sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Homenagem a antigos combatentes do Ultramar

A Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha está a preparar um documentário com depoimentos dos ex-militares, naturais e residentes no Concelho, que participaram na Guerra Colonial, entre 1961 e 1974. Quem quiser deixar o seu testemunho, pode contactar a Câmara Municipal, através do número de telefone 234 529 300 ou pelo endereço de correio gap@cm-albergaria.pt.


Município de Albergaria presta homenagem a antigos combatentes do Ultramar


A Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha vai homenagear os antigos combatentes da Guerra Colonial numa cerimónia a ter lugar em maio, no Cineteatro Alba. Até lá, estão a ser recolhidas imagens, que servirão para memória futura, e a ser preparado um documentário com depoimentos e testemunhos dos ex-militares, naturais ou residentes no Concelho, que participaram no conflito no antigo Ultramar português, entre 1961 e 1974.


“É mais do que justo homenagear aqueles que participaram neste momento histórico de Portugal”, salienta Delfim Bismarck, Vereador da Cultura do Município. O autarca acredita que estes Albergarienses serviram o seu País, a sua Pátria, da melhor forma que puderam e souberam. “Respeito e gratidão” são as palavras do Município para com todos aqueles que homenageia com esta ação.


O documentário vai conter várias entrevistas de antigos combatentes, pelo que a Câmara Municipal está a recolher informações sobre os militares que estiveram no terreno. Quem quiser deixar o seu testemunho pode contactar o Gabinete de Apoio à Presidência através do número de telefone 234 529 300 ou pelo endereço de correio eletrónico gap@cm-albergaria.pt.


A Guerra Colonial, também designada por Guerra do Ultramar, foi um período de confrontos entre as Forças Armadas Portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. Ao longo de 13 anos, entre 1961 e 1974, foram mobilizados um milhão e quatrocentos mil portugueses, tendo morrido nove mil militares. Cerca de 30 mil homens foram feridos e mais de cem mil regressaram a casa com distúrbios psicológicos associados à guerra. O conflito só teria fim com a Revolução dos Cravos, a 25 de abril de 1974, seguindo-se o reconhecimento da independência das antigas colónias portuguesas.        


CMA, 16/02/2017



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Espólio Foto Gomes / Arquivo



O Arquivo Municipal está a desenvolver um trabalho de parceria com a Irmandade da Misericórdia de Albergaria-a-Velha para a identificação de fotografias antigas do espólio do Foto Gomes. Esta tarde, técnicos do Arquivo estiveram nas instalações da IPSS e projetaram várias imagens perante um grupo de cerca de 40 utentes, tentando desta forma encontrar pistas para a identificação dos retratos e eventos fotografados.


CMA, 16/02/2017

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Dia do Município

Este ano, para além dos 182 anos da fundação do Concelho, celebram-se os 900 anos da atribuição da Carta de Couto de Osselôa por D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques.

DIA ABERTO PARA OS ALUNOS DO 3º ANO

Cerca de 200 crianças do 3.º ano do 1.º Ciclo do Ensino Básico vão fazer uma visita guiada aos serviços da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha na segunda-feira, 13 de fevereiro, no âmbito das comemorações do Dia do Município.

Na visita guiada, os alunos vão percorrer diversas divisões e serviços municipais, acompanhados por funcionários da Câmara, que lhes vão explicar o funcionamento da Autarquia. Uma das paragens é no Gabinete da Presidência, onde os alunos podem conhecer os membros do Executivo e colocar questões sobre as funções específicas do Presidente e dos Vereadores. Durante a visita será feita ainda uma breve apresentação sobre a fundação de Albergaria-a-Velha no século XII e a sua evolução até aos nossos dias.

O dia aberto para os alunos do 3.º ano insere-se na estratégia de promoção da História e Património Local e da Educação para a Cidadania, procurando sensibilizar os mais novos para o funcionamento da Administração Pública e para as formas de exercer uma participação ativa. A visita à Câmara Municipal no 3º ano do 1º Ciclo antecede e complementa a visita à Assembleia da República, que as crianças farão depois no 4º ano.

 SESSÃO SOLENE E ATRIBUIÇÃO DE MEDALHAS

Ainda no âmbito das comemorações do Dia do Município e dos 900 anos da fundação de Albergaria-a-Velha, a Câmara Municipal vai realizar no dia 18 de fevereiro, sábado, pelas 16h00, uma sessão solene onde serão atribuídas distinções honoríficas a individualidades, instituições e associações do Concelho.

O Município vai atribuir a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro a Rui Marques, antigo Presidente da Câmara Municipal, à Associação de Instrução e Recreio Angejense e ao Clube de Albergaria, duas coletividades centenárias do Concelho. A Medalha de Mérito Municipal – Grau Prata será concedida à Casa do Povo de Alquerubim, que comemora 86 anos em 2017. A Câmara Municipal vai também distinguir, com a Medalha de Mérito Municipal – Grau Cobre, Margarida Ferreira Coutinho, confeiteira dos doces tradicionais Turcos, o Agrupamento n.º 838 de Escuteiros de Albergaria-a-Velha, o Grupo Columbófilo de Valmaior, o Grupo Desportivo e Cultural de Ribeira de Fráguas, a União Desportiva e Cultural de Mouquim e a União Desportiva de Valmaior.

CONCERTO NO CINETEATRO ALBA

A finalizar as comemorações do Dia do Município, terá lugar um concerto com o músico e compositor Rodrigo Leão no Cineteatro Alba, às 21h30. Os bilhetes têm o preço de 12 euros, sendo de dez euros para os portadores Cartão Amigo, Cartão Sénior Municipal, Cartão Municipal de Voluntário e Jovens SUB 23.

CMA  

MEDALHAS

Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro

Rui Marques
Associação de Instrução e Recreio Angejense
Clube de Albergaria

Medalha de Mérito Municipal – Grau Prata

Casa do Povo de Alquerubim

Medalha de Mérito Municipal – Grau Cobre

Margarida Ferreira Coutinho
Agrupamento n.º 838 de Escuteiros de Albergaria-a-Velha
Grupo Columbófilo de Valmaior
Grupo Desportivo e Cultural de Ribeira de Fráguas
União Desportiva e Cultural de Mouquim
União Desportiva de Valmaior.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Gente Ilustre em Albergaria


Ao apresentar algumas breves biografias em "Gente Ilustre em Albergaria-a-Velha" devo um esclarecimento sobre tão minguada lista de pessoas em terra que vem de um passado de cerca de novecentos anos de testemunhos históricos.

Este primeiro esboço, que espero alongar numa próxima edição, ficou a dever-se à necessidade de uma informação, sucinta e imediata, que permitisse às entidades municipais aprovarem novos topónimos para a Vila de Albergaria-a-Velha.

Com efeito, considerando urgente solucionar o problema da toponímia local, O Presidente da Câmara, Dr. Rui Marques, nomeou uma comissão encarregada de propor topónimos a atribuir oficialmente a seis dezenas de novos ou renovados arruamentos e largos. Dessa comissão fazia eu parte conjuntamente com Aires da Cruz Rodrigues Ferreira, Eng° José António da Piedade Laranjeira, Dr. Mário Jorge Lemos Pinto e Eng° Rui Mendes Tavares.

Os membros da Comissão assentaram no critério de que:

* Se procurasse manter as denominações tradicionais ainda em uso;
* Se atribuíssem os nomes de personalidades que, no desenrolar da vida local, tiveram acção de mérito e também os de outras pessoas aqui nascidas, que se houvessem distinguido a nível regional ou nacional;
* Se fixassem nomes de vultos da História de Portugal de algum modo ligados à nossa terra e, bem assim, os de outros do período dos Descobrimentos cujo centenário agora se vem comemorando.

Para tornar mais exequível o trabalho, elaborei um conjunto de notas biográficas de duas dezenas de figuras públicas ligadas à nossa terra, enquanto outros membros fizeram um levantamento de nomes tradicionais de ruas. Desta forma, rapidamente se chegou ao termo do trabalho a Comissão pode propor os topónimos que as entidades municipais aprovaram por unanimidade.

Entendeu, depois, a Câmara Municipal considerar de interesse, "pela sua acção informativa e pedagógica", a publicação daquelas notas biográficas, às quais juntei as de outras personalidades albergarienses que de algum modo se distinguiram, a maior parte das quais figuravam já na toponímia local. Não houve a preocupação de um registo biográfico familiar, mas antes a de dar a conhecer a obra realizada que contribuiu para que os seus nomes sejam fixados na memória colectiva de Albergaria-a-Velha.

Não está, como é evidente, esgotada a lista de vultos ilustres da nossa terra e, muito menos, a de todos aqueles que, pela evidência da sua acção, da sua popularidade, do seu mérito prestativo, da sua tipicidade, devem permanecer nessa memória colectiva que é a base da nossa identidade.

Um povo que esquece o seu passado e a sua gente tende a esvair-se no tempo.

Espero com este opúsculo concorrer também para não deixar cair, de todo, na amálgama triste e sáfara de um passado sem raízes, alguns daqueles que contribuíram para nos dar uma identidade de que muito me orgulho - a de albergariense.

Albergaria-a-Velha, Julho de 1994
António Homem de Albuquerque Pinho

(nota prévia ao livro Gente Ilustre Em Albergaria-a-Velha")

nomes dos biografados

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Dia do Municipio

(...) [o Dia do Municipio] deveria ser o 13 de Fevereiro (data da fundação do concelho), ou o 1º de Novembro (simbolizando o mês de Novembro de 1117 em que a Rainha D. Teresa doou o Couto de Osseloa a Gonçalo Eriz, fundando assim a primitiva Albergaria).

Um ou outro seriam o "Dia do Município", que para além de servir para que nas escolas se falasse um pouco mais da nossa história local, "semeando" assim raízes à nossa terra, poderia e deveria servir também para homenagear os Albergarienses que por cá ou espalhados pelo Mundo mais se têm destacado nas mais diversas áreas de actividade.

Fonte: Delfim Bismarck Ferreira em "Jornal de Albergaria (22-02-2011) (adaptado)

O Aniversário da Fundação do Concelho de Albergaria-a-Velha é uma efeméride importante na medida em que, a partir de 1835, foi possível fortalecer a identidade de um território e comunidade com características próprias.

Para Delfim Bismarck, Vice-Presidente da Câmara Municipal, “a ideia de comemorar o aniversário do concelho há muito que deveria ter sido efetuada. Como o próprio por diversas vezes escreveu e sugeriu à assembleia municipal local ao longo dos anos, é de elementar justiça que o salão nobre dos Paços do Concelho apresente uma galeria com os retratos de todos os antigos presidentes de câmara que ao longo de 179 anos serviram o município (o que aconteceu em 2014).

http://www.cm-albergaria.pt/Templates/GenericDetails.aspx?id_object=20168

No âmbito das comemorações do Dia do Município tem ocorrido igualmente uma visita de alunos das escolas concelhias à Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha onde são acompanhados por funcionários da Autarquia e percorrem as diversas Divisões dos Paços do Município.

No dia 18 de fevereiro ocorrerá a comemoração dos 182 anos da Fundação do Concelho e dos 900 anos de Albergaria-a-Velha com um concerto do músico Rodrigo Leão.


As comemorações dos 900 anos de Albergaria-a-Velha irão continuar até Novembro deste ano.



terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Escola Secundária de Albergaria-a-Velha

A Escola Secundária c/3º ceb de Albergaria-a-Velha (ESAAV), que integra o Agrupamento de escolas de Albergaria-a-Velha, é a única escola secundária pública do concelho.

A ESAAV e constituída por um conjunto de edifícios, que incluem quatro pavilhões com 28 salas de aula, quatro laboratórios de áreas dedicadas, salas de Educação Visual e de Informática, vários gabinetes de trabalho, um pavilhão gimnodesportivo e oficinas.

A ESAAV possui um pavilhão polivalente onde se encontram alojados a papelaria, o bufete, a cozinha, o refeitório, a biblioteca, a reprografia, o economato, a secretaria, a direcção, a sala dos professores e a sala da Associação de Estudantes.

Todos os edifícios da ESAAV são instalações próprias.

A construção do(s) edifício(s) conta já 42 (*) anos, tendo sido alvo de diversas intervenções ao longo do tempo – ao nível da cobertura, das instalações sanitárias, pisos, e outras pequenas reparações de manutenção –, mas acusando, aos dias de hoje, sinais muito visíveis de degradação e de desatualização face às necessidades atuais da escola. 

A ESAAV não foi alvo de intervenção no âmbito do “Programa de modernização das escolas secundárias", do QREN, nem se prevê, a curto prazo, o seu enquadramento em qualquer outro tipo de financiamento.

A ESAAV é uma das 356 escolas (77% da totalidade do parque escolar) construídas a partir do final da década de 60, sob a responsabilidade partilhada, à época, pelos Ministério da Educação e Ministério das Obras Públicas, tendo mais recentemente ficado excluída do Programa de Modernização do Parque Escolar.

Apesar de ter sido alvo de algumas intervenções corretivas, essas adaptações e melhoramentos processaram-se de forma isolada, ora por iniciativa da própria Escola junto da Direção Regional de Educação, ora no âmbito de programas específicos de reequipamento da responsabilidade do Ministério da Educação.

No entanto, o caráter pontual das intervenções realizadas não permitiu uma requalificação abrangente da Escola, que apresenta, atualmente, sinais muito evidentes de degradação, com necessidade urgente de intervenção em todos os edifícios que a compõem, para além de se encontrar desajustada face às necessidades de modernização, de abertura à comunidade e de possibilidade de implementação de um novo modelo de gestão de instalações.

A ESAAV apresenta problemas ao nível de canalização (águas e saneamento), eletricidade, isolamento térmico, acústico e da cobertura (a caixilharia remonta ao ano de construção e nunca foi revista); na cobertura foi substituído o fibrocimento mas persistem infiltrações; alguns dos pisos das salas de aula foram substituídos, mas a grande maioria mantém-se, tal como as instalações sanitárias, consideradas insuficientes e obsoletas; o espaço exterior e as paredes e estruturas de ligação entre pavilhões encontram-se em mau estado, apresentando um aspeto desagradável e a necessitar de substituição, dando ao edifício um aspeto igualmente descuidado e desagradável; e as salas dedicadas (laboratórios, oficinas, …) encontram-se muito degradadas e desatualizadas.

É, assim, urgente um processo de requalificação da Escola, abrangente e sistemático, que crie condições para a sua adequação às atuais necessidades da população discente e docente, para uma verdadeira adequação do processo de ensino e aprendizagem e concorrente para formação e educação do século XXI.

O Executivo Municipal de Albergaria-a-Velha manifestou já o seu empenho em colaborar com a comunidade escolar na procura de soluções para a ESAAV, tendo disponibilizado os seus técnicos para uma cuidada avaliação, em equipa com a DGeste Centro, por forma a se proceder ao levantamento, planeamento e priorização da intervenção a realizar, e tendo prevista uma dotação orçamental para o programa de requalificação a propor pela equipa técnica, desde que enquadrado em acordo de compromisso com o Ministério da Educação.

CDS, 25/01/2017

(*) DADOS DO ANTERIOR SITE DA ESEC - 25 ANOS - 1975/2000

Há 25 anos...
... surgiu a Escola Secundária de Albergaria-a-Velha (Dec-lei nº260/75 de 26 Maio)
Porque...
... com o crescimento demográfico, acompanhado por uma revitalização e expansão das actividades económicas da população residente, a vila debatia-se com dificuldades em oferecer aos seus jovens o ensino conducente à sua formação académica.

Assim, a ESAV resultou da transformação de uma secção de ensino técnico secundário da Escola Comercial e Industrial de Oliveira de Azeméis.

Situada, onde funcionava a Biblioteca Municipal da vila, na Escola funcionava o ensino secundário técnico diurno e nocturno, com os seguintes cursos gerais: Formação Feminina,

Administração e Comércio, Electricidade e Mecânica. O número de alunos era inferior a 500 alunos e os quadros de docência, pessoal administrativo e auxiliar consistiam em 22, 7 e 18 respectivamente.

http://arquivo.pt/wayback/20131106214604/http://www.esec-albergaria-a-velha.rcts.pt/25anos.htm

Actualmente a Escola apresenta-se composta por 4 pavilhões com 28 salas da aula e Laboratórios de Biologia, Geologia, Química e Matemática, bem como salas específicas para Educação Visual e Informática e alguns gabinetes de trabalho. Existe ainda um pavilhão gimno-desportivo e outro oficinal.

No Pavilhão Polivalente encontram-se os serviços de papelaria, bufete, cozinha e refeitório, biblioteca, reprografia, economato e secretaria. Existem ainda a sala de Professores, a sala da Associação de Estudantes e o gabinete dos serviços de apoio de Psicologia e Orientação Vocacional, onde também se encontra a UNIVA.

Encontra-se também sediado nesta escola o Centro de Formação da Associação de Escolas de Albergaria-a-Velha.

http://arquivo.pt/wayback/20131106213745/http://www.esec-albergaria-a-velha.rcts.pt/home.htm



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

D. Teresa Conta Histórias


A Rede de Bibliotecas, em parceria com o SAC - Serviço de Aprendizagem Criativa, iniciou no dia 17 de Janeiro de 2017 a atividade "D. Teresa Conta Histórias", que propõe uma viagem encenada pelas origens de Albergaria-a-Velha. A ação faz parte do Programa Municipal de Educação e abrange todas as crianças do pré-escolar da rede pública, privada e solidária do Concelho.

Facebook do  Município de Albergaria-a-Velha

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Carta do Couto e Osseloa - 1117


900 anos da carta do Couto de Osseloa (1117 - 2017)

A CARTA DO COUTO DE OSSELOA

«Este notável documento constitue a certidão de nascimento e de batismo de Albergaria-a-Velha e, mais do que isso, atribuem-se-Ihe ainda foros de maior valor para a nossa nacionalidade, considerando-o o primeiro documento em que Portugal figurou com o título de reino.

Alexandre Herculano, História de Portugal, 1.ª Edição, 1.º volume, pág. 244, em nota.

Quando o bispo de Coimbra, D. Egas, em 1258, fez transcrever a Carta em pública-forma, para garantia da sua conservação, declarou que assim procedia por utilidade de Albergaria-a-Velha de Meigon Frio. E era Velha, certamente para contrapor a outra Albergaria de mais recente fundação, e que devia ser a Nova.

(...)

TRADUÇÃO DA CARTA

A tradução da Carta mereceu-nos o maior cuidado. Confiando-a ao Sr. P.e Francisco Teixeira fixámo-la como segue:

Saibam quantos tiverem conhecimento da presente escritura, que, quando intentámos a reforma para utilidade de Albergaria-a-Velha de Meigonfrio, Dom Mourão, do burgo de Vouga, nos mostrou uma Carta não rasurada, nem viciada, nem cancelada, nem abolida, nem oferecendo dúvidas em qualquer das suas partes, a qual nós, por Gonçalo Mendes, nosso público tabelião, fizemos transcrever palavra por palavra, e reduzir a pública-forma, e cujo teor é o seguinte:

Em nome da Santa e Indivisa Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, Amen. Esta é a Carta de Benefício e firmeza de Couto, que eu, Infanta Dona Teresa, Rainha de Portugal, mandei fazer para ti, Gonçalo Eriz com destino à tua Quinta de Osseloa (Assilhó). Em primeiro lugar divido, por um lado, essa tua Quinta com a Terra de Santa Maria, a saber: – da estrada que desce de Portugal (Porto de Gaia) em direcção à Pedra da Águia (Bico do Monte ou Monte da Senhora do Socorro), e daqui pelo meio da Mata Talhada (ficava entre a Pedra de Águia e a Cruz de Canelas, e se denomina hoje Vale da Salgueira e Vale da Lage) em direcção à Mata da Ussa, que antigamente se chamava Mata da Brava, e daqui à Mamoa Negra que se chamava da areia, e daqui vai ao Romariz, e daqui, por outros terrenos, até ao têrmo do Vouga; na direcção de Romariz transpõe o regato de Osseloa junto à Charneca, seguindo em linha recta até ao ponto em que o terreno deixa de ter o mesmo plano (Usque in Directo), e daqui voltando para os vales de Osseloa e depois directamente à Fonte Fria, que outrora se chamava Fontinha de Meigonfrio, e daqui a par da estrada em direcção à Pedra de Águia supramencionada.

Aprouve-me, a mim, Infanta Dona Tereza, Rainha de Portugal, em boa paz, dar-te Carta de Couto a ti, Gonçalo Eriz, na Quinta de Osseloa (Assilhó) pelos limites referidos, a saber: – da própria Quinta até ao Padrão do Couto, que eu mandei colocar na parte norte à beira da estrada, (é conhecido ainda hoje pelo nome de Marco da Meia Légua), e assim outro tanto para o poente da Quinta, e para o sul na direcção dos vales de Osseloa, do outro lado do regato, e volta para a Fonte Fria junto ao Sobreiro assinalado, e dali atravessa o caminho para o Oriente, indo em direcção ao limite de Valmaior até ao Vale Pequeno, onde roubam e matam os viandantes, e dali, da primeira fonte situada abaixo da estrada, seguindo em direcção ao norte até ao padrão do Couto.

Desta forma, de hoje em diante, possuas este Couto, bem como aquele que da tua descendência for teu herdeiro da dita Quinta, e de pai e mãe de ti provenha, tanto por teres dado um açor a D. Mendo Bofino e um cavalo ao meu escudeiro Artaldo e um gavião a Godinho Viegas, como para uma Albergaria que vamos instituir neste lugar, ao cimo da estrada, para bem de nossas almas e das dos nossos pais, e nela metamos como Albergueiro a Gonçalo de Cristo, e, quando um tiver falecido, tu nomearás outros, e da tua herdade lhes darás onde trabalhem, a saber: – desde a primeira lagoa dos Sobreiros, no caminho que vai para Osseloa até à primeira margem do regato que decorre da estrada, estendendo-se pela mesma margem até à estrada; e dessa lagoa indo para a primeira Mamoa que está junto à estrada; tendendo para a Fonte Fria, e depois, do outro lado, no termo de Valmaior – cedamos, eu, tu e os nossos sucessores, acima do Padrão do Couto para o Oriente, até à primeira Fonte, abaixo da estrada, e daqui à primeira Fonte Fria.

Além disso, determinamos que paguem ao Albergueiro do Couto, aqueles que o ferirem, quinhentos soldos, e ele não pague calúnia em todo o meu reino, nem passagem (direito de trânsito), nem fique sujeito a quaisquer encargos (nenhum fôro); e além disso, Gonçalo Eriz, honro-te na tua Quinta, ordenando que todos os monteiros que, no termo dela, matarem veados, te dêem os lombos e a quarta parte, com excepção do rei; e os que matarem corça ou gamo te dêem cs lombos, e, se caçarem em terreno cultivado, te dêem metade, e do urso as mãos, e se afastem do Couto os caçadores de coelhos à distância da vista de homem de joelhos, com os olhos nem levantados nem postos no chão; e todos os que aí fizerem calúnia te paguem pelo fôro do Vouga, e aquele que violar as disposições deste Couto te pague seis mil soldos, e mantenha-se o Couto, – e se quiseres utilizar-te do meu Mordomo para receberes aqueles seis mil soldos, dar-lhe-ás a terça parte, mas não por fôro, e não entre no teu Couto se não for da tua vontade.

E, se alguém da minha descendência, ou eu ou o Rei, quiser anular este meu acto, seja maldito até ao fim dos séculos, e aquele que o beneficiar seja bem dito e toda a sua geração; e todos os homens de Vouga que honraram este Couto participem da boa hospitalidade da Albergaria. Confirma P., Bispo do Porto. Esta carta foi lavrada nas terras de Santa Maria, a que chamam Feira, no mês de novembro, era de 1155. Eu, Infanta Dona Teresa, Rainha de Portugal, que mandei passar esta Carta a ti, Gonçalo Eriz, como acima se deixa dito, e de minha mão a firmei.

Foram presentes: – Mendo, escrivão privativo da Côrte que a fez. – Dom Pedro Gonçalves, confirmo, – Dom Mendo Bofino, confirmo, – Dom Velasco Ramires, confirmo, – Dom Godinho Viegas, confirmo, – Didaco Osório, confirmo, – Dom Gonçalo Truitzendo, confirmo. O Armeiro Nuno Soares, viu. Pelágio Scapulado, confirmo. Artaldo testemunha, Pedro, testemunha. – Pelágio, testemunha, Gonçalves, testemunha, João testemunha, Garcia, testemunha. Sinal público em cruz, com as letras – Rainha Dona Teresa. Rainha.

E para que a dita carta, com o decurso do tempo, não venha a oferecer dúvidas, nem desapareça, com dano para a mesma Albergaria, a fizemos conferir na presença de homens bons, e, além disso, depois de firmada com o nosso próprio selo, a fizemos arquivar cuidadosamente no Tesouro da Igreja Catedral de Coimbra. E eu Gonçalo Mendes, Tabelião público na Cúria do supradito Prelado, fiz a leitura pública da referida Carta, e a examinei como acima fica dito, e a transcrevi palavra por palavra, e por meu punho a reduzi a pública-forma, e lhe apus o meu próprio selo. Feita na Igreja de
Santa Maria de Lamas, 13 Calendas de Maio, era de 1296.»

Albergaria-a-Velha e a seu Concelho – Dr. António de Pinho

N.º 2 Publicação Semestral da Junta Distrital de Aveiro Dezembro de 1966

ANO DE 1117

Escreve-se, invariavelmente, que a Carta do Couto d'Osseloa é do ano de 1117, quando nos aparece datada de 1155. Indicaremos a razão da aparente divergência, que a muitos causaria confusão.

Em Portugal vigorou a era de César até 15 de Agosto de 1422, data em que D. João I ordenou fosse substituída pela era de Cristo, em harmonia com a reforma Gregoriana. Até então todos os documentos se datam, pois, da era de César, que começou 38 anos antes do nascimento de Cristo. De modo que, para se encontrar o ano de Cristo, que corresponda a outro da era anterior, basta deduzir a este 38 anos, diferença entre o início das duas eras.

OSSELOA

Osseloa, a que a Carta se refere, passou a denominar-se Silhó ou Assilhó, nome actual da pequena povoação que dista 200 metros desta vila. Em vários documentos do século XIX ainda aparece com o nome de Silhó.

Era ao tempo uma aldeia ou um casal, circunscrito, talvez, à casa solarenga de Gonçalo Eriz, habitada pelos solarengos que agricultavam as terras do fidalgo, fertilizadas pelas águas do regato de Osseloa.

Contra esta afirmação não faça dúvida a Carta designar Osseloa por villa, palavra que então tinha apenas o significado de Quinta, Granja, ou Casal nobre.

ACORDÃO DE 1629

O Ac. da Relação de 10 de Junho de 1629, proferido sobre questões em que se discutiam direitos a terras do Couto d'Osseloa, chamava-lhe villa d'Osseloa. Deu isso margem a ser-lhe dirigida a seguinte petição (...)




segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Primeiras autárquicas foram há 40 anos!


Foi em 12 de Dezembro de 1976 que se realizaram as primeiras eleições autárquicas em Portugal. Experiência única de democraticidade e de participação dos cidadãos na escolha dos que, mais perto de si, iriam assumir a administração local.

Para a presidência da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha concorria pelo PPD José Nunes Alves, que já ocupava o cargo desde os finais da década de 60, quando Vale Guimarães era governador civil de Aveiro. Nunes Alves passou incólume a turbulência do 25 de Abril de 1974, por se lhe reconhecer o seu passado de democrata, a sua capacidade de trabalho, a sua seriedade.

Presidiu à comissão administrativa que se seguiu à dissolução dos órgãos administrativos decretada após o 25 de Abril.

José Nunes Alves venceu e continuou por mais uns anos. Até 1981, quando faleceu.

A primeira Câmara Municipal eleita, de Albergaria-Velha, ficou assim constituída:

José Nunes Alves (PPD)
Prof. Rogério Camões (PPD)
Dr. Henrique Souto (PPD)
Eng. Rui Tavares (CDS)
Gualdino Silva (CDS)
António A. Martins Pereira (CDS)
Aires Rodrigues (PS)

A primeira Assembleia Municipal, eleita na mesma data, ficou presidida pelo Dr. Flausino Pereira da Silva. Dela faziam parte entre outros, Dr. Júlio Pereira (CDS), Lutero Letra da Costa (PPD), Armando Santos (PS), Carlos Mortágua (PPD), Mário Vidal da Silva (PPD),  Sebastião Resende (CDS), Silvino Lopes (PPD).

Os primeiros presidentes das Juntas de Freguesia, igualmente eleitos nesse dia, foram:

Albergaria: Manuel de Silva (CDS)
Angeja: Domingos Rodrigues de Silva (PPD);
Alquerubim: Manuel Barreto (CDS)
Branca: Grive da Silva Gomes (PPD));
Frossos: José António Praça (PPD);
S. João de Loure: Inocêncio Marques (PPD);
Valmaior: Manuel Letra (CDS)
Ribeira de Fráguas: João António da Silva (CDS)

Rogério São Bento Camões, Flausino Pereira da Silva e Carlos Manuel Melo Mortágua são os totalistas, pois desde 1976 que ocupam, ininterruptamente, cargos autárquicos.

Nos 20 anos de poder local, bem merecem, juntamente com os outros eleitos, a nossa homenagem.

Jornal de Albergaria, 19/12/1996


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Novo livro sobre a Fábrica Alba


A ADERAV vai apresentar o livro "Alba – Uma Marca Portuguesa no Mundo" no próximo sábado, 17 de dezembro, no Cineteatro Alba. A sessão, com início às 17h00, contará com a presença dos autores Delfim Bismarck Ferreira e Pedro Martins Pereira.

“Procurámos com este estudo trazer a público uma panorâmica geral da vida e obra do Comendador Augusto Martins Pereira e de seus filhos, bem como da indústria daquela que foi uma das principais marcas industriais portuguesas do século XX e início do XXI”, escrevem os autores na introdução.

A marca Alba, registada em 1929, teve ao longo de várias décadas uma grande difusão, quer em Portugal, quer nos "países" que constituíam o designado Império Ultramarino Português. O seu fundador, Augusto Martins Pereira, lançou as bases daquela que foi talvez a principal marca portuguesa de utensílios domésticos, mobiliário urbano e acessórios fundidos para águas e saneamento do século passado.

A importância da marca Alba não se ficou somente pelos produtos fabricados. As instalações fabris foram uma verdadeira escola técnico-profissional, formando técnicos especializados em diversas áreas que, na altura, faltavam no mercado de trabalho.

A família Martins Pereira assumiu também um papel importante no desenvolvimento social, cultural e desportivo do Concelho, com destaque para a criação e apoio do Sport Clube Alba, a construção do Parque de Recreio e Desporto Alba e do Cineteatro Alba.

Autores

Pedro Martins Pereira é bisneto do fundador da marca Alba, tendo trabalhado na fábrica metalúrgica nas décadas de 1970 e 1980. Atualmente, é sócio-gerente da LARUS, empresa de design urbano e fundador e sócio-gerente da empresa ProjectoAlba Unipessoal, Lda., detentora da marca Alba.

Delfim Bismarck Ferreira é historiador e autor de mais de quatro dezenas de estudos nas áreas de História, Património, Genealogia, Heráldica e Biografia. Foi presidente da ADERAV entre 2001 e 2005 e é, desde 2013, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha.

CMAV, 13/12/2016

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