quarta-feira, 30 de maio de 2018

Monumento aos Combatentes do Ultramar

MONUMENTO AOS COMBATENTES DA GUERRA DO ULTRAMAR – 1961/1974


A Câmara Municipal e a Junta de Freguesia de Albergaria-a-Velha inauguraram um monumento aos Combatentes da Guerra da Ultramar. Louvo e admiro a iniciativa.


Expressões como “combatentes da guerra” e “ultramar” ainda são incómodas, apesar de decorridos mais de 40 anos após o fim da guerra.


Desde então, o soldado português, que combateu em África, passou a ser uma figura algo subalternizada na nossa mitologia, sem lugar no salão, porque associado ao regime “colonialista”. A historiografia politicamente correcta e bem pensante olhava (e fazia-nos olhar) o militar como alguém que, impreparado, se deixou tornar no braço armado do regime “fascista-colonialista”. Digno de “admiração” era o desertor ou o refractário, que fugiu à guerra colonial e foi para a Suíça, França, Suécia. O “sacrifício” elogiado não era tanto o do soldado, até porque pouco esclarecido e supostamente com pouca sensibilidade, mas sim o do desertor, que se recusou a ir para a guerra – e foi para o estrangeiro. Embora aquele desse o peito às balas – em certos meios bem pensantes era este o “herói”.


O termo “ultramar” foi radicalmente proscrito, dadas as suas ressonâncias passadistas: ao longo deste tempo, não se ouviu muito falar no “ultramar português”, porque o correcto passou a ser “colónias”.
Sabe-se que nem todos foram desertores, ou refractários: muitos foram para a guerra, porque entendiam que era esse o seu dever, sem o questionar, ou porque convictamente conscientes que tinham de o fazer. Embora por outras razões, o Partido Comunista Português não apadrinhou a deserção, demovendo os seus militantes de o fazer.


Ninguém ia para a guerra por gosto – mas iam, que remédio!


Nunca simpatizei com os desertores, cujas justificações “políticas” sempre me pareceram outra coisa, inconfessável.


Quanto ao ultramar, sendo certo que geograficamente os territórios africanos eram mesmo “ultramar” – a verdade é que, para quem estava no “continente”, ou para quem vivia lá, o “ultramar” sempre foi entendido como uma parte da nossa História e portanto da nossa consciência colectiva.


Sem preconceitos, sem receio de ofender a historiografia oficial, mas com a desempoeirada consciência de que a Comunidade tem uma dívida para com os Combatentes da Guerra do Ultramar, os nossos autarcas de Albergaria deram, com este monumento, um corajoso exemplo de civismo e de respeito fraternal por quem foi Combatente.


Mário Jorge Lemos Pinto, 29/05/2018, facebook
https://www.facebook.com/mariojorge.lemospinto


O Município de Albergaria-a-Velha homenageou os combatentes do Ultramar do Concelho numa cerimónia que teve lugar a 27 de maio, pelas 15h00, no Cineteatro Alba.



A seguir à cerimónia no Cineteatro Alba, onde foi exibido um documentário, a Câmara Municipal  inaugurou o monumento alusivo aos combatentes. na Alameda 5 de Outubro. A obra em pedra de granito foi concebida pelo arquiteto Sérgio Azeredo.




Delfim Bismarck, Vice-presidente do Município, considera que “com esta justa homenagem, valorizamos e honramos os combatentes do Concelho de Albergaria-a-Velha que participaram neste momento importante da História de Portugal”.




A Guerra do Ultramar decorreu nas antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, tendo sido destacados 148 000 soldados portugueses para as zonas de conflito.    


CMA.




Mortos na Guerra do Ultramar

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