quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Albergaria-a-Velha 1873

Portugal antigo e moderno: diccionario ... de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de Aldeias (1873) Por Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho Leal

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Ponte do Pinho - Telhadela

https://www.yumpu.com/es/document/read/63363344/telhadela-2009-2-edicao


http://bibliografia.bnportugal.gov.pt/bnp/bnp.exe/registo?2039765



terça-feira, 8 de dezembro de 2020

José Nunes Alves

(...) José Nunes Alves, um dos poucos presidentes que se manteve em funções a seguir ao 25 de Abril de 1974, por pressão da população do concelho, que não permitiu a sua destituição do cargo. José Nunes Alves passou a presidir à Comissão Administrativa da autarquia até as primeiras eleições autárquicas de 1976, nas quais foi candidato pelo PSD e venceu o acto eleitoral. 

Ao longo dos anos, José Nunes Alves ligou-se e apoiou várias instituições concelhias, incluindo os Bombeiros, que agora pretendem atribuir-lhe a categoria de sócio honorário, não sendo previsível outra decisão que não seja a aprovação da proposta, muito provavelmente por unanimidade.


A memória do presidente da Câmara José Nunes Alves merece mais do que o nome em duas ruas, merece um busto! Foi presidente de Câmara antes do 25 de Abril de 1974, manteve-se no período revolucionário, como presidente da comissão administrativa, e venceu as duas primeiras eleições autárquicas livres. 

Faleceu no exercício do cargo, e merecia que o féretro tivesse saído dos paços do concelho - o que não aconteceu. A sua acção está aí, e devia ser devidamente recenseada. E recordada. 

Mário Jorge Lemos Pinto (grupo Café Girassol - Facebook)

José Nunes Alves nasceu em 14 de Novembro de 1902 e faleceu em janeiro de 1981. 

Jornal dos Clássicos

O Museu do Caramulo vai produzir, através do Jornal dos Clássicos, uma série documental sobre os automóveis portugueses.

O objectivo desta série é mostrar alguns dos mais extraordinários automóveis produzidos em Portugal, evitando que as suas histórias caiam no esquecimento ou permaneçam no total desconhecimento por parte do grande público.

A série “Automóveis Portugueses” terá seis episódios, cobrindo os automóveis Felcom (1933), Edfor (1937), Alba (1952), DM (1953), AR (1955), cinco dos automóveis que sobreviveram e que ainda se encontram em condições de circulação. Cada um destes cinco episódios focará a história do modelo, do seu criador assim como do seu actual proprietário.

O último episódio será dedicado a toda a indústria e projectos motorizados portugueses e contará com a apresentação de José Barros Rodrigues, o conhecido autor de vários livros sobre automóveis produzidos em Portugal.

Haverá ainda um episódio extra com o “making of” da série, incluindo as imagens do “behind the scenes”, bloopers, conversas com os participantes, entre outros conteúdos.

Para isto, o Jornal dos Clássicos vai recorrer a uma produção profissional e munida de todas as capacidades técnicas para poder trazer o melhor que existe na arte de contar uma história e mostrar da melhor forma possível as extraordinárias aventuras de criatividade e empreendedorismo que marcaram a era dourada da produção de automóveis em Portugal, entre os anos 30 e 50.

A série “Automóveis Portugueses”, que já se encontra em gravações, vai estrear durante o segundo semestre de 2020 [adiado?] no canal do Jornal dos Clássicos no Youtube, com um episódio a ser lançado a cada semana.

https://www.jornaldosclassicos.com/2020/07/03/museu-do-caramulo-vai-produzir-serie-sobre-automoveis-portugueses/

https://www.jornaldosclassicos.com/tag/alba/

https://www.youtube.com/c/JornaldosCl%C3%A1ssicosTV/videos

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Recordações toponímicas de Alquerubim


 A força da Tradição…

Não me lembro de quem escreveu estas palavras:

… É enorme. Podem os homens mudar os nomes das ruas, das praças ou dos becos, que o vulgo continuará a chamar Rua Direita à mais tortuosa rua da cidade e a designar pelo seu antigo nome, às vezes velho de séculos, as curvas, as encruzilhadas, tudo o que na toponímia da aldeia, da cidade, da região, ganhou fixação duradoura na memória das gerações.

Temos exemplos disto na nossa terra. Ali, naquele trecho que da casa comercial de Américo Gonçalves dos Santos segue para Beduído, a uns 15 a 20 metros do estabelecimento, há um ponto que eu sempre ouvi chamar a «Laranjeira Azeda». Tal nome decerto resultou de uma laranjeira azeda que ali existisse, no Passal dos priores. E suponho mesmo que tal árvore é a que ali ainda existe, tombada, de tronco carcomido e vèlhinha, tão vèlhinha, que não se aguenta direita, como uma pessoa que, sob o peso dos anos, não se mantém de pé. Sabida a longevidade que as laranjeiras atingem, não me repugna acreditar que aquela árvore, que ali jaz, ainda dando frutos, seja a mesma que, há mais de 70 anos, deu o nome por que ainda hoje é conhecido o local.

Outro sítio nas mesmas condições é aquele onde se cruza com a estrada 16-2, o troço que vai da antiga fonte de chafurda de Fontes e que é vulgarmente conhecido por «Val de Carneiro». De onde lhe vem tal nome? Ninguém o sabe, creio.

A encruzilhada, perto da qual fica a «Casa do Povo», é conhecida por «Senhor dos Aflitos». Haverá alguém que me possa elucidar sobre a origem de tal designação? Palpita-me que deve haver qualquer coisa de interessante na origem deste nome.

Entre a «Laranjeira Azeda» e o «Senhor dos Aflitos», na curva do muro que veda a propriedade do Sr. Eduardo Lemos, foram colocadas umas Alminhas, creio que no tempo do Pároco Padre Miguel, as quais, pela inscrição que nelas foi colocada, vejo que são designadas por «Alminhas do Chão da Cruz». Confesso ignorar que algum dia ali tivesse havido essas alminhas, e louvo o zelo e diligência daquele sacerdote em te-las descoberto da poeira do tempo e assinalado com um monumento novo, reatando assim o fio de uma tradição que se desvaneceria se o restauro não fosse feito.

O outeiro que se levanta defronte da igreja matriz é conhecido por «Alto da Igreja Nova». Poucas pessoas haverá hoje em Alquerubim que tenham sido contemporâneas de tal baptismo. Ele deriva da circunstância de ter sido destinado a erigir-se ali uma nova igreja matriz, que viria substituir a antiga, que naquele tempo era um templo sem elegância e já se encontrava muito necessitado de reparação. Neste jornal já foi feira uma referência a isto pelo erudito autor dos «Retalhinhos Históricos». Ainda lá se conservam, no estado de abandono definitivo de há mais de 60 anos, os caboucos que foram abertos para demarcação do edifício, que ficaria sendo uma das mais notáveis, se não a mais notável, pela situação e linhas arquitectónicas, das igrejas destas redondezas.

Abandonada a ideia da construção do novo templo, foi resolvido reparar o antigo, que, diga-se também, ficou sendo um dos mais lindos da diocese de Aveiro. Foi pena que não ficasse no alto do outeiro, que ficou sendo conhecido pelo «Alto da Igreja Nova», designação que se tem conservado através dos anos e creio que se conservará pelos séculos fora.

Logo ao ultrapassar o edifício das Escolas Primárias Centrais, na estrada para Albergaria, o terreno à esquerda, hoje aproveitado como terra de cultura, é conhecido pelo «Hospital». Também já aqui fiz referência a isso num dos meus Recordandos. Foi ali construído, há mais de 70 anos, o edifício para um hospital. Não chegou a acabar-se, por falecimento do doador, e mais tarde foi demolido, mas o sítio sempre ficou sendo conhecido por «Hospital».

Isto seria um nunca acabar. A imaginação popular é prolífera na criação de motivos que, uma vez erigidos na mente das populações, ficam anos e anos, séculos e séculos, a atestar a existência de factos que muitas vezes não passam de uma promessa, de um desejo, de uma aspiração.

Todos os lugares da freguesia têm destas recordações toponímicas, e se eu estivesse mais novo, ainda me lançaria à tarefa de organizar uma colectânea que colheria da tradição. Um ponto que não me escaparia de averiguar na sua origem é o de «Pica-Boi», acolá no alto do Fial de Cima, lugar cheio de poesia, como é toda a zona por onde se estende o Fial (de Baixo e de Cima), e onde todos os anos se realiza uma romaria aonde acorre metade da mocidade da freguesia. Por que razão foi dado ao aprazível sítio um tão esquisito nome?

Este e muitos outros eu procuraria averiguar, mas isso demanda esforço com que já não posso.

António Augusto de Miranda, Mensagem, 15 de março de 1961

"A publicação das crónicas Recordando, da autoria de António Augusto de Miranda,  publicadas na Mensagem, o Boletim da Paróquia de Alquerubim, entre 1956 e 1962, pretendem constituir um contributo para a preservação da nossa memória."  Emília Maria Santiago Miranda (a sua neta mais nova)





quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Moinhos de Portugal

https://www.facebook.com/MoinhosPortugal

Para quem gosta de colaborar na divulgação e valorização do património molinológico do nosso país sugerimos a página de facebook Moinhos de Portugal que está a fazer onze anos e que já se tornou uma referência da área a nível nacional.


Foto publicada na referida página:

Segurelha, bucha, veio e cunhas. Moinhos da Freirôa. Rio Caima. Albergaria-a-Velha, 2006.

sábado, 21 de novembro de 2020

hóquei em Patins

O desejo de hóquei em Patins

O Correio de Albergaria avançou com a noticia: Vai o Clube de Albergaria, a centenária colectividade desta nossa terra, criar uma secção de Hoquei em Patins.

Perante a notícia recuei alguns anos, quarenta e dois a quarenta e cinco, e dei comigo a ver a então novel secção de Hoquei em Patins do Sport Clube ALBA, ali no então Parque de Recreio e Desporto da ALBA, a preparar os seus atletas para disputar jogos a nível distrital.

Os mais novos eram dos mais entusiastas e tanto fizeram que se sagraram Campeões Distritais de Infantis, lá para o ano 1972-1973 (?)

Era um tal entusiasmo que tudo se foi arranjando e os jovens jogadores viviam com intensidade os seus treinos e jogos e sentiam-se apoiados pelos dirigentes do Clube e pelos seus familiares, Chegou a ter uma equipa de Seniores (gente grande) reforçada com alguns elementos vindos da Sanjoanense Foi uma forte vivência que infelizmente não se prolongou no tempo e daí a minha surpresa e satisfação pelo anunciado renascimento do Hoquei em Patins em Albergaria-a-Velha.

Vivi a minha juventude acompanhando a criação e o desenvolvimento de um glorioso e famoso clube de hoquei, o Hockey Club de Sintra, de que sou, ainda hoje, sócio, tendo convivido com os seus jogadores alguns dos quais chegaram a Campeões do Mundo. E nisto está a origem da minha paixão pelo hoquei que foi agora avivada com a realização, no Pavilhão de Albergaria, do jogo entre o Benfica (vencedor da Taça de Portugal) e o Valongo (vencedor do Campeonato Nacional). Foi um jogo do “tu cá tu lá”, de alteração permanente do marcador, mas um jogo com alguns momentos de magnífico hoquei com alguns jogadores a mostrarem que neste jogo quem patinar melhor faz a diferença. O meu Benfica perdeu e o Valongo levou consigo a taça com o nome de um dos melhores jogadores de sempre o António Livramento.

Este oportuno jogo veio numa altura preciosa para agitar o “pessoal” e dar ânimo a quem está decidido a avançar com a prática do hoquei em patins aqui pelas terras de Albergaria.

Pelo passado, pelo valor da juventude de todo o Concelho, que vem deixando bons comportamentos em várias áreas do desporto pela “carolice” de técnicos e dirigentes, pelos apoios que as autarquias (Juntas e Câmara), empresas, comerciantes etc, não deixarão de continuar a prestar a estas iniciativas, cremos que a concretização do DESEJADO Hóquei em Patins é possível.

O que acabo de relatar é o ANVERSO da situação mas, não ficaria de bem comigo se não falasse no REVERSO.

Neste reverso deixo duas situações que sempre foram preocupantes para dirigentes e jogadores:

a) As exigências do equipamento dos jogadores, em particular dos Guarda-Redes, equipamentos que não são baratos e que obrigam a uma atenção permanente de manutenção.

b) As exigências de boa patinagem o que obriga à prática frequente de patinar que começa por depender da entrega e sacrifício dos jogadores e da disponibilidade de disporem de espaço para o poderem fazer quer individualmente quer em equipa.

Nada disto é surpresa, pois um objectivo, um sonho,,. sempre tem duas faces em que uma é mais atraente e mais simbólica e apetecível que a outra. O projecto, em minha opinião está em boas mãos e o Clube de Albergaria, como reza o seu passado, vai encontrar a via ideal para dar vida a este sonho, tendo presente que… “as dificuldades fizeram-se para serem vencidas”.

José Piedade Laranjeira, Correio de Albergaria, 05/11/2014

https://arquivo.pt/wayback/20150912105915/http://www.correiodealbergaria.pt/?p=1900


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Revista Albergue


Editorial da Revista Albergue nº 7

Tempos estranhos estes, que vivemos. O ano de 2020 será lembrado, talvez, como o primeiro de vários, em que o Homem se vê obrigado a adaptar a uma nova realidade, condicionadora, para quem viveu tempos de desenvolvimento económico, social e cultural.

Esta adaptação a um “novo tempo”, também trouxe, e trará, novas formas de vivência e convivência, de introspecção, hábitos, rotinas e preocupações.

Talvez por isso a leitura tenha voltado a ser uma boa aliada de uma vida intelectualmente equilibrada e estimulante, voltando a ser valorizada a História com a qual tanto se aprende.

Assim chegámos ao sétimo número da nossa “Albergue” e, com ele, uma vez mais, a satisfação de mais uma missão cumprida. Manter a periodicidade e a qualidade, conseguindo também manter o aumento gradual do interesse dos leitores, a procura dos investigadores pelas fontes aqui publicadas, mas também o desejo dos autores em verem editados os resultados dos seus trabalhos de investigação, são factores mais do que suficientes para director e editor se sentirem preenchidos.

Passo a passo o concelho vai ficando mais rico e a missão apresentada no primeiro número vai sendo cumprida: criar uma edição que sirva de veículo de inventariação, preservação, valorização e divulgação da História e do Património do Concelho de Albergaria-a-Velha.

Neste sétimo número, trazemos a público um conjunto de artigos diversificados e de grande amplitude cronológica, que vão do século XVI, com um artigo sobre uma casa histórica, passando pela arquitectura, arte sacra, genealogia, tanatologia e por quatro artigos biográficos, qual deles o mais interessante, pois vão de uma afamada curandeira do século XVII a um conceituado advogado do século XX. Pelo meio, temos ainda um artigo sobre um projecto especial dedicado ao património natural.

Todos estes motivos serão, estamos em crer, mais do que suficientes para continuar a agradar aos leitores e contribuir para que todos aqueles que se interessam pela História e Património do Concelho de Albergaria-a-Velha aprofundem os seus conhecimentos, alimentem a sua curiosidade e se tornem mais atentos, mais informados, mais e melhores defensores e fruidores daquele que foi o legado dos nossos antepassados.

De novo, aqui fica o nosso mais sincero agradecimento a todos os autores, historiadores, arqueólogos e investigadores diversos, que colaboram graciosamente nesta publicação, trazendo a público os resultados dos seus mais recentes estudos e investigações.

Para imagem de capa, a escolha recaiu desta vez sobre a Adoração dos Magos, notável pintura do século XVII existente na Igreja Paroquial de Valmaior, desconhecida da grande maioria dos leitores.

A todos aqueles que tornaram possível a concretização deste projecto editorial, desde autarcas a colaboradores e leitores, o nosso muito obrigado.

Delfim Bismarck Ferreira - Vice-Presidente da Câmara Municipal e editor da revista municipal Albergue.

terça-feira, 10 de novembro de 2020

A necessária missão da Imprensa Local

No dia 3 de Maio de 2014 participei, na qualidade de director do Jornal de Albergaria durante 18 anos (1993-2011), numa mesa redonda, realizada no âmbito da exposição comemorativa dos 150 Anos de Imprensa Local no Concelho de Albergaria, a decorrer na Biblioteca Municipal.

A exposição é um acontecimento imperdível para os albergarienses, que poderão visitar os cabeçalhos e algumas páginas dos jornais que ao longo dos decénios aqui se foram publicando. É sobretudo uma oportunidade para, certamente com alguma surpresa, se verificar como era pujante a intervenção cívica dos cidadãos em épocas recuadas.


Do muito que de importante foi dito nessa mesa redonda, e do longo rosário de dificuldades, em confronto com a profusão de títulos que já se publicaram, ficou a apreensão pelo futuro da imprensa local, e concretamente da imprensa local em Albergaria. No fim de contas, que futuro para a nossa imprensa local?

Importa precisar que um jornal local não é um jornal que se “faz” e se vende numa localidade: ele é “local” em atenção ao seu específico conteúdo, predominantemente virado para os factos e pessoas da localidade que é o seu espaço físico e pessoal de observação.

JORNAL E PÚBLICO LEITOR

A imprensa local pressupõe um binómio incindível: um jornal e um público leitor. Um jornal só existe se houver quem o leia; um público leitor só é leitor se tiver um jornal que lhe interesse ler.

A questão que se coloca terá necessariamente de ser esta: o jornal local surge, porque já há um público para ele; ou o público será leitor, se houver um jornal local que o atraia?

Antigamente, e apesar das elevadas taxas de analfabetismo, em qualquer localidade havia um público leitor para as notícias que lhe importavam mais de perto. A inexistência de outros meios de comunicação, a coesão das comunidades, a importância, elevada, que os pequenos/grandes acontecimentos significavam para as pessoas, a necessidade afectiva dos que emigravam de saberem das coisas da sua terra e dos seus, a pontificação de líderes de opinião (licenciados, professores, proprietários, comerciantes), políticos (os caciques) e não só, intervindo activamente nos assuntos comunitários – eram ingredientes óptimos para que os jornais locais surgissem e proliferassem.

Havia, naturalmente, um público leitor propício a receber o jornal, a “consumir”. E os jornais surgiam, em épocas em que certamente até seria mais difícil conceber a sua existência, considerando a logística da sua composição tipográfica, as dificuldades de comunicação, a censura.

Apesar dos avanços tecnológicos e da informática, hoje as coisas não são assim. São piores.

Dada a frenética mobilidade populacional, com os caudais de pessoas que tão depressa vêm residir em Albergaria (e nas outras localidades é o mesmo), como daqui saem, as comunidades estão desestruturadas e desenraizadas. As pessoas estão cada vez mais de passagem, sem chegarem a criar laços afectivos profundos com uma localidade. Infelizmente, Albergaria derrapa perigosamente para ser uma localidade “de-onde-não-se-é”, ou seja, corre-se o risco de ser uma terra cujos habitantes estão de passagem, sem que alguma vez cheguem a criar raízes.

Assim sendo (ou quando assim for), diminuirá, abaixo do mínimo de subsistência, o público que se interesse pela história de Albergaria, pelos

seus antigos, pelas suas tradições ou costumes, pelos seus problemas, pelo seu quotidiano e, pior que isso, pelo seu futuro. E deixará de haver massa crítica que consuma e suporte um jornal local.

O “FAZER-PARTE-DE”

Só que isso é muito perigoso. A desagregação comunitária é um risco imenso e de consequências graves. É, desde logo, a própria negação da sociabilidade, pois as pessoas vivem em comunidade, e é em comunidade que se efectiva a sua dimensão primordial de ser social, de ‘homo gregarius’, enquanto manifestação da própria dignidade da pessoa humana. Sem comunidade, sem a consciência de pertença a um grupo, a pessoa estiola intelectualmente e afectivamente. Acresce que a sua consciência de pertença, de “fazer-parte-de” é um pressuposto básico da própria democracia, como modo de governo da coisa pública, sobretudo na sua configuração mais exigente de democracia participativa, e portanto da sua realização enquanto ‘homo politicus’.

É por isso que a sociedade só se realiza plena e democraticamente desde que os seus elementos participem activamente no seu fluir histórico. Mas para participarem, é necessário que tenham a consciência de a integrar, de pertença.

Ora, qualquer intenção de inclusão, de “fazer-parte-de”, fracassará se não houver o conhecimento do todo social, na sua dimensão histórica e fenomenológica. E aí a imprensa local desempenha um papel ingente, revelando o que foi, discutindo o que é, projectando o que será.

É por esta ordem de razões que a subsistência da imprensa local é um desígnio de natureza pública, isto é, de interesse público, que não pode ser deixado ao alvedrio das regras de mercado, de ser ou não rentável ou sustentável. Deve ser apoiada pela sociedade politicamente organizada, porque (por paradoxal que seja) só assim a imprensa local será livre e cumprirá a sua função de “integrador comunitário”.

E portanto, ao contrário do que acontecia antigamente, em que era o público que fomentava os jornais locais, bem me parece que hoje o sentido tem de ser outro: é o jornal local que, com a sua qualidade, criará o público leitor, contribuindo positivamente para a coesão da comunidade. Mas para ter a necessária qualidade, o jornal tem de ser persistente, o que não é compatível com regras de mercado, de estreita e redutora contabilidade de receitas e despesas. Tem de ser apoiado, porque é do interesse público que se trata.

Mário Jorge Lemos Pinto, Correio de Albergaria, 14/05/2014

https://arquivo.pt/wayback/20150912105330/http://www.correiodealbergaria.pt/?p=1184

http://jornais-aav.blogspot.com/2015/09/2014-artigo-sobre-imprensa-local.html

Foi o único director na 2ª série do Jornal de Albergaria que durou 18 anos. Curiosamente verificou-se no último ano o desaparecimento do Correio de Albergaria mas mantém-se o Jornal de Albergaria que reapareceu, na sua 3ª série, em 2018.

https://jornaldealbergaria.pt/pedido-de-contacto/


segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Hospital de Alquerubim

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A CONSTRUÇÃO CIVIL EM AVEIRO, 1860-1930 - NOTAS PARA A SUA COMPREENSÃO HISTÓRICA - MANUEL FERREIRA RODRIGUES

647-Pela sua importância, tanto na economia da região como no imaginário da época, sublinho a presença nesta relação de três emigrantes, «capitalistas», residentes ou regressados de Luanda, Califórnia e Brasil. Encomendam os prédios mais caros, mais sumptuosos e tecnologicamente mais evoluídos. Essas escrituras são, por isso, excelentes catálogos das soluções técnicas disponíveis, como, a título de exemplo, se mostra no Anexo II. Tornam-se notados e admirados pela sua filantropia, pela intensa actividade em prol do melhoramento das condições de vida nas suas terras de origem. Um bom exemplo é o do promotor da construção do hospital de Alquerubim, concelho de Albergaria-a-Velha, ao enfatizar os seus desígnios filantrópicos, afirmando que desejava «beneficiar com um hospital a freguesia de Alquerubim, onde nascera».

713-No contrato referente ao hospital de Alquerubim, o texto refere o autor do risco da obra, o Director das Obras Públicas deste Distrito de Aveiro, Eng. António Ferreira de Araújo e Silva. O responsável por uma grande parte dos projectos da cidade no século XIX, João da Maia Romão, desenhador e arquitecto da Câmara Municipal de Aveiro e professor do Liceu local, é referido como o autor de dois projectos: em Abril de 1883 desenha um jazigo e, em Janeiro de 1885, uma casa de habitação. Francisco A. Silva Rocha, director da Escola Industrial e Comercial de Aveiro, é referido, de passagem também, como o autor (...) três projectos: uma casa de habitação e de dois jazigos.

1302-Algumas escrituras explicitam claramente os «modelos das obras ajustadas: «Que todo o trabalho interior compreendendo estuques e madeiras será feito pelo segundo outorgante lo construtor] em conformidade com o seguido na casa de Rosa Marcela, sita no Largo do Cojo, desta cidade, que se escolhe por modelo, devendo ter igual acabamento e perfeição». Noutra obra, com projecto por certo da autoria de Silva Rocha, diz-se: «Servirá de tipo na execução  dos trabalhos e suas dimensões, no interior, a casa de habitação actualmente ao  Senhor [Frederico] Saporiti Machado, sita na Rua do Carmo, e de tipo dos trabalhos exteriores os respectivos desenhos e peças escritas». Na edificação do hospital de Alquerubim, «as carpintarias seguirão o tipo das da casa da Escola de Alquerubim, menos quanto ao envidraçamento das enfermarias, que serão persianas, tipo quartel de Cavalaria 10, desta cidade de Aveiro»