quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Nossa Senhora do Socorro

A Ermida da Nossa Senhora do Socorro ergue-se no Bico do Monte. Já em 1117, figurava no Couto de Osseloa, concedido pela Rainha D. Teresa a Gonçalo Eriz, com a denominação de “Pedra da Águia”.

A “Pedra da Águia” era um monumento megalítico, constituído por uma espécie de pirâmide com base larga e dentada em muitos pontos, formando um maciço de pedras de xisto sobrepostas e terminada com uma pedra mais elevada no cimo. Com a construção da primitiva Ermida (hoje Capela Mor) a “Pedra da Águia” teve de ser demolida.

Em 1855, uma epidemia de cólera grassou no país e atingiu parcelas do Concelho onde deixou um rasto de luto e de pânico perante a doença pestífera sem remédio que rapidamente causou dezenas de mortos na vila. Impotentes perante o mal que não cessava, os albergarienses fizeram o voto de erigir no Bico do Monte, antigamente denominado “Pedra-de-águia”, que se ergue sobre a planura, uma capela dedicada a Nossa Senhora do Socorro cuja proteção invocavam. Depois desse voto coletivo e solene não se registou mais nenhum caso mortal, o que foi considerado um milagre.

A construção da Capela iniciou-se logo no ano seguinte e foi consagrada e aberta ao culto em 15 de Agosto de 1857, bem como foi benzida a imagem da Senhora do Socorro esculpida nesse ano pelo entalhador e santeiro Albergariense, José da Silva Vidal. A partir dai, para além de inúmeros atos religiosos durante o ano, passou a realizar-se uma grande festa no terceiro domingo e segunda-feira de Agosto, a festa das famílias albergarienses, a que acorreram sempre milhares de peregrinos e de festeiros, os quais contribuíram com as suas generosas dádivas para o aformoseamento do recinto de vistas deslumbrantes e belas sombras deleitosas. A pequena ermida inicial foi sendo aumentada e reformada ao longo dos tempos para poder servir ao avolumar dos crentes que iam comparecendo cada vez em maior número nas festividades.

Há poucos anos, a construção de uma Casa Diocesana para a realização de reuniões nacionais e internacionais de organismos católicos veio dar uma projeção ainda maior ao ato devoto dos atormentados albergarienses de há cerca de um século e meio.

Texto retirado do antigo site da JF Albergaria


 

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