sábado, 27 de maio de 2017

Aveiro Virtual (1994)



ALBERGARIA-A-VELHA

O concelho foi criado já em pleno séc.XIX, com origem num povoado que remonta à época pré - romana, facto que se encontra confirmado pela existência dos Castros de Loure e Branca.


O nome advém-lhe o facto de D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, alí ter fundado uma albergaria com privilégios especiais, tais como a recolha e socorro a viajantes pobres.


Área - 155,98 Km2
Freguesias - 8 (Albergaria-a-Velha, Alquerubim, Angeja, Branca, Frossos, Ribeira de Fráguas, S. João de Loure e Valmaior).
População - 24.146 habitantes
Eleitores - 18.563
Receitas Fiscais - 735.300 contos
Feriado Municipal - Segunda-feira seguinte ao 3º Domingo de Agosto


Câmara Municipal


3850 Albergaria-a-Velha


Tel. (034) 523114/523131
Telex 37240 - Fax 522225


Presidente - Rui Pereira Marques (CDS/PP)


Vereadores - Saúl Oliveira Silva (CDS/PP); Tércio Melo Silva (CDS/PP); Alberto Camões Sobral (PSD); José Carlos Silva Oliveira (PSD); e José Silva Pedro (PS)


Indústria - As 178 empresas do concelho empregam 3.236 trabalhadores, assumindo especial relevância a Cerâmica, Madeiras e Metalomecânica, embora o amoir número de empresas esteja no sector da Construção Civil (56). As maiores empregadoras são Produtos Metálicos (776), Metalurgia (525), Têxteis e Vestuário (536) e Madeiras (399). O sector secundário absorve 51% da população activa, o primário 26% e o terceário 23%.


Comércio - Segundo dados de 1993, há neste concelho registo de 349 estabelecimentos comerciais, sendo 39 grossistas e 310 retalhistas. São 144 os trabalhadores nos estabelecimentos de comércio por grosso e 578 nos retalhistas.


Educação - Para uma população estudantil na idade pré escolar de 339 alunos, há no concelho 20 Jardins de Infância onde leccionam 20 educadoras O Ensino Básico é frequentado, nas suas 31 Escolas, por 1.829 alunos que recebem aulas de 87 professores. São 2.274 os alunos que frequentam 1 Escola do Ensino Preparatório e 2 do Ensino Secundário e 1 Colégio.


Desporto - São 18 as instalações desportivas de concelho, estando três em fase de construção e/ou conclusão.


Saúde - O Centro de Saúde, com 26.006 utentes inscritos, é constituido por Sede com Ambulatório, S.A.P. e Internamento e 6 Unidades de Saúde, estando os recursos humanos assim distribuídos: 2 médicos de Saúde Pública e 15 de Clínica Geral; 14 Enfermeiros; 23 funcionários administrativos e 22 auxiliares.


Nos últimos anos foi construida de raiz uma Extensão, em Angeja (1987), e está programada a construção de uma outra na Branca. Em fase de execução encontra-se o Centro de Saúde de Albergaria-a-Velha com um custo estimado em 162 mil contos e que se prevê concluído em Agosto/95.


Artesanato - Cesto de verga.


Gastronomia - Os pratos mais apreciados são o Arroz de Vitela no Forno e a Lampreia. Também a Caldeirada de peixe do Rio (nas freguesias ribeirinhas do Rio Vouga) são muito mais apreciadas. Na doçaria são os Turcos os doces típicos.


Comunicação Social - São dois os títulos com publicação regular registados neste concelho, más é o único em que as Rádios ficaram mudas, não havendo qualquer frequência atribuída.


Acessibilidades Existentes
• IP1 - ligação nó de Albergaria
• IP5 - ligação nó de Talhadas e nó de Albergaria
• EN16 - ligação a Sever do Vouga


Em projecto


•Duplicação do IP5

Segurança - Um posto da GNR na sede do concelho


Turismo - Mamoas (monumentos megalíticos) podem ser vistos em alguns locais do concelho.


Com visita obrigatória está o Parque do Monte da Senhora do Socorro, o Monte de S. Gião (Branca), Pateira de Frossos e ainda o Alto de Angeja, sem esquecer o monumento megalítico do Taco. Os Pelourinhos de Angeja e Frossos e o Cruzeiro de S. João de Loure, são também pontos de interesse. 
 
AVEIRO VIRTUAL - guia do Distrito de Aveiro (1994?)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Albergaria-a-Velha | Faz Acontecer

 

Albergaria-a-Velha | Faz Acontecer T1 Ep.1

De Norte a Sul do país (e Ilhas), André Leonardo vai à procura de pessoas de mangas arregaçadas que conseguiram pegar numa ideia de negócio e fazê-la acontecer. Uma oportunidade de conhecer melhor Portugal e os mais promissores negócios nacionais.



Horário: Sábados, às 22:30h, no Canal Q.
Posição 16 no MEO, 70 na NOS e 19 na VODAFONE.

Disponível também em:

domingo, 30 de abril de 2017

Carta Aberta a um Espírita - Vasco de Lemos Mourisca (1952)



Carta de Jaime Brasil para Alexandre Vieira (23 de Janeiro de 1955)


Assunto: Presta informações sobre um folheto de Vasco Mourisca, intitulado "Carta Aberta a um Espírita", posfaciado por Jaime Brasil. Refere que não foi posto à venda pelo receio da sua apreensão, e que os exemplares foram enviados para o Brasil. Obtenção de um exemplar junto do autor para oferta a Alexandre Vieira.


http://www.casacomum.org/cc/visualizador?pasta=09770.229


Fundação Mário Soares
Pasta: 09770.229
Fundo: Alberto Pedroso


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Fernando Piteira Santos escreveu uma critica a essa publicação na revista LER:


Coluna. “Livros e os Autores”. 1953 - [Recensão crítica a] MOURISCA, Vasco de Lemos - Carta aberta a um espírita. Ler. Ano 1, nº 10 (Jan. 1953); p. 4. Coluna.


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https://pt.wikipedia.org/wiki/Vasco_de_Lemos_Mourisca

sábado, 22 de abril de 2017

Inauguração Auto Estrada Mealhada - Albergaria


Brisa Auto-Estradas De Portugal
Mealhada-Albergaria
Inauguração
Dezembro 1987


Medalha de bronze diâmetro:3 1/8 polegadas
Assinat. Soares Branco
medalha 369


http://www.ebay.com/itm/Brisa-freeways-of-Portugal-Mealhada-Albergaria-1987-bronze-medal-/142332846995?hash=item2123b2e393:g:jrEAAOSw2gxYsK9B

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Evocação dos 40 anos de vida democrática




A Assembleia Municipal de Albergaria-a-Velha vai reunir em sessão extraordinária no dia 25 de abril para assinalar a Revolução Democrática e para evocar os 40 anos da sua instalação. Durante a cerimónia será apresentado um opúsculo que faz a recolha de todos os membros deste órgão do poder autárquico, que realizou a sua primeira sessão no dia 25 de janeiro de 1977.


A sessão evocativa está marcada para as 16h00, no salão nobre da Câmara Municipal, e é aberta ao público, como todas as reuniões da Assembleia Municipal. O programa começa com uma sessão musical pela Oficina Trauteias e Rodopias do Programa Idade Maior. Segue-se a apresentação da publicação “A Assembleia Municipal e os seus Membros – 1977-2017. 40 anos em Democracia”.


As intervenções estão a cargo de Flausino José Pereira da Silva, que foi o primeiro Presidente da Assembleia Municipal de Albergaria-a-Velha, e dos representantes dos partidos eleitos para este órgão: Partido Socialista, Partido Social Democrata e Centro Democrático Social. O Presidente da Câmara, António Loureiro, discursa a seguir e a sessão é encerrada pelo Presidente da Assembleia Municipal, Mário Branco. O coro da Oficina Trauteias e Rodopias fecha a cerimónia com mais um momento musical.         

CMA, 18/04/2017

A Sessão Extraordinária Comemorativa do 25 de Abril e dos 40 anos da Assembleia Municipal de Albergaria-a-Velha será realizada no dia 25 de abril, pelas 16:00 horas, no Salão Nobre dos Paços do Município, com o seguinte ponto único:


O 25 de Abril e o Poder Local Democrático. Evocação dos 40 anos da Assembleia Municipal de Albergaria-a-Velha.


Nesta sessão, usarão da palavra as seguintes individualidades:


 – Dr. Flausino José Pereira da Silva, Primeiro Presidente da Assembleia Municipal de Albergaria-a-Velha;
 – Representante do Partido Socialista (PS);
 – Representante do Partido Social Democrata (PPD/PSD);
– Representante do Partido Popular (CDS-PP);
 – Presidente da Câmara Municipal;
 – Presidente da Assembleia Municipal;


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quarta-feira, 19 de abril de 2017

1.º Colóquio Regional de Estudos Etnográficos

Biblioteca Municipal recebe 1.º Colóquio Regional de Estudos Etnográficos 

O Rancho Folclórico da Ribeira de Fráguas e o Grupo Folclórico Cultural e Recreativo de Albergaria-a-Velha organizam no próximo sábado, 22 de abril, pelas 14h30, o 1.º Colóquio Regional de Estudos Etnográficos. O evento, a ter lugar na Biblioteca Municipal, conta com o apoio da Câmara Municipal, da Federação do Folclore Português, da Equi Portugal e da Ribeirinhas TV. A participação é gratuita, mas de inscrição obrigatória.

O colóquio decorre no âmbito das comemorações do 25.º Aniversário do Rancho Folclórico da Ribeira de Fráguas e contará com a participação de diversos especialistas na área da etnografia. Na sessão de abertura estarão presentes António Loureiro, Presidente do Município de Albergaria-a-Velha, Nuno Jesus, Presidente do Rancho Folclórico da Ribeira de Fráguas, e Sérgio Silva, Presidente do Grupo Folclórico Cultural e Recreativo de Albergaria-a-Velha.


Ao longo da tarde serão desenvolvidos dois painéis. No primeiro painel, o Vereador da Cultura e historiador, Delfim Bismarck, vai falar sobre “O Traje na Fotografia Antiga, no Concelho de Albergaria-a-Velha (Final do Século XIX – Início do Sáculo XX)”. As apresentações “O Silêncio das Levadas – Regadio Comunitário em Telhadela”, de Nuno Jesus, e “O Traje – Especificidades Identitárias”, de Carlos M. Saraiva, concluem o primeiro painel.


O segundo painel terá início às 16h45 com “Moinhos da Gente – Gente dos Moinhos”, de Armando Ferreira, seguindo-se “Os Recursos Locais na Essência do Folclore”, de Manuel Farias. O evento encerra com um espaço de debate.


A participação no 1.º Colóquio Regional de Estudos Etnográficos é gratuita, sendo apenas necessário fazer a inscrição online através do link: goo.gl/szGycf. As inscrições decorrem até quinta-feira, 20 de abril.       

CMA, 18-04-2017 

domingo, 19 de março de 2017

2004 - Os "Guardiões" das Florestas de Albergaria

Antes desempregados, agora incumbidos de uma importante tarefa comunitária: os doze novos "guardiões" das florestas albergarienses vigiam matas e previnem fogos, em troca do cobiçado salário mínimo nacional.


À medida que os dias passam, o estradão da Floresta de Vila Nova de Fusos, no concelho de Albergaria-a-Velha, corre menos riscos de ser consumido pelas chamas. O local, propício a incêndios, encontra-se agora, num bom par de quilómetros, com menos acácias secas, graças ao trabalho de 12 "escuteiros", beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI). São eles, os "guardiões da floresta", que todos os dias, das 7h30 às 14h30, limpam a mata albergariense e vigiam o espaço. E, com isso, ganham uns garantidos 365 euros por mês, o suficiente para levarem uma vida diferente da que estavam habituados.


"Estou contente", afirma Maria, justificando que "sempre é melhor do que andar a depender de outras coisas, do Estado ou isso". Maria tem 41 anos, três filhos, divorciada, e já não sabia o que era trabalhar desde 2001. Desempregada, foi com alegria que recebeu a notícia de que a câmara de Albergaria a tinha escolhido para o projecto, pioneiro no distrito de Aveiro, de prevenção de fogos florestais. "Estou satisfeita", insiste, referindo apenas que "quando está calor é que custa". "Não é trabalhar que me chateia, porque gosto muito de trabalhar, o problema é o calor", sublinha, salientando que o que recebe "é um bocado justo, mas tem que chegar".


O calor é realmente um problema apontado por todos e, como tal, ficou acordado com a coordenadora do projecto, Isabel Pinto, que a limpeza da mata se faz pelo fresco e o resto, a vigilância e o sagrado almoço, fica reservado para as horas mais quentes. "Só o calor é que é mau", confirma Ana, de 43 anos, viúva e com um filho de 15 anos para sustentar. Ana já não trabalhava há dois anos e o dinheiro que recebe da pensão de viuvez não dá para sobreviver. "Só recebo cento e tal euros e vivia muito mal, cheguei a passar fome", conta ao PÚBLICO, frisando: "Tenho mesmo que ter um trabalho". Razões que justificam a satisfação de Ana, por ter sido escolhida para o projecto. "Agora, já é melhor quanto ao dinheiro", sublinha, lembrando, porém, que "em Setembro acaba" e que irá, novamente, para o desemprego. "Gostava de ficar a trabalhar na câmara, nas limpezas", revela


Um "Tarzan" entre "Amazonas"


A chegada de Isabel Pinto é um motivo de alegria. Os "escuteiros", na sua maioria senhoras, correm para o carro da coordenadora, para a cumprimentarem e falarem, sobretudo, sobre as suas necessidades no desempenho laboral. "Não esqueça a caixa de primeiros-socorros que prometeu", avisa uma, enquanto outras se preocupam em marcar os dois dias de férias a que têm direito por mês. E já lá vai precisamente um mês de trabalho (a iniciativa arrancou a 15 de Junho), por isso, as folgas e férias são merecidas. Isabel Pinto não tem qualquer razão de queixa: "Têm sido cumpridoras e não é fácil levantarem-se todos os dias às 7h00 para apanharem o transporte da câmara e virem para o local", defende, revelando que "o trabalho realizado tem sido muito".


"Cumpridoras", no feminino, porque entre os 12 "escuteiros", dez são mulheres e um dos homens está de baixa. Apenas António, um homem de 47 anos muito bem disposto, se encontra a trabalhar de momento. "O que custa mais é levantar da cama", revela ao PÚBLICO, mostrando-se satisfeito com o dinheiro que recebe no final do mês: "É bom, dá mais ou menos, estou contente". Divorciado e com uma filha maior, António gosta do trabalho que faz. "Aqui passa-se bem o tempo, só custa às vezes com os paus mais pesados", revela. E quanto ao facto de ser um homem entre mulheres? "Não há problemas, somos muito amigos", diz acrescentando com um sorriso malandro: "É o Tarzan e as Amazonas".
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Projecto pioneiro no distrito de Aveiro


Este é um projecto pioneiro no distrito de Aveiro, que a autarquia albergariense pôs em prática já a 15 de Junho e que terá a sua conclusão a 15 de Setembro. Durante esse período, os 12 beneficiários do RSI - recrutados do Centro de Formação e Emprego de Águeda (que lhes paga o salário mínimo), através do Programa Ocupacional de Prevenção de Fogos Florestais - ficam incumbidos de fazer a vigilância e limpeza de espaços florestais e de estradões, sobretudo nas freguesias de Vale Maior, Ribeira de Fráguas e Branca. "É uma forma de termos estas pessoas ocupadas, a fazer um trabalho importante para o concelho, e eles sentem-se felizes por isso", sublinha o presidente da câmara, João Agostinho Pereira, acrescentando ainda que o projecto - que conta ainda com a colaboração da Associação Florestal do Baixo Vouga, do Centro Social e Paroquial de Santa Eulália e dos bombeiros locais - está a correr "muito bem".

Quinta-feira, 15 de Julho de 2004
Reportagem de Filipa Gaioso Ribeiro (texto) e Carla Carvalho Tomás (foto)

terça-feira, 14 de março de 2017

Flausino Fernandes Correia


Flausino Fernandes Correia
Médico e Presidente da Câmara Municipal (1963 a 1968)
Nasceu a 6 de Fevereiro de 1906 - Faleceu a 16 de Julho de 1983
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NÃO foi surpresa, porque se esperava esse triste acontecimento, mais dia menos dia. O nosso querido Amigo e Médico, a cujo Consultório íamos diariamente, mesmo que fosse só para lhe dizer BOM DIA!, estava doente há largos meses, com sucessivas crises cardíacas.


Era de presumir que uma viria a ser fatal. E só o não foi antes, muito antes, por ser Médico e, portanto, saber, como medicar-se e proceder, ao primeiro sintonia, até chegar o seu filho, o prestigioso Médico-lnternista a residir em Aveiro, DR, CARLOS CORRÊA, que passava comandar o processo.


O homem, porém, nunca aceita acreditar naquilo que não deseja. Nós sabíamos que isso viria a acontecer.


Mas esperavamos sempre por um imprevisível estabilizador, que nos afastasse esse cálice amargo, doloroso.


Quando, dez dias antes, um acidente cardiovascular o atingiu, o céu ficou mais plübeo. Mas, então, começou-se a orar pela recuperação da trombose. 0 DR. CARLOS CORRÊA, um dia, perdeu as esperanças. E disse-nos claramente que seu Pai tinha atingido aquele extremo em que o Médico abandona o doente, porque já não tem nada a fazer. Mas nós, os seus amigos, não acreditamos, sim, porque os Médicos, mesmo os melhores, também se enganam. Só que, infelizmente, ele não se enganou e à Meia noite e meia hora, o riquíssimo espírito do Dr. Flausino Corrêa desprendia-se do corpo, que já não servia a sua evolução, e regressava a Deus.


Não o vimos nem de cama nem morto. Assim, continuamos a recordá-lo vivo, no seu consultório. E ainda bem, porque é bem vivo e feliz que ele, o espírito liberto do Dr. Flausino Fernandes Corrêa, mais vivo do que todos nós, está agora.


Em 8 de Dezembro próximo, faria 50 anos que cá chegou, quando veio substituir seu primo Dr. Cláudio Torres. morto em acidente de viação. Era, pois, albergariense há cinquenta anos. E poucos, mesmo os naturais, o terão sido tão dedicadamente. Tão afincadamente, que cá ficou e jaz, em campa raza, no Cemitério de baixo, como é conhecido, ala direita, túmulo n.° 10. No dia em que teve o acidente vascular, pelas 15 horas, tinha vindo do café, e sentara-se no seu escritório a ler, Sua Mulher ,a Senhora Dra. Maria Celeste Monteiro, estava ao lado. Em dado momento, notou qualquer mutação na sua fisionomia e perguntou-lhe se não se sentia bem. Ele quis falar, mas teve dificuldade em articular a palavra. Então, indicou com a mão direita, um bloco-notas que estava à mão e escreveu, pela sua caligrafia, que nós lemos:
«Estava a ler o jornal e comecei a babar-me e a não poder falar. Vê lá se o membro superior tem movimentos.
Tinha que acontecer e já contava com isto desde há tempos.
Não tenham pena de mim.
O Carlos não deve levar-me para o Hospital. Prefiro ficar em casa.
Contava morrer do coração, de enfarte. Mas com esta doença -- acidente vascular cerebral, tenho receio de ficar entrevado, a dar mais trabalho à família,»
Ficou, de facto, em casa, uns dias melhor, outros dias pior. A parte esquerda estava afectada, Plenamente consciente, ele sabia o seu estado e talvez até desejasse o seu fim, porque a morte ,não o amedrontava. O que ele não queria. era dar trabalho. Disse-mo várias vezes, naquela sua expressão, que, nos Médicos nem. surpreende: «Morrer não é o problema. Lá morrer, todos temos de morrer.» E morreu no sábado, dia 16 de Julho. Viveu, pois, 77 anos, 163 dias e meia hora, se bem fiz as contas.
Ainda o não acreditamos bem. Ainda, todos os dias, quando lá passamos nos custa imenso entrar, não espreitar pela porta do consultório, na esperança de não ver o lugar vazio!
O.Dr. Flausino conheceu á que viria a ser sua Mulher, ainda estudantes do Liceu em Viseu. Mas o namôro começaria, mais tarde em Coimbra, onde a Senhora D. Maria Celeste Monteiro se licenciou em Farmácia e o Dr. Flausino em Medicina,
Em 1933, quando veio para cá, ainda estavam solteiros. Viriam a casar em 31 de Outubro de 1936, em S. João do Monte Tondela terra natal da noiva.
O Dr. Flausino 'Fernando Corrêa era natural do lugar de Mogueirães, freguesia de Cambra, concelho de Vouzela, distrito de Viseu.
Aqui viveram sempre e aqui lhes nasceram os filhos; a hoje Dra. Maria Helena Monteiro Corrêa, Professora do Ensino Preparatório em Aveiro, e casada com o nosso ilustre conterrâneo concelhio Dr. António Joaquim Marques Tavares, douto notário e Advogado em Vagos e o suso referido Dr. Carlos Monteiro Corrêa, casado com a nova Médica Senhora Dra. Maria Lisete Moniz Almeida Corrêa e já com o primogénito Daniel João, de 4 anos. O Dr. Carlos Corrêa vive em Aveiro e o seu consultório — e aqui o dizemos por nos haver sido solicitado por imensos leitores — é no 5º piso do novo edifício da OITA.
Por sua filha Dra. Maria Helena, o Dr. Flausino tem três netos: António Pedro, Teresa Maria e Ana Maria, que dá muitos ares do extinto Avô.
O Dr. Flausino, como era mais conhecido entre nós, era tanto albergariense, que á nossa Albergaria-a-Velha até procedeu com ele como procede com todos os seus filhos: má mãe e boa madrasta... Era da Câmara Municipal que deveria ser saído o seu funeral. Mas, da parte da Câmara, ninguém se mexeu!!! Isso não impediu que o seu funeral deixasse de ser uma das maiores manifestações de pesar a que temos assistido, em nossa já longa passagem pela vida. Sim, que o Dr. Flausino foi Presidente da nossa Câmara Municipal, de 1963 até fins de 1968, salvo erro ou omissão. E fez obra que se visse e ainda se está a ver, porque ainda se estão, ao que nos dizem, .a fazer coisas que vieram do seu Mandato. Assim, durante 1964 continuaram as diligências para a criação da Escola Técnica, tomando a C. M. de arrendamento um prédio para funcionamento de uma das suas secções e assumindo o encargo das despesas para adptação do respectivo edifício. Todo este problema prosseguiu até 1968, ano que a C. chamou a si a construção. Portanto, ESCOLA TÉCNICA.
Ainda em 1964, foi. adjudicada outra obra, que só terminou no ano seguinte e que foi O Abastecimento de Águas ao Angeja, Frossos e Frias.
MERCADO MUNICIPAL - Foi um dos seus grandes sonhos e que realizou. Veio a ser concluído em 1967.
Outra grande obra e que é fundamental para uma nova estrutura urbanística da nossa vila, era o PLANO DE URBANIZAÇÃO
É que todas estas realizações davam imenso trabalho, embora o Estado tivesse outra organização, que esta bagunçada hoje não tem.
Outra Obra e que ainda não está completa, tal a sua complexidade, mas que vem do seu mandato, é O SANEAMENTO DA VILA.
Outra Obra do Dr. Flausino, que, embora já criada, o era só no papel, porque não funcionava e ele com a C. conseguiram pôr de pé, foi a BIBLIOTECA MUNICIPAL. A Biblioteca Municipal Américo Martins Pereira foi inaugurada em Abril de 1965, sob o patrocínio da Fundação Caloust Gulbenkian.
A CASA DA JUSTIÇA - Só viria a ser inaugurada muito depois, mas o arranque dos trabalhos para a sua construção foi de Janeiro de 1965.
AS CASAS DA AVENIDA DA ASSILHó - Também foram concluídas em 1965, na Avenida da Assilhó, o nome popular dado à Avenida Dr. Bernardino de Albuquerque.
HABITAÇÃO SOCIAL - Muito significado teve a conclusão de 12 casas para pobres, em 1965, pelo contributo que veio a dar para dirimir o flagelo social que era e continua a ser o das carências habitacionais. De referir com particular interesse, que foi em 1967 que foram abertas as perspectivas para a construção das Casas de Renda Económica, em um total de 30.
ABASTECIMENTO DE ÁGUA À VILA - Foi sob o seu mandato que foi substituída a conduta de água à vila, Sobreiro e Assilhó.
ESCOLAS PRIMÁRIAS E CANTINAS ESCOLARES - Algumas Escolas Primárias foram construídas sob o seu mandato, com destaque especial para a de Fontes (Alquerubim). E foi a C. M. da sua presidência que mandou construir cantinas escolares em Alquerubim, Albergaria e Loure.
E isto é só um apanhado, per suma capita, porque estamos a dar uma noticia e não a fazer História de Albergaria, para que nos faltam unhas... Mas essa está em boas mãos.


FUNERAL


Sob a organização impecável da Agência Funerária Pascoal - Madail, começou, às 16 horas precisas, o seu funeral. Estava muitíssima gente, tanto de perto como de longe. Um dos nosos amigos veio dizer-nos isto: Tome aí nota e ponha lá isso: -Está tanta gente de Albergaria, que se sabe quem não está.» Não era Albergaria. De todo o concelho e distrito. E até de bem longe!
O Industrial Senhor Alberico Martins Pereira, impossibilitado de vir fez-se representar pelo nosso Director.


Conduziu a Toalha seu genro Dr. António Joaquim Marques Tavares e a Chave seu Filho Dr. Carlos Corrêa.


A ALBA estava largamente representada pelo seu co-herdeiro Senhor António Augusto de Lemos Martins Pereira e sua Mulher, pelo Senhor Eng.' Pedro Martins Pereira e sua Mulher e pela Senhora D. Sara Martins Pereira.


Sua Ex.' Reverendíssima o Senhor Bispo de Aveiro veio rezar o Terço à câmara ardente.
Do Porto, expressamente vieram o Prof. Doutor António Homem Corrêa Telles de Albuquerque Pinho e sua Mulher a Prof.' Universitária Doutora Alda de Albuquerque Pinho e o nosso amigo Arménio Alho. De Aveiro, muita gente! Notamos o Dr. Danton Paixão Nifo, o oftalmologista Dr. Candal, o Dr. António Nogueira de Lemos e sua Mulher. De Vagos, o Senhor Deputado Dr. Frederico de Moura. De Águeda, o Dr. António Sucena e sua Mulher. E, de cá, porque raramente são vistos em funerais, o Dr. Quina Ferreira e o Dr. Jacinto de Almeida.


Facto comovedor: lágrimas em centenas de olhos. Dos que melhor conhecemos, notamos lágrimas irreprimíveis no Lene Paiva e no José Carlos Vidal.


Alguns conseguiram contê-las — ou porque estavam «dopados», como agora se diz, ou porque terão um temperamento mais sereno. Esses mesmo, expressavam uma dor, que era bem visível. Era o caso, por exemplo, do José Marques Pereira, do Fontão, que era raro o dia que não nos encontrava-mos no consultório do Dr. Flausino. E era o caso do Vicente Páramos, que eslava com toda a sua Família, amigo íntimo, que ficou lá várias noites, durante a doença.


Salvo erro, seis Padres oficiaram no funeral: o nosso Arcipreste José Maria Domingues, o Senhor Prior de Cassurrães, no concelho de Mangualde, Celestino Corrêa Ferreira, que fez uma homilia impressionante durante a Missa de corpo presente, na Igreja Matriz, o Prior Raul da Cruz, o Padre Brinquete, o Padre Albino de Pinho, o Reitor de Cacia Manuel Armando Rodri- gues Marques e o Vigário de Cambra, freguesia natal do ilustre extinto.


Claro que estava muita família, tanto do lado do Dr. Flausino como do lado da Senhora Dra. Maria Celeste Monteiro,, que nós não conhecemos.


O Dr, Flausino Corrêa fez muita falta, para além da Família e dos seus doentes a quem se dedicou para além dos limites das suas forças! Numa das últimas tardes deste verão atrasado, em que estava mesmo frio, vimo-lo cá fora e ralhamos com ele: então vai sair com este frio?! Respondeu-nos, como quem se desculpa: Pois vou. Prometi que iria lá ao fim da tarde e a pobre mulher não tem culpa que esteja frio e que eu me tenha sentido pior!


E lá foi ele, no irreversível cumprimento do seu dever de Médico, que se esquece de si próprio para acudir ao semelhante.


«O Arauto de Osseloa» tinha, no Dr. Flausino, não só o melhor dos seus Colaboradores, como o conselheiro que está por dentro em todos os segredos do jornal. Nunca nos fez o mais leve reparo. Sempre nos aceitou como nós éramos e somos. Esperamos não ter perdido ainda o Colaborador, porque já temos promessa de nos serem reservados os textos, sobretudo poesia, que forem achados.
Não tenham pena de mim» — recomendava, no seu último texto.


Não, não teremos pena de Vós. O que precisamos é de ter pena de nós, que perdemos a Vossa presença física e a quem Vós fazeis tanta falta, pelo encanto do Vosso convívio, pela altura da Vossa sabedoria, pelo senso do Vosso conselho, pela tolerância do Vosso trato, em suma, por aquelas confortantes palavras diárias das 10 horas da manhã, naquele Vosso consultório, que virou altar de saudade, encerrado para sempre.


Vasco Mourisca, Arauto de Osseloa, 15/10/1983

segunda-feira, 13 de março de 2017

Nomes de Rua

Para além da Rainha D. Teresa e de Sophia de Mello Breyner, a única mulher a ter o seu nome numa rua na cidade de Albergaria-a-VeIha é D. Laura de Miranda Cabral. Parece-nos pouco, muito pouco e, curiosamente, nenhuma delas era natural daqui.


Julgamos que outras senhoras, oriundas de Albergaria-a-Velha seriam merecedoras de semelhante distinção, fosse pela benemerência, pelo ensino, ou por se terem notabilzado em outras áreas. Mas isso não é para aqui chamado.


Delfim Bismarck Ferreira, Correio de Albergaria, 2014


http://blogdealbergaria.blogspot.pt/2008/03/d-laura-cabral.html

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Entrega de Medalha



 Rui Marques nasceu em 1953 e é formado em Medicina pela Universidade de Coimbra, tendo-se estabelecido como médico em Albergaria-a-Velha. Foi Presidente da Câmara Municipal quatro mandatos consecutivos, de 1986 a 2002, e Vereador durante três mandatos, de 2002 a 2013. Exerceu o cargo de Deputado à Assembleia da República em 1998-1999 e foi Presidente Fundador da Associação de Municípios do Carvoeiro e Vice-Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Atualmente é membro da Assembleia Municipal de Albergaria-a-Velha.

O Município atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro em 18 de Fevereiro de 2017

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Homenagem a antigos combatentes do Ultramar

A Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha está a preparar um documentário com depoimentos dos ex-militares, naturais e residentes no Concelho, que participaram na Guerra Colonial, entre 1961 e 1974. Quem quiser deixar o seu testemunho, pode contactar a Câmara Municipal, através do número de telefone 234 529 300 ou pelo endereço de correio gap@cm-albergaria.pt.


Município de Albergaria presta homenagem a antigos combatentes do Ultramar


A Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha vai homenagear os antigos combatentes da Guerra Colonial numa cerimónia a ter lugar em maio, no Cineteatro Alba. Até lá, estão a ser recolhidas imagens, que servirão para memória futura, e a ser preparado um documentário com depoimentos e testemunhos dos ex-militares, naturais ou residentes no Concelho, que participaram no conflito no antigo Ultramar português, entre 1961 e 1974.


“É mais do que justo homenagear aqueles que participaram neste momento histórico de Portugal”, salienta Delfim Bismarck, Vereador da Cultura do Município. O autarca acredita que estes Albergarienses serviram o seu País, a sua Pátria, da melhor forma que puderam e souberam. “Respeito e gratidão” são as palavras do Município para com todos aqueles que homenageia com esta ação.


O documentário vai conter várias entrevistas de antigos combatentes, pelo que a Câmara Municipal está a recolher informações sobre os militares que estiveram no terreno. Quem quiser deixar o seu testemunho pode contactar o Gabinete de Apoio à Presidência através do número de telefone 234 529 300 ou pelo endereço de correio eletrónico gap@cm-albergaria.pt.


A Guerra Colonial, também designada por Guerra do Ultramar, foi um período de confrontos entre as Forças Armadas Portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. Ao longo de 13 anos, entre 1961 e 1974, foram mobilizados um milhão e quatrocentos mil portugueses, tendo morrido nove mil militares. Cerca de 30 mil homens foram feridos e mais de cem mil regressaram a casa com distúrbios psicológicos associados à guerra. O conflito só teria fim com a Revolução dos Cravos, a 25 de abril de 1974, seguindo-se o reconhecimento da independência das antigas colónias portuguesas.        


CMA, 16/02/2017



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Espólio Foto Gomes / Arquivo



O Arquivo Municipal está a desenvolver um trabalho de parceria com a Irmandade da Misericórdia de Albergaria-a-Velha para a identificação de fotografias antigas do espólio do Foto Gomes. Esta tarde, técnicos do Arquivo estiveram nas instalações da IPSS e projetaram várias imagens perante um grupo de cerca de 40 utentes, tentando desta forma encontrar pistas para a identificação dos retratos e eventos fotografados.


CMA, 16/02/2017

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Dia do Município

Este ano, para além dos 182 anos da fundação do Concelho, celebram-se os 900 anos da atribuição da Carta de Couto de Osselôa por D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques.

DIA ABERTO PARA OS ALUNOS DO 3º ANO

Cerca de 200 crianças do 3.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico vão fazer uma visita guiada aos serviços da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha na segunda-feira, 13 de fevereiro, no âmbito das comemorações do Dia do Município.

Na visita guiada, os alunos vão percorrer diversas divisões e serviços municipais, acompanhados por funcionários da Câmara, que lhes vão explicar o funcionamento da Autarquia. Uma das paragens é no Gabinete da Presidência, onde os alunos podem conhecer os membros do Executivo e colocar questões sobre as funções específicas do Presidente e dos Vereadores. Durante a visita será feita ainda uma breve apresentação sobre a fundação de Albergaria-a-Velha no século XII e a sua evolução até aos nossos dias.

O dia aberto para os alunos do 3.º ano insere-se na estratégia de promoção da História e Património Local e da Educação para a Cidadania, procurando sensibilizar os mais novos para o funcionamento da Administração Pública e para as formas de exercer uma participação ativa. A visita à Câmara Municipal no 3º ano do 1º Ciclo antecede e complementa a visita à Assembleia da República, que as crianças farão depois no 4º ano.

 SESSÃO SOLENE E ATRIBUIÇÃO DE MEDALHAS

Ainda no âmbito das comemorações do Dia do Município e dos 900 anos da fundação de Albergaria-a-Velha, a Câmara Municipal vai realizar no dia 18 de fevereiro, sábado, pelas 16h00, uma sessão solene onde serão atribuídas distinções honoríficas a individualidades, instituições e associações do Concelho.

O Município vai atribuir a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro a Rui Marques, antigo Presidente da Câmara Municipal, à Associação de Instrução e Recreio Angejense e ao Clube de Albergaria, duas coletividades centenárias do Concelho. A Medalha de Mérito Municipal – Grau Prata será concedida à Casa do Povo de Alquerubim, que comemora 86 anos em 2017. A Câmara Municipal vai também distinguir, com a Medalha de Mérito Municipal – Grau Cobre, Margarida Ferreira Coutinho, confeiteira dos doces tradicionais Turcos, o Agrupamento n.º 838 de Escuteiros de Albergaria-a-Velha, o Grupo Columbófilo de Valmaior, o Grupo Desportivo e Cultural de Ribeira de Fráguas, a União Desportiva e Cultural de Mouquim e a União Desportiva de Valmaior.

CONCERTO NO CINETEATRO ALBA

A finalizar as comemorações do Dia do Município, terá lugar um concerto com o músico e compositor Rodrigo Leão no Cineteatro Alba, às 21h30. Os bilhetes têm o preço de 12 euros, sendo de dez euros para os portadores Cartão Amigo, Cartão Sénior Municipal, Cartão Municipal de Voluntário e Jovens SUB 23.

CMA  

MEDALHAS

Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro

Rui Marques
Associação de Instrução e Recreio Angejense
Clube de Albergaria

Medalha de Mérito Municipal – Grau Prata

Casa do Povo de Alquerubim

Medalha de Mérito Municipal – Grau Cobre

Margarida Ferreira Coutinho
Agrupamento n.º 838 de Escuteiros de Albergaria-a-Velha
Grupo Columbófilo de Valmaior
Grupo Desportivo e Cultural de Ribeira de Fráguas
União Desportiva e Cultural de Mouquim
União Desportiva de Valmaior.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Gente Ilustre em Albergaria


Ao apresentar algumas breves biografias em "Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha" devo um esclarecimento sobre tão minguada lista de pessoas em terra que vem de um passado de cerca de novecentos anos de testemunhos históricos.

Este primeiro esboço, que espero alongar numa próxima edição, ficou a dever-se à necessidade de uma informação, sucinta e imediata, que permitisse às entidades municipais aprovarem novos topónimos para a Vila de Albergaria-a-Velha.

Com efeito, considerando urgente solucionar o problema da toponímia local, O Presidente da Câmara, Dr. Rui Marques, nomeou uma comissão encarregada de propor topónimos a atribuir oficialmente a seis dezenas de novos ou renovados arruamentos e largos. Dessa comissão fazia eu parte conjuntamente com Aires da Cruz Rodrigues Ferreira, Eng° José António da Piedade Laranjeira, Dr. Mário Jorge Lemos Pinto e Eng° Rui Mendes Tavares.

Os membros da Comissão assentaram no critério de que:

* Se procurasse manter as denominações tradicionais ainda em uso;
* Se atribuíssem os nomes de personalidades que, no desenrolar da vida local, tiveram acção de mérito e também os de outras pessoas aqui nascidas, que se houvessem distinguido a nível regional ou nacional;
* Se fixassem nomes de vultos da História de Portugal de algum modo ligados à nossa terra e, bem assim, os de outros do período dos Descobrimentos cujo centenário agora se vem comemorando.

Para tornar mais exequível o trabalho, elaborei um conjunto de notas biográficas de duas dezenas de figuras públicas ligadas à nossa terra, enquanto outros membros fizeram um levantamento de nomes tradicionais de ruas. Desta forma, rapidamente se chegou ao termo do trabalho a Comissão pode propor os topónimos que as entidades municipais aprovaram por unanimidade.

Entendeu, depois, a Câmara Municipal considerar de interesse, "pela sua acção informativa e pedagógica", a publicação daquelas notas biográficas, às quais juntei as de outras personalidades albergarienses que de algum modo se distinguiram, a maior parte das quais figuravam já na toponímia local. Não houve a preocupação de um registo biográfico familiar, mas antes a de dar a conhecer a obra realizada que contribuiu para que os seus nomes sejam fixados na memória colectiva de Albergaria-a-Velha.

Não está, como é evidente, esgotada a lista de vultos ilustres da nossa terra e, muito menos, a de todos aqueles que, pela evidência da sua acção, da sua popularidade, do seu mérito prestativo, da sua tipicidade, devem permanecer nessa memória colectiva que é a base da nossa identidade.

Um povo que esquece o seu passado e a sua gente tende a esvair-se no tempo.

Espero com este opúsculo concorrer também para não deixar cair, de todo, na amálgama triste e sáfara de um passado sem raízes, alguns daqueles que contribuíram para nos dar uma identidade de que muito me orgulho - a de albergariense.

Albergaria-a-Velha, Julho de 1994
António Homem de Albuquerque Pinho

(nota prévia ao livro Gente Ilustre Em Albergaria-a-Velha")

nomes dos biografados

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Dia do Municipio

(...) [o Dia do Municipio] deveria ser o 13 de Fevereiro (data da fundação do concelho), ou o 1º de Novembro (simbolizando o mês de Novembro de 1117 em que a Rainha D. Teresa doou o Couto de Osseloa a Gonçalo Eriz, fundando assim a primitiva Albergaria).

Um ou outro seriam o "Dia do Município", que para além de servir para que nas escolas se falasse um pouco mais da nossa história local, "semeando" assim raízes à nossa terra, poderia e deveria servir também para homenagear os Albergarienses que por cá ou espalhados pelo Mundo mais se têm destacado nas mais diversas áreas de actividade.

Fonte: Delfim Bismarck Ferreira em "Jornal de Albergaria (22-02-2011) (adaptado)

O Aniversário da Fundação do Concelho de Albergaria-a-Velha é uma efeméride importante na medida em que, a partir de 1835, foi possível fortalecer a identidade de um território e comunidade com características próprias.

Para Delfim Bismarck, Vice-Presidente da Câmara Municipal, “a ideia de comemorar o aniversário do concelho há muito que deveria ter sido efetuada. Como o próprio por diversas vezes escreveu e sugeriu à assembleia municipal local ao longo dos anos, é de elementar justiça que o salão nobre dos Paços do Concelho apresente uma galeria com os retratos de todos os antigos presidentes de câmara que ao longo de 179 anos serviram o município (o que aconteceu em 2014).

http://www.cm-albergaria.pt/Templates/GenericDetails.aspx?id_object=20168

No âmbito das comemorações do Dia do Município tem ocorrido igualmente uma visita de alunos das escolas concelhias à Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha onde são acompanhados por funcionários da Autarquia e percorrem as diversas Divisões dos Paços do Município.

No dia 18 de fevereiro ocorrerá a comemoração dos 182 anos da Fundação do Concelho e dos 900 anos de Albergaria-a-Velha com um concerto do músico Rodrigo Leão.


As comemorações dos 900 anos de Albergaria-a-Velha irão continuar até Novembro deste ano.



terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Escola Secundária de Albergaria-a-Velha

A Escola Secundária c/3º ceb de Albergaria-a-Velha (ESAAV), que integra o Agrupamento de escolas de Albergaria-a-Velha, é a única escola secundária pública do concelho.

A ESAAV e constituída por um conjunto de edifícios, que incluem quatro pavilhões com 28 salas de aula, quatro laboratórios de áreas dedicadas, salas de Educação Visual e de Informática, vários gabinetes de trabalho, um pavilhão gimnodesportivo e oficinas.

A ESAAV possui um pavilhão polivalente onde se encontram alojados a papelaria, o bufete, a cozinha, o refeitório, a biblioteca, a reprografia, o economato, a secretaria, a direcção, a sala dos professores e a sala da Associação de Estudantes.

Todos os edifícios da ESAAV são instalações próprias.

A construção do(s) edifício(s) conta já 42 (*) anos, tendo sido alvo de diversas intervenções ao longo do tempo – ao nível da cobertura, das instalações sanitárias, pisos, e outras pequenas reparações de manutenção –, mas acusando, aos dias de hoje, sinais muito visíveis de degradação e de desatualização face às necessidades atuais da escola. 

A ESAAV não foi alvo de intervenção no âmbito do “Programa de modernização das escolas secundárias", do QREN, nem se prevê, a curto prazo, o seu enquadramento em qualquer outro tipo de financiamento.

A ESAAV é uma das 356 escolas (77% da totalidade do parque escolar) construídas a partir do final da década de 60, sob a responsabilidade partilhada, à época, pelos Ministério da Educação e Ministério das Obras Públicas, tendo mais recentemente ficado excluída do Programa de Modernização do Parque Escolar.

Apesar de ter sido alvo de algumas intervenções corretivas, essas adaptações e melhoramentos processaram-se de forma isolada, ora por iniciativa da própria Escola junto da Direção Regional de Educação, ora no âmbito de programas específicos de reequipamento da responsabilidade do Ministério da Educação.

No entanto, o caráter pontual das intervenções realizadas não permitiu uma requalificação abrangente da Escola, que apresenta, atualmente, sinais muito evidentes de degradação, com necessidade urgente de intervenção em todos os edifícios que a compõem, para além de se encontrar desajustada face às necessidades de modernização, de abertura à comunidade e de possibilidade de implementação de um novo modelo de gestão de instalações.

A ESAAV apresenta problemas ao nível de canalização (águas e saneamento), eletricidade, isolamento térmico, acústico e da cobertura (a caixilharia remonta ao ano de construção e nunca foi revista); na cobertura foi substituído o fibrocimento mas persistem infiltrações; alguns dos pisos das salas de aula foram substituídos, mas a grande maioria mantém-se, tal como as instalações sanitárias, consideradas insuficientes e obsoletas; o espaço exterior e as paredes e estruturas de ligação entre pavilhões encontram-se em mau estado, apresentando um aspeto desagradável e a necessitar de substituição, dando ao edifício um aspeto igualmente descuidado e desagradável; e as salas dedicadas (laboratórios, oficinas, …) encontram-se muito degradadas e desatualizadas.

É, assim, urgente um processo de requalificação da Escola, abrangente e sistemático, que crie condições para a sua adequação às atuais necessidades da população discente e docente, para uma verdadeira adequação do processo de ensino e aprendizagem e concorrente para formação e educação do século XXI.

O Executivo Municipal de Albergaria-a-Velha manifestou já o seu empenho em colaborar com a comunidade escolar na procura de soluções para a ESAAV, tendo disponibilizado os seus técnicos para uma cuidada avaliação, em equipa com a DGeste Centro, por forma a se proceder ao levantamento, planeamento e priorização da intervenção a realizar, e tendo prevista uma dotação orçamental para o programa de requalificação a propor pela equipa técnica, desde que enquadrado em acordo de compromisso com o Ministério da Educação.

CDS, 25/01/2017

(*) DADOS DO ANTERIOR SITE DA ESEC - 25 ANOS - 1975/2000

Há 25 anos...
... surgiu a Escola Secundária de Albergaria-a-Velha (Dec-lei nº260/75 de 26 Maio)
Porque...
... com o crescimento demográfico, acompanhado por uma revitalização e expansão das actividades económicas da população residente, a vila debatia-se com dificuldades em oferecer aos seus jovens o ensino conducente à sua formação académica.

Assim, a ESAV resultou da transformação de uma secção de ensino técnico secundário da Escola Comercial e Industrial de Oliveira de Azeméis.

Situada, onde funcionava a Biblioteca Municipal da vila, na Escola funcionava o ensino secundário técnico diurno e nocturno, com os seguintes cursos gerais: Formação Feminina,

Administração e Comércio, Electricidade e Mecânica. O número de alunos era inferior a 500 alunos e os quadros de docência, pessoal administrativo e auxiliar consistiam em 22, 7 e 18 respectivamente.

http://arquivo.pt/wayback/20131106214604/http://www.esec-albergaria-a-velha.rcts.pt/25anos.htm

Actualmente a Escola apresenta-se composta por 4 pavilhões com 28 salas da aula e Laboratórios de Biologia, Geologia, Química e Matemática, bem como salas específicas para Educação Visual e Informática e alguns gabinetes de trabalho. Existe ainda um pavilhão gimno-desportivo e outro oficinal.

No Pavilhão Polivalente encontram-se os serviços de papelaria, bufete, cozinha e refeitório, biblioteca, reprografia, economato e secretaria. Existem ainda a sala de Professores, a sala da Associação de Estudantes e o gabinete dos serviços de apoio de Psicologia e Orientação Vocacional, onde também se encontra a UNIVA.

Encontra-se também sediado nesta escola o Centro de Formação da Associação de Escolas de Albergaria-a-Velha.

http://arquivo.pt/wayback/20131106213745/http://www.esec-albergaria-a-velha.rcts.pt/home.htm



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

D. Teresa Conta Histórias


A Rede de Bibliotecas, em parceria com o SAC - Serviço de Aprendizagem Criativa, iniciou no dia 17 de Janeiro de 2017 a atividade "D. Teresa Conta Histórias", que propõe uma viagem encenada pelas origens de Albergaria-a-Velha. A ação faz parte do Programa Municipal de Educação e abrange todas as crianças do pré-escolar da rede pública, privada e solidária do Concelho.

Facebook do  Município de Albergaria-a-Velha

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Carta do Couto e Osseloa - 1117


900 anos da carta do Couto de Osseloa (1117 - 2017)

A CARTA DO COUTO DE OSSELOA

«Este notável documento constitue a certidão de nascimento e de batismo de Albergaria-a-Velha e, mais do que isso, atribuem-se-Ihe ainda foros de maior valor para a nossa nacionalidade, considerando-o o primeiro documento em que Portugal figurou com o título de reino.

Alexandre Herculano, História de Portugal, 1.ª Edição, 1.º volume, pág. 244, em nota.

Quando o bispo de Coimbra, D. Egas, em 1258, fez transcrever a Carta em pública-forma, para garantia da sua conservação, declarou que assim procedia por utilidade de Albergaria-a-Velha de Meigon Frio. E era Velha, certamente para contrapor a outra Albergaria de mais recente fundação, e que devia ser a Nova.

(...)

TRADUÇÃO DA CARTA

A tradução da Carta mereceu-nos o maior cuidado. Confiando-a ao Sr. P.e Francisco Teixeira fixámo-la como segue:

Saibam quantos tiverem conhecimento da presente escritura, que, quando intentámos a reforma para utilidade de Albergaria-a-Velha de Meigonfrio, Dom Mourão, do burgo de Vouga, nos mostrou uma Carta não rasurada, nem viciada, nem cancelada, nem abolida, nem oferecendo dúvidas em qualquer das suas partes, a qual nós, por Gonçalo Mendes, nosso público tabelião, fizemos transcrever palavra por palavra, e reduzir a pública-forma, e cujo teor é o seguinte:

Em nome da Santa e Indivisa Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, Amen. Esta é a Carta de Benefício e firmeza de Couto, que eu, Infanta Dona Teresa, Rainha de Portugal, mandei fazer para ti, Gonçalo Eriz com destino à tua Quinta de Osseloa (Assilhó). Em primeiro lugar divido, por um lado, essa tua Quinta com a Terra de Santa Maria, a saber: – da estrada que desce de Portugal (Porto de Gaia) em direcção à Pedra da Águia (Bico do Monte ou Monte da Senhora do Socorro), e daqui pelo meio da Mata Talhada (ficava entre a Pedra de Águia e a Cruz de Canelas, e se denomina hoje Vale da Salgueira e Vale da Lage) em direcção à Mata da Ussa, que antigamente se chamava Mata da Brava, e daqui à Mamoa Negra que se chamava da areia, e daqui vai ao Romariz, e daqui, por outros terrenos, até ao têrmo do Vouga; na direcção de Romariz transpõe o regato de Osseloa junto à Charneca, seguindo em linha recta até ao ponto em que o terreno deixa de ter o mesmo plano (Usque in Directo), e daqui voltando para os vales de Osseloa e depois directamente à Fonte Fria, que outrora se chamava Fontinha de Meigonfrio, e daqui a par da estrada em direcção à Pedra de Águia supramencionada.

Aprouve-me, a mim, Infanta Dona Tereza, Rainha de Portugal, em boa paz, dar-te Carta de Couto a ti, Gonçalo Eriz, na Quinta de Osseloa (Assilhó) pelos limites referidos, a saber: – da própria Quinta até ao Padrão do Couto, que eu mandei colocar na parte norte à beira da estrada, (é conhecido ainda hoje pelo nome de Marco da Meia Légua), e assim outro tanto para o poente da Quinta, e para o sul na direcção dos vales de Osseloa, do outro lado do regato, e volta para a Fonte Fria junto ao Sobreiro assinalado, e dali atravessa o caminho para o Oriente, indo em direcção ao limite de Valmaior até ao Vale Pequeno, onde roubam e matam os viandantes, e dali, da primeira fonte situada abaixo da estrada, seguindo em direcção ao norte até ao padrão do Couto.

Desta forma, de hoje em diante, possuas este Couto, bem como aquele que da tua descendência for teu herdeiro da dita Quinta, e de pai e mãe de ti provenha, tanto por teres dado um açor a D. Mendo Bofino e um cavalo ao meu escudeiro Artaldo e um gavião a Godinho Viegas, como para uma Albergaria que vamos instituir neste lugar, ao cimo da estrada, para bem de nossas almas e das dos nossos pais, e nela metamos como Albergueiro a Gonçalo de Cristo, e, quando um tiver falecido, tu nomearás outros, e da tua herdade lhes darás onde trabalhem, a saber: – desde a primeira lagoa dos Sobreiros, no caminho que vai para Osseloa até à primeira margem do regato que decorre da estrada, estendendo-se pela mesma margem até à estrada; e dessa lagoa indo para a primeira Mamoa que está junto à estrada; tendendo para a Fonte Fria, e depois, do outro lado, no termo de Valmaior – cedamos, eu, tu e os nossos sucessores, acima do Padrão do Couto para o Oriente, até à primeira Fonte, abaixo da estrada, e daqui à primeira Fonte Fria.

Além disso, determinamos que paguem ao Albergueiro do Couto, aqueles que o ferirem, quinhentos soldos, e ele não pague calúnia em todo o meu reino, nem passagem (direito de trânsito), nem fique sujeito a quaisquer encargos (nenhum fôro); e além disso, Gonçalo Eriz, honro-te na tua Quinta, ordenando que todos os monteiros que, no termo dela, matarem veados, te dêem os lombos e a quarta parte, com excepção do rei; e os que matarem corça ou gamo te dêem cs lombos, e, se caçarem em terreno cultivado, te dêem metade, e do urso as mãos, e se afastem do Couto os caçadores de coelhos à distância da vista de homem de joelhos, com os olhos nem levantados nem postos no chão; e todos os que aí fizerem calúnia te paguem pelo fôro do Vouga, e aquele que violar as disposições deste Couto te pague seis mil soldos, e mantenha-se o Couto, – e se quiseres utilizar-te do meu Mordomo para receberes aqueles seis mil soldos, dar-lhe-ás a terça parte, mas não por fôro, e não entre no teu Couto se não for da tua vontade.

E, se alguém da minha descendência, ou eu ou o Rei, quiser anular este meu acto, seja maldito até ao fim dos séculos, e aquele que o beneficiar seja bem dito e toda a sua geração; e todos os homens de Vouga que honraram este Couto participem da boa hospitalidade da Albergaria. Confirma P., Bispo do Porto. Esta carta foi lavrada nas terras de Santa Maria, a que chamam Feira, no mês de novembro, era de 1155. Eu, Infanta Dona Teresa, Rainha de Portugal, que mandei passar esta Carta a ti, Gonçalo Eriz, como acima se deixa dito, e de minha mão a firmei.

Foram presentes: – Mendo, escrivão privativo da Côrte que a fez. – Dom Pedro Gonçalves, confirmo, – Dom Mendo Bofino, confirmo, – Dom Velasco Ramires, confirmo, – Dom Godinho Viegas, confirmo, – Didaco Osório, confirmo, – Dom Gonçalo Truitzendo, confirmo. O Armeiro Nuno Soares, viu. Pelágio Scapulado, confirmo. Artaldo testemunha, Pedro, testemunha. – Pelágio, testemunha, Gonçalves, testemunha, João testemunha, Garcia, testemunha. Sinal público em cruz, com as letras – Rainha Dona Teresa. Rainha.

E para que a dita carta, com o decurso do tempo, não venha a oferecer dúvidas, nem desapareça, com dano para a mesma Albergaria, a fizemos conferir na presença de homens bons, e, além disso, depois de firmada com o nosso próprio selo, a fizemos arquivar cuidadosamente no Tesouro da Igreja Catedral de Coimbra. E eu Gonçalo Mendes, Tabelião público na Cúria do supradito Prelado, fiz a leitura pública da referida Carta, e a examinei como acima fica dito, e a transcrevi palavra por palavra, e por meu punho a reduzi a pública-forma, e lhe apus o meu próprio selo. Feita na Igreja de
Santa Maria de Lamas, 13 Calendas de Maio, era de 1296.»

Albergaria-a-Velha e a seu Concelho – Dr. António de Pinho

N.º 2 Publicação Semestral da Junta Distrital de Aveiro Dezembro de 1966

ANO DE 1117

Escreve-se, invariavelmente, que a Carta do Couto d'Osseloa é do ano de 1117, quando nos aparece datada de 1155. Indicaremos a razão da aparente divergência, que a muitos causaria confusão.

Em Portugal vigorou a era de César até 15 de Agosto de 1422, data em que D. João I ordenou fosse substituída pela era de Cristo, em harmonia com a reforma Gregoriana. Até então todos os documentos se datam, pois, da era de César, que começou 38 anos antes do nascimento de Cristo. De modo que, para se encontrar o ano de Cristo, que corresponda a outro da era anterior, basta deduzir a este 38 anos, diferença entre o início das duas eras.

OSSELOA

Osseloa, a que a Carta se refere, passou a denominar-se Silhó ou Assilhó, nome actual da pequena povoação que dista 200 metros desta vila. Em vários documentos do século XIX ainda aparece com o nome de Silhó.

Era ao tempo uma aldeia ou um casal, circunscrito, talvez, à casa solarenga de Gonçalo Eriz, habitada pelos solarengos que agricultavam as terras do fidalgo, fertilizadas pelas águas do regato de Osseloa.

Contra esta afirmação não faça dúvida a Carta designar Osseloa por villa, palavra que então tinha apenas o significado de Quinta, Granja, ou Casal nobre.

ACORDÃO DE 1629

O Ac. da Relação de 10 de Junho de 1629, proferido sobre questões em que se discutiam direitos a terras do Couto d'Osseloa, chamava-lhe villa d'Osseloa. Deu isso margem a ser-lhe dirigida a seguinte petição (...)