terça-feira, 25 de novembro de 2008

Arquivo Municipal ganhou casa própria


Quinhentos anos de história estão compilados em milhares de documentos que passam a estar reunidos no novo Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha. O arquivo da própria Câmara - que integra actas, plantas e registos oficiais -, testamentos com mais de 200 anos, cartas de foral, documentação das três sedes de concelho localizadas em Angeja, Frossos e Paus e registos locais únicos - tudo está agora ao dispor da população e de investigadores.

No dia da inauguração do Arquivo Municipal, a autarquia assinou protocolos com os detentores da antiga Fábrica Alba [Metafalb] e da antiga Fábrica de Celulose do Caima [credores da Reficel] com vista à entrega de documentação importante para o fundo local do concelho. A primeira entregou à autarquia as pautas da extinta Banda Alba e a segunda os arquivos que são marca documental do funcionamento da fábrica.

A Câmara quer continuar a estabelecer protocolos com privados que tenham em sua posse património documental de extrema relevância para a história do concelho. Estes protocolos apresentam duas vertentes. Uma estabelece a doação dos documentos à autarquia e a outra visa a entrega da documentação ao município, passando esta a ser uma entidade de salvaguarda daquele património.

Um exemplo de doação foi o de Jorge Figueiredo, neto do proprietário da Tipografia de Albergaria, de quem herdou uma colecção de 801 jornais da região do Vouga datados entre 1888 e 1945. Este espólio encontra-se agora disponível para consulta do público em geral no Arquivo Municipal, que dispõe de um moderno equipamento de procura de documentação desenvolvido no âmbito do programa Sal-On Line. Trata-se da digitalização dos documentos para uma melhor visualização e fácil utilização. A Câmara assegura que é um método simples de consulta, acessível a todos.

Oito anos de espera

Com o seu arquivo espalhado por diversos espaços municipais e sem o devido tratamento, a autarquia considerou “urgente” ter um espaço adequado para instalar o Arquivo Municipal. O processo começou em 2002 e demorou seis anos a estar concluído.

Em 2004, a Câmara apresentou uma candidatura ao Programa de Apoio à Rede de Arquivos Municipais para a integração do arquivo concelhio na rede nacional e para a realização de obras de adaptação do edifício da “cadeia”.

O acordo de colaboração com o Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo surgiu a 17 de Fevereiro de 2005 e foi homologado pelo então secretário de Estado para os Bens Culturais, José Amaral Lopes. Com este passo, o município garantiu 40 por cento de financiamento para as profundas obras de requalificação. À Câmara coube a restante parte do investimento.

O Arquivo Municipal tem uma área útil de 428 metros quadrados e três pisos. No rés-do-chão está a recepção, o depósito de documentos e a sala de leitura. Subindo ao primeiro andar, encontra-se os gabinetes de classificação e tratamento de documentos, gabinetes técnicos, uma sala de exposições e uma sala multiusos, preparada para receber iniciativas de carácter cultural e pedagógico. No último piso funciona a área de depósito de suportes audiovisuais e digitais.

De cadeia a Arquivo

O edifício que hoje acolhe o Arquivo Municipal é conhecido pelas gentes do concelho como a “cadeia”. A estrutura foi construída em 1901 pelo então presidente da Câmara, Bernardino Máximo de Albuquerque, que recebeu, em Março de 1906, os primeiros presos. A “cadeia” funcionou naquele espaço até ao início dos anos 70 do século passado, momento a partir do qual permaneceu sem utilidade até 1986. Neste ano, os Paços do Concelho entram num projecto de obras profundas de requalificação e a “cadeia” foi adaptada para acolher, temporariamente, os serviços da Câmara e da Assembleia Municipal, durante o decorrer das obras. Depois também foi escola e Junta de Freguesia e albergou a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens e o Centro para a Divulgação das Tecnologias de Informação.

Carmen Martins / Diário de Aveiro

1 comentário:

cruz disse...

Será Companhia de Celulose do Caima e não Fábrica de Papel do Caima (que pertence a Oliveira de Azeméis)