida por portaria de 06-11-1974 (DGII no 270, 20-11-1974). Num dos três únicos casos excecionais de continuidade entre regimes (os outros foram em Figueiró dos Vinhos e Ribeira Brava) foi nomeado Presidente da Comissão Administrativa da mesma câmara em 06-11-1974 (DGII no 270, 20-11-1974), cargo que exerceu até às primeiras eleições autárquicas, que se realizaram em 12-12-1976 e nas quais foi eleito Presidente da mesma câmara pelo PSD. Nessa data apresentou a profissão de chefe de escritório aposentado. Exerceu o cargo até 16-12-1979, cumprindo um mandato. Foi reeleito em 1979. tinha 77 anos e apresentou a profissão de técnico de contas aposentado, mas não chegou a tomar posse porque faleceu (*), sendo substituído por Fernando Nunes de Almeida.

Almeida, Fernando Nunes de: N. 1928. Escriturário. Funcionário dos serviços sociais. Foi eleito vereador em 16-12-1979 pelo PSD e imediatamente tomou posse como Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, substituindo o presidente eleito, José Nunes Alves, que faleceu (*). Exerceu o cargo até 15-12-1985, cumprindo dois mandatos.

Marques, Rui Manuel Pereira: N. Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, 23-09-1953. Licenciado em Medicina. Médico no Centro de Saúde de Albergaria e no Hospital de Santa Maria da Feira. Casado. com três filhos. Foi eleito Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha em 15-12-1985 pelo CDS. Exerceu o cargo até 16-12-2001, cumprindo quatro mandatos. Nessa data foi eleito vereador. Deputado à Assembleia da República, 1995, 1999.

Pereira, João Agostinho Pinto: N. Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, 25-09-1957. Curso Complementar de Eletrónica. Estudos Superiores Especializados de Administração Escolar e Bacharelato em Ensino de Educação Tecnológica. Professor do ensino básico (2º e 4º ciclos) na área de trabalhos manuais. Professor da Escola Comercial e Industrial de Évora, 1976. Professor do quadro de nomeação definitiva na Escola Preparatória de Albergaria-a-Velha, 1986, e Presidente do Conselho Diretivo da mesma. Curso Complementar de Formação de Professores. Presidente da Junta de Freguesia de Alquerubim, 1997. Presidente da Comissão Política Concelhia do PSD, 1998. Fundador da Associação de Solidariedade Social de Alquerubim (ASSA). Foi eleito Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha em 16-12-2001 pelo PSD. Exerceu o cargo até 29-09-2013, cumprindo três mandatos.

*Eleições de 1979: Tomou posse em janeiro de 1980 - Faleceu em 22/01/1981

terça-feira, 14 de março de 2017

Flausino Fernandes Correia


Flausino Fernandes Correia
Médico e Presidente da Câmara Municipal (1963 a 1968)
Nasceu a 6 de Fevereiro de 1906 - Faleceu a 16 de Julho de 1983
-
NÃO foi surpresa, porque se esperava esse triste acontecimento, mais dia menos dia. O nosso querido Amigo e Médico, a cujo Consultório íamos diariamente, mesmo que fosse só para lhe dizer BOM DIA!, estava doente há largos meses, com sucessivas crises cardíacas.


Era de presumir que uma viria a ser fatal. E só o não foi antes, muito antes, por ser Médico e, portanto, saber, como medicar-se e proceder, ao primeiro sintonia, até chegar o seu filho, o prestigioso Médico-lnternista a residir em Aveiro, DR, CARLOS CORRÊA, que passava comandar o processo.


O homem, porém, nunca aceita acreditar naquilo que não deseja. Nós sabíamos que isso viria a acontecer.


Mas esperavamos sempre por um imprevisível estabilizador, que nos afastasse esse cálice amargo, doloroso.


Quando, dez dias antes, um acidente cardiovascular o atingiu, o céu ficou mais plübeo. Mas, então, começou-se a orar pela recuperação da trombose. 0 DR. CARLOS CORRÊA, um dia, perdeu as esperanças. E disse-nos claramente que seu Pai tinha atingido aquele extremo em que o Médico abandona o doente, porque já não tem nada a fazer. Mas nós, os seus amigos, não acreditamos, sim, porque os Médicos, mesmo os melhores, também se enganam. Só que, infelizmente, ele não se enganou e à Meia noite e meia hora, o riquíssimo espírito do Dr. Flausino Corrêa desprendia-se do corpo, que já não servia a sua evolução, e regressava a Deus.


Não o vimos nem de cama nem morto. Assim, continuamos a recordá-lo vivo, no seu consultório. E ainda bem, porque é bem vivo e feliz que ele, o espírito liberto do Dr. Flausino Fernandes Corrêa, mais vivo do que todos nós, está agora.


Em 8 de Dezembro próximo, faria 50 anos que cá chegou, quando veio substituir seu primo Dr. Cláudio Torres. morto em acidente de viação. Era, pois, albergariense há cinquenta anos. E poucos, mesmo os naturais, o terão sido tão dedicadamente. Tão afincadamente, que cá ficou e jaz, em campa raza, no Cemitério de baixo, como é conhecido, ala direita, túmulo n.° 10. No dia em que teve o acidente vascular, pelas 15 horas, tinha vindo do café, e sentara-se no seu escritório a ler, Sua Mulher ,a Senhora Dra. Maria Celeste Monteiro, estava ao lado. Em dado momento, notou qualquer mutação na sua fisionomia e perguntou-lhe se não se sentia bem. Ele quis falar, mas teve dificuldade em articular a palavra. Então, indicou com a mão direita, um bloco-notas que estava à mão e escreveu, pela sua caligrafia, que nós lemos:
«Estava a ler o jornal e comecei a babar-me e a não poder falar. Vê lá se o membro superior tem movimentos.
Tinha que acontecer e já contava com isto desde há tempos.
Não tenham pena de mim.
O Carlos não deve levar-me para o Hospital. Prefiro ficar em casa.
Contava morrer do coração, de enfarte. Mas com esta doença -- acidente vascular cerebral, tenho receio de ficar entrevado, a dar mais trabalho à família,»
Ficou, de facto, em casa, uns dias melhor, outros dias pior. A parte esquerda estava afectada, Plenamente consciente, ele sabia o seu estado e talvez até desejasse o seu fim, porque a morte ,não o amedrontava. O que ele não queria. era dar trabalho. Disse-mo várias vezes, naquela sua expressão, que, nos Médicos nem. surpreende: «Morrer não é o problema. Lá morrer, todos temos de morrer.» E morreu no sábado, dia 16 de Julho. Viveu, pois, 77 anos, 163 dias e meia hora, se bem fiz as contas.
Ainda o não acreditamos bem. Ainda, todos os dias, quando lá passamos nos custa imenso entrar, não espreitar pela porta do consultório, na esperança de não ver o lugar vazio!
O.Dr. Flausino conheceu á que viria a ser sua Mulher, ainda estudantes do Liceu em Viseu. Mas o namôro começaria, mais tarde em Coimbra, onde a Senhora D. Maria Celeste Monteiro se licenciou em Farmácia e o Dr. Flausino em Medicina,
Em 1933, quando veio para cá, ainda estavam solteiros. Viriam a casar em 31 de Outubro de 1936, em S. João do Monte Tondela terra natal da noiva.
O Dr. Flausino 'Fernando Corrêa era natural do lugar de Mogueirães, freguesia de Cambra, concelho de Vouzela, distrito de Viseu.
Aqui viveram sempre e aqui lhes nasceram os filhos; a hoje Dra. Maria Helena Monteiro Corrêa, Professora do Ensino Preparatório em Aveiro, e casada com o nosso ilustre conterrâneo concelhio Dr. António Joaquim Marques Tavares, douto notário e Advogado em Vagos e o suso referido Dr. Carlos Monteiro Corrêa, casado com a nova Médica Senhora Dra. Maria Lisete Moniz Almeida Corrêa e já com o primogénito Daniel João, de 4 anos. O Dr. Carlos Corrêa vive em Aveiro e o seu consultório — e aqui o dizemos por nos haver sido solicitado por imensos leitores — é no 5º piso do novo edifício da OITA.
Por sua filha Dra. Maria Helena, o Dr. Flausino tem três netos: António Pedro, Teresa Maria e Ana Maria, que dá muitos ares do extinto Avô.
O Dr. Flausino, como era mais conhecido entre nós, era tanto albergariense, que á nossa Albergaria-a-Velha até procedeu com ele como procede com todos os seus filhos: má mãe e boa madrasta... Era da Câmara Municipal que deveria ser saído o seu funeral. Mas, da parte da Câmara, ninguém se mexeu!!! Isso não impediu que o seu funeral deixasse de ser uma das maiores manifestações de pesar a que temos assistido, em nossa já longa passagem pela vida. Sim, que o Dr. Flausino foi Presidente da nossa Câmara Municipal, de 1963 até fins de 1968, salvo erro ou omissão. E fez obra que se visse e ainda se está a ver, porque ainda se estão, ao que nos dizem, .a fazer coisas que vieram do seu Mandato. Assim, durante 1964 continuaram as diligências para a criação da Escola Técnica, tomando a C. M. de arrendamento um prédio para funcionamento de uma das suas secções e assumindo o encargo das despesas para adptação do respectivo edifício. Todo este problema prosseguiu até 1968, ano que a C. chamou a si a construção. Portanto, ESCOLA TÉCNICA.
Ainda em 1964, foi. adjudicada outra obra, que só terminou no ano seguinte e que foi O Abastecimento de Águas ao Angeja, Frossos e Frias.
MERCADO MUNICIPAL - Foi um dos seus grandes sonhos e que realizou. Veio a ser concluído em 1967.
Outra grande obra e que é fundamental para uma nova estrutura urbanística da nossa vila, era o PLANO DE URBANIZAÇÃO
É que todas estas realizações davam imenso trabalho, embora o Estado tivesse outra organização, que esta bagunçada hoje não tem.
Outra Obra e que ainda não está completa, tal a sua complexidade, mas que vem do seu mandato, é O SANEAMENTO DA VILA.
Outra Obra do Dr. Flausino, que, embora já criada, o era só no papel, porque não funcionava e ele com a C. conseguiram pôr de pé, foi a BIBLIOTECA MUNICIPAL. A Biblioteca Municipal Américo Martins Pereira foi inaugurada em Abril de 1965, sob o patrocínio da Fundação Caloust Gulbenkian.
A CASA DA JUSTIÇA - Só viria a ser inaugurada muito depois, mas o arranque dos trabalhos para a sua construção foi de Janeiro de 1965.
AS CASAS DA AVENIDA DA ASSILHó - Também foram concluídas em 1965, na Avenida da Assilhó, o nome popular dado à Avenida Dr. Bernardino de Albuquerque.
HABITAÇÃO SOCIAL - Muito significado teve a conclusão de 12 casas para pobres, em 1965, pelo contributo que veio a dar para dirimir o flagelo social que era e continua a ser o das carências habitacionais. De referir com particular interesse, que foi em 1967 que foram abertas as perspectivas para a construção das Casas de Renda Económica, em um total de 30.
ABASTECIMENTO DE ÁGUA À VILA - Foi sob o seu mandato que foi substituída a conduta de água à vila, Sobreiro e Assilhó.
ESCOLAS PRIMÁRIAS E CANTINAS ESCOLARES - Algumas Escolas Primárias foram construídas sob o seu mandato, com destaque especial para a de Fontes (Alquerubim). E foi a C. M. da sua presidência que mandou construir cantinas escolares em Alquerubim, Albergaria e Loure.
E isto é só um apanhado, per suma capita, porque estamos a dar uma noticia e não a fazer História de Albergaria, para que nos faltam unhas... Mas essa está em boas mãos.


FUNERAL


Sob a organização impecável da Agência Funerária Pascoal - Madail, começou, às 16 horas precisas, o seu funeral. Estava muitíssima gente, tanto de perto como de longe. Um dos nosos amigos veio dizer-nos isto: Tome aí nota e ponha lá isso: -Está tanta gente de Albergaria, que se sabe quem não está.» Não era Albergaria. De todo o concelho e distrito. E até de bem longe!
O Industrial Senhor Alberico Martins Pereira, impossibilitado de vir fez-se representar pelo nosso Director.


Conduziu a Toalha seu genro Dr. António Joaquim Marques Tavares e a Chave seu Filho Dr. Carlos Corrêa.


A ALBA estava largamente representada pelo seu co-herdeiro Senhor António Augusto de Lemos Martins Pereira e sua Mulher, pelo Senhor Eng.' Pedro Martins Pereira e sua Mulher e pela Senhora D. Sara Martins Pereira.


Sua Ex.' Reverendíssima o Senhor Bispo de Aveiro veio rezar o Terço à câmara ardente.
Do Porto, expressamente vieram o Prof. Doutor António Homem Corrêa Telles de Albuquerque Pinho e sua Mulher a Prof.' Universitária Doutora Alda de Albuquerque Pinho e o nosso amigo Arménio Alho. De Aveiro, muita gente! Notamos o Dr. Danton Paixão Nifo, o oftalmologista Dr. Candal, o Dr. António Nogueira de Lemos e sua Mulher. De Vagos, o Senhor Deputado Dr. Frederico de Moura. De Águeda, o Dr. António Sucena e sua Mulher. E, de cá, porque raramente são vistos em funerais, o Dr. Quina Ferreira e o Dr. Jacinto de Almeida.


Facto comovedor: lágrimas em centenas de olhos. Dos que melhor conhecemos, notamos lágrimas irreprimíveis no Lene Paiva e no José Carlos Vidal.


Alguns conseguiram contê-las — ou porque estavam «dopados», como agora se diz, ou porque terão um temperamento mais sereno. Esses mesmo, expressavam uma dor, que era bem visível. Era o caso, por exemplo, do José Marques Pereira, do Fontão, que era raro o dia que não nos encontrava-mos no consultório do Dr. Flausino. E era o caso do Vicente Páramos, que eslava com toda a sua Família, amigo íntimo, que ficou lá várias noites, durante a doença.


Salvo erro, seis Padres oficiaram no funeral: o nosso Arcipreste José Maria Domingues, o Senhor Prior de Cassurrães, no concelho de Mangualde, Celestino Corrêa Ferreira, que fez uma homilia impressionante durante a Missa de corpo presente, na Igreja Matriz, o Prior Raul da Cruz, o Padre Brinquete, o Padre Albino de Pinho, o Reitor de Cacia Manuel Armando Rodri- gues Marques e o Vigário de Cambra, freguesia natal do ilustre extinto.


Claro que estava muita família, tanto do lado do Dr. Flausino como do lado da Senhora Dra. Maria Celeste Monteiro,, que nós não conhecemos.


O Dr, Flausino Corrêa fez muita falta, para além da Família e dos seus doentes a quem se dedicou para além dos limites das suas forças! Numa das últimas tardes deste verão atrasado, em que estava mesmo frio, vimo-lo cá fora e ralhamos com ele: então vai sair com este frio?! Respondeu-nos, como quem se desculpa: Pois vou. Prometi que iria lá ao fim da tarde e a pobre mulher não tem culpa que esteja frio e que eu me tenha sentido pior!


E lá foi ele, no irreversível cumprimento do seu dever de Médico, que se esquece de si próprio para acudir ao semelhante.


«O Arauto de Osseloa» tinha, no Dr. Flausino, não só o melhor dos seus Colaboradores, como o conselheiro que está por dentro em todos os segredos do jornal. Nunca nos fez o mais leve reparo. Sempre nos aceitou como nós éramos e somos. Esperamos não ter perdido ainda o Colaborador, porque já temos promessa de nos serem reservados os textos, sobretudo poesia, que forem achados.
Não tenham pena de mim» — recomendava, no seu último texto.


Não, não teremos pena de Vós. O que precisamos é de ter pena de nós, que perdemos a Vossa presença física e a quem Vós fazeis tanta falta, pelo encanto do Vosso convívio, pela altura da Vossa sabedoria, pelo senso do Vosso conselho, pela tolerância do Vosso trato, em suma, por aquelas confortantes palavras diárias das 10 horas da manhã, naquele Vosso consultório, que virou altar de saudade, encerrado para sempre.


Vasco Mourisca, Arauto de Osseloa, 15/10/1983

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Entrega de Medalha



 Rui Marques nasceu em 1953 e é formado em Medicina pela Universidade de Coimbra, tendo-se estabelecido como médico em Albergaria-a-Velha. Foi Presidente da Câmara Municipal quatro mandatos consecutivos, de 1986 a 2002, e Vereador durante três mandatos, de 2002 a 2013. Exerceu o cargo de Deputado à Assembleia da República em 1998-1999 e foi Presidente Fundador da Associação de Municípios do Carvoeiro e Vice-Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Atualmente é membro da Assembleia Municipal de Albergaria-a-Velha.

O Município atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro em 18 de Fevereiro de 2017

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Primeiras autárquicas foram há 40 anos!


Foi em 12 de Dezembro de 1976 que se realizaram as primeiras eleições autárquicas em Portugal. Experiência única de democraticidade e de participação dos cidadãos na escolha dos que, mais perto de si, iriam assumir a administração local.

Para a presidência da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha concorria pelo PPD José Nunes Alves, que já ocupava o cargo desde os finais da década de 60, quando Vale Guimarães era governador civil de Aveiro. Nunes Alves passou incólume a turbulência do 25 de Abril de 1974, por se lhe reconhecer o seu passado de democrata, a sua capacidade de trabalho, a sua seriedade.

Presidiu à comissão administrativa que se seguiu à dissolução dos órgãos administrativos decretada após o 25 de Abril.

José Nunes Alves venceu e continuou por mais uns anos. Até 1981, quando faleceu.

A primeira Câmara Municipal eleita, de Albergaria-Velha, ficou assim constituída:

José Nunes Alves (PPD)
Prof. Rogério Camões (PPD)
Dr. Henrique Souto (PPD)
Eng. Rui Tavares (CDS)
Gualdino Silva (CDS)
António A. Martins Pereira (CDS)
Aires Rodrigues (PS)

A primeira Assembleia Municipal, eleita na mesma data, ficou presidida pelo Dr. Flausino Pereira da Silva. Dela faziam parte entre outros, Dr. Júlio Pereira (CDS), Lutero Letra da Costa (PPD), Armando Santos (PS), Carlos Mortágua (PPD), Mário Vidal da Silva (PPD),  Sebastião Resende (CDS), Silvino Lopes (PPD).

Os primeiros presidentes das Juntas de Freguesia, igualmente eleitos nesse dia, foram:

Albergaria: Manuel de Silva (CDS)
Angeja: Domingos Rodrigues de Silva (PPD);
Alquerubim: Manuel Barreto (CDS)
Branca: Grive da Silva Gomes (PPD));
Frossos: José António Praça (PPD);
S. João de Loure: Inocêncio Marques (PPD);
Valmaior: Manuel Letra (CDS)
Ribeira de Fráguas: João António da Silva (CDS)

Rogério São Bento Camões, Flausino Pereira da Silva e Carlos Manuel Melo Mortágua são os totalistas, pois desde 1976 que ocupam, ininterruptamente, cargos autárquicos.

Nos 20 anos de poder local, bem merecem, juntamente com os outros eleitos, a nossa homenagem.

Jornal de Albergaria, 19/12/1996


domingo, 24 de abril de 2016

As mudanças que o 25 de abril trouxe a Portugal

Amaro Neves foi diretor do jornal Beira Vouga no período imediatamente antes e depois da Revolução dos Cravos. O Correio de Albergaria esteve à conversa com o professor para saber as principais mudanças que se registaram passados 41 anos depois da Revolução que marcou o país.


Correio de Albergaria (CA): De que forma Albergaria-a-Velha entrou na sua vida?
Amaro Neves (NA): Eu fui convidado para ir trabalhar para a Escola Preparatória de Albergaria talvez em agosto de 1970 e trabalhei lá 2 anos. Nessa altura, o mundo de Albergaria era um mundo muito fechado mas a Escola Preparatória era uma lufada de ar fresco.


Aí, contatei com o Diretor do Arauto de Osseloa e também com o Beira Vouga que tinha uma tiragem quinzenal. Entretanto, vim fazer o estágio ao Liceu de Aveiro para o ensino secundário e fiz o exame de estado. O diretor da Escola Preparatória de Albergaria na época foi residir para o Porto e terá deixado a indicação que eu podia ser o diretor. O Presidente da Câmara na altura, José Nunes Alves, chamou-me para conversar e convidou-me para assumir o lugar. Eu confesso que era muito novo, tinha 31 anos mas conhecia a escola e aceitei. Fiquei por lá, isto em 1973. Em 1974 deu-se o 25 de abril e todos os diretores foram exonerados.


CA: E como surgiu a ideia de se tornar diretor do Beira Vouga?
NA: Nessa altura, falava frequentemente com o Presidente da Câmara e um dia ele lançou-me o desafio de eu assumir a direção do jornal Beira Vouga. Em setembro, outubro ou novembro de 1973 eu aceitei. O atual diretor, Homem Ferreira era um individuo com quem tive muito boas relações de amizade. Tornei-me diretor oficial em fevereiro ou março de 1974.


CA: E sentiu os efeitos da PIDE?
NA: Eu já tinha colaborado com outros jornais, já sabia o incómodo da PIDE, já me tinham batido à porta duas vezes. Em Albergaria beneficiava de alguma liberdade concedida pelo Presidente da Câmara mas não podíamos abrir, diretamente, qualquer assunto para o jornal. Dávamos o destaque possível com algumas limitações. Deu-se o 25 de abril. Passados 3 ou 4 semanas começo a receber o jornal, já montado, vindo do concelho de revolução de Lisboa. O jornal vinha todo feito. Aí, começamos a ter alguns desacertos com o proprietário do jornal.
Após o 25 de abril, houve uma invasão de anarquia pelo país fora. Tudo aquilo que eram instituições com alguma estabilidade sentiram-se agitadas. Apareceu muita gente como pseudo intelectuais, candidatos a muitas coisas que sabíamos que nem tinham habilitações para tal. Foi uma onda terrível. Gerou o pânico. As pessoas começaram a viver numa situação de grande instabilidade. Naquele contexto, não quis manter-me no jornal. Os artigos, todos eles, contra aquilo que era o dia 24, os textos apareciam todos fabricados por gente que eu não sabia quem era, numa linguagem de acusação contra A, contra B e contra C à qual eu também não gostaria de me associar. Talvez em setembro, outubro de 1975 comuniquei que nunca mais voltaria ao jornal. Entendi que era insuportável.


CA: E atualmente, como vê o jornalismo em Portugal?
NA: Entretanto, entre outras coisas, fui coordenador e diretor de um curso de jornalismo. Tínhamos a preocupação de que houvesse princípios orientadores assentes no trabalho, no bom desempenho pessoal, não valorizávamos o crime nem aquelas situações que são, hoje em dia, motivo para figurar na primeira página. O crime, o boato, são coisas muito apetecíveis para a informação de hoje mas não tinham cabimento na altura.
Há jornalistas que eu admito que tenham uma formação dentro daqueles mesmos princípios embora, hoje, tenham dificuldade em cumpri-los e há muita gente que é chamada para o jornalismo sem ter formação. Hoje, a preocupação é muito mais em tiragens, às vezes folheio jornais e não vejo uma única noticia que me interesse do ponto de vista do enriquecimento cultural ou moral. Publicita-se a fraude da mesma forma que se publicita uma coisa boa, lado a lado. A informação hoje é mais virada para o vender.
Hoje não temos a PIDE mas era bom que houvesse um órgão regulador que retirasse a pressão e o controlo da informação que fazem para que, cada um, consciente do que representa a sua carta de jornalismo, pudesse assumir a defesa daquilo que escreve. Isso dava confiança a um bom jornalista e fazíamos bons profissionais.
A educação de hoje também não é a educação dos professores formados com rigor e dedicação. Isso, atualmente, perdeu-se. Eu acompanho a formação dos meus netos e vejo que as exigências e a própria escola no seu todo não se ajustou a uma sociedade que deve ser responsável preparando para o trabalho. Hoje importa ganhar bem, ter um bom carro. Não era essa a ambição na minha altura. Queríamos viver bem mas não podíamos ir muito além do que estava ao nosso alcance e sempre com legitimidade.


CA: Considera que o jornalismo impresso vive em ameaça?
NA: O jornalismo em papel não acaba, penso eu. Uma coisa é a informação de imagem, aquela momentânea e outra coisa é o jornal que, sendo credível, fica como referência e faz história. Não quer dizer que as outras imagens não possam fazer história mas, sabemos bem como é fácil manobrar uma imagem, criar uma situação de um faz de conta para captar a imagem. Se o jornalismo for sério, ele fica como marca e por isso quando queremos averiguar algum acontecimento de comportamento social ou de evolução social vamos aos jornais de referência e temos uma imensidão de informação mais ou menos credível.
Eu acho que um jornal regional podia conseguir afirmar-se e tornar-se de referência se for um jornal dentro dos padrões de seriedade. Atualmente, não se faz pesquisa, talvez não haja tempo para fazer pesquisa, talvez os jornalistas não tenham sido formados para pesquisar. Depois, os jornais assim, não se impõem. Há aqui, também, a situação das cadeias de jornais e portanto fazem-se duas ou três páginas regionais e o resto é comum aos outros jornais da mesma cadeia.


CA: A nível pessoal, quais as principais diferenças antes de 1974 e depois de 1974?
NA: Eu estava habituado a acreditar nas pessoas e sabíamos que havia gente séria. Às vezes, a própria palavra servia de garantia. Estava habituado a ver respeitado quem trabalhava e, depois do 25 de abril, foi tudo abanado. Hoje é a cultura do viver facilmente, se possível viver de rendimentos, se possível encostado aos pais ou aos avós ou a alguém que pague a fatura. Hoje, a adolescência prolonga-se até aos 30 anos. No meu tempo, aos 18 anos as pessoas eram responsáveis e tinham obrigação de trabalhar para viver. Hoje as coisas alteraram-se, a circulação entre tudo é muito mais fácil, não há barreiras nem fronteiras.


Correio de Albergaria, 06/05/2015

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Rui Marques


Sem querer fazer política, mas porque a história faz-se (também…) de factos e de realidades indesmentíveis, ainda que por vezes o tempo as desvaneça, convém lembrar que o Dr. Rui Marques teve um primeiro mandato muito bom, um segundo mandato assim assim (se me é permitido usar esta linguagem falando do desempenho de um cargo…) e um último mandato na verdade muito mau ou mesmo, na opinião de muita gente descomprometida com quem se fala e que vota (…), desleixado e desastroso em muitos aspectos e foi esse deslizar para o abismo que tornou possível que um então relativamente desconhecido presidente da Junta de Alquerubim tivesse chegado a presidente da Câmara Municipal de Albergaria.


Mesmo que apenas com os tais cento e tal votos que naquele caso representaram, dado o anterior prestígio do Dr. Rui Marques e a notória implantação do partido que o apoiava, particularmente em Albergaria, na Ribeira de Fráguas e em S. João de Loure, mais do que uma grande vitória de João Agostinho, uma fortíssima penalização a uma certa arrogância e a um certo autismo que os anos prolongados no topo às vezes tendem a proporcionar. É que o povo é sereno, como dizia o outro, mas por vezes não anda tanto a dormir como alguns pensam…

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Quadro da autoria de Paulo Tanoeiro

fotografia onde se vê o quadro que retrata o anterior presidente da Camara

Apesar de não ter ficado no local previsto (desconhecemos as motivações mas que terão a ver com a alteração efectuada no salão nobre e a colocação das fotografias de todos os presidentes) ficou num local digno.

Recordamos aqui a acta da AM onde foi mencionada a oferta do quadro. O quadro é da autoria do pintor angejense Paulo Tanoeiro e foi feito após uma iniciativa da Junta de freguesia de Angeja.

Foi presente uma carta de João Agostinho Pinto Pereira, residente na Rua da Carregosa, lugar do Ameal, freguesia de Alquerubim e município de Albergaria-a-Velha, a legar à Câmara Municipal, nos termos e para efeitos do disposto na alínea h) do n.º 1 do artigo 64º da Lei n.º 169/99, de 18 de setembro, com as alterações promovidas pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de janeiro, um Quadro com a sua imagem, pintado a óleo sobre tela, da autoria de Paulo Tanoeiro, que lhe foi oferecido, na qualidade de cidadão, e que gostaria que fizesse parte do inventário do município de Albergaria-a-Velha, referenciado como Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha nos mandatos de 2002-2005, 2005-2009 e 2009-2013, ficando exposto no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Município, próximo do Quadro do Ex.mo Sr. Dr. João Eduardo Nogueira e Melo, antigo Presidente da Câmara Municipal, natural e residente, que foi, na freguesia onde, há largos anos, reside o requerente.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Na Esquina

SPORTING - ALBA: VAIDADE DE SER DE ALBERGARIA-A-VELHA

Fomos a Alvalade ver o Sporting-Alba, e gostámos. O resultado não interessa para nada, pois o que contou foi o respeito que os profissionais do Sporting (e os milhares de espectadores) tiveram para com os amadores de Albergaria; e a dignidade destes em se baterem frente-a-frente com aqueles, todos unidos na paixão comum por uma modalidade desportiva. Foram onze de cada lado a disputar lealmente todas as jogadas. Não houve 'baile', nem houve gozo ou sobranceria: o Sporting bateu-se pelos golos, do primeiro ao último minuto do jogo, como se estivesse a jogar uma final. E festejou-os, dentro e fora do relvado, como se tivessem sido obtidos contra um Barcelona! Creio mesmo que esta foi a melhor homenagem que os profissionais anfitriões prestaram aos amadores visitantes: trataram-nos como IGUAIS, de homem para homem, de atleta para atleta! A isso, o Alba respondeu com correcção, desportivismo e com uma inexcedível entrega ao jogo. Não houve 'frangos', não houve jogadas caricatas que fizessem rir. Gostámos de estar numa bancada com centenas de sportinguistas, que, como nós, também aplaudiram o golo do Alba. E no final eram milhares, felicíssimos por terem ganho ao Alba - de Albergaria-a-Velha, terra do distrito de Aveiro.

ESCOLA SECUNDÁRIA HÁ 40 ANOS

Em Outubro de 1973 (há 40 anos...) a Secção de Albergaria-a-Velha da Escola Industrial e Comercial de Oliveira de Azeméis começou a funcionar nas casas do antigo Bairro Napoleão (na Bela Vista, ao lado do Ciclo Preparatório), que foram despejadas dos seus ocupantes (para Assilhó) e adaptadas a salas de aula. Foi um esforço e uma iniciativa importante do Presidente da Câmara Municipal de então, José Nunes Alves. Aí comecei eu a trabalhar, dando aulas de História e de Direito Comercial, aos cursos de Formação Feminina, Comércio e Mecânica, diurnos e nocturnos. Entre outros, estavam comigo também a dar aulas, Alberto Soares Pereira (que era o subdirector), Luisa Conde, Pureza Seabra, Luis Ribeiro, Olga Andrade, Alberto Gonçalves Silva, Natália Campos, António Fernandes Silva, Damião, Brites, Basilinda, padre José Maria Domingues.... Recordo por várias razões: porque estou a completar 40 anos de trabalho, ininterruptamente (incluindo serviço militar), o que já é muito tempo; porque há 40 anos que a Escola Secundária foi para o local onde hoje está; porque evoco com saudade alguns que já faleceram, e muitos dos meus alunos, com quem ainda hoje me cruzo; porque a memória do presidente José Nunes Alves e a sua obra continuam a reclamar a homenagem que lhe é devida. Sem meios, sem pessoal, sem automóveis, o presidente José Nunes Alves deixou uma obra imperecível.

QUAL A EXPLICAÇÃO PARA A DERROTA?...

Churchill tinha razão: não são as oposições que ganham as eleições; são os governos que as perdem. Há, quem, em Albergaria, tente justificar a derrota de João Agostinho nas autárquicas com o problema nacional: as pessoas, descontentes com o Governo PSD, teriam penalizado as câmaras PSD e votaram noutros partidos. Errado: se assim fosse, não se compreendia que o PSD tivesse ganho em Aveiro, em Braga, na Guarda, mantendo ainda outras câmaras. E também não se compreenderia que o PSD tivesse ganho em Angeja, Alquerubim, S. João de Loure. Os descontentes com o Governo Passos Coelho estariam numas terras, e noutras não?... A tudo acresce que, a haver reflexos do descontentamento nacional nas autárquicas, então o CDS (partido do Governo) também seria penalizado – e não foi. Logo, e sem descartar que os vencedores têm sempre o mérito de se afirmarem como alternativa credível, a explicação para a derrota de João Agostinho (o Pimenta não risca muito nestas contas, já que foi apenas um mero e acidental substituto, um duplo) terá de se encontrar cá dentro. E aqui a perplexidade é imediata: João Agostinho esteve em campanha eleitoral durante 12 anos, ininterruptamente, desde o primeiro dia em que foi presidente; nos últimos quatro anos inaugurou o cine teatro e a biblioteca, fez festivais de variedades; esteve presente em tudo quanto era festa e arraial; teve coberturas fotográficas de tudo e mais alguma coisa, desde entregas de subsídios até assinaturas de contratos; fomentou um culto da personalidade obsceno, com a afixação do seu nome em todas as placas possíveis e imaginárias; sempre aprimorou a sua imagem, nunca prescindindo do fato e gravata; refinou o seu estilo demagógico até ao enjoo, onde não faltaram as choradeiras em público …. E ainda assim perdeu! Temos um case study…

Mário Jorge Lemos Pinto
copy+paste do facebook

(o texto sobre as autárquicas está incluído no artigo publicado por MJLP no Correio de Albergaria mais recente)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

João Agostinho Pinto Pereira

Momentos de grande emoção na cerimónia solene dos 22 anos de (re)elevação de Angeja à categoria de Vila! O Presidente da Junta de Freguesia, António Almeida, ofereceu um quadro (da autoria do pintor Paulo Tanoeiro) com o retrato do Presidente João Agostinho Pereira como agradecimento por tudo o que fez pela freguesia durante os seus três mandatos.

Facebook

Acta da reunião ordinária da CMA de 18/09/2013 (extracto):

Foi presente uma carta de João Agostinho Pinto Pereira, residente na Rua da Carregosa, lugar do Ameal, freguesia de Alquerubim e município de Albergaria-a-Velha, a legar à Câmara Municipal, nos termos e para efeitos do disposto na alínea h) do n.º 1 do artigo 64º da Lei n.º 169/99, de 18 de setembro, com as alterações promovidas pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de janeiro, um Quadro com a sua imagem, pintado a óleo sobre tela, da autoria de Paulo Tanoeiro, que lhe foi oferecido, na qualidade de cidadão, e que gostaria que fizesse parte do inventário do município de Albergaria-a-Velha, referenciado como Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha nos mandatos de 2002-2005, 2005-2009 e 2009-2013, ficando exposto no Salão Nobre do Edifício dos Paços do Município, próximo do Quadro do Ex.mo Sr. Dr. João Eduardo Nogueira e Melo, antigo Presidente da Câmara Municipal, natural e residente, que foi, na freguesia onde, há largos anos, reside o requerente.

A Câmara Municipal deliberou, por unanimidade, aceitar o legado nos termos propostos, bem assim aprovar a presente deliberação em minuta, para efeitos da sua imediata executoriedade, nos termos do disposto no n.º 3 do artigo 92º da Lei n.º 169/99, de 18 de setembro, na redação dada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de janeiro.

De imediato o Sr. Presidente da Câmara Municipal regressou à Sala das Reuniões, reassumindo as suas funções e a presidência da reunião.

Acta da reunião ordinária da CMA de 18/09/2013 (extracto)

Ainda há poucas semanas foi feito um post neste blog com a indicação das pessoas retratadas no Salão Nobre da Câmara Municipal de Albergaria. Poderia ser uma oportunidade para fazer uma galeria com os presidentes da Câmara e outros autarcas que mais se destacaram.

26/06/2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

Rui Marques No Parlamento (1999)

«Rui Marques, eleito presidente da Câmara Municipal de Albergaria-A-Velha nas últimas eleições autárquicas mas a ocupar actualmente as funções de deputado na Assembleia da República foi o alvo de fortes críticas nesta Assembleia Muncipal. Críticas oriundas sobretudo da bancada do PSD, nomeadamente de Mário Jorge Lemos Pinto que alegou mesmo ser ilegal a suspensão do mandato do presidente da Câmara, Rui Marques. Contactado pelo Linha da Frente, Rui Marques afirmou estar 'tranquilo e descansado'. Sobre este caso 'não estou minimamente preocupado', refere ainda Rui Marques.

Linha da Frente, 06/05/1999


domingo, 20 de maio de 2012

Rui Marques 2001 - CDS


Caros Albergarienses:

Consciente de que nas eleições autárquicas, não se vota em partidos, antes se escolhem personalidades, suspendi há já alguns anos uma carreira médica para me dedicar a um outro trabalho comunitário não menos aliciante – A Presidência da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha.

Fi-lo convicto de que o meu contributo ainda que modesto, associado ao de alguns outros muito poderia ajudar o concelho a encetar pela via do desenvolvimento e do progresso, sempre com o propósito de elevar os níveis de bem-estar das pessoas integradas na nossa comunidade.

Esta convicção inicial veio felizmente a confirmar-se.

Conciliando-se um conjunto de factores, o concelho mudou muito em poucos anos e mudou para muito melhor.

Confirmam-no todos os indicadores estatísticos provenientes das mais variadas fontes. Só não constata mesmo, quem, de facto não quer.

Agora, com resultado à vista, reflectindo sobre estes anos de intenso trabalho e dedicação, sinto que valeu a pena.

Hoje, quando associo o passado ao futuro junto a felicidade ao entusiasmo, a tranquilidade à confiança, a recompensa à determinação.

Sei que há ainda muito para fazer e que a minha disponibilidade é ainda maior.

Temos novos e valorosos projectos em curso; acompanha-me uma equipa renovada com pessoas de excepcionais qualidades humanas e intelectuais e adquiri uma experiência e um conjunto de conhecimentos que me parece não dever ser desaproveitado pelo município.

Sustentado num trabalho sério, dedicado e profícuo cujo resultado está à vista, quero prosseguir no próximo mandato com um conjunto muito ambicioso de investimentos de que o concelho muito beneficiará.

Assim, de entre muitas outras acções previstas, propomo-nos:

· Solicitar ao Parlamento a elevação de Albergaria-a-Velha a cidade
· Criar a Polícia Municipal.
· Construir a Biblioteca Municipal – Acordo já assinado com o Governo. Projecto elaborado pelo Sr. Arqº Siza Vieira. Terrenos em expropriação.
· Construir o Centro Cultural da Branca – Obra em concurso público. Projecto elaborado pelo Sr. Arqº Carrilho da Graça. Terrenos em expropriação.
· Concluir a construção da Piscina Municipal de S. João de Loure – Obra iniciada.
· Construir a Piscina Municipal da Branca – Obra já adjudicada.
· Construir o Pavilhão Gimnodesportivo de Alquerubim – Projecto em fase de conclusão.
· Ampliar o Serviço de Urgência do Centro de Saúde de Albergaria-a-Velha – Projecto em curso. Acordo estabelecido com o Governo.
· Apoiar a COMFA na construção do Pavilhão Gimnodesportivo de Angeja – Projecto em fase de conclusão.
· Requalificar a Fábrica de Papel de Vale Maior por forma a dar-lhe utilidade pública.
· Apoiar o Grupo de Telhadela na construção do Pavilhão Gimnodesportivo de Telhadela.
· Concluir a construção dos 48 fogos de Habitação social em Alquerubim – Obra em curso.
· Ultimar o processo para a construção dos 180 fogos de Habitação a custos controlados no Alto de Assilhó – Projectos já concluídos.
· Promover projectos de Habitação a custos controlados em várias freguesias.
· Requalificar a Rua José Gonçalves de Pinho, em Frossos.
· Construir a Variante de Angeja – Projecto elaborado.
· Construir a Rede de saneamento de S. João de Loure – Já adjudicada.
· Construir a Rede de saneamento de Alquerubim – Já adjudicada.
· Construir a Rede de saneamento na Branca – Já adjudicada.
· Construir o Quartel dos Bombeiros.
· Requalificar o Mercado Municipal.

Alguns destes empreendimentos já estão em marcha imparável, outros necessitam ainda de grande empenhamento para terem início,

Com o vosso apoio que, desde já, agradeço, contem com o melhor do meu esforço para os prosseguir e assim engrandecer este concelho que a todos nos deve honrar.
Um abraço amigo.

Rui Marques / CDS

Obra   Mensagem  Projectos

Página de campanha de Rui Marques à Presidência da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha. url: http://www.ruimarques.cjb.net/

As eleições acabaram por ser vencidas pelo PSD (João Agostinho Pinto Pereira) após a permanência de Rui Marques como presidente da autarquia durante 16 anos - entre 1985 e 2001.

Entrevistas a Rui Marques em 2000 e em 2007.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

2000: Entrevista a Rui Marques



Albergaria-a-Velha ficou, de há anos a esta parte, estigmatizada pela "invasão" de droga nas escolas, e pela "mancha negra" que constitui a prostituição, na sua forma mais degradante – a de estrada. Rui Marques, presidente da Câmara há 15 anos tem lutado contra esses flagelos e embora não se encontrem debelados, especialmente a prostituição, estão numa, forma regressiva. Outra desgraça que costuma abater-se sobre a área do seu concelho são os fogos que, e felizmente, este ano têm andado por outras bandas. O concelho vive um surto de desenvolvimento e a pouco e pouco vai mostrando uma face nova, mercê, de grandes investimentos. Mas há muito por fazer ainda...

CP - O PP continua a corresponder aos seus ideais políticos, ou nem por isso?

RM - Na maior parte das questões identifico-me com as posições do PP, embora não me identifique COM nenhuma das correntes. Para cada uma das questões tenho a minha posição. O meu grande partido foi sempre a Câmara. Sou médico, gosto de exercer medicina, mas talvez no melhor momento da minha vida profissional vim para a Câmara, gosto do trabalho que faço, mas ao nível da carreira política não tenho grandes ambições.

CP - Mas gostaria de ter visto outros rumos para o PP?

RM - Sinceramente, não gostaria de me pronunciar sobre questões do partido, e pela simples razão que sou muito mais um autarca do que um homem do Partido.

CP - Quase a completar um quarto mandato, acha que os objectivos que se propôs quando veio para a Câmara estão atingidos ou estão muito aquém?

RM - Muito aquém não estamos, mas eu estou sempre insatisfeito. De uma forma geral acho que o trabalho é positivo, porque a generalidade dos objectivos estão atingidos embora haja outros, porque este trabalho não pára. O trabalho desenvolvido ao longo destes anos levaram a que o concelho se transformasse. Isto é público e notório. O concelho sofreu uma grande transformação, para melhor, mas há ainda muito por fazer...

CP – Essa transformação é palpável em que áreas?

RM – Hui.. tantos. Olhe, por exemplo, o mercado de emprego. Hoje temos uma taxa de desemprego residual. Vieram para Albergaria muitos investidores, há muito mais dinheiro, as pessoas têm um nível de vida melhor...

CP – Mas a nível da Educação, a situação é também animadora?

RM – Sem dúvida... temos um Plano para o sector educacional que está praticamente cumprido e que satisfaz em todas as suas vertentes.

CP – Especifique...

RM – Ao nível do pré-primário temos, ao nível da componente pedagógica, uma cobertura a 100%, e estamos a trabalhar muito a sério na componente do acompanhamento, mas aí depende muito também da vontade dos pais. Mas desde que eles queiram faremos também uma cobertura a 100% e isto implica também a realização de obras. Mas estamos a trabalhar no sentido de adaptação das salas. Estamos, por isso, muito acima da média nacional. Ao nível dos 2º e 3º ciclos, com a escola que agora abriu em S. João de Loure, ficamos com todo o concelho coberto e permite-nos até uma outra coisa que é caminhar no sentido da extinção da telescola.

Falta-nos o Secundário mas que ficará também coberto com a Escola de Albergaria.

CP – Vamos agora falar de acessibilidades no concelho...

RM – A acessibilidade está boa, embora haja alguns casos que é preciso resolver, Mas deixe-me que lhe diga que os casos mais gritantes são da responsabilidade da administração central, isto e, estradas nacionais que o governo quer transferir para a Câmara. Como exemplo refiro-lhe a E16-3 que vai de Vale Maior a Telhadela, passando pela Ribeira de Fráguas... aí está o problema mais complicado, mas estamos a tentar que ela seja beneficiada. Há ainda outro problema no acesso da zona sul que tem um bom traçado mas precisa de um piso melhorado. Mas hoje as distâncias medem-se em tempo e não em quilómetros... e no concelho de Albergaria ninguém demora mais de dez minutos a chegar à sede.

CP – A zona industrial tem-se expandido a olhos vistos... como tem sido a motivação por nós investidores?

RM - Nós não temos que contactar directamente os investidores basta que lhes demos condições e fizemos um grande investimento com verbas que eram da Câmara, do I QCA, criamos um parque com boas condições de acessibilidade, bons acessos interiores e todas as infraestruturas necessárias, desde a água até ao gás natural, passando pelo saneamento. Há excelentes condições de acessos com a proximidade do IP5, da auto-estrada e do IC2 e tudo isto conjugado faz com que se tenham cá implantado. Todos os dias está gente a chegar. Ainda recentemente estive em Vitória a visitar uma unidade de unia empresa de metalomecânica que se quer instalar cá com uma área coberta na ordem dos 30.000 m2. O parque industrial está a crescer e já tem muito boas empresas, e pode dizer-se que está quase todo ocupado mas temos já o Plano de Pormenor da Zona Industrial que está para ser aprovado já com zonas de expansão. É um problema perfeitamente equacionado em termos de crescimento, o que há um problema paralelo, que é a falta de mão de obra. Já há quem se queixe, mas espero que isso se resolva com a vinda de mais pessoas para o concelho.

CP – Isso leva-nos ao problema da habitação. Há condições para acolhimento de mais população?

RM – Neste sector o mercado tem respondido. E como os preços não são muito altos... Aqui mesmo na sede do concelho está a ser desenvolvido um projecto de arquitectura de um complexo de 140 fogos de habitação de custos controlados e em Alquerubim vai a ser a Câmara a promotora de cerca de meia centena de fogos, também de custos controlados, que está na fase de negociações com o INH. Dentro de pouco tempo, espero, vamos pôr a concurso a construção destas habitações.

CP – Mas nem tudo são rosas neste concelho. Há problemas...

RM - Há problemas e graves, como a droga. Albergaria beneficia de ter um enquadramento viário muito bom, mas o que entra de bom também entra aqui de mau. É um local onde o tráfego se desenvolve com alguma intensidade, exactamente por ser um nó estratégico das vias de comunicação. É conhecido que é um ponto de encontro de traficantes. É uma presença em quase todas as escolas. Os traficantes sabem bem que é nesses escalões etários que se inicia o consumo e é aí o local de venda privilegiado, tornando-se o alvo preferencial dos traficantes. Há aí zonas onde, toda a gente o sabe, o negócio é mais visível, mas segundo as informações que tenho obtido de responsáveis é que não é este tipo de traficante que interessa, embora funcionem como o mecanismo pelo qual se pode chegar mais longe. Daí que a intervenção a este nível seja um pouco mais frouxa.

CP – Ainda não há muitos anos houve, aqui bem perto, problemas com as etnias ciganas...

RM - Houve, sim senhor, mas nada de problemas xenófobos. Foi mais uma vertente do problema de que temos estado a falar... a droga.

CP – Mancha negra continua a ser a prostituição.

RM – Já não tanto. À medida que as manchas florestais reduzem, as condições para essas mulheres também são cada vez piores, mas é uma mancha em que a legislação é muito permissiva. Mas são já focos muito mais reduzidos, até porque a zona que era mais pretendida para esse negócio, entre Albergaria-a-Velha e Albergaria-a-Nova, está quase toda ocupada por espaços comerciais. Ainda há um pequeno foco no Sobreiro, mas a tendência é também para acabar. Pode dizer-se que ainda há pequenos focos para a tendência é para diminuir ou acabar.

CP – Albergaria é um concelho seguro?

RM – Temos alguns problemas de segurança, mas todos eles também provocados pela droga. Há alguma pequena criminalidade, toda ela relacionada com esse flagelo. Mas já conseguimos que o efectivo da GNR, em Albergaria, fosse reforçado e temos já o compromisso do governo e está já em orçamento o novo quartel na Branca. Há já terreno, e é uma obra nova que vai reforçar a segurança no concelho, cobrindo toda a zona norte, ficando o posto de Albergaria para as zonas centro e sul. Por outro lado, oferecemos também uma viatura à GNR no âmbito do programa Escola Segura.

CP – Este ano o seu concelho esteve um pouco imune à tragédia dos fogos.

RM – Graças a Deus!!! Mas ainda houve alguns, mas sem grande dimensão. Não quero embandeirar em arco, mas isto são questões de ocasião. Eu penso que a zona que ardeu, dentro de um ano está outra vez em condições de arder... se tivermos o azar das condições climatéricas ajudarem os incendiários e se eles quiserem pegar fogo, penso que arde tudo outra vez. È muito difícil combater os incêndios quando não há limpeza da floresta. Temos o helicóptero que em termos de vigilância é muito bom, e temos um excelente corpo de bombeiros, mas isso não chega. Temos procurado prevenir arranjando muitos caminhos, para que os acessos sejam facilitados. Temos muitos pontos de água e financiamos os bombeiros no que concerne a bons carros e bom equipamento. Procuramos, em suma, dar condições para que o combate aos incêndios seja o melhor possível. Mas mais não podemos fazer.

CP - Para concluir, fale-nos dos projectos em desenvolvimento.

RM – Há um investimento grande na Biblioteca, cujo projecto é do arquitecto Siza Vieira. É uma obra para cerca de 250 mil contos. É uma obra que vem sendo perseguida há muitos anos, e para a qual já tinha indicado à Câmara talvez umas dez possíveis localizações. Finalmente a obra vai por diante, ficará situada numa zona a seguir ao Pavilhão gimnodesportivo, próximo das Escolas, e sobranceiro ao Vale onde queremos desenvolver o Parque da Vila. A Biblioteca fica integrada no Parque o que penso ser unia boa solução. É uma obra que dignificará Albergaria.

Depois há um outro projecto, o do Centro Cultural e Posto de Saúde da Branca, que é da autoria do arquitecto Carrilho da Graça, o autor do Pavilhão dos Mares na Expo-98. Vai ser um projecto conjunto, com duas obras diferentes e financiadas por Ministérios diferentes. Todo o projecto é do mesmo autor e é um empreendimento homogéneo. Como pode ver fez-se muito mas há uma que ainda gostava de ter este ano resolvida uma pretensão que é a de um polo da Universidade de Aveiro. Há negociações, já falei com o senhor Reitor e já adquirimos a Quinta do Torreão, que era o local ideal para esse polo da Universidade..

Mas não posso deixar de lhe referir que a Câmara de Albergaria esteja a ser descriminada em relação a outros concelhos, do Partido Socialista. É o caso da recuperação da sala de Cine-Teatro. Quando as coisas estão bem, eu reconheço, mas [não] neste caso, e estou a dize-lo pela primeira vez. Há um caso flagrante de discriminação intolerável. Aveiro, Estarreja e Sever do Vouga já viram esse problema resolvido, e quanto a Albergaria há um esquecimento sintomático.


Entrevista de Arménio Bajouca, Campeão das Provincias, 07/09/2000


PERFIL

Rui Manuel Pereira Marques, de 46 anos é um presidente de Câmara eleito sucessivamente pelo CDS e CDS/PP, na terra onde nasceu. Licenciado em medicina pela Universidade de Coimbra, há 15 anos que deixou de exercer para se dedicar de corpo inteiro à autarquia. Para além da presidência da Câmara de Albergaria-a-Velha é também presidente da Associação de Municípios do Carvoeiro e vice-presidente da Associação Nacional de Municípios.

Divorciado e pai de quatro filhos (3 rapazes e uma rapariga, de 24, 18, 4 e um ano respectivamente) confessa não ter tempo para a leitura, mas gosta muito de cinema e o último filme que o marcou especialmente foi "A vida é bela". Já no que respeita à TV prefere coisas ligeiras que o descontraíam de um dia muito preenchido com coisas sérias. Por isso, "Sai de Baixo" é o anti-depressivo que vê, quando pode, para além da Informação, pois gosta de estar a par do que se passa no pais e no mundo. Relativamente à febre do momento – Big Brother – não concorda com o formato que, na sua opinião, "não tem nada de cultural e explora apenas o devassar da intimidade das pessoas, numa guerra de audiências que não é positiva para a sociedade, não traz vantagens nenhumas e nada tem de educativo". Gosta de jogar Ténis e de ir caçar com os amigos. Desportivamente falando praticou andebol por mais de vinte anos, e Beira-Mar, Sanjoanense, Académica de Coimbra e Clube de Albergaria foram clubes pelos quais envergou a camisola.